Sinceramente, não sei até onde iremos chegar.
Nos quartos das casas, nas reuniões familiares, no almoço, café ou jantar; nas salas de aula, nas praças, no ambiente de trabalho, nas igrejas, aguardando atendimento médico, ou na fila de um banco... as pessoas estão se transformando em verdadeiras parasitas. Parasitas de celular, redes sociais, bestialidades.
Não percebem o quanto isso é prejudicial à saúde sua, minha e do outro. Eu me preocupo muito com isso, pois faço parte da mesma população desses viventes, infelizmente. É incrível como a internet pro-pagou e ainda propaga a “ilusão” de diminuir a distância entre as pesso-as. Vejamos bem: elas estão cada vez mais distantes! Essa é a realidade.
Porém a globalização e, consequentemente, o capitalismo não querem admitir isso; nem podem, afinal são resultantes deles.
Retrógado, antiquado, matuto é quem não comunga dessas coi-sas, pensam. Pessoas perdem empregos, matrimônios, atenção dos fi-lhos, amigos; estudantes reprovam de ano letivo, se acabam aos poucos e não percebem, não refletem, não enxergam o motivo, a culpa... Isso é lamentável. Lamentabilíssimo.
Longe de mim reprovar tais avanços tecnológicos, pois sabemos que, em geral, facilitam muito nossa labuta diária e o acesso está cada vez mais crescente e ‘democrático’... Porém, acredito que seu uso deve ser como bebida: consumir moderadamente. É aí que está o problema:
as pessoas não têm limites nem se dão limites! Uma vez que o aparelho celular se tornou, propositalmente, gênero de primeira necessidade...
É necessário haver policiamento constante das nossas atitudes, convicções, falhas, erros e acertos. Principalmente tratando-se das in-ter-relações diárias entre os seus, pois, desde a essência, somos seres sociáveis, dependentes, agregáveis – não o oposto. Uma amizade virtual é incapaz de abraçar, chorar junto, apertar sua mão. O ideal é sempre refletirmos sobre o que é de fato essencial para nossa vida: uma rede social com milhares de amigos (virtuais/longínquos) ou um amigo de verdade e perto de você? Um sorriso postado ou um sorriso vivenciado?
Ipojuca – PE, julho de 2017.
Ela
Já faz um bom tempo que não a vejo. Estou falando de uma garota que conheci na juventude. Minto, não foi simplesmente uma garota como o artigo denota, é muito mais que isso. Ela, olhar tímido, mas segura de si... jovem, mas determinada... amiga, porém sensata...
se eu for realmente descrevê-la, esta página e outras adiante seriam in-suficientes. Seus olhos, seu jeito, seu porte, diziam muito a seu respeito.
Quase impossível não ser notada.
Ah! Se vocês soubessem o quanto eu admirava e ainda continuo a admirar aquela mulher. Mas, não sei se por falta de sorte, ou coisa do destino, ou mesmo força do acaso, ela saiu da minha vida. Ela teve que sair, infelizmente. E sofro, sofro demais por não ter lhe revelado antes o que eu pensava, o que eu sentia, o que eu queria dizer e não tive co-ragem. Acho que por medo mesmo. Talvez medo de não conseguir ser tão claro assim, ser embaraçoso nas palavras, ou mesmo medo de ser rejeitado. Mas enganei-me. Eu que fui orgulhoso por não ter consegui-do lidar com a situação. E perdi tempo. Perdi a chance de, finalmente, aprender ou pelo menos tentar aprender a amar alguém...
Nunca acreditei em destino. Menos ainda em bobagens como amor à primeira vista. Fui sempre um homem rude. Amar, pra mim, era para os fracos. Sempre vi que quanto mais as pessoas amavam, mais sofriam, mais se humilhavam. E eu, óbvio, não queria ser o próximo a entrar nessa estatística. Para mim, o amor não existe. Não, minto, agora
sei que ele existe, que sempre existiu e era eu quem nunca dava o bra-ço a torcer, que resistia, até conhecê-la. Ela fez minha opinião mudar, meus sentidos se expandirem. Com ela, percebi o que era o amor. Mas ela nunca soube disso, pelo menos assim acredito.
Não sei se era coisa da minha cabeça, ilusão de ótica ou coisa semelhante, mas havia momentos em que ela olhava-me de um jeito bem diferente. De um jeito que só ela sabia me olhar, e que só os ‘apai-xonados’ conhecem. Até pensei que era recíproco o sentimento... infe-lizmente nunca o soube de verdade, pois nunca chegamos a trocar uma palavra se quer. Talvez foi esse o meu erro. Até hoje lembro-me dela. Ela tinha um futuro brilhante. Sempre achei que teria. Quanto a mim, ah!
