Hamilton Octavio de Souza exerce o jornalismo desde o início dos anos 1970. Trabalhou nos jornais Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, na Editora Abril e em veículos sindicais e ligados a movimentos populares. Colaborou com artigos para publicações como Brasil de Fato, Cantareira, A Palavra Latina, PUCViva, etc. Esteve entre os fundadores do Partido dos Trabalhadores (1980), do qual se afastou em 2004. “Até 89 era um partido agressivo, combativo, em defesa da transformação profunda da sociedade. A partir de 89 foi começando a fazer concessões na linha política”, declarou
84 mais tarde.25 Atualmente é professor da PUC-SP.
Souza assinava a coluna “Entrelinhas – A mídia como ela é”, desde o número 100 (julho de 2005) da revista. Assumiu a editoria com José Arbex Jr. e Igor Fuser no número 145 (abril de 2009). Em junho do mesmo ano passou a ocupar o cargo sozinho. Sua estréia teve matéria de capa destinada ao protesto contra a “Ditabranda” na sede do jornal Folha de São Paulo, com uma chamada para entrevista concedida pelo então governador maranhense Jackson Lago (PDT). Não houve mudança no quadro de articulistas em relação ao número anterior. A publicidade foi reduzida à segunda e à quarta capas (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, respectivamente). Inexistem referências de tiragem, lacuna que permaneceria nas edições seguintes.
Capa do número 145
Entre março e abril de 2011, a revista conheceu a sua primeira reforma editorial de grandes proporções. Houve cortes pontuais no quadro de colaboradores e uma reorganização temática do conteúdo, agora dividido no sumário em “reportagens”, “entrevistas”, “artigos e colunas”, “seções” e “charges”. Os articulistas e colunistas remanescentes foram MC Leonardo, José Arbex Jr., Sérgio Vaz, João Pedro Stédile, Gilberto Felisberto Vasconcellos, Fidel Castro, Frei Betto, Luís Vignolo, Gershon
25
http://revistavaidape.com.br/2013/10/22/vida-e-luta-hamilton-octavio-de-souza/. Acesso em: 9 fev. 2015.
Knispel e Emir Sader. Entre as seções preex
Brasileiro” (Marcos Bagno), “Paçoca” (Pedro Alexandre Sanches), “Amigos de Papel” (Joel Rufino dos Santos), “Ensaio Fotográfico” (Gabriela Moncau), “Perfil” (Débora Prado), “Tacape” (Rodrigo Vianna) e “Idéias de B
As imagens a seguir permitem comparar depois da mudança:
Números 168 e 169, p. 3
O editorial justificava as transformações
Mais uma vez a revista procura ajustar
em reportagens e entrevistas, reforça a cobertura de questões nacionais e internacionais, com o perfil político no campo da esquerda. (...) Ao mesmo tempo, a revista trata de reforçar o material de reportagem, ampliar as entrevistas e f
reflexões.
Podemos afirmar que a reforma teve caráter político
diminuição no total de 46 páginas e as colaborações tampouco eram remuneradas, desautorizando a hipótese de qualquer mo
depoimento anterior, José Arbex
parecidos na linha editorial da publicação, sugerindo adotar um padrão ortodoxo do
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Knispel e Emir Sader. Entre as seções preexistentes e as recém-criadas estavam “Falar Brasileiro” (Marcos Bagno), “Paçoca” (Pedro Alexandre Sanches), “Amigos de Papel” (Joel Rufino dos Santos), “Ensaio Fotográfico” (Gabriela Moncau), “Perfil” (Débora Prado), “Tacape” (Rodrigo Vianna) e “Idéias de Botequim” (Renato Pompeu).
permitem comparar as diagramações dos sumários antes e
Números 168 e 169, p. 3 (detalhes)
ava as transformações:
Mais uma vez a revista procura ajustar-se com o seu público, investe em reportagens e entrevistas, reforça a cobertura de questões nacionais e internacionais, com o perfil político no campo da esquerda. (...) Ao mesmo tempo, a revista trata de reforçar o material de reportagem, ampliar as entrevistas e fornecer um material mais denso em análises e reflexões.
Podemos afirmar que a reforma teve caráter político-editorial, pois não ocorreu diminuição no total de 46 páginas e as colaborações tampouco eram remuneradas, desautorizando a hipótese de qualquer motivação econômica para a medida.
