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de Pedagogia Intercultural Indígena

JoelMa Monteiro de Carvalho

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Universidade do Estado do Amazonas (UEA – Brasil)

Resumo

Este artigo reflete os problemas socioculturais e educacionais enfrentados por grupos indígenas ingressos em cursos superiores oferecidos pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) via sistema mediado por tecnologia, o qual possibilita aulas para os 62 municípios do estado do Amazonas. O trabalho mostra ainda uma alternativa para o ensino indígena realizado de maneira contextualizada, demonstrando o caráter acolhedor da cultura, conforme é proposto nas leis de amparo à educação das minorias. Dessa maneira, o estudo orienta ao leitor para a importância do olhar crítico acerca da importância dos recursos tecnológicos na formação de professores de nível superior do Curso de Pedagogia Intercultural Indígena, proporcionando-lhes oportunidades de criação e participação em experiências com novas ferramentas metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador, interdisciplinar e multicultural, visando à superação dos problemas identificados no processo ensino-aprendizagem. Assim, realizou-se entrevistas e levantou-se um diagnóstico com 100 alunos, com o intuito de verificar a importância dos meios tecnológicos no referido processo, conforme a formação profissional de cada grupo étnico. Os resultados apontam que 80% dos entrevistados e l e v a r a m suas oportunidades de aceso ao bem cultural e educacional com a implantação da nova forma de ensino, uma vez que o conhecimento é levado aos municípios distantes da capital amazonense.

Palavras-Chave: Direitos humanos; Comunicação; tecnologia; etnia; curso superior; Amazonas

os indígenasno cuRsosuPeRiRo: dificuldadesenfRentadas

Com a criação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), muitos morado- res ribeirinhos, entre esses os indígenas, deixaram seu modo de viver em comunida- des ou em aldeias e passaram a buscar o conhecimento sistematizado na academia. No entanto, esses estudantes se depararam com diversos fatores capazes de impedir a sua boa relação, e, em consequência disso, a sua aprendizagem na universidade. Como exemplo desses empecilhos há: o pouco contato com os colegas em sala de aula, uma vez que apresentam costumes diferentes; a dificuldade de assimilação das metodologias de ensino utilizadas pelo professor; bem como as questões individuais como o modo de agir, de falar, de se comportar e até mesmo o próprio entendimento da língua portuguesa.

Shepherd e Saliés (2013: 38) contextualizam a invenção da imprensa: Em 1439, Johannes Gensfleisch zur Landen zum Gutenberg (circa 1938 –1468) inventou a prensa móvel, ele estava dando o primeiro passo, o empurrão, de

que a Europa tanto precisasse para que fosse dada a largada para uma grande revolução, de consequências imagináveis e duradouras; por que não dizer, para uma sacudida nas mais variadas esferas. Sem sombra de dúvida, a prensa móvel de Gutenberg foi um marco na história da humanidade.

No ano de 2009, a UEA implantou o primeiro curso de nível superior destinado aos indígenas, chamado de Pedagogia Intercultural Indígena, funcionando em 52 municípios do Estado, utilizando uma tecnologia IPTV (Internet Protocol Television), sistema presencial mediado, com acesso à internet. O objetivo principal desse curso é a formação de grau superior, além de levar e trocar saberes num processo dialógico para as minorias, por meio de teleaulas com tradução simultânea em várias línguas de origem indígena, como a dos Baniwa, a dos Tikuna, a dos Sateré-Mawé, entre outras.

Mapa1 – Mapa de atuação da Universidade do Estado do Amazonas Fonte: Assessoria de comunicação da Universidade do Estado do Amazonas/UEA.

