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Nota introdutória

I. Âmbito e objectivos do estudo

4. Percurso metodológico

Neste processo dinâmico de investigação e desenvolvimento, delineámos um percurso metodológico que podemos organizar por fases, nem sempre claramente sequenciadas. Estas fases foram sendo marcadas pela elaboração de um conjunto de trabalhos parcelares que constituíram o suporte para a produção de estudos centrais, orientados para a construção do dispositivo de formação de professores/ pessoal não docente e de certificação das suas competências em TIC, bem como o processo condutor da sua implementação no terreno.

Tal como se pretende mostrar na Figura II.1 (Construção do dispositivo de formação e certificação de competências em TIC e sua relação com os estudos parcelares efectuados), e de forma a permitir que a equipa fosse construindo e consolidando um conjunto de princípios comuns que viessem a ser estruturantes da proposta final a apresentar ao ME, o percurso delineado, alicerçado nos estudos de enquadramento atrás referidos, começa pela definição de um referencial de competências em TIC, passando de seguida à discussão sobre as estratégias de formação mais adequadas, em função dos princípios definidos para esse mesmo referencial, e, só depois, aos modos e processos de certificação de competências em função das diferentes situações entretanto identificadas e às quais teria naturalmente de ser dada resposta. Passou-se, por último, ao projecto de implementação. Em simultâneo e à medida que este percurso se realizava, foi sendo desenvolvido um processo de auscultação e validação dos produtos entretanto conseguidos.

Figura II.1

Construção do dispositivo de formação e certificação de competências em TIC e sua relação com os estudos parcelares efectuados

1ª Fase. Clarificar o campo, auscultar informantes chave e fundamentar decisões Clarificado o campo de trabalho, definida a estratégia e concebido, em termos gerais, o dispositivo, tornou-se necessário, para fundamentar as decisões a tomar, aprofundar o conhecimento da equipa sobre a problemática, quer na sua dimensão teórica, quer situacional, isto é, sobre os vários contextos e modos de utilização das tecnologias de informação e comunicação em vários sectores da educação, em Portugal.

Assim, a par da análise, reflexão e sistematização feita pela equipa sobre a literatura mais recente e a investigação nas áreas centrais implícitas no estudo, optámos pela realização de estudos parcelares, produzidos, quer no interior da equipa do projecto, quer encomendados a investigadores de outras instituições e especialistas nas respectivas áreas. Esses estudos, com peso e modo de integração diferenciado, contribuíram também para a fundamentação do estudo.

Simultaneamente, procedeu-se ao levantamento de dados de estrutura sobre aspectos nucleares à elaboração do estudo (número de professores, número de acções de formação no domínio das TIC, modelos de formação e de certificação existentes…). Considerando a relevância da opinião de intervenientes neste domínio, decidimos também ouvir a voz de pessoas e grupos com larga experiência e conhecimento das questões fundamentais envolvidas na construção da proposta, nomeadamente no que diz respeito à formação que tem sido realizada e à certificação de competências em TIC.

Criámos, para isso, um mecanismo de auscultação directa1, em diferentes momentos do processo,

(i) através de questionário, por via electrónica, a um painel de especialistas com reconhecido mérito, experiência e mesmo responsabilidades na área da utilização educativa das tecnologias de informação e comunicação nos últimos anos em Portugal, para além de responsáveis de algumas associações de professores (Estudo 2 – Auscultação de Painel de Especialistas em TIC e Responsáveis das Associações de Professores);

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Dada a dimensão pragmática implícita à encomenda feita pelo Ministério da Educação, foi atribuída grande importância à ligação próxima ao grupo de projecto constituído no seio do próprio

(ii) através de entrevistas em grupo (Morgan, 1997), a informantes chave que incluíram responsáveis por centros de competência, centros de formação de associações de escolas e órgãos directivos de escolas, e também coordenadores TIC e formadores com experiência neste domínio, convidados pela equipa, representando áreas geográficas distintas (Norte, Centro, Grande-Lisboa e Sul) e realizadas em Braga, Aveiro, Lisboa e Évora (Estudo 1 – Auscultação de Informantes Chave).

(iii) através de questionário, a ex-alunos dos ensinos básico e secundário do 1º Ano da Licenciatura em Ciências da Educação, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (Estudo 3 – Auscultação de Ex- alunos dos Ensinos Básico e Secundário).

2ª Fase. Construir o dispositivo de formação e certificação em TIC

Sem prejuízo do aprofundamento de que cada uma das questões iniciais foi sendo alvo ao longo da reflexão, e de cuja sistematização se dará conta mais adiante, atingir os objectivos propostos (i - conceber um referencial de competências em TIC; ii - elaborar um modelo de formação contínua adequado aos princípios definidos no referencial de competências em TIC; iii - criar um modelo de certificação, reconhecimento e validação de competências em TIC) de forma coerente e articulada, implicou ultrapassar a lógica sequencial de concepção e de produção. Instituiu-se, ao invés, um processo de trabalho interactivo, potenciado pela troca de informação que as TIC permitiram aos diferentes membros da equipa. A interactividade também beneficiou muito com a possibilidade de reuniões gerais da equipa realizadas mesmo antes da assinatura do contrato.

A construção do Referencial de Competências foi assim sendo testada e interrogada pela concepção quer do modelo de formação quer do de certificação, podendo dizer-se que foram elaborados em simultâneo. Por último, a proposta de referencial, de modelo de formação e de modelo de certificação foram testados e interrogados pelo dispositivo de implementação que se constituiu com uma terceira fase.

Procedeu-se, ainda, à elaboração de propostas semelhantes para o pessoal não docente, com as devidas adaptações a este público específico embora respeitando os mesmos procedimentos acima enunciados.

3ª Fase. Organizar o sistema de implementação do dispositivo

Nesta fase, procedeu-se à construção de um sistema articulado de implementação, de faseamento e de calendarização dos processos de formação e de certificação de competências em TIC que permitisse a consolidação global de toda a proposta, nomeadamente no campo da sua execução no terreno.

4ª Fase. Identificar recomendações

Por último, numa perspectiva de prestação de contas sobre os resultados do estudo, para além da apresentação dos produtos centrais, implícitos nos objectivos formulados, procedemos à identificação de algumas propostas para o seu bom êxito no terreno. Apresentamo-las na forma de recomendações a dois níveis: ao nível político, recomendações necessariamente mais abertas e globais e ao nível da prática, recomendações necessariamente mais detalhadas.