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PERÍODO DE OBSERVAÇÃO DA TURMA

No documento AMPLAMENTE: EDUCAÇÃO PARA A VIDA (páginas 186-189)

Observando a sala de aula do 4º ano pude perceber que grande parte da turma encontra-se com sérias dificuldades, mas mantive o foco nos alunos mais preocupantes no que diz respeito ao total desprendimento da leitura e escrita.

Durante esse período percebe que os alunos procuram sempre durante a explicação da professora algum tipo de entretenimento. Os mesmos praticam brincadeiras, desenham, rabiscam ou simplesmente conversam sobre coisas alheias a aula. As badernas geralmente são promovidas por alunos que sofrem essa defasagem na aprendizagem.

No decorrer das aulas os alunos estão desconcentrados atrapalhando até mesmos os demais que procuram responder e a participar das atividades. A professora é paciente e está sempre procurando explicar os assuntos das atividades trazendo para o contexto do aluno, porém geralmente sem sucesso. Isso se deve as constantes interrupções dos alunos. A sala de aula está sempre cheia, porém com a qualidade da aprendizagem muito inferior.

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Os alunos observados não se preocupam em aprender ou se que se importam se seus pais serão informados da sua total ausência das atividades.

Ainda na continuidade da aula os alunos com tais dificuldades entram constantemente em momentos de ausências, incomodam com perguntas sem nexos e saídas constantes e desnecessárias ao banheiro ou pátio da escola, quando na verdade buscam apenas sair para aparecer sem qualquer tipo de razão especial.

Tais atitudes deixam a professora desmotivada, sem vontade e disposição para dar continuidade à aula. Isso é um ponto preocupante, pois a mesma é parte essencial na aprendizagem do aluno, por isso é necessário acreditar e insistir usando outras formas e necessário para alcançar metas.

É perceptível observar a total rejeição a partir do momento em que a professora inicia a aula com disciplina de português e claro na lousa ao escrever. Os alunos executam a escrita de forma mecânica, sem expressão e indagação ou observação sobre a escrita. Os mesmo imaginam que em todas as atividades a escrita é a única coisa que dominam.

Ao aproxima-me das carteiras para ver o desempenho dos alunos, percebo uma triste realidade, a escrita é sem noção. Os alunos não sabem nem o que estão transcrevendo. Apenas rabiscam formas aleatórias, palavras sem nexos ou sem sentido.

Após isso nada mais, já sem paciência os mesmo promovem as famosas badernas, incitando sempre os demais a participar e interferirem tornando tudo um caos.

Percebo total desprezo pela didática aplicada pela professora na sala de aula. Ao término a pressa é um grande descontrole, é como se a sala de aula para eles fossem uma prisão e não um lugar de liberdade de aprendizagem e pensamento altruísta.

Outro fator observado foi a violência, grande parte dos alunos que se envolve com violência na sala de aula são alunos com dificuldades de aprendizagem, tais alunos estão mais propensos. Esses alunos se excluem psicologicamente, por isso os mesmos geralmente agridem e tornam a aula improdutiva e desinteressante. Cada vez mais estes alunos se sentem marginalizados das atividades escolares por não se sentirem parte de algo da qual sentem incapazes de executar.

Esses dias de observação foram suficientes para entender que os problemas que esses alunos têm a respeito da leitura e escrita, são fatores preocupantes. A sala inteira demonstra dificuldades, porém em âmbitos e graus diferentes, procurei selecionar entre

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os alunos desta referida sala de aula apenas 04 (quatro) para aplicar métodos não convencionais, de acordo com as descobertas na dificuldade particular de cada individuo. O primeiro passo foi pesquisar sobre especialistas e suas respectivas pesquisas na área da psicogênese que trata das dificuldades da leitura e escrita. Iniciei minha pesquisa com algumas questões que era essencial saber:

• Que alunos não conseguem aprender?

• Que problemas podem bloquear a aprendizagem dos alunos?

• Quais métodos usar para obter resultados satisfatórios na área de leitura e escrita com os alunos?

• O que é importante observar na metodologia do plano de aula que será colocado em prática?

Ao buscar tais conhecimentos encontrei um caminho que me parece mais confiável e sólido para obter respostas. A doutora em psicologia Emília Ferreiro foi propulsora nas descobertas no campo da aprendizagem na leitura e escrita, tornando-se um marco na transformação de um novo olhar para essa prática.

De acordo com Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1986) a aprendizagem é processual e envolve níveis estruturais da linguagem e escrita que explicam essas diferenças individuais e nos mais diferentes ritmos. Esses níveis são denominados de nível pré-silábico, silábico e alfabético.

Obtendo o conhecimento de tais níveis, fez-se necessário identificar a qual nível os alunos participantes da pesquisa se encontravam para poder selecionar as atividades adequadas a capacidade atual de cada aluno.

Após obter os dados, fez-se necessário promover com cada um dos mesmos um momento particular para aplicação das atividades desenvolvidas. Esses alunos terão apenas uma atividade em comum, o contato direto e real com diversos tipos de textos diversificado.

O uso desse tipo de material é importantíssimo, pois segundo Ferreiro e Teberosky (1986) as crianças que mais se encontram com dificuldades de leitura e escrita são as que menos tiveram contato com textos escritos em qualquer forma. Por isso a importância de promover esse encontro.

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A variedade de tais textos remete a importância do contexto de vida dos alunos, que Segundo Ferreiro e Teberosky (1986) deve ser levado em consideração como parte ativa e real da aprendizagem. Introduzir tais conhecimentos prévios é compreender que o aluno de alguma forma mesmo sem saber ler e escrever de acordo com as normas educacionais traz consigo conhecimento do mundo, pois os mesmos convivem constantemente com diversos tipos de textos que remetem informações sobre algo ou alguém e nem se dão conta disso.

Ferreiro e Teberosky (1986) ainda fala sobre uma pergunta clássica como se deve ensinar a ler e escrever, quando na verdade a pergunta é outra, e sim como alguém aprende a ler e escrever. Independente do processo que o aluno é submetido é importante o professor entender que isso é um processo de construção de conhecimento multo onde o educador ajuda o educando na sua busca pela aprendizagem. Dessa forma o aluno estará sempre se aperfeiçoando cada vez mais ao atingir metas e a necessitar ultrapassar dificuldades de comunicação coletiva.

As atividades dos alunos estarão ligadas com o objetivo direcionadas para os textos expostos a eles. Isso facilitará a aprendizagem, pois tais textos trarão noticias e histórias das quais os mesmos conhecem ou já ouviram para que ocorra entendimento liberando assim a autoconfiança. Os educando se sentirão parte de uma construção de troca de conhecimentos.

No documento AMPLAMENTE: EDUCAÇÃO PARA A VIDA (páginas 186-189)

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