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Apresentam-se inicialmente os resultados da pergunta 1: como um bom decisor, que palavras vêm à sua mente ao pensar em decisões? Portanto, buscando levantar indícios que corroborassem com a as análises da pergunta 2 considerada mais completa. Os resultados foram resumidos na TABELA 3.

TABELA 3 - ANÁLISE DE FREQUÊNCIA DAS PALAVRAS CITADAS

Fonte: Dados coletados pelo autor (2008)

Para análise, efetuou-se um primeiro agrupamento envolvendo as palavras exatamente como foram citadas na questão. O número na frente de cada palavra representa o número de ordem do questionário que a continha. Como num mesmo questionário foram citadas palavras com possibilidade de classificação em diferentes grupos, estas foram separadas mantendo-se a mesma numeração.

O critério para a classificação das palavras nos respectivos grupos seguiu o que prevê a técnica de análise lexical que sugere a contagem de frequência das palavras similares (podendo-se até adequá-las em termos de conjugação verbal, por exemplo). Posteriormente aplicou-se a análise de conteúdo relacionando cada palavra com o que conceitualmente representa cada grupo. Esse relacionamento foi feito por aproximação em relação ao sentido no qual cada palavra é empregada na literatura e especialmente nas teorias decisoriais.

Pode-se observar que 7% indicaram palavras que remeteram à Etapa 1, ou seja, ao surgimento da situação de decisão. A análise dos termos associados a esta fase indicou que a decisão, sob a ótica dos respondentes, representa uma possibilidade de mudança, destacando-se os elementos positivos como melhoria, modernização e crescimento.

Embora não seja o foco principal da análise, uma vez que ela se restringirá às etapas 2 e 3, vale o registro de que, apesar de todos os riscos que envolvem a decisão, uma parte dos decisores a vê com as “lentes” do otimismo, enxergando mais nitidamente os fatores positivos. Como ver o copo meio cheio ao invés de meio vazio, por exemplo. A implicação dessa constatação se dá na forma com que os problemas podem ser apresentados aos decisores.

Nas etapas relacionadas ao processo decisório incluiu-se um grupo (não presente na FIGURA 17) que foi denominado de problemática. Isso se deu pela citação de palavras que se referiam mais aos sentimentos e comportamentos gerados pela decisão, do que ao processo para resolvê-la. Observa-se a preponderância desses aspectos que somaram 48% das palavras citadas, indicando maior percepção dos efeitos do problema do que do processo de solução.

Pode-se observar que se destacaram aspectos como rapidez (8%), ousadia (8%), acerto (5%), responsabilidade (5%) e prudência (4%), que refletem certa consternação dos decisores, causada pela necessidade de decidir.

As demais palavras citadas nesse grupo referem-se igualmente aos sentimentose/ounecessidades que afloram a partir da decisão, indicando que o indivíduo identifica os impactos por ela causados.

O auto-entendimento e o auto-posicionamento do individuo diante do problema (decisão) podem contribuir para que se tornem mais claras suas limitações. O mecanismo com que estas percepções se dão é objeto de estudo das teorias comportamentais da decisão que consideram esta capacidade perceptiva limitada e influenciada por fatores intrínsecos e extrínsecos ao indivíduo. Os modelos normativos não são capazes de captar esses elementos subjetivos.

Como conseqüência a apresentação das situações problema aos respectivos decisores pode se dar de tal forma, que não iniba a sua capacidade criativa e perceptiva. Não se trata de ignorar a importância dos modelos normativos, mas sim de uma reflexão sobre sua capacidade prescritiva na solução dos problemas de decisão que envolve comportamento humano.

Se os indivíduos possuem consciência dos reflexos da decisão sobre seu comportamento, independentemente de ser ou não limitada, esta percepção influencia a decisão, portanto pode ser considerada durante o processo decisório.

O maior impacto dessa consideração, no entanto, não se dá em decisões individuais, mas principalmente nas decisões organizacionais (que envolvem grupos de indivíduos). A percepção dos fatores indicativos de comportamentos decisoriais pode indicar a pressão sobre o indivíduo, o que se amplia num ambiente de competitividade, como o das organizações.

A TABELA 3 se refere ao processo de estudo e análise da decisão. Os três grupos destacados que a compõe, somados, representam 40% das palavras citadas.