Para a professora assistente Laura Dácio, mediadora de uma turma localizada no município Boa Vista do Ramos, Amazonas, relata que:

Muitos alunos sentem dificuldades de utilizar o chat, pois bem poucos fazem uso; porém é muito bom para eles, porque aprendem a se comunicar para tirarem suas dúvidas. Muitas vezes eu peço a eles que participem das interações com os colegas de outros municípios, para trocarem experiências pedagógicas relacionadas às disciplinas. Alguns alunos sentem-se inibidos, na hora da inte- ratividade, ficam preocupados, pois podem ser criticados pelos colegas de outros municípios, mas a maioria se esforça e aproveita a ocasião de dizerem o que sabem a respeito do assunto, em questão. Boa parte dos alunos indígenas sente dificuldade em manusear as ferramentas, sim, principalmente porque não possuem uma para utilizar nos estudos (entrevista realizada em agosto de 2013). Moran (2009) salienta que a internet é um grande apoio à educação, metafo- rizando que é uma âncora indispensável à educação. Enfatiza, ainda, a importância da formação continuada dos professores, aqui alunos em formação, voltada para a internet, uma vez que esta traz saída e levanta problemas. Isso é visto no momento que os alunos de quaisquer pontos localizados nos 52 municípios do estado do Amazonas tiram suas dúvidas em tempo real. Todas as aulas são acompanhadas pelos coordenadores dos cursos com pontos instalados na central, localizada no estúdio e no prédio da reitoria da UEA, em Manaus.

Dessa forma, todos os procedimentos metodológicos das aulas via sistema IPTV, sistema presencial mediado por tecnologia, são acompanhados e avaliados pelos docentes titulares. No momento das discussões no chat, os professores coor- denadores sanam as dúvidas pertinentes aos assuntos. Há dois momentos impor- tantes criados para socializar os conhecimentos e tirar as possíveis dúvidas: 1 – após a explicação do professor titular, que como dito antes encontra-se no estúdio central, abre-se de 20 a 30 minutos para a resolução dos exercícios refle- xivos, que são mediados com o professor tutor ou assistente em cada sala. Durante essa etapa, os estudantes promovem discussões a respeito da temática abordada. Em seguida, isto é, no segundo momento, o professor titular retorna com as aulas, e, ao final, inicia-se o segundo momento para os questionamentos via chat. O profes- sor assistente, com a sua turma, seleciona as perguntas e envia para o professor titular no estúdio central, após uma mesa de perguntas e de respostas são dirigidas e sanadas, em tempo real, as questões levantadas.

Foto 1 - Interatividade em tempo real

Fonte: foto fornecida pela acadêmica Andreza Sateré-Mawé, 01/012/2013. Interatividade em tempo real da comunicação feita com o acadêmico e com os professores titulares do

curso Superior da Pedagogia Intercultural, no município de Boa Vista do Ramos.

Durante a interatividade, os acadêmicos são visualizados por uma câmera que permite a comunicação com todos os municípios que estão conectados. Dessa maneira, os discentes são acompanhados e avaliados, não somente pelos professores titulares, mas também pela coordenação geral do curso da Pedagogia Intercultural Indígena. Essa metodologia, mediada por instrumentos tecnológicos, tem dado bons resultados para diversos estudantes do Estado do Amazonas, destacando-se, entre esses, os de origem ribeirinha, indígena, os pescadores e os agricultores, uma vez que para eles era um sonho cursar e concluir uma graduação, mas devido aos fatores geográficos que a região apresenta, esse sonho era quase impossível.

Dos 52 municípios que foram contemplados com o curso superior, fizemos um estudo nas cidades de Maués e na cidade de Boa Vista do Ramos, municípios parti- cipantes do curso superior Pedagogia Intercultural. Ambas as turmas foram contem- pladas com 50 vagas, das quais 80% foram destinadas aos indígenas, contribuindo para que os grupos que antes enfrentavam inúmeras dificuldades para ingressarem

tivessem acesso ao curso superior. Parte desses alunos torna-se professores nas escolas indígenas, localizadas nas (TI) Terras Indígenas da região amazônica.

Com base nesses dados, verificou-se que, com a chegada da Universidade do Estado do Amazonas em cada município do estado, iniciou-se um processo da busca e da valorização da cultura indígena, em modo especial da revitalização das línguas, além do avanço nas lutas social e político. Assim, durante todo o processo de formação dos acadêmicos, a Universidade procurou com a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) reforçar a implantação de escolas municipais indígenas com professores bilíngues, a fim de preservar a cultura de cada etnia, numa valorização das políticas afirmativas.