José Arbex Jr. anunciara a intenção de promover rearranjos muito parecidos na linha editorial da publicação, sugerindo adotar um padrão ortodoxo do criadas estavam “Falar Brasileiro” (Marcos Bagno), “Paçoca” (Pedro Alexandre Sanches), “Amigos de Papel” (Joel Rufino dos Santos), “Ensaio Fotográfico” (Gabriela Moncau), “Perfil” (Débora
otequim” (Renato Pompeu).
sumários antes e
eu público, investe em reportagens e entrevistas, reforça a cobertura de questões nacionais e internacionais, com o perfil político no campo da esquerda. (...) Ao mesmo tempo, a revista trata de reforçar o material de reportagem, ornecer um material mais denso em análises e
editorial, pois não ocorreu diminuição no total de 46 páginas e as colaborações tampouco eram remuneradas, tivação econômica para a medida. Em Jr. anunciara a intenção de promover rearranjos muito parecidos na linha editorial da publicação, sugerindo adotar um padrão ortodoxo do
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jornalismo de revista e adequá-lo às novas conjunturas do país:
(...) é preciso garantir, em escala cada vez maior, o espaço para a grande reportagem nas páginas da revista. Não precisamos de grandes emoções, novidades ou inovações. É manter a entrevista como carro- chefe e investir em reportagem. (...) O potencial diferenciador do discurso contra o neoliberalismo se esgotou. É preciso criar outros diferenciais. E a revista tem de fazer render o capital humano que ela possui para desenvolver essas reportagens. Se isso não existir, não vai rolar. Sem reportagens, a revista corre o risco de naufragar 26.
É interessante notar que a aproximação de um modelo tradicional esteve entre os desígnios originais dos fundadores do mensário, apesar do formato diferenciado (opinativo e autoral) com o qual ele ficaria associado. Sérgio de Souza, aliás, jamais escondeu sua predileção pelas grandes reportagens, no estilo do new jornalism estadunidense, que marcaram o gênero predominante na Realidade27
.
A passagem de Hamilton Octavio de Souza na revista foi marcada pela sucessão de problemas financeiros que gradativamente forçaram a precarização nas relações de trabalho da editora Casa Amarela. A crise culminou numa greve da equipe, ocasionada pela intenção do diretor geral, Wagner Nabuco, de cortar metade do quadro funcional 28. Os profissionais paralisados foram Alexandre Bazzan, Caio Zinet, Cecília Luedemann, Débora Prado, Eliane Parmezani, Gabriela Moncau, Gilberto Breyne, Otávio Nagoya, Paula Salati, Ricardo Palamartchuk e o próprio Hamilton Octavio de Souza.
Segundo Nabuco, desde o ano anterior houve reuniões com os funcionários da redação para tratar da crise financeira da editora, ocasionada pela queda nas vendas e pelo aumento dos custos operacionais 29. Gabriela Moncau afirmou que esses problemas não amenizavam as insatisfações dos grevistas:
26
http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/4o-encontro-2006-
1/Caros%20Amigos%20Um%20outro%20jornalismo%20e%20possivel.doc. Acesso em: 9 fev. 2015. 27
Idem 28
http://jornalismob.com/2013/04/19/hamilton-octavio-de-souza-editor-demitido-da-caros-amigos- concede-entrevista-exclusiva-ao-jornalismo-b/. Acesso em: 9 fev. 2015.
29
http://www.portalimprensa.com.br/noticias/brasil/57301/nao+e+possivel+trabalhar +sem+confianca+diz+diretor+da+caros+amigos+apos+demissoes. Acesso em: 9 fev. 2015.
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Entendemos a importância que a Caros Amigos tem e, claro, por isso muitas vezes nos submetemos a condições que em outros veículos não nos submeteríamos. Mas era o nosso trabalho, não a nossa militância. Até quando patrões de instituições de esquerda utilizarão a "militância" dos que ali trabalham para fechar os olhos às condições precárias a que estes são submetidos? 30.
Segundo o jornalista Renato Pompeu (1941-2014), os cortes salariais e as demissões não eram práticas novas na revista. Usualmente, porém, cabia ao editor-chefe escolher os funcionários a serem desligados, ou negociar com a equipe eventuais afastamentos voluntários. Wagner Nabuco então se limitava a comunicar-lhe os cortes necessários. Pompeu ressalta, porém, que esse vínculo foi quebrado pela falta de confiança da redação na diretoria financeira da editora:
Não se tratava assim de simplesmente você, Wagner, não confiar mais na redação. Tratava-se também de a redação não confiar em você. Concluí que se criou uma situação em que, ou saía você, Wagner, e a redação assumia o controle da empresa, ou saia a redação 31.
Com o impasse ocasionado pelo protesto dos jornalistas e colaboradores, o diretor demitiu todos os membros da redação, incluindo o editor-chefe. No seu lugar assumiu interinamente o jornalista Aray Nabuco, irmão de Wagner. Desde o número 193 (abril de 2013), Aray permanece no cargo.