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4.1. Perspectiva geral das aldeias AVD

4.2.1. Percepção da população em geral

4.2.1.2. Percepção dos inquiridos sobre o projecto

Na pergunta (1), quando questionámos os inquiridos se, de alguma maneira, estiveram envolvidos nas intervenções feitas na sua aldeia, verificamos (quadro 8) que a grande maioria não esteve envolvido nos processos de requalificação, que não assentaram numa dinâmica participativa. Ao perguntarmos o porquê desse não envolvimento (quadro 9), verificamos que muitos dos habitantes destas aldeias não foram auscultados sobre o projecto ou até ao início das obras o mesmo era-lhes desconhecido, havendo falta de esclarecimento e diálogo. Os que se envolveram no projecto, é porque tiveram intervenção nas suas habitações, no seu estabelecimento comercial, estavam ligados à entidade promotora, como a Junta de Freguesia, Câmara Municipal e ou participaram nas actividades decorrentes da implementação do projecto.

46 Quadro 8 - Grau de participação nas intervenções realizadas nas aldeias

Provesende Favaios

Sim Não Sim Não

2 10 2 8

Quadro 9 - Comentários sobre o grau de participação nas intervenções

realizadas nas aldeias

Provesende Favaios

Execução das infra-estruturas

eléctricas e telefónicas da 2ª fase

Não solicitaram qualquer opinião à população, só a quem tinha intervenção nas suas casas

Colaboração com a Câmara M. Sabrosa para contactos institucionais e no apoio das intervenções das fachadas e habitações

Não foi facultada documentação ou informação sobre o projecto, nem mesmo a quem teve obras na sua casa

Apoio à população na elaboração dos processos relacionados com o projecto

Indirectamente, através de familiares na exposição de artesanato

Teatro, durante o Festival AVD

Pretendemos saber junto dos inquiridos se, de algum modo, existiu preocupação em respeitar os valores culturais, arquitectónicos e ambientais da aldeia, concluindo-se que na sua maioria (quadros 10 e 11) acham que houve essa preocupação. Contudo, na pergunta (3.2), muitos dos inquiridos estão em desacordo com algumas alterações ou restauros, nomeadamente no que respeita aos materiais utilizados, que não correspondiam aos existentes ou não eram da qualidade que esperavam, não resultando num produto final do agrado dos habitantes destas aldeias.

47 Quadro 10 - Preocupação em respeitar

os valores culturais, arquitectónicos e ambientais da aldeia deProvesende

Frequência Percentagem nenhuma muito pouca 0 2 0 16,7 alguma 6 50,0 bastante 4 33,3 Total 12 100,0

Quadro 11 - Preocupação em respeitar os valores culturais, arquitectónicos e ambientais da aldeia de Favaios

Frequência Percentagem nenhuma 1 10,0 muito pouca 1 10,0 alguma 5 50,0 bastante 3 30,0 Total 10 100,0

Relativamente à pergunta sobre o grau de importância (3.1) da intervenção realizada na aldeia, quase que a totalidade dos inquiridos acha que foi importante, pelas melhorias introduzidas e pela maior visibilidade das aldeias ao exterior (quadros 12 e 13), como podemos constatar pelos comentários descritos no quadro 14.

Quadro 12 - Importância atribuída pelos inquiridos ao projecto AVD de Provesende Frequência Percentagem nenhuma muito pouca 0 2 0 16,7 alguma 5 41,7 bastante completamente 5 0 41,7 0 Total 12 100,0

Quadro 13 - Importância atribuída pelos inquiridos ao projecto AVD de Favaios Frequência Percentagem nenhuma 1 10,0 muito pouca 2 20,0 alguma 4 40,0 bastante 1 10,0 completamente 2 20,0 Total 10 100,0

