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Quem já sobreviveu à reeleição do Lula, tirará de letra uma amarga vitória dessa sujsitinha (sic)... 123

Tal associação também é estabelecida, antes da final, por anônimo jzv (um participante da Net.BBB que não quis criar um apelido),

gy não vai morar fora do brasil (sic) ela disse que vai ajudar o nordeste. ela deve ter votado no pt.

ela vai ajudar com a dança da chuve (sic) rebolando o rabo fora gy mentirosa... 124

                                                                                                               

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Comentário escrito por Thunder no fórum BBB.Lua em 23/3/2008, às 04h04m. Thunder estava se referindo aos votos obtidos por Gyselle no paredão que disputou com Marcão, o último confinado a sair da casa antes da final entre Rafinha e Gy.

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Gysolan é uma referência a um dos principais patrocinados daquela edição do BBB, a marca popular de produtos de limpeza Assolan.

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Comentário escrito por Ale no fórum BBB.Lua em 24/3/2008, às 22h43m. Ale é uma dentista carioca com pouco menos de 30 anos.

Após Rafinha ser declarado o vencedor daquela temporada do BBB, Thunder demonstra sua satisfação com o seguinte comentário:

Pra fechar o pacote, agora só falta tirar o PT do "pudêr".125

De forma análoga, pode-se interpretar a publicação por Xexéu da letra completa do hino brasileiro, juntamente com a iniciativa de Dona Lupa de inserir uma mensagem clamando por ética em uma foto da bandeira nacional logo após a divulgação do resultado final, como um claro indicativo de que os debates em torno Big Brother Brasil oito transcenderam as discussões sobre autenticidade, capacidade de jogo etc.

Embora Manoel da Padaria acredite ser um equívoco fazer a conexão entre o BBB e a política nacional, ele não deixa de confirmar a existência de uma disputa regional envolvendo os torcedores pelos finalistas do programa.

Política

Não vamos misturar politica com BBB, o problema é mesmo regional... Até pq se compararem XL [Gyselle] ao PT, vão querer associar Rafinha ao PSDB.

Tbm nao gosto do Lula, mas acho q uma coisa nada tem a ver com outra. Os fanáticos pegam essas informações e transformam em salada de frutas pra eles...

Só o fato da associação de politicos do Piaui com XL já é um caso bastante grave.126 (sic)

Mesmo que, ao longo das entrevistas e dos questionários, a maior parte dos fãs do programa tenha conseguido sintetizar de forma relativamente objetiva quais elementos devem constituir as discussões pertencentes ao Big Brother Brasil – definido, em muitos casos, como uma espécie de “jogo do cotidiano do indivíduo” – percebe-se que, quando observados in loco, os participantes da Net.BBB não ficam limitados às referências dessa definição. Em certas situações, como em alguns dos debates que precederam a final da oitava edição do reality show, foi utilizado um amplo arcabouço de valores, (pré)conceitos e modelos, que dizem respeito tanto ao indivíduo, quanto à sociedade                                                                                                                

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Comentário escrito por anonimo jzv no fórum BBB.Lua em 23/3/2008, às 16h48m. 125

Comentário escrito por Thunder no fórum BBB.Lua em 26/3/2008, às 00h10m. 126

brasileira em geral, para dar conta dos acontecimentos dentro do confinamento e ao redor dele. Nesses casos, a fronteira que separa o participante do Big Brother enquanto um agente autônomo em suas decisões, daquele em que é visto como um sujeito delimitado pelas estruturas sociais que o envolvem, se torna invisível. Talvez, por não se darem conta dessa problemática, muitos fãs articulam tal divisão de forma explícita quando questionados sobre a mesma. Contudo, o uso da observação participativa como metodologia concomitantemente com as entrevistas presenciais e os formulários permitiu a constatação de incongruências em muitos desses relatos. A partir do momento em que, na visão desses fãs, a passividade demonstrada por Gyselle dentro do confinamento a desqualifica ao prêmio tanto quanto o fato de a piauiense ter despertado a empatia de uma parcela da audiência devido a sua origem étnica e sociocultural, percebe-se que a tentativa de julgar o indivíduo removido das suas relações com a sociedade não se realiza. Essa constatação leva a crer que os argumentos sustentados por Skeggs et. al e Morley (e também por outros trabalhos como Liebes e Katz, 1991) se mostram crucialmente relevantes.