Me repudiarei sempre por ter cumprido um papel de mero figurante na vida daquela mulher, enquanto poderia ter sido protagonista. Hoje tenho um bom trabalho, alguns amigos; entretanto, sempre faltará ela em minha vida, porque é somente ela quem preenche o meu vazio e oxigena meu coração.
União dos Palmares – AL, janeiro de 2016.
Baculejo
Sempre acreditei que os policiais protegiam as pessoas, as co-munidades, a sociedade de forma geral. Até admirava essa profissão.
Admirava. Mas, de uns tempos pra cá, analisando bem algumas situ-ações, percebo que não é bem assim, que não há o que se “admirar”, pelo contrário.
Aqui no bairro onde moro é comum vermos os policiais uma vez ou outra revistando o pessoal. Melhor dizendo: é comum eles só re-vistarem os pobres, pretos e malvestidos. Quando passam os jovens de classe média / alta, brancos e bem vestidos, eles nem olham, ignoram.
Numa festa social e aberta ao público, por exemplo, é a mesma coisa.
Eles já chegam trancando um ou dois moleques, os outros de escolta dão cobertura, então eles revistam... só vocês vendo pra crer o modo como eles abordam os rapazes... E não pode reclamar, não, se não leva tabefes e chutes. Digo isso com propriedade porque presenciei e fiquei horrorizada com a cena, me senti mal, saí de perto; é como se eu tivesse visto eles fazendo isso com um irmão meu ou amigo ou parente, aquilo me doeu bastante... É assim que conseguem o respeito?
Para eles, todos os pretos e pobres são drogados, traficantes, la-drões, bandidos. Agora, por que o tratamento com filho do juiz ou do prefeito, do bancário ou do comerciante, é diferente? Deveriam che-gar assim também, não deveriam? Na verdade... não, porque esses têm
“donos”, àqueles não. É como se existisse polícia apenas para proteger
quem não necessita de proteção; e os que realmente necessitam são vistos como indigentes, indignos de (proteção). Enquanto alguns desse ramo querem realmente fazer um trabalho diferenciando, honesto, pro-bo, outros, mais precisamente a maioria, são corrompidos e entram no mesmo barco. E só para refletirmos: Como é que nossas fronteiras são fortemente protegidas se a cada dia mais drogas e armas adentram em nosso país? E ninguém vê? Quem é que se beneficia com isso? Quem é que permite isso daí? O que ganham em troca?...
União dos Palmares – AL, fevereiro de 2016.
Evasivas
É muita bobagem o fato de as pessoas divulgarem seus feitos – exibirem ações “voluntárias”, e postarem nas redes sociais. Coisas como fotos de viagens, passar em alguma prova/vestibular, visitar alguém ou ser visitado, treino de academia, chegando ao trabalho, estando no tra-balho, que está doente ou coisa parecida, ajudando alguém... e essa atu-al onda desgarrada de memes então (mas, parafraseando o célebre Gil Vicente, é rindo que se castigam os costumes!), enfim, em minha opinião, muito besteirol.
Acredite, isso não acrescenta nada à sua vida, nem a dos outros.
Primeiro, porque não é tão relevante assim saber toda hora o que estão fazendo nem onde estão, afinal estão apenas divulgando – indireta-mente – questões como localização, pessoas com as quais convive, onde estuda, lugares que costuma frequentar, entre outras coisas. Segundo, porque não podemos ter (e nem sempre é conveniente) a obrigação de Comentar, Curtir ou Se inscrever. Nos poupem de tantas futilidades, amigos! A vida é mais que isso! As pessoas, aliás, nem todas, porque para toda regra há uma exceção (e que bom), costumam pensar que a internet resume-se a isso: redes sociais, e redes sociais se resumem a isso:
postar besteiras, falar sobre besteiras, comentar sobre besteiras... Não, pessoas, vocês estão em demasia equivocadas.
Essa parte que você mais costuma desfrutar é apenas a ponta do iceberg. E, antes que me esqueça, a internet não é um mundo sem
lei, ou melhor, as redes sociais não o são, você que pensa e acaba pro-pagando a destruição alheia do outro e a sua também, sem pensar nas consequências. Sua página é só um reflexo do que você é e pensa, e só complementando: você é o que você posta, lembre-se.
União dos Palmares – AL, fevereiro de 2016.