3.1 Políticas públicas de enquadramento do setor
3.1.3 PDR 2020
O segundo pilar da PAC – o desenvolvimento rural, inclui o apoio ao investimento agrícola, a manutenção da agricultura em áreas mais desfavorecidas, o apoio à florestação e pagamentos aos agricultores que adiram a programas ambientais (Baldock, 2013).
O desenvolvimento rural é um domínio prioritário para se compreenderem os obstáculos rumo a um desenvolvimento inclusivo e para vencer esses obstáculos. “Rural entendido como território que é quadro de vida social, mas também património biofísico a respeitar, ordenar e aproveitar de modo pleno e sustentável” (Rolo e Cordovil, 2014:7).
Os princípios gerais do 2º pilar da PAC continuam a ser os mesmos (cofinanciamento, programação nacional ou regional plurianual a partir de um «menu de medidas» europeu). É financiado pelo FEADER, o objetivo deste fundo é contribuir para a realização da estratégia «Europa 202011», através da promoção do desenvolvimento rural sustentável nos territórios
rurais. O FEADER deve contribuir para o desenvolvimento de um setor agrícola equilibrado do ponto de vista territorial e ambiental, menos prejudicial para o clima e mais resiliente às alterações climáticas, competitivo e inovador
(
Ragonnaud, 2016b).A aplicação da política de desenvolvimento rural depende da preparação pelos Estados- membros (ou pelas suas regiões) de programas de desenvolvimento rural. O Programa de Desenvolvimento Rural de Portugal – Continente 2020 está dividido em quatro áreas: I
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inovação e conhecimento, II competitividade e organização da produção, III ambiente, eficiência no uso dos recursos e clima, IV desenvolvimento local, englobando no total 10 medidas12.Portugal assume como prioritária a afirmação da importância do setor agroalimentar e florestal para a economia nacional, enquanto setor produtor de bens transacionáveis, dando relevo aos instrumentos de política pública que contribuem de forma determinante para o apoio ao investimento, promovendo a competitividade e a sustentabilidade do setor agroalimentar e a dinamização do meio rural, incentivando-se a renovação das gerações e o melhor posicionamento na cadeia de valor. Neste contexto, o apoio ao desenvolvimento rural contribui para assegurar condições que permitam melhorar a gestão sustentável dos recursos nomeadamente através de uma utilização mais eficiente dos mesmos, viabilizar sistemas tradicionais relevantes em termos ambientais e de ocupação do território e viabilizar o tecido produtivo e social nas zonas rurais (Portugal2020, 2015).
Com o início de um novo ciclo da Política Agrícola Comum, enquadrada na Estratégia 2020 da UE, Portugal concretizou a adoção de soluções equilibradas compatíveis com as necessidades das explorações agrícolas e empresas agroalimentares. Foi reforçada a posição negocial das Organizações de Produtores na cadeia alimentar. Mediante um conjunto integrado de atuações, encontram-se criadas as condições para o desenvolvimento de forma sustentável a partir da iniciativa do setor, assegurando o Estado as condições de contexto necessárias para uma boa operacionalização dos instrumentos e utilização eficaz dos recursos disponíveis (Portugal2020, 2015).
Em novembro de 2014, com a publicação da portaria 230/2014 que estabelece o regime de aplicação da ação 3.2 - Investimento na exploração agrícola - do PDR2020 efetivou-se um instrumento de apoio ao investimento para a agricultura de precisão. Esta ação tem como objetivos reforçar a viabilidade e a competitividade das explorações agrícolas, promovendo a inovação. Um dos critérios de seleção das candidaturas visa operações com recurso a tecnologias de precisão. Na orientação técnica especifica são inumerados com maior pormenor alguns dos investimentos materiais e imateriais refletidos na medida (Braga, 2014).
Pelo menos 30 % dos fundos do FEADER devem ser destinados ao investimento no ambiente e no clima, assim como os relacionados com o desenvolvimento das zonas florestais e a melhoria da viabilidade das florestas, as medidas «agroambientais e climáticas», a agricultura biológica e os pagamentos a título da rede Natura 2000 e pelo menos 5 % da participação do FEADER deve ser afetada à abordagem Leader13 (Ragonnaud, 2016b).
3.1.3.1 Medidas agroambientais
Em paralelo com a transição da PAC, novos desenvolvimentos ocorreram na política de conservação da natureza da UE. Outras necessidades de financiamento foram surgindo à
12Consultar o anexo B para ver a arquitetura do PDR2020.
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medida que a opção de trabalhar com os agricultores, e não contra eles, foi sendo adotada, pois a política agrícola necessitava do ambiente para a legitimar, e a política de conservação da natureza começou a trabalhar com os agricultores, pois eram eles os protagonistas. A maioria das medidas de incentivo à produção de bens públicos ambientais pela PAC está incluída na política de desenvolvimento rural. Algumas destas medidas são anteriores a 1992, e como já vimos anteriormente o PDR apenas se afirmou como segundo pilar da PAC na reforma de 2000 (Santos, 2013).A 30 de junho de 1992 um regulamento do Conselho criou, então, as medidas agroambientais, considerando que as exigências em matéria de proteção do ambiente são uma componente da PAC e que os agricultores fornecem um serviço à sociedade quando introduzem ou mantêm métodos de produção compatíveis com as crescentes exigências de proteção do ambiente e dos recursos naturais ou de preservação dos espaços naturais e da paisagem (Cordovil, 2003).
As medidas agroambientais também ajudam a compensar os agricultores por perdas de rendimento. Estas tornaram-se um dos mais importantes aspetos do segundo pilar da PAC, onde são utilizados fundos mistos nacionais e europeus. As medidas agroambientais têm sido um importante apoio a práticas agrícolas sustentáveis, mas o estabelecimento de programas agroambientais voluntários para inverter a tendência de declínio da biodiversidade nas terras agrícolas tem sido difícil (Baldock, 2013).
As regulamentações ambientais encontram-se sobretudo sob a forma de diretivas e cobrem diversas questões, particularmente relacionadas com a qualidade da água, a biodiversidade e a utilização de fitofarmacêuticos na agricultura. Estas diretivas estabelecem listas de pesticidas autorizados, os níveis máximos aceitáveis de resíduos de pesticidas e nitratos na água potável ou a proteção da vida selvagem e dos seus habitats, por exemplo. Alguns pesticidas particularmente tóxicos e persistentes foram retirados do mercado, ao mesmo tempo que se tomaram medidas com vista a promover a proteção integrada face às pragas e doenças que afetam a agricultura (Baldock, 2013).
As medidas agroambientais estão inseridas na Área 3 - Ambiente, Eficiência no Uso dos Recursos e Clima,
na
medida 7. Agricultura e Recursos Naturais, para ver mais detalhadamente consultar o anexo C.Os apoios agroambientais podem ainda aumentar, se por exemplo, na agricultura biológica e na produção integrada quando o beneficiário recorre à assistência técnica. O montante global do apoio, em cada grupo de culturas, é majorado, anualmente, em 5% ou 10%, quando o beneficiário é associado de uma agrupamento ou organização de produtores, nas seguintes ações: agricultura biológica, produção integrada, uso eficiente de água, culturas permanentes tradicionais, manutenção de sistemas agrossilvopastoris sob montado e apoio agroambiental à apicultura (PDR2020).
Atualmente ninguém paga pelos danos causados pelo sistema alimentar aos ecossistemas e o problema começa a fugir ao controlo, Lang (2013) e os seus colegas propuseram uma