Ainda que estes autores tenham desenvolvido suas argumentações baseadas em trabalhos conduzidos dentro de outras realidades sociais, o princípio que fundamenta suas proposições pode ser utilizado como referência para se pensar o objeto aqui pesquisado. Segundo Skeggs et. al, (2008), por exemplo, as distinções de capital cultural dos grupos sociais analisados na pesquisa das autoras – grupos estes pertencentes às classes média e trabalhadora britânica – foi responsável por uma razoável coerência de suas “performances” (conteúdo das respostas, maneira de responder etc.) realizadas ao longo da investigação conduzida. Dito de outra forma, a auto-reflexividade exigida dos informantes durante as entrevistas conduzidas por Skeggs, Wood e Thumim não era capaz de separar o agenciamento desses membros da audiência das estruturas sociais aos quais pertencem, conforme as teorias da individualização da sociedade fazem crer possível. De acordo com as autoras, “a auto- reflexividade, por si própria, depende do acesso aos recursos e às concomitantes formas de capital constituídas por classe, raça e gênero” (ibid., p. 4). O estudo das autoras britânicas foi capaz de oferecer importantes insights sobre as maneiras em que a classe social, enquanto categoria fundamental naquela sociedade, é atualizada dentro dos programas de reality show daquele país.

Todavia, a questão se colocou de forma distinta na presente pesquisa. Em primeiro lugar, pois este trabalho não se propôs a investigar uma amostragem da audiência estatisticamente representativa das diferentes categorias sociais presentes na sociedade brasileira, conforme empreendido por Skeggs et al. em relação ao país das autoras127. Como consequência, tampouco ambicionou analisar as leituras do programa tomando por base essas ordenações. Mesmo assim, a influência destas pôde ser percebida nas discussões realizadas pelos fãs a partir das cristalizações de tais categorias dentro do cotidiano vivenciado pelos confinados. Os sotaques, as maneiras de se comportar, os hábitos à mesa, as histórias de vida narradas etc., foram apropriadas pela audiência não somente como indicativos de uma autenticidade e de uma capacidade de adaptação dos participantes do BBB ao jogo, porém também como signos das influências das estruturas sociais sobre esses confinados, assim como dos agenciamentos que estes articulavam em face dessas estruturas. O blogueiro Tico do blog Novo Tico & Teco deixa isso bem claro em sua carta aberta de apoio á Gy publicada em seu espaço de discussão antes da final do programa.

Gyselle, você sabe que muitos não perdoam que não fales e/ou escrevas corretamente. Essa gente não te perdoa por isso, isso é defeito grave, não és a primeira participante a ser atacada por esse “grave” defeito. E como deves saber, para essas pessoas, a culpa disso é toda tua, não importa onde ou como tu vivestes, és culpada por errares ao falar. Como nós assumimos nossa ignorância, e como estamos acostumados a lidar com todas as camadas do povo brasileiro, sabemos que a maior fatia é exatamente como tu. E nenhum deles é assim por que gosta, algo o levou a ser (sic) assim. 128

Diferentemente da perspectiva enfatizada por Skeggs et. al (2008), a classe social – embora se apresente como uma divisão importante – não foi articulada de forma autônoma pelos fãs do BBB, porém em combinação com outras ordenações relevantes para a sociedade brasileira. O impacto observado na Net.BBB, assim como na grande audiência de um modo geral, pelo fato de Gyselle “representar” um estado pobre do nordeste na final do reality show é significativo nesse aspecto. Seja na forma de comentários irônicos, ou de argumentos explícitos (contra e a favor) feitos nas discussões da comunidade online, como também nas intervenções de políticos de                                                                                                                

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É importante salientar que a pesquisa conduzida por Skeggs et al. contou com substancial aporte de recursos do governo britânico, o que permitiu às pesquisadoras usufruir de uma ampla infra-estrutura, incluindo a contratação de assistentes, para a realização da mesma.