48 Quadro 14 - Comentários dos inquiridos sobre importância do projecto AVD

Provesende Favaios O m ai s pos iti vo

Foi importante, melhorou a parte visual, a praça está arranjada

O nome da aldeia já era conhecido pelo Moscatel

Valorizou a aldeia, recuperou e melhorou as infra-estruturas

Foi pena não agarrar a oportunidade e continuar parada

Criaram um espaço para a Junta de Freguesia

Foi bom só pelo movimento durante o tempo de duração das obras

Tem mais interesse histórico e as pessoas quando vêm interessam-se mais pela aldeia, querem saber mais sobre a sua história

Foi bom para Favaios, estava a ficar esquecido e muitas pessoas que vivem cá nem lhe dão valor

Para promoção, divulgação e

melhoramentos nas aldeias

envolvidas

A recuperação do edifício que estava em ruínas e a criação do Museu do Pão e do Vinho

Devíamos apostar nos potenciais do turismo O m ai s ne gat ivo

Não trouxe melhorias

Inicialmente até chegou a ser incómodo O poder local está centrado em Alijó e não deixar desenvolver a aldeia

Com o montante investido deveria ter ficado melhor

Faltam infra-estruturas e actividades a nível do entretenimento

49 É de realçar que a aldeia de Favaios se encontra mais descontente (quadro 15) relativamente à aldeia de Provesende, especialmente por ser uma aldeia conhecida pelo seu famoso vinho e o pão. Apontaram os incómodos causados pelas obras, a falta de infra- estruturas, de iniciativas de entretenimento e a descontinuidade do Festival. Os habitantes ambicionavam um maior desenvolvimento da aldeia.

Verificamos uma resposta um pouco diferente no que respeita à pergunta sobre o grau de satisfação (quadros 15 e 16), já que a maioria acha importante a intervenção, mas não está satisfeita com o seu resultado, como podemos constatar pelos seus comentários (quadro 17), revelando que as suas expectativas não foram correspondidas. As causas residem, nomeadamente, em pequenas obras por terminar ou mal acabadas, porque se perderam alguns traços característicos (ex. da Fonte em Provesende), por haver casas intervencionadas a ruir, ou não existir articulação entre as seis aldeias.

Quadro 15 - Grau de satisfação na realização do projecto AVD em Provesende

Frequência Percentagem insatisfeito pouco satisfeito 0 2 0 16,7 nem satisfeito, nem

insatisfeito

8 66,7

bastante satisfeito 2 16,7

Total 12 100,0

Quadro 16 - Grau de satisfação na realização do projecto AVD em Favaios

Frequência Percentagem

insatisfeito 4 40,0

pouco satisfeito 1 10,0

nem satisfeito, nem insatisfeito bastante satisfeito 5 0 50,0 0 Total 10 100,0

50 Quadro17-Comentários dos inquiridos sobre a satisfação do projecto AVD

Provesende Favaios O m ai s posi tiv o

Aldeia mais bonita Sem comentário às perguntas

O m ai s ne gat ivo

A obra ainda não acabou e o pavimento tem que ser levantado Os objectivos a atingir não foram cumpridos, a nível de prazos e em objectivos propostos

Há casas que também deviam ter intervenção, porque moram lá pessoas, algumas sem recursos e as casas onde não mora ninguém, foram recuperadas e contempladas com a intervenção do projecto Na fonte retiram a cantaria original e o tanque comunitário

Retiraram algumas características à aldeia

Podia ter havido maior empenho e a obra ser realizada com melhor material e perfeição

Deveria ser incluído nas infra- estruturas da 2ª fase, a necessidade de colmatar falhas da 1ª fase Casas com intervenção e a ruírem no interior, não deviam ter intervenção (foi dinheiro mal gasto) Fios de electricidade e tubos à vista, onde podem mexer as crianças

Temos poucas actividades e serviços, fica caro sair da aldeia

Obras mal executadas, demoradas e falta de fiscalização

Não haver acções de formação (até porque foram prometidas)

Faltou a articulação com outras AV Para quem mora cá, foi mau

51 Confrontamo-nos com uma resposta um pouco contraditória no que respeita à pergunta sobre os impactos reais (quadros 18 e 19), já que a maioria dos inquiridos acha que os impactos não foram nenhuns ou praticamente invisíveis, sendo tal percepção mais evidente na aldeia de Favaios, em resultado da demora das obras, atendendo às expectativas iniciais do projecto e contrariedade daí resultantes.

