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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.6 Patogenicidade de isolados de Pestalotiopsis spp.

Antes do estudo da patogenicidade dos diferentes isolados de Pestalotiopsis spp. inoculados, foi construída a escala para sua avaliação, baseando-se em medida de área lesionada de folhas atacadas à campo, isto é, em condições naturais de infecção (Figura 22).

AM770723 Fusarium incarnatum FJ895279 Fusarium incarnatum GQ915510 Fusarium incarnatum DQ465925 Fusarium equiseti F18 JF966252 Fusarium equiseti JF740872 Fusarium sporotrichioides JF740870 Fusarium sporotrichioides JF740808 Fusarium sporotrichioides JF740876 Fusarium sporotrichioides JF740869 Fusarium concolor JF740706 Gibberella intermedia 99 100 98 98 100 99 74 0.00 0.02 0.04 0.06 0.08 0.10

Figura 22 - Escala nominal e diagramática para manchas foliares causadas por Pestalotiopsis spp. em Carya illinoinensis.

Os sintomas iniciaram-se, em média, aos 13 dias após a inoculação, caracterizando-se por manchas de bordas irregulares e marrom-claras no centro, bem como por halo marrom-escuro. No centro da lesão, podiam ser observadas pontuações escuras correspondentes ao desenvolvimento do acérvulo do patógeno com exsudação de cordões de conídios (cirros), saindo do centro da estrutura. Após alguns dias, as manchas coalesceram formando lesões maiores, semelhantes às de uma queima foliar com intensa esporulação do fungo, culminando com a queda das folhas mais atacadas. Alguns dos sintomas descritos podem ser observados na Figura 23.

Sintomas semelhantes a uma queima-foliar já foram observados em nogueira- pecan, sendo estes associados a outros organismos patogênicos como Xylella fastidiosa (SANDERLIN; HEYDERICH-ALGER, 2000) e Glomerella cingulata (LATHAM et al., 1995).

Figura 23 - Teste de patogenicidade de isolados de Pestalotiopsis spp. Sintoma classificado como de alta severidade da mancha foliar associada à inoculação do isolado P7 (A); conídios de Pestalotiopsis sp. observados em microscópio em aumento 40x (B); mudas em câmara úmida logo após a inoculação foliar (C); detalhe, visto em lupa, de mancha foliar causada pela inoculação de Pestalotiopsis sp. (D); detalhe, visto em lupa, dos cirros (cordões de conídios) formados por Pestalotiopsis sp. (E).

Na Tabela 13, observa-se a percentagem de mudas sintomáticas após a inoculação com os 14 isolados de Pestalotiopsis spp., de acordo com a escala estabelecida para este gênero. Os isolados P6, P12 e P13, os quais também foram inoculados, não ocasionaram sintomas nas mudas, assim como também não foram observados sinais do patógeno na superfície das folhas, indicando ausência de

A

B

C

D

patogenicidade. Os isolados P2, P3, P4, P7 e P14, mostraram-se mais agressivos, já que apresentaram mudas classificadas como de alta severidade de ataque. Já os isolados P10 e P16 apresentaram sintomas nas mudas em baixa severidade, indicando menor agressividade.

Tabela 13 - Severidade (%) da mancha foliar causada por Pestalotiopsis spp.

Isolados Classes de severidade Início dos sintomas (dias)* Imune (0%) Baixa (7,5%) Moderada (15%) Média (30%) Alta (60%) P1 25 50 25 0 0 15 P2 0 0 37,5 37,5 25 15 P3 0 12,5 50 25 12,5 12 P4 0 0 25 50 25 15 P5 0 0 50 50 0 15 P6 100 0 0 0 0 - P7 0 0 12,5 50 37,5 10 P9 0 12,5 37,5 50 0 10 P10 12,5 50 37,5 0 0 15 P11 0 50 25 25 0 15 P12 100 0 0 0 0 - P13 100 0 0 0 0 - P14 0 37,5 25 12,5 25 9 P16 37,5 37,5 25 0 0 17

* Dias após a inoculação.

