Foto 38 – Peitica (Empidonomus varius) Foto: Raphael E. F. Santos, 2016
4.2.5 Espécies relevantes
Das espécies registradas durante a execução da 24ª campanha do monitoramento, destacam-se aquelas cujos registros são inéditos para o monitoramento (Tinamus major, Accipiter poliogaster, Micropygia schomburgkii, Tringa melanoleuca, Strix huhula, Pachyramphus castaneus, Fluvicola albiventer, Molothrus bonariensis e Parkerthraustes humeralis), além das demais espécies citadas no item “Espécies raras, ameaçadas de extinção ou protegidas por lei”.
4.2.6 Esforço amostral
O esforço amostral dos métodos sistematizados da 24ª campanha foi o mesmo empregado nas demais fases de campo, com exceção da quarta fase, a qual foi interrompida por motivos judiciais já em seu início, conforme exigido pela SEMA e solicitado pela COPEL. A Tabela 15 apresenta o esforço de cada método de pesquisa.
Tabela 15 – Esforço amostral empregado durante a 24ª campanha do monitoramento da avifauna
Método Quantidade / área
Coleta de dados
não-sistematizados - 3 2/área 23 70 h
O Gráfico 7 mostra a curva acumulada do número de espécies de avifauna registradas durante a 24ª campanha. Espécies foram sendo acrescentadas durante toda a campanha, conforme novos ambientes foram sendo avaliados. Dois dias inteiros desta etapa foram destinados apenas para aplicação de métodos não-sistematizados, o que permitiu com que espécies que não haviam sido detectadas até então durante o decorrer da fase pudessem ser encontradas. Os valores de riqueza acumulada dependem diretamente das condições climáticas observadas em cada dia durante toda a campanha, pois muitas espécies possivelmente estão presentes na área mas não são detectadas pelos métodos devido à ocorrência de ventos fortes ou instabilidade climática naquele determinado momento. Dias em que ocorrem chuvas ou ventos fortes tendem a gerar dados não tão satisfatórios como em dias de tempo seco e sem
vento, pois as aves sentem a mudança de pressão atmosférica e reduzem bruscamente a atividade.
Gráfico 7 – Gráfico ilustrando a curva acumulada do número de espécies de aves silvestres registradas durante a 24ª campanha do monitoramento
A linha cinza indica os números brutos contabilizados e a linha negra é a linha de tendência O Gráfico 8 exibe o número acumulado de espécies do monitoramento, que continua em ascensão mesmo após seis anos de pesquisa. A curva ainda está em plena ascenção e deve continuar ascendente em função do número de espécies ainda esperadas para o local monitorado. Esta curva não apresenta tendência a assíntota e o esforço deve ser mantido para que um valor próximo da real riqueza existente na região possa ser amostrado. A área de estudo está inserida em uma das zonas mais ricas em espécies de aves de toda a Amazônia brasileira, portanto, presume-se que haverá inclusões na lista de espécies mesmo após alguns anos de pesquisa.
Após a execução de 24 campanhas foi obtido um total de 543 espécies para as áreas amostrais. Este número é bastante elevado, porém, conforme já mencionado, espera-se um número ainda maior. Esta região apreespera-senta uma grande quantidade de espécies florestais e uma (relativamente) baixa abundância na maioria destas espécies. Desta forma, é necessário um grande esforço de pesquisa para que seja possível a detecção de um percentual satisfatório desta riqueza. Considerando que a extensão dos hábitats florestais de interesse é grande, torna-se provável que espécies inconspícuas e raras venham a ser detectadas gradualmente, à medida que o esforço aumenta e novas localidades da área de influência do empreendimento sejam vistoriadas.