Quadro 18 - Opinião sobre os impactos reais do projecto AVD em Provesende

Frequência Percentagem nenhum 1 8,3 muito pouco 3 25,0 alguns 3 25,0 satisfatório 5 41,7 Total 12 100,0

Quadro 19 - Opinião sobre os impactos reais do projecto AVD em Favaios

Frequência Percentagem nenhum 1 10,0 muito pouco 6 60,0 Alguns satisfatório 3 0 30,0 0 Total 10 100,0

Entre os impactos positivos assinalados pelos restantes inquiridos, encontram-se, por exemplo, a melhoria do aspecto das aldeias e da sua limpeza, a melhoria das infra- estruturas, o interesse acrescido na preservação e divulgação, a maior procura de produtos locais, nomeadamente em Provesende, do pão, vinho, azeite e compotas, a construção do museu em Favaios, o acréscimo de visitantes e da auto-estima dos habitantes (ambos em Provesende).

52 Quadro20- Comentários dos inquiridos sobre os impactos reais do projecto AVD

Provesende Favaios

Execução das infra-estruturas eléctricas e telefónicas da 2ª fase do projecto

Não solicitaram qualquer opinião à população, só a quem tinha intervenção nas suas casas

As fachadas e o pavimento da praça O Museu

Aldeia mais bonita As fachadas dos edifícios

Interesse na divulgação e preservação Aldeia ficar mais conhecida

Mais limpa, casas pintadas, o impacto

visual Aspecto mais limpo da aldeia

Auto-estima A variante

Maior procura de produtos regionais,

como o vinho, azeite, compotas Voltou a pensar-se no artesanato

Melhoraram as infra-estruturas

(instalação eléctrica,) Mais visitada

Contudo, como referimos já anteriormente na resposta à pergunta (4), existe a noção de que não houve registo de crescimento de postos de trabalho (quadros 21 e 22). As pessoas são muito categóricas e manifestam algum desgosto a responder, declarando que em algumas situações até se perderam empregos (quadros 21 e 22), devido à perda ou ao fecho de algum comércio.

53 Quadro 21 - Registo do incremento

de postos de trabalho em Provesende

Frequência Percentagem nenhum 5 41,7 muito pouco alguns 7 0 58,3 0 Total 12 100,0

Quadro 22 - Registo do incremento de postos de trabalho em Favaios

Frequência Percentagem

nenhum 6 60,0

muito pouco 3 30,0

alguns 1 10,0

Total 10 100,0

Nesta pergunta (5) pretendíamos apurar junto dos inquiridos que melhorias sentiram na sua aldeia após a intervenção do projecto da AVD, permitindo que se pronunciassem sobre o assunto, ilustrando o que mais os marcou, tanto a nível positivo como negativo.

Como podemos verificar (quadro 23), existe contentamento com o aspecto visual e estético, a nível de infra-estruturas, pinturas das habitações, recuperação de alguns edifícios importantes e em estado de ruína, mas poucos manifestaram o sentimento de mais auto-estima.

Quadro 23 - Melhorias após intervenção do projecto na AVD

Provesende Favaios

Melhorou as várias infra- estruturas

Está mais valorizada Aspecto das fachadas A estética a nível geral

Tem maior visibilidade para o exterior

As casas velhas estão mais bonitas

Melhorou pouco

O nome de Aldeia Vinhateira O aspecto visual

Reconstrução de um edifício que estava a cair, designado “A Obra” pelos inquiridos, foi transformada em Museu do Pão e do Vinho

54 Na resposta relativamente aos aspectos positivos (quadro 24), as pessoas são categóricas a referir que existiram alguns aspectos satisfatórios, nomeadamente a construção do Museu do Pão e do Vinho, e sobre a oferta cultural, como maior informação sobre Favaios, além do aumento de número de visitantes, mas também de ser mais aprazível viver numa aldeia mais bonita (Provesende).