No aspecto social e político, a luta por uma educação escolar indígena e pelo bilinguismo era discutida pelo conselho indígena de educação e pelos órgãos governamentais, mesm o antes da Constituição de 1988. Com a Carta Magna de 88, a luta trouxe avanços significativos, pois, conforme o Decreto n.° 26 (BRASIL, 1991), a responsabilidade da educação indígena foi transferida da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) para o Ministério da Educação. Esses avanços são resultados do processo de mobilização das comunidades indígenas no Brasil, a ser vista como povos que constroem a própria história.

No que diz respeito à cultura, à ascensão e à valorização dos povos, vê-se que eles reafirmam a identidade que os marca, pois são sujeitos históricos possuidores de tradição milenar que necessita de análise e, sobretudo, de valorização.

Não se pode excluir ou menosprezar os saberes indígenas, pois cada povo apresenta suas características próprias, língua, costumes e tradições culturais, essas são objetos da etnolinguística, não somente no campo do saber, mas nas relações estabelecidas com a sociedade. Assim, o reconhecimento dos povos indígenas como cidadãos brasileiros, bem como a valorização dos costumes, das línguas marcadas pela identidade, possibilitarão a consciência étnica dos não indígenas em relação aos indígenas.

Segundo informações da Secretaria da Universidade do curso superior Pedagogia Intercultural Indígena, no ano de 2009, dos 2600 alunos ingressantes, em 2014, 667 acadêmicos desistiram por motivos de mudança residencial, adequação em ambiente escolar, saúde ou adequação à metodologia na modalidade semipre- sencial. Atualmente, permanecem estudando 1933 (um mil novecentos e trinta e três) acadêmicos que colarão grau e receberão o título de Pedagogo, para atua- rem na educação básica, nas séries iniciais. Desse total, 80% são oriundos de Terras Indígenas, ou de áreas rurais dos municípios em que o transporte é realizado por meio fluvial. Para eles, inicialmente, a metodologia utilizada causou estranhamento e, muitas vezes, demonstraram desinteresse frente à proposta de ensino.

Toda inovação tecnológica impacta a forma pela qual as pessoas se comunicam, ninguém pode negar. Foi assim quando o mundo conheceu a telegrafia, em 1839. Até então a única forma de passar mensagens vitais a longas distancias era via mensageiros a cavalo ou usando outros meios de transportes. (Shepeherd & Saliés, 2013: 41).

Mesmo com as dificuldades encontradas ao longo do curso pelos acadêmi- cos, as ferramentas tecnológicas utilizadas, não apenas na educação, mas também em outras áreas do conhecimento, é um meio que possibilita aos habitantes do Amazonas a oportunidade de garantir o acesso ao conhecimento. Durante a forma- ção do acadêmico, as ferramentas tecnológicas levam a comunicação, promovendo a interação do acadêmico com o professor titular, por meio do professor tutor ou professor assistente, que realizam a mediação do conhecimento e da aprendizagem, durante as aulas e durante as avaliações.

PRáticadeensinocontextualizada

Em busca de solucionar problemas de natureza sociocultural e etnolinguística, foi proporcionada aos alunos da turma de Boa Vista do Ramos, do curso Pedagogia Intercultural Indígena, uma visita a um sítio arqueológico, próximo à localidade onde estudam. A visita permitiu a reflexão sobre novos saberes, além de promover a socialização e a troca de conhecimentos. Durante as aulas, a visita possibilitou ainda a tentativa de manifestar contrariedade à destruição ambiental que ocorria no local, situado às margens do rio Paraná do Ramos, por conta da construção de uma estrada aberta por diversos tratores.

De acordo com Charlot (1997: 247),

[...] os sujeitos constroem significados para os objetos do mundo com os quais se relacionam sempre de maneira singular, entretanto, como isso ocorre ao longo de suas histórias de vida, baseiam-se nos múltiplos contatos sociais e eventos de que são partícipes na sociedade que os acolheu desde o nascimento.

No contexto do espaço, a estrada, porém, foi aberta para facilitar o tráfego de carros e carroças, ligando a cidade de Boa Vista do Ramos ao município de Barreirinha, no Amazonas. Mas o que foi visto foi um agravo ao meio ambiente e aos povos da região.

O antropólogo Franz Boas, pai da antropologia contemporânea, pioneiro nas ideias de igualdade raciais, enfatizou que a dinâmica da cultura está na interação entre os indivíduos e na sociedade, isto é, não se pode visualizar indistintamente; ambas se correlacionam. Para ele, cada grupo racial consiste em muitas linguagens familiares que são distintas, muito maiores do que as diferenças entre as populações como um todo (2009: 70).

