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3. Da argila à cerâmica

3.2. Processos de fabrico

3.2.3. Conformação

3.3.2.3. Pavimentos e revestimentos cerâmicos

O sector de produção de pavimentos e revestimentos cerâmicos é actualmente o que se apresenta mais interessante, sofreu a maior revolução tecnológica em termos de fabrico e tipos de produtos (Parras, 1997).

Os ladrilhos são o principal produto utilizado no revestimento de pavimentos e paredes. Estes são produzidos numa gama muito variada de características, em função das matérias-primas e dos métodos e procedimentos de fabrico (Lucas, 2003). Estes parâmetros influenciam as características porosas dos materiais e o seu grau de vitrificação. A matéria-prima utilizada na fabricação deste tipo de cerâmicos é tendencialmente de granulometria mais reduzida do que a utilizada em cerâmica estrutural. Devido às exigências em termos de resistência que estas peças necessitam após a sua aplicação, os materiais porosos devem apresentar um bom grau de impermeabilização o que exige, para além de uma pasta de granulometria mais fina, um processo de fabrico mais cuidado, com a utilização de prensagem e de temperaturas de cozedura superiores.

Para além da preocupação existente com os diversos tipos de resistência, a indústria tem procurado novas soluções estéticas, por vezes em prejuízo da economia no fabrico, quando

leva à introdução da dupla cozedura ou mesmo à adopção de terceira ou quarta cozedura (Lucas, 2003).

Existem, portanto, diversos tipos de ladrilhos cerâmicos, que devem ser seleccionados de acordo com as exigências funcionais correspondentes ao espaço a revestir. A classificação de Lucas (2003) divide os ladrilhos cerâmicos em:

 Ladrilhos porosos ou azulejos

Constituídos por material cerâmico poroso, coberto superficialmente por um vidrado ou esmalte, usualmente utilizados como revestimentos de parede.

A estrutura porosa pode propiciar riscos de fissuração ou elevada expansão com a humidade. A absorção de água é superior a 10%, frequentemente na ordem dos 15% e 20%.

 Ladrilhos de barro vermelho ou rústico

Estes ladrilhos são constituídos por uma base de barro vermelho não vitrificada, ou incipientemente vitrificado. Não são vidrados.

A absorção de água situa-se entre os 3% e 10%.  Ladrilhos de grés e semi-grés

A base cerâmica é de baixa porosidade, de cor branca a cor de barro vermelho. O grau de compacidade e de vitrificação crescem do semi-grés (semi-vitrificado) para o grés (vitrificado). Podem ou não ser vidrados.

Os ladrilhos de elevado grau de vitrificação são caracterizados por apresentarem elevadas resistências à flexão, ao desgaste e à acção do gelo, e baixa absorção de água. No entanto é difícil obter boa regularidade.

A absorção de água de um ladrilho de grés é inferior a 3%, sendo que o grés muito vitrificado apresenta um valor inferior a 1,5%. A absorção de água de um semi-grés varia entre os 3% e os 6%.

 Ladrilhos de grés porcelânico

Este tipo de ladrilhos apresenta uma base cerâmica completamente vitrificada, não sendo em geral, vidrados. Exibem uma cor raiada ou uniforme.

Possuem elevadas resistências à flexão, ao desgaste, à formação de nódoas e à acção do gelo, no entanto, a sua vitrificação conduz a uma significativa fragilidade perante o choque mecânico.

A absorção de água de um ladrilho de grés porcelânico é sempre inferior a 0,5%.

A norma europeia de referência para este grupo de produtos é a NP EN 14411:2008 – Pavimentos e revestimentos cerâmicos. Definições, classificação, características e marcação.

ladrilhos cerâmicos (produzidos por técnicas de extrusão e de prensagem a seco). As restantes normas referentes a estes produtos cerâmicos estão apresentadas na tabela seguinte:

Tabela 3.7 – Normas portuguesas relativas a pavimentos e revestimentos cerâmicos.

Propriedades Norma de

Ensaio Definições, classificação, características e marcação NP EN 14411

Amostragem e condições de recepção NP EN 10545-1

Dimensões e qualidade da superfície NP EN 10545-2

Absorção de água, Porosidade aparente, Densidade relativa aparente,

Massa volúmica global NP EN 10545-3

Módulo de ruptura e da resistência à flexão NP EN 10545-4 Resistência ao impacto por medição do coeficiente de restituição NP EN 10545-5 Resistência à abrasão profunda para ladrilhos não vidrados NP EN 10545-6 Resistência à abrasão superficial para ladrilhos vidrados NP EN 10545-7

Dilatação linear de origem térmica NP EN 10545-8

Resistência ao choque térmico NP EN 10545-9

Dilatação com a humidade NP EN 10545-10

Resistência ao fendilhamento para ladrilhos vidrados NP EN 10545-11

Resistência ao gelo NP EN 10545-12

Resistência química NP EN 10545-13

Resistência às manchas NP EN 10545-14

Teor de chumbo e de cádmio NP EN 10545-15

Pequenas diferenças de cor NP EN 10545-16

Reacção ao fogo EN 13501-1

A norma NP EN 1441 propõe uma classificação de revestimentos e pavimentos cerâmicos de acordo com o processo de fabrico e o valor de absorção de água (E). No âmbito desta dissertação, é de todo o interesse conhecer o seu conteúdo, assim, na tabela 3.8 está presente o seu resumo.

Tabela 3.8 – Classificação de revestimentos e pavimentos cerâmicos segundo a absorção de água (NP EN 1441).

E ≤ 0,5 % 0,5 < E ≤ 3 % 3 < E ≤ 6 % 6 < E ≤ 10 % 10% < E

Extrudido AIa Alb AIIa AIIb AIII

Prensado a seco

BIa BIb BIIa BIIb BIII

Manual CI CIIa CIIb CIII

A cada um dos grupos atrás apresentados, podem ser identificados um ou mais materiais cerâmicos:

AIa,b – Grés extrudido.

AIIa – Grés extrudido, klinker e tijoleira rústica.

AIIb – Tijoleira rústica e terracota.

AIII – Tijoleira rústica.

BIa – Pavimento em grés e klinker porcelânico.

BIb - Pavimento em grés, klinker e pavimento de bicozedura.

BIIa – Pavimento monocozedura.

BIIb – Revestimento monocozedura.

BIII – Azulejo (faiança). CI - -

CIIa – Pavimento rústico.

CIIb – Pavimento rústico.

CIII – Azulejo e pavimento rústico.

Segundo Lucas e Abreu (2006), Portugal tem uma grande tradição histórica na utilização deste tipo de produto. A sua aplicação iniciou-se com um propósito decorativo no período da expansão marítima por volta do século XVI. No século XX os azulejos foram adaptados como revestimento exterior, não pelas suas características decorativas mas pela sua durabilidade e menores necessidades de manutenção (Morais, 2007). Colen et al. (2008) refere que entre os anos de 1946 e 2001, os ladrilhos cerâmicos foram o terceiro material mais utilizado para revestimento de fachadas de edifícios em Portugal.

A sua frequente utilização é perceptível, nas casas de banho e cozinhas, essencialmente devido à sua reduzida porosidade. É usual a presença de prédios nas grandes cidades total ou parcialmente revestidos de materiais cerâmicos, vidrados ou não vidrados, portanto com diferentes graus de porosidade (figura 3.31).

A diversidade de factores e acabamentos que influenciam o produto final, tornam os produtos cerâmicos bastante versáteis em termos estéticos, podendo ser criadas uma grande variedade de produtos com diferentes cores, aspectos e características.

4. Patologias em revestimentos e coberturas exteriores

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