Quadro24-Aspectos positivos após intervenção do projecto na AVD

Provesende Favaios

Aspecto habitacional Construíram o Museu do Pão e do

Vinho

Fachadas e arruamentos As ruas

Aumentou o número de visitantes A oferta cultural

A aldeia está de cara lavada e mais bonita

Maior informação sobre Favaios

No que respeita aos aspectos negativos (quadro 25), as pessoas são bastante críticas relativamente à demora nas obras, bem como à sua conclusão, ao tipo de material utilizado, à falta de fiscalização e rentabilização de recursos e, ainda, como no caso de Provesende, à descaracterização de monumentos existentes (ex. da fonte) e à reconstrução de fachadas em casas desabitadas, achando que foram verbas mal gastas.

55 Quadro25- Aspectos negativos após intervenção do projecto na AVD

Provesende Favaios

O projecto contemplar casas onde não mora ninguém

Demora na conclusão das obras, ainda não estão completamente acabadas As expectativas conduziram a algum descontentamento

Imperfeição nos acabamentos (ex. fonte) Manter a falta de emprego

Não contemplar casas de pessoas com poucos recursos e a intervenção só ser no exterior; há casas em mau estado no interior ou a ruir e as pessoas não têm capacidade para as arranjar

Obras mal executadas e a verba mal utilizada

Não houve um bom aproveitamento para dinamizarem melhor o turismo

Fecharam o hospital

Apesar de importante, a variante retirou a passagem de pessoas pelo centro de Favaios, foi mau para o comércio O projecto deveria contemplar obras de melhoramento do edifício do teatro, bem como a sua dinamização

Pouca divulgação do parque de merendas, miradouros e outros

Falta de preservação do castro dos Mouros,

Como podemos verificar na resposta à pergunta (6), quanto ao aumento do número de visitantes à aldeia, constata-se (quadro 26) que em Provesende as respostas foram positivas. Já em Favaios (quadro 27) existe algum desânimo, porque após as intervenções realizadas se ambicionava um maior número de visitantes na aldeia.

56 Quadro 26 - Aumento dos turistas na

aldeia segundo os inquiridos de Provesende

Frequência Percentagem nenhum muito pouco pouco algum 0 0 0 8 0 0 0 66,7 bastante 4 33,3 Total 12 100,0

Quadro 27 - Aumento dos turistas na aldeia segundo os inquiridos de Favaios

Frequência Percentagem nenhum 1 10,0 muito pouco 3 30,0 pouco 4 40,0 algum bastante 2 0 20,0 0 Total 10 100,0

Este acréscimo de número de pessoas prende-se igualmente com as três perguntas que se seguem, nomeadamente (7) sobre a importância do turismo para o desenvolvimento da região (quadros 28 e 29), (8) alguns pontos fortes que poderiam atrair pessoas (quadro 30), e (9) no que se refere aos pontos fracos da aldeia (quadro 31).

Quadro 28 - Importância do turismo para o desenvolvimento da aldeia para os inquiridos de Provesende Frequência Percentagem insuficiente razoável bom 0 0 2 0 0 16,7 muito bom 10 83,3 Total 12 100,0

Quadro 29 - Importância do turismo para o desenvolvimento da aldeia para os inquiridos de Favaios Frequência Percentagem insuficiente 1 10,0 razoável 2 20,0 bom 1 10,0 muito bom 6 60,0 Total 10 100,0

Assim, e apoiando-me nas respostas dadas pelos inquiridos (quadros 27 e 28), verificamos que a região revela aparentemente um grande potencial para o desenvolvimento turístico, nomeadamente património construído, cultural e produtos endógenos (quadro 29).