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Post publicado por Tico no blog Novo Tico & Teco (http://www.novoticoeteco.blogspot.com/) em 17/03/2008.

projeção nacional e empresários locais, a condição de nordestina da participante do programa teve influência proeminente na sua percepção pelo público. Em um post escrito após o anúncio da derrota de sua favorita, Tico oferece seu ponto de vista sobre essa questão.

Outro fato relevante que esse programa revelou, foi que continua o ódio de

algumas pessoas do sul maravilha129, contra aqueles brasileiros que habitam o Norte e Nordeste do país, vários comentários desse tipo foram deletados em nosso blogg, deixamos um para que permanecesse como prova disso. Será que esse povo ainda não aprendeu que somos um país só???? Que somos irmãos???? ... Mas isso não acontece, alguns habitantes do Sul/Sudeste, na verdade uns babacas, continuam a considerar os Nortistas e Nordestinos

como cidadãos de segunda categoria, e como tal, desprovidos de

inteligência e sem direito a opinião. E o nome disso é preconceito!!!! Quanta pobreza de civilidade, quanta pobreza de espírito, enfim, que vergonha!!!! 130

Embora Dona Lupa compartilhe a opinião com Tico acerca da influência da região de origem da Gyselle no processo de recepção da participante pela audiência, a blogueira paulista radicada no Rio de Janeiro acredita, ao contrário de Tico, que esse elemento trabalhe a favor da confinada, e não contra. De fato, Lupa chega a afirmar que Gy – assim como outros conterrâneos que já passaram pelo BBB – usou conscientemente o seu “passaporte nordestino” em benefício próprio no reality show.

A mania de passar por pobrinha já é característica dos participantes da Região Nordestina. Lembram-se da Pink, Geris BBB4, Jean Wyllys, Moisés BBB2, Elane BBB3, Mara do BBB6? Cruzes nem gosto de relembrar, além de se passarem por pobres são sempre arrogantes e soberbos. Falo dos participantes que apareceram nessas oito edições e não da população, porque, inclusive uma das minhas maiores amigas é baiana.

O que mais irrita é a torcida da Gy, ela não fede nem cheira, aliás, deve feder, mas não conseguimos sentir os odores pela teve, graças à tecnologia.

E se tem alguém que pode falar sou eu por que nunca torci por um candidato carioca, todos foram sofríveis em suas participações.

Isso não é preconceito e sim um fato. 131 (sic)

Simoni, em seu comentário apresentado anteriormente neste capítulo, sugere ainda que a derrota da Gy para Rafinha seria em parte decorrente da participante em questão ser “mestiça com cabelos ‘pixaim’”.

                                                                                                               

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Negrito inserido pelo autor do post. 130

Post publicado por Tico no blog Novo Tico & Teco (http://www.novoticoeteco.blogspot.com/) em 26/03/2008.

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É fundamental ressaltar que não se está, de forma alguma, insinuando que esses fatores tenham sido determinantes na vitória do campineiro sobre a piauiense. Mesmo porquê, grande parte das discussões na Net.BBB a respeito da participação de Gy ao longo do programa (especialmente nos dois primeiros meses do mesmo) focalizou primordialmente as suas atitudes dentro do confinamento. O que se deseja evidenciar, entretanto, é a clara influência de diversas categorias sociais – com significados por vezes opostos dependendo do contexto do grupo da audiência analisado – no processo de recepção do BBB (de um modo geral), assim como da performance desta participante (em particular). Categorias que, no caso investigado, parecem imbricadas numa complexa teia de organizações identitárias, tais como: classe social (classe média e classe baixa), identidades regionais (neste caso, configuradas dentro de um visível eixo de tensão entre o sul [ético/preconceituoso] e o norte do país [desonesto para alguns, ao mesmo tempo que humilhado, para outros]), raça (branco e mestiça de cabelo pixaim132) e gênero (homem e mulher [nordestina]).133

2.6 – O pessoal é político: a representação do feminino no BBB

Essa fama é muito doida, eu não fiz nada. Se eu tivesse estudado e feito um trabalho incrível até entenderia, mas só bebi, dancei e dormi.

