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7. ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DAS NARRATIVAS

7.1. OS COLABORADORES DA PESQUISA E SUAS NARRATIVAS:

7.1.4. Pedro

[...] Eu espero poder contribuir com o avanço da educação inclusiva, tanto para o ensino e o atendimento voltado para as pessoas com deficiência, quanto para a formação continuada dos profissionais que irão lidar de alguma forma com essas pessoas [...] (PEDRO, 2018).

Meu nome é Pedro, eu nasci em uma família humilde, comecei a estudar na pré-escola em uma escolinha particular no mesmo bairro onde fica a minha casa, mas depois quando eu passei para o primário, eu já fui para uma escola Municipal, do Município de Duque de Caxias, na fase do antigo ginásio, que hoje em dia é Ensino Fundamental II, eu passei para outra escola e, foi nesse período aí, é que eu tive a perda da minha visão esquerda, eu estava com 11 (onze) anos.

E... Eu acho que isso aí, em certo ponto, foi meio que interferindo, por eu ter tomado esse baque, porque eu fiquei reprovado na quinta série, que agora é o sexto ano, algumas vezes. E, aos meus 13 (treze), 14 (quatorze) anos eu preferi estudar à noite, no supletivo e fiquei 1 (um) ano e pouco estudando à noite e com, 15 (quinze) para 16 (dezesseis) anos, eu perdi a vista direita.Aí, eu saí da escola, porque eu já estava cego. Nessa época eu estava com 16 (dezesseis) anos, isso foi no ano de 2003. Eu fiquei até 2006 em casa, só saía com a minha família e não tinha feito ainda reabilitação.

Depois disso, eu passei a frequentar uma escola no Município de São João, na qual eu aprendi o Braille, aprendi a andar sozinho e voltei para estudar em turma regular, incluído. Aí eu fiz a 5ª série de novo, que no caso é o 6º ano e a 6ª série, que hoje em dia é o 7º ano. Quando eu passei para a 7ª série lá, eu optei em fazer supletivo no Benjamin Constant à

distância, na modalidade do Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA), e fui fazendo...Concluí o Ensino Fundamental lá e iniciei o Ensino Médio.

Aí, depois disso eu me transferi lá do Benjamin e vim para o CEJA daqui de Duque de Caxias, e continuei fazendo o Ensino Médio, isso já em 2015, 2014 eu acho...Eu já estava acabando já, eu fiz a prova do ENEM, e foi quando eu consegui ser aprovado. Eu já havia feito outras vezes, mas só em 2014 que eu fui aprovado e comecei o curso de Licenciatura em Educação Física na UNIGRANRIO, e continuei lá, agora no final de 2017.

Quando eu concluí a Graduação, eu me inscrevi de novo no ENEM, aí eu consegui ser aprovado de novo e ingressei agora no curso de Pedagogia na UFRJ, no Campus do Fundão. Eu acho que basicamente foi isso aí, no decorrer da minha educação, da minha fase escolar, eu sempre tive o incentivo da minha família, até pelo fato da minha família não ter muita instrução, eles me apoiavam a estudar, mesmo depois que eu fiquei cego. Então, essa é a minha história de vida escolar.

Falando um pouco da minha família, quando eu perdi a visão eu morava coma minha mãe, eu vim conhecer o meu pai já na minha pré-adolescência, mas eu tenho contato com ele até hoje, me dou muito bem com ele.

E, na minha família, todos me apoiaram, tanto por parte do meu pai, quanto por parte da minha mãe, todos me ajudavam, ia a médico, essas coisas... E, depois, meus irmãos, meus tios, a família inteira, graças a Deus, eu sempre tive o apoio de todo mundo em relação à perda da minha visão.

E, com uns 3 (três) anos que eu já estava andando sozinho, eu conheci a minha esposa, ela também é deficiente visual e nós temos uma filha com 8 anos de idade. Nós moramos sozinhos com a nossa filha e somos nós que cuidamos dela. E, a gente leva uma vida normal, claro, dentro das nossas limitações, mas a gente vive numa boa.Se tiver que sair para eventos diversos nós saímos, participamos de eventos com a família, com os amigos, tenho bastante amizade tanto com pessoas com deficiência, quanto com pessoas que não possuem nenhuma deficiência.

