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4.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

4.2.4 Período e procedimentos para coleta de dados

Após aprovação do Projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Pesquisas AGGEU Magalhães, no período de 08 de novembro de 2012 a 07 de janeiro de 2013, procedeu-se à coleta dos dados, durante a qual foram realizadas observações in loco, reuniões com grupos focais, com construção de mapa de grupo, empregando a Metodologia de Análise de Redes do Cotidiano (MARTINS, 2009c).

Após contato com todos os sujeitos da pesquisa para explicação dos objetivos e convite de sua participação, foram agendadas as atividades, que estiveram distribuídas em três fases complementares, para dar conta dos objetivos propostos. Inicialmente, a pesquisadora procedeu à leitura crítica integrativa de material acadêmico disponível4 sobre o tema, bem como dos indicadores sociais5, relativos ao local pesquisado, para constituição da base teórica essencial na interpretação dos resultados que foram originados a partir da adoção do método de pesquisa qualitativo para observação das interações sociais.

Na primeira fase da coleta de dados, a pesquisadora procedeu a caminhadas pelas

4 Publicações das principais revistas de Saúde Pública, dissertações e teses relacionados ao tema.

5 Atlas de Desenvolvimento do Recife, PNAD, dados do DATASUS, Atlas da Saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, dentre outros.

áreas de abrangência, onde atuavam os profissionais das UBS, locais de estudo, para observação das interações que se estabeleciam entre os diversos atores da pesquisa, durante o processo do cuidar, admitindo-o em toda sua abrangência. Nessa fase, foram realizadas anotações em diário de campo, as quais incluíram conversas e ações, para enriquecer os dados, permitindo uma análise em profundidade das interações sociais, na perspectiva de identificação dos profissionais “chave” para o estudo investigativo.

A programação dessa fase não requereu agendamento prévio posto que os profissionais estavam no exercício de suas atividades rotineiras do cuidar, sobre as quais a pesquisadora não interferia.

Fora do campo de pesquisa, ao final de cada dia, a pesquisadora procedia à transcrição dos dados, durante a qual realizava análise preliminar, com o intuito de, ao dia seguinte, enriquecer aspectos que não haviam sido completamente compreendidos. Para tanto, o campo de pesquisa foi ampliado para incluir observações participantes no território de saúde, privilegiando espaços como consultas compartilhadas, ações de educação em saúde ou terapêutica, realizadas em grupos de profissionais ou de usuários, reuniões técnicas de equipe, reuniões com o Conselho de Moradores, bem como outras atividades relacionadas ao cuidar em saúde, agora admitindo como foco da atenção o detalhamento das interações entre os profissionais responsáveis pela prestação do cuidado. Dessa feita, a pesquisadora participou também de reuniões dos profissionais de Saúde da Família e do NASF. Durante essas atividades, foi obedecida a técnica de anotação em diário de campo, com posterior interpretação das trocas interpessoais e das formas de construção de alianças, reciprocidades e confianças.

As observações dessa fase buscaram atender especificamente a dois interesses:

identificar as ações efetivamente desenvolvidas ou potencializadas pelo trabalho das equipes SF e NASF, possibilitando visualizar articulações espontâneas como também planejadas em conjunto, inclusive com as equipes gestoras. O segundo foco de interesse nessa fase da coleta de dados foi identificar os processos envolvidos na inserção do NASF no serviço de Atenção Primária, indicativos da promoção de abertura para reconhecimento do usuário como cidadão.

Quando se identificou a saturação da coleta de dados nessa fase (FONTANELLA et al., 2011), ou seja, quando não se identificaram fatos ou aspectos novos, a partir dos registros no diário de campo, teve início a segunda fase, na qual os elementos mais importantes foram os informantes identificados como “chave” fosse nas interações com outros profissionais, fosse com os usuários. A segunda fase consistiu em coleta de dados em grupos focais e na

construção do mapa de grupo

Para obedecer ao rigor científico, admitiram-se os seguintes conceitos (MARTINS, 2009c):

a) Grupos focais – os quais consistiram em reuniões de pesquisados com características semelhantes, identificadas na primeira fase da coleta dos dados, incentivando-os a refletirem sobre suas consciências práticas, reverem suas consciências discursivas, como método para revelação de novas formas sociais em torno do objeto em questão.

