B. C OMPLEMENTO DE GASTOS E CUSTOS
VIII. PEDIDOS
Com base em todo o anteriormente exposto e de acordo com os argumentos e provas que se apresentaram no transcurso deste processo, os Representantes respeitosamente solicitam à Honorável Corte que:
PRIMEIRO. Tenha como apresentado, em tempo e forma, este escrito e o
incorpore ao expediente para os efeitos correspondentes.
SEGUNDO. Rejeite as exceções preliminares apresentadas pelo Estado
brasileiro.
TERCEIRO. Declare a responsabilidade internacional agravada do Estado
brasileiro por estarem as violações denunciadas inseridas em um contexto de prática sistemática e generalizada de graves violações de direitos humanos contra a população civil que as caracterizam como crimes de lesa humanidade e por decorrerem também do descumprimento expresso do Brasil a determinações deste Honorável Corte.
QUARTO. Declare que o Estado brasileiro é internacionalmente responsável por:
1. Violar o dever de garantia do direito à integridade pessoal e liberdade de expressão (artigos 5 e 13 da CADH, em relação aos artigos 1.1, 8 e 25 da CADH, bem como aos artigos 1, 6 e 8 da CIPPT) em prejuízo de Vladimir Herzog, em virtude da não investigação dos atos de tortura praticados contra a vítima até a presente data, que se caracterizou como uma situação de violação permanente do dever de investigar e sancionar a tortura pelo Estado brasileiro, agravada pela intencionalidade de cerceamento da liberdade de expressão;
2. Violar os direitos às garantias judiciais e à proteção judicial, protegidos nos artigos 25 e 8 da CADH, em relação aos artigos 1.1 e 2 da CADH, em prejuízo dos familiares da vítima falecida em relação com os fatos do presente caso, em virtude da falta a seu dever de prover recursos adequados e efetivos, substanciados em conformidade com o devido processo;
3. Violar o direito à verdade (artigos 5, 8, 13 e 25 da CADH em conjunto com artigo 1.1 da CADH) dos familiares da vítima na medida em que se sustentou o falso suicídio por anos, ocultou e denegou acesso a informação relevante sobre o caso e permitiu a impunidade em relação ao ocorrido;
4. Violar o direito à integridade pessoal dos familiares da vítima (artigo 5 em relação ao artigo 1.1 da CADH) em virtude da impunidade dos crimes perpetrados contra Vladimir Herzog, o que lhes causou profundos danos à integridade psíquica e moral.
QUINTO. Em consequência, que ordene reparar adequadamente as vítimas e
seus familiares conforme estipulado na seção correspondente deste escrito; em particular que este Alto Tribunal ordene ao Estado brasileiro que:
1. Investigue os fatos por meio de instituições imparciais, independentes e competentes dentro de um prazo razoável e todos os indivíduos envolvidos nas violações denunciadas no presente caso, que participaram mediata ou imediatamente da prisão arbitrária, tortura e homicídio de Vladimir Herzog;
2. Assegure aos familiares das vítimas pleno acesso e capacidade de atuação em todas as etapas processuais, de acordo com a legislação interna e a Convenção Americana, e que os resultados das investigações deverão ser divulgados pública e amplamente, para que a sociedade brasileira os conheça.
3. Exerça o controle de convencionalidade com as decisões desta Honorável Corte, a fim de declarar sem efeitos jurídicos a Lei de Anistia brasileira, e outros dispositivos legais, como a prescrição e outras excludentes de responsabilidade que visem impedir a investigação dos fatos e a sanção dos responsáveis pelas graves violações aos direitos humanos e crimes de lesa humanidade durante o regime militar brasileiro;
4. Assegure que todas as instituições e autoridades civis e militares do Estado sejam obrigadas a cooperar com a submissão de informação e pleno acesso a todos os arquivos e registros que possam conter dados sobre vítimas ou supostos responsáveis das graves violações de direitos humanos e crimes de lesa humanidade ocorridos durante a ditadura brasileira;
5. Providencie, no caso de alegado extravio ou destruição dos documentos referentes às práticas do regime militar, a instauração de procedimentos administrativos independentes de reconstituição dessa documentação, junto ao órgão onde ocorreu a destruição ou extravio, bem como procedimentos investigatórios para apurar os agentes envolvidos com a devida
responsabilização pela ocultação, destruição ou extravio de documentos.
6. Promova um ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional e pedido oficial de desculpas pelas autoridades do Poder Público e das Forças Armadas pelas graves violações aos direitos humanos perpetradas contra a vítima do presente caso, bem como pela violação dos direitos de seus familiares;
7. Publique os capítulos relativos aos fatos provados e à análise jurídica dos artigos da Convenção violados, assim como a parte resolutiva da sentença de mérito em seu Diário Oficial e em um jornal de grande circulação nacional;
8. Conceda um terreno para a criação de um museu da imprensa brasileira, a fim de assegurar a perpetuação da memória da vítima;
9. Fortaleça os mecanismos de proteção aos jornalistas de todas as regiões do Brasil, aprimorando e fortalecendo do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) com a inclusão desses profissionais;
10. Adote medidas de combate à impunidade aos crimes de tortura, por meio de políticas públicas e mudanças legislativas;
11. Adote reformas legislativas para garantir a imprescritibilidade do crime de tortura e para a criação da carreira independente de perito garantindo a imparcialidade institucional da perícia.
SEXTO. Por fim, se solicita à Honorável Corte que ordene ao Estado do Brasil
reparar as violações sofridas pelas vítimas através do pagamento de uma indenização, em conceito de dano moral e danos materiais, e reembolso dos gastos e custas incorridos a nível nacional e internacional. As despesas futuras decorrentes do processo de litígio perante o Tribunal e a sua aplicação devem também ser reconhecidas no momento da emissão de reparações.