São esses grupos que poderão contribuir mais objetivamente com o que se pretende analisar na pergunta 2, qual seja identificar as percepções do decisor quanto às etapas do processo decisório localizadas entre o surgimento do problema e a escolha da alternativa preferida.

Não está clara na literatura a quantificação da intensidade com que cada uma destas etapas é percebida pelo decisor, apenas são descritas, indicando haver certa ordem seqüencial como visto na FIGURA 17.

Com base nesta constatação, adicionalmente ao que foi discutido até aqui, se mostra importante a identificação de quanto o indivíduo percebe de cada etapa.

Pode haver preponderância de percepção de uma em relação às outras, ou ao contrário, equilíbrio. A percepção do decisor sobre as etapas do processo decisório pode representar mais uma variável a ser considerada no estudo da decisão.

Os termos que agruparam mais palavras foram “estudo” e “análise” (14%), ou seja, ao pensar em decisão são esses os conceitos que mais freqüentemente vêm à mente do decisor. Esses termos podem, no entanto remeter à fase de identificação do problema e definição dos objetivos,e/ouà decomposição e modelagem do problema. Na impossibilidade de saber a qual dessas etapas o decisor se referiu ao mencioná-los, eles foram desconsiderados nestas duas etapas para fins de medição de intensidade.

Todos os demais termos que agruparam as palavras citadas foram direcionados exclusivamente para a etapa mais adequada. Na FIGURA 19 pode-se observar o volume de palavras classificadas em cada etapa.

Identificar e entender os

objetivos Levantar alternativas

Decomposição e modelagem 0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

Palavras

FIGURA 19 - CLASSIFICAÇÃO DOS TERMOS NAS SUBFASES FONTE: Dados coletados pelo autor (2008)

Houve preponderância de termos que remetem à identificação do problema e entendimento dos objetivos, seguido da decomposição e modelagem do problema.

Ao se isolar o levantamento das alternativas se percebeu claramente haver dois extremos. A identificação do problema e entendimento dos objetivos foi mais fortemente percebida pelo decisor, havendo uma redução perceptiva quanto ao seu resultado, qual seja, o levantamento de alternativas.

Como as palavras são mais passíveis de erros de classificação do que as descrições mais completas, estas constatações são provisórias, necessitando da complementação pela análise relativa à pergunta 2: o que você faria entre as etapas abaixo, para tomar uma decisão? Essa pergunta pode ser considerada mais completa no que se refere à identificação da percepção dos decisores, porque solicitar frases e não apenas palavras.

A FIGURA 20 ilustra os resultados.

0%

50%

100%

Etapa 2 Etapa 3 Total

Identificar e entender os objetivos Levantar alternativas Decomposição e modelagem

FIGURA 20 - CLASSIFICAÇÃO DAS ETAPAS DO PROCESSO DECISÓRIO Fonte: Dados coletados pelo autor (2008)

Como indicou a análise anterior, o tomador de decisão possui intensidades diferentes de percepção sobre cada etapa do processo decisório. Quando solicitado que indicassem qual seria, na sua opinião, a etapa 2, ou seja, a seguinte ao surgimento da necessidade de decisão, observou-se uma preponderância da subfase identificação do problema e entendimento dos objetivos, seguida da decomposição e modelagem do problema e pelo levantamento das alternativas.

Como conseqüência, ou inconscientemente ao perceber o problema há uma confusão de idéias levando a não separação da etapa de levantamento de alternativas, ou eles decidem sem explorar todo o seu espectro.

Pelas citações da fase seguinte (etapa 3) pode-se observar uma inversão nas percepções, ou seja, a preponderância passa para a decomposição e modelagem do problema seguida pela identificação e levantamento das alternativas.

Como existe a possibilidade, e isso foi percebido durante a tabulação dos dados, de que os respondentes indicassem as fases não sequencialmente, fez-se a consolidação das respostas cujo resultado é expresso como total na FIGURA 20.

Pela análise conjunta das etapas 2 e 3 é possível verificar duas tendências.

A primeira é que há uma concordância entre a descrição sequencial do processo decisório conforme FIGURA 17, e as percepções dos respondentes em relação a esse processo.