57 Quadro30 -Identificação de pontos fortes daAVD

Provesende Favaios

A história O vinho, nomeadamente o de

Favaios

Os solares As padarias com o seu pão

tradicional

A paisagem A paisagem

O património arquitectónico e

histórico O miradouro de Santa Bárbara

Os brasões A adega cooperativa

Uma aldeia típica As muralhas do castelo dos mouros

A fonte A rua direita

O pelourinho O azeite

O vinho O museu A Enoteca

A tranquilidade

Alguns produtos regionais

(fumeiro, compotas, figo seco, pão)

A gastronomia

Contudo, a resposta à pergunta (9) mostra-nos que, apesar destas potencialidades de desenvolvimento, a região depara-se com falta de infra-estruturas, de iniciativas e motivação, de envolvimento da população, com a perda de alguns serviços básicos e, acima de tudo, com uma população envelhecida. Não obstante, os inquiridos das duas aldeias revelam percepções diferentes: enquanto os de Provesende têm a percepção de um aumento da atractividade da aldeia e a acham mais bonita, os de Favaios mostram algum desânimo, porque consideram que tal ainda não aconteceu. Contudo, todos são unânimes em considerar as grandes potencialidades turísticas que existem nas suas aldeias, ligadas ao património cultural, construído e paisagístico (quadro 30).

58 Quadro 31 - Identificação de pontos fracos da AVD

Provesende Favaios

Falta de um posto de venda de produtos regionais

Falta de alojamento e restauração Abandono das casas com história,

será uma boa infra-estrutura de alojamento

Falta de percursos organizados pela aldeia e arredores

Falta de união entre os habitantes Falta de associações

Falta de emprego Falta de sinalização de pontos de interesse

Falta de entreajuda Falta de comércio

Pessoas sempre insatisfeitas, com falta de iniciativa

O encerramento do Centro de Saúde

População envelhecida

Falta de iniciativa dos habitantes locais, não terem aproveitado o projecto para desenvolver

Terem acabado com serviços que existiam: a farmácia, a GNR, o posto médico

Nesta pergunta (10) os inquiridos manifestam-se sobre o que poderia ser feito para a dinamização da sua aldeia e colmatar algumas falha no desenvolvimento. As respostas apontam para a criação de infra-estruturas, desenvolvimento da animação, tanto para os visitantes como para a população em geral, dinamização de algumas actividades que se estão a perder, como o teatro e artesanato, promoção dos grupos de cantares, nomeadamente os ligados às lides da viticultura.

59 Quadro32-Como dinamizar a AVD

Provesende Favaios

Investir na criação de alojamento e na restauração, leva à criação de mais emprego

Criar infra-estruturas: para alojamento, restauração de qualidade

Maior motivação e empenho dos habitantes da aldeia

Falta dinamizar o teatro, ranchos, festas

Criar animação para atrair turistas

Aproveitar as actividades relacionadas com o pão e o vinho para a dinamização do turismo

Maior intervenção do poder central Fazer um festival regular

Maior divulgação e promoção das festas e feira do vinho

Actividades de lazer/animação para agarrar o visitante

Dar valor aos produtos da região e desenvolve-los; revitalizar o artesanato

Reconstruir casas antigas como a Quinta de S. Jorge (dava uma excelente casa se alojamento)

Dinamizar o grupo de teatro que existe Falta de infra-estruturas desportivas e

de lazer para os jovens e seniores Maior envolvimento do poder local e não travar o desenvolvimento da aldeia Recuperar o posto de turismo

Para perto da totalidade dos inquiridos (quadros 33 e 34) não existe conhecimento ou percepção da dinâmica de acção em rede entre as seis AVD. Revelam, assim, que esse intercâmbio apenas existiu durante o Festival.

60 Quadro 33 - Existência de iniciativas que

liguem as AVD em rede para os inquiridos em Provesende

Frequência Percentagem

não sabe, não responde 1 8,3

nenhumas muito poucas 11 0 91,7 0 Total 12 100,0

Quadro 34 - Existência de iniciativas que liguem as AVD em rede para os inquiridos em Favaios

Frequência Percentagem não sabe, não

responde

1 10,0

nenhumas 5 50,0

muito poucas 4 40,0

Total 10 100,0

Relativamente às duas últimas questões, os inquiridos demonstraram muitas incertezas quando se lhes perguntou se a sua aldeia estava viva (quadro 35). As suas respostas, de uma forma geral, mostram uma visão negativa, em que se destacam aspectos como o envelhecimento da população, a fuga dos jovens à procura de melhor futuro, o atraso nas mentalidades e nos negócios, a falta de iniciativas, o desinteresse pelo trabalho na agricultura, a estagnação, a desmotivação, o pouco convívio nos espaços públicos e algum desgosto pelos visitantes que passam e não ficam. Em suma, como ouvimos, as obras trouxeram esperança, mas foi pouca ou nenhuma a dinâmica criada.