Gráfico 8 – Gráfico ilustrando a curva acumulada do número de espécies registradas ao longo do monitoramento. A linha cinza indica a progressão dos valores de riqueza por campanha e a linha negra é a linha de tendência
O primeiro valor foi citado no EIA do referido empreendimento
4.2.7 Comparação entre as áreas amostrais
4.2.7.1 Parcela 1 – Canteiro de Obras (Área de Influência Direta)
O sítio amostral do canteiro de obras vem se mantendo como a área amostral mais rica em espécies de aves desde o início do monitoramento, sendo novamente aquela com os maiores valores de riqueza total (n=193). O valor atual para o canteiro de obras é o maior de todos já obtido durante todo o estudo (Tabela 16). Comparando-se este resultado com as campanhas anteriores tem-se: 135 espécies na 23ª campanha, 165 espécies na 22ª campanha, 157 espécies na 21ª campanha, 146 espécies na 20ª campanha, 171 espécies durante a 19ª campanha, 161 durante a 18ª, 137 espécies durante a 17ª, 141 espécies durante a 16ª e 188 espécies na 15ª etapa. Os demais valores podem ser consultados na tabela abaixo.
Quando o valor da 24ª campanha é comparado aos resultados obtidos na mesma época dos anos anteriores, pode-se dizer que este número é superior a todos os outros anos. De maneira geral, não está havendo oscilações expressivas na riqueza observada na área amostral do canteiro de obras, pois as alterações ambientais neste local foram localizadas e já se estabilizaram. O resultado atual acima da média normalmente obtida está relacionado a diversos fatores, dentre eles a recente
colonização de espécies generalistas na área do canteiro de obras. Deve-se mencionar que apesar dos valores de riqueza se manterem com pouca oscilação ao longo do monitoramento, a composição da avifauna está mudando. Aos poucos está ocorrendo o desaparecimento de alguns elementos mais exigentes e o surgimento de espécies pouco exigentes em relação ao estado de conservação do hábitat. Portanto, os números de riqueza podem permanecer semelhantes ou até superiores, mas estas substituições que ocorrem com o progresso da obra não são visíveis em análises que levam em consideração apenas a riqueza absoluta de cada ponto amostral.
A Tabela 16 apresenta todos os valores obtidos ao longo do monitoramento, destacando as campanhas realizadas no mesmo período.
Tabela 16 – Número de espécies de aves registradas na parcela da AID (canteiro de obras) em cada uma das fases de campo. Estão destacadas as campanhas realizadas na mesma época de cada ano
Etapa do monitoramento Número de espécies
Fase 01 178
4.2.7.2 Parcela 2 – Área do Reservatório (Área Diretamente Afetada)
Da mesma forma como que vem ocorrendo nas campanhas anteriores, o número total registrado na área do reservatório durante a 24ª campanha foi o menor dentre as áreas amostrais consideradas (n=42 espécies). No entanto, é natural que esta área apresente o menor valor de riqueza e o maior número de espécies generalistas, pois a vegetação florestal foi removida na íntegra e a presença de certas aves com característica sinantrópica reflete a condição atual dos ambientes presentes no local.
Atualmente está ocorrendo a regeneração da área suprimida e espécies vegetais pioneiras estão se estabelecendo e se desenvolvendo em grande parte da ADA. Este fato propicia modifica novamente o ambiente que estava estéril há pouco tempo atrás e propicia sua colonização por espécies de aves de diferentes hábitos ou exigências ecológicas. Esta regeneração já ultrapassa 4 metros de altura em diversos trechos, com destaque para a embaúba (Cecropia spp.) que é uma espécie vegetal bastante abundante nesta área e que vem se desenvolvendo rapidamente. As embaúbas possuem crescimento rápido e são típicas de áreas em regeneração por colonizarem facilmente solos expostos ou clareiras no ambiente florestal. Seus frutos atraem uma grande variedade de aves e morcegos frugívoros que, por sua vez, dispersam as sementes de maneira muito eficaz. Portanto, a área em regeneração onde será formado o reservatório já está sendo habitada por muitas espécies, dentre as quais não somente táxons generalistas mas até mesmo aves com elevada exigência ecológica. Como exemplo pode ser citado um indivíduo macho de anambé-pompadora (Xipholena punicea) se alimentando na área degradada que está se regenerando, conforme pode ser observado na Foto 39.
Foto 39 – Anambé-pompadora (Xipholena punicea) explorando a área em regeneração onde