Em qualquer uma das três análises (etapas 1, 2 e total) a indicação da fase de levantamento das alternativas feita pelos respondentes, possui intensidade constante e menor entre as demais fases.

Tais constatações corroboram com a existência de dois extremos na percepção das etapas do processo decisório, mediados pelo levantamento das alternativas. A FIGURA 21 evidencia mais claramente esses extremos, bem como a preponderância de um sobre o outro em cada etapa.

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

70%

Etapa 2 Etapa 3

Identificar e entender os objetivos Decomposição e modelagem Levantar alternativas

FIGURA 21 - VARIAÇÃO DAS ETAPAS CITADAS EM CADA FASE Fonte: Dados coletados pelo autor (2008)

O que se pode concluir pela análise conjunta das questões 1 e 2, conforme FIGURA 22, é que o processo decisório descrito pela Teoria Geral da Decisão é percebido pelo decisor tanto como etapas distintas como sequenciais. O que a pesquisa trás aditivamente, é que esta percepção não é equitativa, ou seja, os decisores não apenas percebem a existência destas etapas, mas o fazem mais fortemente nas extremidades.

Identificar e entender os

objetivos Levantar alternativas

Decomposição e modelagem

55%

14% 31%

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

Total conjunto (palavras + frases)

FIGURA 22 – CLASSIFICAÇÃO CONJUNTA DAS PALAVRAS E FRASES EM CADA ETAPA Fonte: Dados coletados pelo autor (2008)

A percepção dos respondentes pode ser também graficamente demonstrada na forma de uma ampulheta FIGURA 23, cujo volume de suas extremidades representa os percentuais constantes da FIGURA 22, na qual a parte superior é mais volumosa (identificação e entendimento dos objetivos), a parte intermediária, mais estreita (levantamento das alternativas) e a parte inferior (decomposição e modelagem do problema) tem volume intermediário.

Etapa 1 Surge a situação de decisão

Etapa 4

Percepção das Etapas 2 e 3 segundo os respondentes

Decide-se

Levantar as alternativas

14%

Identificar e entender os objetivos

55%

Decomposição e modelagem

31%

FIGURA 23 - PERCEPÇÃO DAS ETAPAS 2 E 3 DO PROCESSO DECISÓRIO Fonte: Dados coletados pelo autor (2008)

Na extremidade superior se destacam os fatores relacionados à discussão do problema de decisão, ou seja, pressupõe um relacionamento entre indivíduos na busca da melhor identificação do problema e entendimento dos reais objetivos do decisor. Isso pode ser comprovado pela pesquisa uma vez que conforme APÊNDICE 2 e APÊNDICE 3 o número de menções sobre envolver outras pessoas no processo é significativo (8 citações ou 20% das respostas obtidas).

O envolvimento de outros indivíduos, aliado ao entendimento dos objetivos, permite considerar que se trata de uma fase com preponderância comportamental, embora não se descarte a utilização de quantificações na sua elaboração.

Na parte inferior, os aspectos conceituais envolvidos são predominantemente de ordem metódica, ou seja, envolvem o desenvolvimento de modelos a partir da decomposição do problema em partes mais específicas.

Percebe-se que nesta etapa estão presentes os instrumentos que permitem ao decisor uma análise mais objetiva, resultando na escolha daquela alternativa que lhe pareça a melhor.

Aparentemente há uma menor percepção quanto à fase de determinação dos possíveis caminhos a tomar (levantamento das alternativas). Não se pode afirmar que isso se deve à menor ou maior importância dada pelo decisor para esta etapa - seria necessária pesquisa específica - porém é possível afirmar que ela é menos percebida de forma específica do que as demais.

Estas constatações demonstram que além das variações de percepção do problema em si, o decisor igualmente percebe em diferentes intensidades cada etapa do processo decisório.

Ao se relacionar esses resultados com a matriz dos aspectos selecionados das teorias (QUADRO 3), pode-se concluir que as variações de percepção do decisor, captadas pela pesquisa, condizem com as descrições comportamentais que, descrevem como não lineares as percepções individuais.

A Teoria dos Prospectos aborda esse assunto (variação de percepção) ao discutir o framing effect. Para evidenciar as influências apresentadas pela Teoria dos Prospectos apresentam-se as análises das questões 3 a 6.