Os grupos focais auxiliaram a pesquisadora e os participantes na compreensão das ações de saúde desenvolvidas pelo NASF, na perspectiva macro e microssociológica, captando representações conscientes ou significações práticas;

b) Mapa do grupo – compôs-se de uma dinâmica de grupo, realizada dentro do grupo focal, para possibilitar aos participantes a detecção de problemas centrais que os afligiam em relação ao tema em análise, como intermediação para a construção ou reconstrução da compreensão dos fatores que facilitavam ou interferiam na resolução dos problemas, reconstruindo as relações entre os elementos sociais relevantes para a pesquisa. Esses fatores foram colocados em um gráfico composto por círculos concêntricos, de diâmetro crescente, denominado mapa de grupo (Figura 1), de tal sorte que o círculo central representou o grupo focal analisado, e os demais círculos descreveram três problemas definidos pelos participantes como centrais em relação ao objeto em estudo, a partir da análise em rede e, finalmente, os círculos mais externos expressaram dispositivos colaboradores ou inibidores para a resolução dos problemas.

Fonte: Elaborado pela Autora

Na segunda fase da coleta de dados, foram formados dois grupos focais, um, geral, integrados por dois representantes do NASF, e seis profissionais da Saúde da Família, juntamente com dois gestores do Distrito Sanitário 2 e a

de Atenção Básica, e outro, composto exclusivamente pelos profissionais do NASF, considerado mais específico. As reuniões dos grupos focais ocorreram em dias distintos segundo grupo a ser analisado, obedecendo a agendam

estipulado para coleta dos dados e acordado com todos os participantes de cada grupo, durante o horário de trabalho.

Para realização dos grupos

de facilitar a realização da coleta de dados (APÊNDICE A), elaborado

por base as leituras críticas que precederam a coleta dos dados.

O instrumento esteve composto por s

nortear o desenvolvimento do grupo pelo mediador. Tais questões ficaram de posse do mediador, sendo entregues cartelas com palavras chaves referentes a cada questionamento para os investigados (APÊNDICE B). Ta

dos grupos focais, sendo-lhes solicitado pronunciar

partir de seu interesse pelo que estava sendo apresentado. Esta opção técnica

buscou evitar a indução de respostas pelos investigados. Ao final de cada grupo focal foi realizado o mapa do grupo.

Figura 1 – Esquema do Mapa do Grupo.

Autora

Na segunda fase da coleta de dados, foram formados dois grupos focais, um, geral, integrados por dois representantes do NASF, e seis profissionais da Saúde da Família, juntamente com dois gestores do Distrito Sanitário 2 e apoiadores institucionais da Gerência de Atenção Básica, e outro, composto exclusivamente pelos profissionais do NASF, considerado mais específico. As reuniões dos grupos focais ocorreram em dias distintos segundo grupo a ser analisado, obedecendo a agendamento prévio, durante todo o período estipulado para coleta dos dados e acordado com todos os participantes de cada grupo, durante

s grupos focais, foi convidado um mediador externo na perspectiva ealização da coleta de dados, o qual obedeceu a

elaborado pela pesquisadora, especificamente para essa pesquisa, tomando por base as leituras críticas que precederam a coleta dos dados.

O instrumento esteve composto por sete questões facilitadoras

nortear o desenvolvimento do grupo pelo mediador. Tais questões ficaram de posse do mediador, sendo entregues cartelas com palavras chaves referentes a cada questionamento para os investigados (APÊNDICE B). Tais cartelas ficaram visíveis para todos os integrantes lhes solicitado pronunciar-se sobre uma ou mais dessas palavras, a partir de seu interesse pelo que estava sendo apresentado. Esta opção técnica

ndução de respostas pelos investigados. Ao final de cada grupo focal foi realizado o mapa do grupo.

GRUPO FOCAL

DISPOSITIVOS COLABORADORES

PROBLEMAS CENTRAIS DISPOSITIVOS INIBIDORES

Na segunda fase da coleta de dados, foram formados dois grupos focais, um, geral, integrados por dois representantes do NASF, e seis profissionais da Saúde da Família, poiadores institucionais da Gerência de Atenção Básica, e outro, composto exclusivamente pelos profissionais do NASF, considerado mais específico. As reuniões dos grupos focais ocorreram em dias distintos ento prévio, durante todo o período estipulado para coleta dos dados e acordado com todos os participantes de cada grupo, durante

mediador externo na perspectiva , o qual obedeceu a um instrumento-guia para essa pesquisa, tomando

questões facilitadoras, que possibilitaram nortear o desenvolvimento do grupo pelo mediador. Tais questões ficaram de posse do mediador, sendo entregues cartelas com palavras chaves referentes a cada questionamento is cartelas ficaram visíveis para todos os integrantes se sobre uma ou mais dessas palavras, a partir de seu interesse pelo que estava sendo apresentado. Esta opção técnica-metodológica ndução de respostas pelos investigados. Ao final de cada grupo focal foi

GRUPO FOCAL

COLABORADORES

DISPOSITIVOS

As discussões ocorridas durante as reuniões dos grupos focais foram gravadas e, posteriormente, transcritas, constituindo-se nos resultados desta pesquisa.