Então, basicamente, a minha vida é normal, igual a sua. Tenho trabalho, tenho uma matrícula na área da educação também, na Secretaria de Educação do Município, que eu fiz concurso em 2011 e fui aprovado e trabalho nessa área de educação em uma escola, inclusive é na mesma escola em que eu me reabilitei. Trabalho lá dando suporte como apoio também e, é isso aí [...]

[...] Sobre a minha perspectiva no mundo do trabalho, eu espero poder contribuir com o avanço da educação inclusiva, tanto para o ensino e o atendimento voltado para as pessoas

com deficiência, quanto para a formação continuada dos profissionais que irão lidar de alguma forma com essas pessoas. Pois, existem muitos profissionais que não sabem lidar com a questão da inclusão propriamente dita.

Eu acredito que todos os locais públicos, não só por questão de ser do governo não, público no sentido de atendimento ao público, como: escolas, Universidades, estabelecimentos comerciais, enfim, devem promover, por exemplo, palestras e oficinas de conscientização sobre a inclusão social de pessoas com deficiência, formas de acessibilidade, dentre outras coisas.

Os dirigentes poderiam procurar trazer isso para dentro desses locais, para quando chegar alguém que tem alguma necessidade especial, algum caso de deficiência, eles saberem como lidar. E seria importante também que as essas pessoas que lidam com o público, procurassem entender mais sobre o assunto, sobre como promover a inclusão, como garantir acessibilidade para as pessoas com deficiência, porque muitas das vezes, os nossos direitos são violados até porque há o desconhecimento dos direitos, como também existem muitos deficientes que não conhecem nem os próprios direitos, então, eu acho importante que isso seja mais divulgado.

Agora, com relação à diferença entre o olhar das pessoas que estão à minha volta e o meu olhar sobre a minha limitação, que é a cegueira, isso varia de pessoa para pessoa, porque a gente vê bem estampado às vezes na pessoa, quando procuram saber a minha formação por exemplo, perguntam:

– Ah, qual é a sua formação?

E quando eu respondo, a gente percebe aquele ar de surpresa. Como também tem pessoas que a gente já percebe que age naturalmente entendeu? Então, eu acho que há diferença sim, pela maior parte da sociedade, sim, tem essa diferença.

Em relação a trabalho, eu não encontrei dificuldades não, porque eu já tenho bastante conhecimento com pessoas na área da educação. Mas, as experiências que eu tive foram mesmo com o estágio. Eu trabalhava como trabalho hoje, mas não necessariamente dando aula, às vezes eles precisam de mim para auxiliar dando alguma aula, aí eu vou e faço, porque na verdade, a minha função lá não é de professor. Eu trabalho em São João, em uma escola da Prefeitura. Eu fico na parte do apoio, então, tem a turma da sala de recursos, da educação especial, aí eu trabalho junto com eles.

Quando tem algumas atividades que eles precisam do meu auxílio com os alunos deficientes, eu vou e ajudo... Inclusive, na época que eu estava fazendo estágio, eu dava aula

para eles. Tem as turmas de inclusão, então quando tem atividade de Educação Física para eles, eu participo para ajudar.

Eu comecei lá nessa escola na época do estágio da Graduação. Foi uma experiência muito boa, porque é na prática que nós temos a noção do que iremos fazer e do que é realmente ser um professor de Educação Física. Por isso, eu com certeza, acredito na ocupação de cargo na função em que me formei e pretendo trabalhar dando aulas de Educação Física para alunos com deficiência, não só como apoio, como eu estou hoje, mas como professor mesmo.

Eu me formei no segundo semestre de 2017 e a minha colação de grau foi em janeiro de 2018. E o tema da minha monografia foi: Os benefícios da educação física escolar para crianças com a síndrome do autismo. E, eu e o meu colega que fez o trabalho comigo, escolhemos esse tema porque é um público que hoje em dia tem-se encontrado bastante, alunos diagnosticados com o autismo, e os profissionais, não têm o conhecimento até que ponto eles podem contribuir na melhora ou manutenção... Assim... Estabilizando o estado daquele aluno, dando uma melhor condição de vida para ele. Aí, nós pesquisamos sobre isso e abordamos o assunto por esse motivo, para buscar compreender até que ponto a nossa profissão de educador físico pode contribuir na vida e na saúde do aluno que é diagnosticado com autismo.