Outro fator importante é a memória desses grupos, já que para eles a sociedade tem um contexto holístico, ou seja, é composta por uma memória social, que não divide a realidade em campos opostos para ser compreendida. Segundo Munduruku (2012: 47), a realidade é uma indivisível e não regida por um desejo individualista ou preocupada por anseios pessoais. São, portanto, povos que dão mais importância ao social e menos ao individual. Assim, durante a visita ao sítio, revigorou-se a memó- ria destes povos e identificou-se grande quantidade de cacos de artesanatos feitos em barro, com grafismo típico da etnia que habitava aquela região, a Sateré-Mawé.

Encontraram-se peças de panelas, de bibelôs com formato de sapinhos e carrancas, além de machadinhas e utensílios, utilizados como facas.

A localização do sítio arqueológico é aproximadamente a 200 metros de distância das margens do rio, num barranco com cerca 20m de altura. Por essa loca- lização foi possível deduzir que os indígenas da etnia Sateré-Mawé utilizavam este ponto estratégico para se proteger do homem não indígena, por isso encontrou-se alguns utensílios desse povo, no local. O proprietário da terra o senhor Raimundo Miquilles contou que a propriedade foi herança dos pais, já falecidos. Para ele, é comum encontrar peças indígenas enterradas no sítio.

Em retorno à sala de aula, os acadêmicos tiveram a oportunidade de discutir e registrar as observações feitas no sítio arqueológico. As alunas produziram e relata- ram suas experiências reais a partir do contexto vivenciado. Todos os registros foram feitos em língua portuguesa e na língua maué.

De acordo com os relatos dos acadêmicos, percebeu-se que o local não possui preservação ambiental e nem apresenta registros do Instituto do Patrimônio Histórico do Amazonas (IPHAM). Os alunos recolheram algumas peças encontradas no local para estudarem e, além disso, analisaram superficialmente a amostra da terra que, por ser preta, era boa para o plantio.

A terra é o meio de produção do homem do campo, por isso o interesse e o conhecimento prévio dos alunos a respeito do assunto. Os discentes verificaram ainda uma composição rica em humos, com presença de elementos, como folhas e restos de madeira, que servem para fertilização das plantações.

Diante dessa prática metodológica de ensino, verificou-se que as aulas media- das por ferramentas tecnológicas, mesmo com excelentes professores atuando no estúdio, os acadêmicos, principalmente os indígenas, necessitam vivenciar a reali- dade de suas comunidades, pois assim poderão aliar a teoria à prática e melhorarem seu desempenho como estudantes.

Em entrevista, Laura Dácio, professora que atuou como assistente em várias turmas do Curso de Pedagogia Intercultural (PROIND/UEA), em municípios diferen- tes do Amazonas – como em Boa Vista do Ramos, Juruá e Jutaí –, enfatizou que as vivências dos acadêmicos em formação fizeram realizar experiências docentes e viver bem no meio deles sem tristezas ou rancores, porque são pessoas que se esfor- çam para adquirir relevância no aprendizado amazônico, com olhares globalizados, linguagens contextualizadas e que têm compromisso com a educação.

Mesmo com essa nova concepção de aprender e de ver o mundo, que gerou processos no ensino e na aprendizagem dos acadêmicos, a Universidade deve buscar meios para trabalhar as questões culturais dos discentes e futuros profissionais, pois a realidade do amazonense tem características peculiares. Uma das prioridades é a valorização dos conhecimentos indígenas dentro e fora de seus contextos procu- rando de toda forma eliminar os preconceitos com as etnias. A outra é a troca de experiências; as vivências humanas, seus usos e costumes.

