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Capítulo II A teoria das representações sociais

2.1 Pensamento social e conhecimento do senso comum

Moscovici e Jodelet, (2.3) Representações sociais e práticas sociais e (2.4). O ato de pesquisar e as representações sociais.

2.1 Pensamento social e conhecimento do senso comum

De acordo com Moscovici (1978) as Representações Sociais podem ser definidas

como “teorias” reais do senso comum, um “conhecimento coletivo” onde se procede à

interpretação e, também à construção de realidades sociais. Chaves e Silva (2013)

complementam que estudar as representações sociais é identificar a “visão de mundo” que os

indivíduos ou grupos têm e empregam na forma de agir e se posicionar. Nascimento (2015) ressalta a relevância da TRS “[...] um campo de estudos, imprescindível para as áreas do

conhecimento que tencionam compreender a dinâmica psicossocial das relações humanas responsável pela construção e representação da realidade” (p. 47).

As Representações Sociais como teoria tem seu surgimento no ano de 1961, com a

publicação do livro La psychanalyse, son image et son public do psicólogo social Serge

construção do pensamento social, entendendo o pensamento social como construído não por

um indivíduo apenas, mas formado e compartilhado pelos seres humanos no contexto social.

Para Moscovici (1978) as representações sociais podem ser consideradas teorias

originais do senso comum, uma mini-teoria que se inicia com uma interpretação sobre um

fenômeno, e, posteriormente na construção da realidade social. Evidentemente nem todo

conhecimento transmitido pelo senso comum deve ser entendido como produto de uma

representação social. O compartilhamento de ideias e julgamentos em comum, não de forma

automática, nem sem filtros, mas a partir de um lugar em comum, pensamentos e conceitos

formados de forma semelhante dado o mesmo fenômeno ser observado e compreendido por

diferentes formas de pensar, constitui portanto, uma representação social.

Sobre a questão, Rangel (2004, p. 66) faz uma interlocução ao afirmar que “[...] a

representação social é uma forma de conhecimento prático, de senso comum, que circula na

sociedade. Esse conhecimento é constituído de conceitos e imagens sobre pessoas, papeis e

fenômenos do cotidiano”. Desse modo, a representação social pode tomar como ocupação um

fenômeno do cotidiano na busca de se familiarizar com ele.

As representações sociais devem, deste modo, ser vistas como uma maneira específica

de compreender e comunicar o que já sabemos. Para Moscovici (2009, p. 46) tais representações ocupam “[...] uma posição curiosa, em algum ponto entre conceitos, que têm

como seu objetivo abstrair sentido do mundo e introduzir nele ordem e percepções, que

reproduzem o mundo de uma forma significativa”. As Representações Sociais constituem-se

em uma forma de compreender o mundo, bem como introduzir nele percepções e ordenações.

Por isso, uma das funções do processo representacional é a familiarização: tornar familiar o

que não é.

Posição compartilhada por Abric (1998) que explana que a representação social não

significante. Existe uma reorganização da realidade para integrar características objetivas do

objeto que é representado, assim como experiências passadas do sujeito e seu sistema de

valores e normas.

Sendo assim, compreende-se que os indivíduos não são apenas coletores de

informação. Moscovici (2003) esclarece ainda que as pessoas também não podem ser vistas

como seguidores de ideologias e crenças coletivas, as pessoas possuem o poder de pensar

ativamente e que o fazem principalmente nos mais diversos acontecimentos do cotidiano e nas

interações sociais, criam e comunicam suas próprias representações e soluções específicas

para as questões que surgem.

Moscovici (1978) teve como ponto de partida, a psicanálise, que na época, era uma

teoria controversa, porém muito divulgada, inclusive entre todas as classes sociais. Isso foi

extremamente importante, pois o autor era apreciador do raciocínio do senso comum, as

pessoas estavam estabelecendo semelhanças entre o conhecimento propagado pela psicanálise e diversas atividades da população. Porém, nessa mesma época e ainda hoje, “os tipos de

pensamentos foram divididos, categorizados como menos importante, o senso comum, e mais

importante ou legítimo, o conhecimento científico. Todos estes opostos referidos a suposta superioridade do pensamento científico e a inferioridade do pensamento diário” (Marková,

2016, p. 38).

As representações sociais se estruturam em três dimensões, a saber:

Atitude – configura-se como uma dimensão em que a representação social fornece a orientação global para a ação, favorável ou desfavorável, em relação ao objeto da representação; Informação – corresponde à sistematização dos conhecimentos que o grupo tem sobre o objeto; Campo da representação ou imagem – é a ideia ou imagem associada a um conteúdo selecionado e preciso sobre o objeto, fornecendo-lhe uma unidade a partir da organização dos conteúdos (Nascimento, 2015, p. 57).

De acordo com Nascimento (2015) as dimensões atitude, informação e campo de

representado. A dimensão da atitude implica na orientação da ação, ou seja, das práticas

cotidianas. Já a dimensão da informação tem em seu cerne a comunicação e os constructos

elaborados nos contextos de partilha. A dimensão do campo da representação ou imagem é

figurativa e está imbricada nas demais dimensões.

Nesta acepção, Jodelet (1989) estabelece que as imagens formam um conjunto de

significações, por sua vez esses sistemas permitem dar uma interpretação àquilo que é

percebido por nós. Essas categorias podem possibilitar uma classificação dos fenômenos e até

mesmo dos indivíduos no nosso relacionamento social e as teorias propiciam uma

compreensão da realidade social em sua totalidade.

Na seção 2.1 faço uma breve retomada histórica, destacando as contribuições de

Moscovici e Jodelet para a Teoria da Representação Social – TRS.