(comentário feito por Natália, dias após ser eliminada do BBB8, acerca de sua participação no reality show134)

A exibição do cotidiano de pessoas “comuns” pelo Big Brother Brasil também despertou debates tradicionalmente presentes nos trabalhos que investigam o binômio recepção de telenovela e feminismo. Questões relativas ao papel da mulher dentro do programa foram detectadas de modo recorrente em diversas edições do reality show (especialmente na sétima, na oitava e na nona). Embora essas discussões tenham surgido nas mais diversas circunstâncias, tais como nas provas disputadas, nas alianças formadas entre os participantes, ou nas rotinas diárias ligadas ao preparo das refeições,                                                                                                                

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A própria dificuldade de Gyselle manter o alisamento do seu cabelo “ruim” durante os três meses de confinamento foi, por diversas vezes, ironizado nas discussões na comunidade.

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Podemos também especular que a recorrente associação da participante em questão com o presidente da república Luis Inácio Lula da Silva – igualmente um nordestino de origem humilde, e que teve sua imagem associada a escândalos políticos pela imprensa nacional pouco antes do BBB8 – indica que o uso destas categorias ocorria de forma explícita em outras instâncias naquele período.

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manutenção da casa etc., elas adquiriam maior importância quando envolviam relacionamentos amorosos ou conversas ligadas à sexualidade feminina.

Neste aspecto, Natália (Nati) teve grande destaque em sua controvertida participação no BBB8, mais até do que Gyselle. Embora não tivesse ciência à época do simbolismo que sua passagem pelo programa adquiriu – conforme a epígrafe acima deixa claro – a detentora do titulo de miss beleza mirim da cidade de Passo Fundo marcou aquela edição do Big Brother. Nati despertou reações opostas na comunidade de fãs pela forma como conduziu seu relacionamento amoroso com o colega de reality show e empresário carioca Fernando, assim como pela desinibição demonstrada durante diversas conversas com seus companheiros, nas quais detalhou intimidades de suas experiências sexuais passadas.

Natália e Fernando formaram o primeiro casal do Big Brother oito, já na festa inaugural ocorrida dias após entrarem no confinamento. De um modo geral, os fãs da comunidade online não se entusiasmam com romances precocemente iniciados no BBB. Tal atitude por parte dos confinados costuma ser vista como um indicativo de falta de personalidade e/ou oportunismo do casal (sem mencionar que a rápida resolução de uma possível sub-trama de sedução – que poderia, de outra forma, se arrastar por semanas – interrompe o desenvolvimento de um clima de expectativa e tensão entre a audiência). Os fãs da Net.BBB acreditam que o desejo de ter um parceiro amoroso na casa do Big Brother sem que seja dado tempo suficiente para conhecê-lo melhor, assim como aos outros possíveis candidatos (as), expõe tanto a incapacidade do participante de resistir a tentações sexuais imediatistas, quanto a relutância deste em enfrentar individualmente as dificuldades a serem encontradas ao longo confinamento, ou seja, sem o apoio de uma parceira (ou parceiro). De maneira similar, os fãs crêem que a busca por um romance “oportunista” é uma estratégia bastante óbvia e previsível de busca por aliados para o jogo. Lana, responsável pelo blog Na Boca de Matildes, aponta alguns desses argumentos no post em que publicou logo após a “Festa do Baco”, quando Naty e Fernando “ficaram” pela primeira vez.

Fernando e Natália: o primeiro casal do BBB

Eita povo precipitado, viu?!?!

Pois é... não deu tempo nem de percebermos que havia um certo clima entre os dois e eles foram lá e PEI!

Que urgência em estar com alguém; compartilhar energias e trocar fluídos essa galera mais nova tem.

Excesso de hormônios, carência própria dessa geração ou puro instinto, não sei, mas não me pareceu que a dupla tenha formado casal como estratégia de jogo.