Fungos do gênero Pestalotiopsis já foram relatados causando manchas foliares em espécies florestais, como foi escrito anteriormente porUeno (2008), para amoreira-preta, espécie em que foram identificadas manchas foliares e lesões em frutos. Keith et al. (2006) encontraram várias espécies do gênero associadas a manchas foliares e verrugoses em frutos de goiabeira (Psidium guajava) no Hawaii. Espinoza e Briceño (2008), por sua vez, reconheceram Pestalotiopsis clavispora, P. neglecta e Truncatella angustata (=Pestalotia) associadas a sintomas de cancros e

morte de plantas de mirtilo (Vaccinium spp.) no Chile. Akrofi e Amoah (2009) relataram manchas foliares em carité (Vitellaria paradoxa) em Ghana, no continente africano.

Serra e Coelho (2007) encontraram a espécie Pestalotiopsis pauciseta como agente patogênico da mancha em helicônia (Heliconia psittacorum x H. spathocircinata cv. Golden Torch), com ocorrência de lesões nas brácteas na forma de manchas deprimidas, de ovaladas a elípticas, com centro branco acinzentado e bordas de coloração marrom avermelhada. Pontuações escuras, correspondentes aos acérvulos do fungo, foram observadas no centro das lesões; nas folhas as manchas eram ovaladas, de coloração marrom-palha, bordas regulares, envolvidas por halo amarelado. Nocentro das lesões formaram-se muitos acérvulos do fungo, nas faces superior e inferior das folhas, caracterizados como pontuações escuras. Segundo os mesmos autores, as manchas frequentemente coalesciam, formando extensas áreas necrosadas, com rompimento do tecido. Bastos et al. (2001) observaram manchas nas folhas e lesões nos frutos de mangostão (Garcinia mangostana) em Belém – PA, associados à Pestalotiopsis cruenta, sendo que, nas folhas, os sintomas apareceram na forma de manchas necróticas bem pronunciadas, de coloração marrom, bordas bem definidas, demarcadas por uma distinta margem de cor mais escura. Ao coalescerem, as manchas formam extensas áreas de tecidos necrosados, provocando a queda prematura das folhas. Os sintomas descritos por Serra e Coelho (2007) e Bastos et al. (2001) foram muito similares aos do presente estudo.

Na Tabela 14, são apresentados os resultados do teste de patogenicidade realizado com cinco isolados de Pestalotiopsis spp., em frutos de nogueira-pecan. Com esses resultados, é possível verificar a existência de patogenicidade a frutos, de isolados coletados como causadores de mancha foliar na espécie. Entretanto, somente os isolados P7, P10 e P11 causaram sintomas em frutos, caracterizados por necrose dos tecidos na região de inoculação, depreciando a qualidade do fruto. Esse fato demostra que o patógeno, além de causar perdas por desfolha e diminuição da área fotossinteticamente ativa, ao atacar folhas, também afeta diretamente a produção da noz.

Tabela 14 - Resultados médios (%) do teste de patogenicidade em frutos nogueira- pecan, após inoculação com Pestalotiopsis spp.

Variáveis Isolados CV (%)

P4 P7 P10 P11 P16 Teste**

Frutos Sintomáticos 0 c* 70 b 50 b 75 a 0 c 0 c 19,11

Futos Sadios 100 a 30 b 50 b 25 c 100 a 100 a 5,49

* Médias seguidas por mesma letra na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de significância.** Teste: testemunha.

Já existem relatos de ocorrência de fungos do gênero Pestalotiopsis como causadores de danos em frutos, inclusive em espécie arbórea do gênero Carya. Zhihong et al. (2010) identificaram Pestalotiopsis microspora como agente causal de mancha-preta na noz de Carya cathayensis na China, ocasionado perdas na produção desde 2007. Bastos et al. (2001) verificaram lesões nos frutos de mangostão (Garcinia mangostana), no estado do Pará, associados a Pestalotiopsis cruenta, sendo que, nos frutos verdes, os sintomas se caracterizam por pequenas lesões superficiais, que evoluem posteriormente, ficando com o centro deprimido e, muitas vezes, com rachaduras.