Capítulo V – Processo de Treino
5.3. Período Pré-Competitivo
O Período Pré-Competitivo iniciou-se no dia 23 de agosto de 2016 e terminou dia 25 de setembro de 2016. Neste período foram realizadas 14 sessões de treino em 5 microciclos, perfazendo 1.194 minutos de treino em aproximadamente 20 horas, com uma média de 86 minutos por sessão. Foram ainda realizados 4 jogos de preparação, perfazendo assim um total de 1.554 minutos de treino.
O Período Pré-Competitivo é o período que antecede o início da competição. Neste período, foi realizado um planeamento das sessões de treino (através da realização de um planeamento ajustado e adequado) tendo como principal objetivo desenvolver e operacionalizar o modelo de Jogo adotado em congruência com o desenvolvimento das capacidades físicas, técnicas, táticas e psicológicas dos atletas. Uma das preocupações da equipa técnica é potenciar, corrigir e desenvolver as capacidades dos atletas, assim como, maximizar em termos coletivos a “performance” da equipa para os objetivos que pretende-se alcançar no contexto competitivo. A tabela 8 representa a atividade do Período Pré-Competitivo.
Tabela 8 - Atividade do Período Pré-Competitivo
Período Pré-Competitivo Calendarização 23/08 – 25/09 N.º Microciclos 5 N.º Unidades de treino 14 N.º Competições Oficial 0 Não Oficial 4 Total 4 Minutos de treino 1.194’
Volume Sessão de Treino (Média) 86’ Tempo Total (Treino + Competição Não Oficial) 1.554’
5.3.2. Análise dos Métodos de Treino utilizados ao longo do Período Pré-
Competitivo
Do volume total de treino realizado no Período Pré-Competitivo corresponde a seguinte percentagem de utilização dos diferentes métodos de treino segundo a sua dimensão horizontal (Tab.9).
Tabela 9 - Dimensão horizontal do Período Pré-Competitivo
Fig. 87 – Volume Métodos de Treino Período Pré-Competitivo
Métodos de Treino – Dimensão horizontal Total (min)
Preparação Geral (MPG) Geral 215’ Específicos de Preparação Geral (MEPG) Ap. Técnico 187’ MPB Circuito Lúdico- Recreativo Específicos de Preparação (MEP) Finalização 1.152’ Metaespecializados Padronizados Setores
Situações Fixas de Jogo Competitivos Total 1.554’ 1554' 215' 187' 1152' 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800
Total MPG MEPG MEP
Na figura 87, podemos observar que os Métodos Específicos de Preparação (MEP) têm uma maior predominância sobre os Métodos de Preparação Geral (MPG) e os Métodos Específicos de Preparação Geral (MEPG). Podemos verificar que dos 1.554 minutos de treino total neste Período Pré-Competitivo, 215 minutos (14%) foram destinados aos Métodos de Preparação Geral, 187 minutos (12%) para os Métodos Específicos de Preparação Geral e 1.152 minutos (74%) foram destinados aos Métodos Específicos de Preparação. Esta evidência vai ao encontro da opinião de Castelo (2009), que refere que os MEP constituem-se como o núcleo central da preparação dos jogadores e das equipas. Os MEP foram os métodos mais trabalhados pela equipa técnica ao longo do Período Pré-Competitivo, tendo como objetivo a rápida e eficaz assimilação por parte dos atletas, da forma de jogar idealizada pela equipa técnica. Estes são os métodos que mais se aproximam estrutural e funcionalmente da natureza imprevisível, complexa e competitiva do jogo de Futebol, sendo sustentados pela elevada adaptabilidade que transportam no transfer treino-competição. Esta adaptabilidade manifesta-se na funcionalidade dos comportamentos individuais e coletivos pretendidos inerentes ao nosso Modelo de Jogo.
No Período Pré-Competitivo foram realizados alguns jogos de preparação e exercícios competitivos que abordaram essencialmente a dimensão tático- estratégica da equipa, que contribuíram para uma percentagem (%) relativamente superior dos MEP, quando comparados com os MPG e os MEPG.
Tabela 10- Métodos de Treino – Dimensão Vertical (PPC)
No que se refere às divisões que caraterizam cada macro família taxonómica (dimensão vertical), na tabela 10 podemos constatar que os exercícios competitivos (47%) foram os mais utilizados no Período Pré-competitivo, seguidos dos Métodos de Preparação Geral (14%), setores (13%), de finalização (10%), aperfeiçoamento técnico e circuito (5%), manutenção da posse da bola (3%), padronizados (2%), situações fixas
Métodos de Treino – Dimensão Vertical (PPC) Dim.
Horiz. MPG MEPG MEP
Total Dim. Vert. Geral Ap. Téc nico MPB Circ uito LR Finali zação Met a. Padroni zado Setores SFJ Compet itivo (min) 215’ 70’ 45’ 72’ 0’ 152’ 0’ 35’ 200’ 20’ 745’ 1554’ (%) 14% 5% 3% 5% 0% 10% 0% 2% 13% 1% 47% 100%
de jogo (1%), enquanto os exercícios lúdico-recreativos e metaespecializados não foram utilizados (0%).
De um modo geral, os resultados alcançados devem-se ao facto de termos realizado, maioritariamente, os exercícios competitivos (47%), ou seja, práticas de jogo em situações reduzidas e próximas do contexto real tanto em termos de espaço como em número de jogadores. Os MPG foram os segundos métodos mais trabalhados, com 14%. A maior percentagem de MPG verificou-se ao nível do trabalho de flexibilidade (32%) e resistência (28%), seguidos do trabalho de velocidade (21%) e força (19%). Devido ao facto de iniciarmos as sessões de treino, maioritariamente, por exercícios de mobilização articular, podemos afirmar que os aquecimentos ocuparam uma grande parte do trabalho de resistência, flexibilidade e mobilização articular ao longo deste período. Em percentagens um pouco inferiores foram distribuídos pelos trabalhos de velocidade e força.
Os exercícios de setores representaram a segunda maior percentagem de MEP utilizados, representando cerca de 13% do tempo total de treino. Estes foram utilizados com o objetivo fundamental de desenvolver e aperfeiçoar toda uma articulação interna, entre os diferentes setores de organização da equipa quer em termos defensivos quer ofensivos. Estes exercícios foram implementados pelo Treinador, de forma a incutir nos jogadores alguns comportamentos individuais e coletivos inerentes ao nosso Modelo de Jogo, preparando-os da melhor forma possível para o confronto com os diferentes adversários. Podemos também verificar que foi dada alguma importância aos exercícios de finalização (10%) com o objetivo de elevar os níveis de eficácia da equipa. Quanto aos exercícios de aperfeiçoamento técnico e circuito (ambos com 5%) foram utilizados essencialmente para desenvolver as capacidades e qualidades técnicas dos atletas e trabalhar a dimensão física dos mesmos (de forma isolada). A manutenção da posse da bola (3%) foi realizada em espaços reduzidos, sendo um exercício preferencialmente utilizado como transição do aquecimento para a parte fundamental da sessão de treino. Os exercícios padronizados (2%) e as situações fixas de jogo (1%) foram utilizados em percentagens reduzidas. As situações fixas de jogo apenas foram trabalhadas na semana que antecede a competição, mais concretamente, no último treino antes do início da competição. Como já referido anteriormente, os métodos lúdico-recreativos e metaespecializados não foram utilizados no Período Pré-Competitivo.