Toda interação resulta num aprendizado almejado para os povos amazo- nenses, indígenas ou não indígenas, que compõem a massa de graduandos. Neste curso, momentos importantes foram presenciados, na hora da troca de experiências metodológicas inovadoras e na interação das turmas entre os acadêmicos de outros municípios.

diReitoàeducação

O curso superior Pedagogia Intercultural Indígena (PROIND) possui alunos de diversas etnias, sendo, ao todo, 586 índios oriundos dos povos Apurinã, Arara, Baniwa, Baré, Dessana, Hexkariana, Jamamadi, Kaixana, Kambeba, Katukina, Kokam, Kulina, Macuxi, Marubo, Mayoruna, Miranha, Munduruku, Mura, Parintintin, Piratapuia, Satere-Mawé, Tariano, Tukano, Tenharin, Tikuna, Torá, Tuyuka, Wanano, Yanomami. O PROIND preocupou-se em verificar e apoiar o direito à educação escolar indígena, uma luta dos povos indígenas com os gestores, nas esferas municipal, estadual e federal, além de mostrar que as ferramentas tecnológicas proporcionam comunica- ção em tempo real em qualquer ponto do universo. Todavia, alguns municípios já dispõem secretarias de educação especializadas que tratam das questões pertinen- tes aos povos indígenas. Algumas instituições trabalham com metodologias próprias que atendem e respeitam os direitos dos povos indígenas, baseados na Lei Magna brasileira de 1998, conforme abaixo:

Nos artigos 78 e 79 do Ato das Disposições Gerais e Transitórias da Constituição de 1988, preconiza como dever do Estado o oferecimento de uma educação esco- lar bilíngüe e intercultural que fortaleça as práticas socioculturais e a língua materna de cada comunidade indígena e proporcione a oportunidade de recupe- rar suas memórias históricas e reafirmar suas identidades, dando-lhes, também, acesso aos conhecimentos técnico científicos da sociedade nacional (IBASE, 2004: 33).

A luta pela criação da Educação Escolar Indígena existe desde a Constituição de 1988 e da criação da LDB/9394/96, no entanto, as ações concretas só estão acon- tecendo atualmente. Exemplo disso é a entrega de uma instituição com sete salas de aulas, composta por professores, localizada na comunidade conhecida como Sagrado Coração de Jesus, do Aningá, onde vivem aproximadamente 20 famílias.

As mudanças linguísticas não ocorrem de um dia para o outro, nem aleato- riamente, segundo Castilho (1998), elas ocorrem em todos os aspectos da língua, especialmente na modalidade falada, por ser esta a modalidade mais exposta e sujeita ao uso diário no meio social, sofrendo alterações diárias, para atender as necessidades de seus falantes, e recebendo confrontos da vida cotidiana, sem cuida- dos especiais e mais livres do policiamento da sociedade elitizada.

Nessa perspectiva, no ano de 2012, a resolução de n.º 5, de 22 de junho, definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação Básica, da seguinte maneira:

Art. 1.º Esta Resolução define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a “Educação Escolar Indígena na Educação Básica, oferecida em instituições próprias”.

Parágrafo único Estas Diretrizes Curriculares Nacionais estão pautadas pelos princípios da igualdade social, da diferença, da especificidade, do bilinguismo e da interculturalidade, fundamentos da Educação Escolar Indígena.

Isso poderá, além de mudar o comportamento acerca da própria concepção de linguagem, refletir não apenas nas descrições das línguas, mas também nas ques- tões educacionais exigidas pela diversidade linguística. De modo especial, no Brasil, especialmente no estado do Amazonas; essa visão poderá promover a boa relação das diferentes etnias, línguas e costumes.

A Linguagem, o discurso, a cultura e a sociedade implicam muito mais do que simples diferenças de significados e interpretação; [...] pode afetar diretamente o entendimento, mesmo que entre falantes de uma mesma língua. Isso porque estratégias interpretativas de determinado tipo estão presentes em toda a socie- dade e comunidades, sendo passadas adiantes na comunicação adiante na forma de tradições comunicativas (Gumperz,1996: 86).

Nesse sentido, cabe aos Estados e aos municípios organizarem propostas curriculares, a fim de garantir à população indígena uma educação voltada para a interculturalidade, fundamentada para a educação escolar indígena, valorizando os costumes das etnias e trabalhando o conhecimento de maneira contextualizada.

Por ocasião do O 1º Simpósio Proind e Diversidades Amazônicas, ocorrido em Manaus, no ano de 2013, promovido pela Universidade do Estado do Amazonas, vários alunos pontuaram as dificuldades por eles encontrados, dentre elas o aspecto