61 Quadro 35 - A AVD está viva?

Provesende Favaios

O ma

is pos

itivo

Há mais procura e aumentou o movimento, mais visitantes

Mantêm-se viva pelo famoso vinho moscatel

Ainda, mantém algumas pessoas jovens o movimento é razoável, tanto a nível local como que visita a aldeia

Em época de vidinhas e verão está viva

No restaurante aumentaram as refeições As obras deram mais vida à aldeia

Quem emigra já é por temporadas, faz com que permaneçam mais tempo cá

O ma

is nega

tivo

Pouco ou igual, as obras trouxeram esperança, mas estagnou

Com a população mais velha, Não evoluiu, perdeu-se o que se

tinhamos, não há animação, só temos os bombeiros e a fanfarra

Poderia estar mais viva, se houvesse mais iniciativas, empenho, participação por parte da população

Desmotivação geral, as pessoas estão tristes

Ninguém quer trabalhar na agricultura, vão à procura de outros trabalhos

Os visitantes passam, mas não ficam Atrasada, em negócio e em mentalidade

A nível cultural e turístico, pouco e a motivação é escassa, não há dinheiro para investir

As pessoas precisam de motivação e iniciativas, não aproveitaram

Estão desinteressadas, apáticas A agricultura já não dá rendimento e os

jovens procuram melhor

Antigamente, ao final do dia e à noite convivia-se muito, actualmente nem nos reunimos na praça

62 Já quando questionados sobre o futuro da aldeia nos próximos cinco anos (quadro 36), expressaram, sobretudo, desejos de mudança de mentalidades, de mais união e motivação por parte dos habitantes e responsáveis políticos, e de novos projectos. Se, para uns, a aldeia permanecerá viva devido ao vinho, para outros o cenário é simples: “Os ingleses vão comprar tudo.”

Quadro36-A AVD estará viva daqui a cinco anos?

Provesende Favaios

O ma

is pos

itivo

Maior número de visitantes Está viva

Tem maior interesse, enriquecemos culturalmente e damos mais a quem nos visita

Mantêm-se viva pelo famoso vinho moscatel

Construindo-se alojamento e restauração havia melhores condições para quem vive e quem visita

O ma

is nega

tivo

Mais artigos de venda e locais disponíveis para quem procura, comprar esses produtos regionais

Se houvesse uma mudança de mentalidade, uma maior motivação e união entre os habitantes e melhor dedicação ao que é nosso

Igual, com a população mais envelhecida Mais parada e pouco evoluída

Está igual, só a agricultura/construção civil não dão rendimento para viver

Os jovens vão embora à procura de melhor Esperamos não perder mais nada, já perdemos o posto médico, farmácia, GNR

Foram retirados os alvarás, para comércio, alojamento, restauração, por parte do Município

Mudança de mentalidade das pessoas, se as pessoas continuarem apáticas estará igual

A população muito envelhecida

Mais iniciativas, empenho e participação por parte de todos

Ninguém quer trabalhar na agricultura, os novos saíram para procurar trabalho fora Sem emprego, com mais emigração Os ingleses estão a comprar tudo…

63 4.2.2. Percepção dos actores locais seleccionados

O segundo grupo de pessoas inquiridas consistiu num grupo de actores locais seleccionados das duas aldeias em estudo, designadamente elementos das autarquias locais, presidentes de Juntas de Freguesia, comerciantes, professores da escola primária, animadores, formadores entre outros. A organização será, tal como nos dados anteriores, iniciada com uma caracterização geral e com o perfil dos inquiridos (idade, género, habilitações literárias), seguida das respostas às questões formuladas.

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