Pouco os observei, já que não sou fã de casais no BBB e não me completo vendo ralação e melação dos outros, portanto não posso dizer ainda se gosto ou não da "pegada" da dupla. 135

Com o passar das semanas, no entanto, a maior parte dos fãs passou a enxergar a relação entre Fernando e Natália além da simples convergência de interesses no jogo. Aqueles com acesso às imagens contínuas do confinamento disponibilizadas pelo serviço de pay-per-view e pelo portal Globo Media Center (GMC) puderam acompanhar a rápida intimidade adquirida pelo casal, assim como as primeiras brigas e discussões de relacionamento (chamadas na Net.BBB de DRs). Considerando a relativa falta de acontecimentos na rotina do BBB que despertasse maior interesse naquelas primeiras semanas da oitava temporada do formato, as edições realizadas pela Rede Globo para o resumo diário começaram a dedicar mais tempo ao casal e, consequentemente, às suas cada vez mais constantes DRs.

Os desentendimentos entre o carioca e a gaúcha seguiam um padrão relativamente estável. Natália, embora constantemente afirmasse o seu envolvimento emocional e comprometimento com Fernando, não abria mão da companhia de outros colegas de confinamento, tanto ao longo do dia, como também durante as festas. Especialmente nestas ocasiões, a ex-miss gaúcha procurava companheiros do sexo masculino, principalmente Felipe, Rafinha e Marcos, para danças e conversas ao pé do ouvido. Fernando sentia-se claramente constrangido em tais situações, a ponto de começar a chamar a atenção de Natália durante as festas. Ao perceber que as reclamações não surtiam efeito, o empresário carioca começou a manifestar seu descontentamento em conversas privadas com Felipe, Rafinha e Marcos, quando tentava persuadi-los a evitar a aproximação mais íntima da gaúcha com eles dentro da casa.

Tais atitudes comunicavam a imagem de uma jovem não conformada que aceita passivamente as decisões de seu namorado, e que, mais do que isso, não se furta de flertar com outros homens quando assim o deseja. De fato, o apelido dado por Natália ao ser par dentro da casa, “Ferrari”, era indício do papel relegado ao carioca na relação dos                                                                                                                

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dois. Não deixa de ser irônico o fato de Natália ter usado um dos mais emblemáticos símbolos de consumo da sociedade contemporânea – tradicionalmente associado ao desejo masculino de afirmação de sucesso financeiro e virilidade – para apelidar seu namorado. Nati parecia tratar Fernando como um objeto de diversão e prazer, sinalizando uma inversão dos papéis tradicionalmente desempenhados pelo homem e pela mulher dentro da sociedade brasileira.

Em conversa com o também carioca Felipe, Fernando desabafa a sua frustração a respeito do relacionamento do casal:

Ela só me procura quando quer beijar na boca, ela nem fala comigo de dia... Ela dá prioridade a outras pessoas, não me dá força. Se eu não tiver uma fortaleza aqui dentro, prefiro ficar sozinho.136

Natália, por outro lado, também não se mostrava satisfeita com o tratamento conferido pelo namorado no dia-a-dia da casa. Fernando frequentemente repreendia Nati pelos constantes erros que a gaúcha cometia ao se expressar oralmente (conjugação dos verbos, pronúncia equivocada de vocábulos, entre outros), assim como pela maneira “despreocupada”, às vezes insinuante, com que ela se portava, sentava, dançava etc. (ou seja, mostrando desconhecimento ou desinteresse por convenções de postura e etiqueta). Do mesmo modo, Natália não gostava das constantes reclamações relativas à sua proximidade junto aos companheiros de Big Brother, especialmente dos homens.

As diferenças entre o casal, expostas publicamente pelas câmeras da Rede Globo, viraram atração na comunidade. Lana relata uma dessas contendas em seu post sobre a festa que havia ocorrido na véspera.

O que de melhor aconteceu na festa de ontem, foi a nova discussão do casal Fernando e Natália, em que ela lhe joga na cara umas boas verdades.

Fernando resolveu pela terceira ou quarta vez, terminar com Natália, alegando que ela não é companheira; não torce por ele; dá mais atenção aos amigos do que a ele.

Natália rebate dizendo que os amigos não a chamam de burra. Que no namoro dos dois não há respeito[...]

Enfim, mais uma briguinha do casal bumerangue, que no final terminou em beijos e amassos.137

                                                                                                               

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Conversa entre Fernando e Felipe no dia 13/02/08, reproduzida da transcrição publicada no blog

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