Segundo o BCBS (2005, p.1):
Na área de crédito, perdas de juros e principal ocorrem a todo tempo – há sempre alguns devedores que não cumprem suas obrigações. As perdas que realmente ocorrem em um determinado ano variam de um ano para outro, dependendo do número e da severidade dos eventos de default, mesmo se assumirmos que a qualidade da carteira é consistente no tempo.47
45 “All these approaches focused both on the prediction of failure and on the classification of credit quality. This
distinction is very important, as it is still not clear in the minds of many users of scores whether classification or prediction is the most important aspect to focus on. This will typically translate into difficulties when selecting criteria for performance measures.”
46 “ 1. Accuracy. Having low error rates arising from the assumptions in the model 2. Parcimony. Not using too large a number of explanatory variables
3. Nontriviality. Producing interesting results
4. Feasibility. Running in a reasonable amount of time and using realistic resources
5. Transparency and interpretability. Providing high-level insight into the data relationships and trends and understanding where the output of the model comes from”
47 “In credit business, losses of interest and principal occur all the time – there are always some borrowers that
O comitê apresenta dois gráficos esclarecedores com relação às perdas esperadas e às perdas não esperadas, reproduzidos no Gráfico 3:
Gráfico 3 - Gráficos representativos da taxa de perdas
FONTE: Adaptado do BCBS, 2005, p. 2
Como não se sabe, com antecedência, que perdas o banco sofrerá em um determinado ano, é possível prever a perda média, tal como no Gráfico 3, que é uma expectativa razoável da EL (Expected Loss - Perda Esperada). Essa perda é considerada como um componente do custo do negócio, sendo utilizada na precificação das exposições de crédito e, também, na constituição de provisões.
Quanto aos picos de perdas, estes não são freqüentes, mas, quando ocorrem, podem representar perdas elevadas. Essa perda que excede a perda esperada é chamada de UL (Unexpected Loss - Perda não Esperada), que deve ser suportada pelo capital do banco. O BCBS (2005, p. 3) apresenta o gráfico de distribuição de perdas potenciais com mais detalhe, como mostra o Gráfico 4:
depending on the number and severity of default events, even if we assume that the quality of the portfolio is consistent over time.”
Gráfico 4 – Exemplificativo de distribuição de perdas potenciais
FONTE: Adaptado do BCBS, 2005, p. 3
Explica-se que:
A curva mostra que pequenas perdas próximas ou um pouco abaixo da EL ocorrem com maior freqüência do que grandes perdas. A probabilidade de que as perdas excedam a soma da EL e UL - isto é, a probabilidade de que um banco não seja capaz de honrar suas próprias obrigações creditícias com seu lucro e capital – equivale à área hachurada abaixo do lado direito da curva. 100% menos essa probabilidade é chamada de nível de confiança e o correspondente limite é chamado de VaR (Valor em Risco).48 (BCBS, 2005, p. 3, grifos do original).
Jorion (2003, p. 19) define de uma forma intuitiva: “O VAR sintetiza a maior (ou pior) perda esperada dentro de determinados período de tempo e intervalo de confiança [...]”, e ainda faz uma introdução à mensuração do risco integrado:
O propósito original dos sistemas de VAR era quantificar o risco de mercado. [...] os bancos que estavam sujeitos a restrição de capital por causa do risco de crédito logo aprenderam a transformar esse risco em risco de mercado, sujeito a menores exigências de capital [...] A metodologia de VAR de mercado está sendo estendida para agregar o risco de mercado ao risco de crédito.
Voltando ao Gráfico 4, reforça-se o comentado anteriormente: a EL é coberta por provisões e o capital é determinado pela diferença entre o VaR e a EL, ou seja, a UL.
48 “The curve shows that small losses around or slightly below the Expected Loss occur more frequently than the large losses. The likelihood that losses will exceed the sum of Expected Loss (EL) and Unexpected Loss (UL) – i.e. the likelihood that a bank will not be able to meet its own credit obligations by its profits and capital – equals the hatched area under the right hand side of the curve. 100% minus the likelihood is called confidence
Cabe salientar que o assunto foi exposto do ponto de vista de carteira, ou seja, a perda esperada de uma carteira é função da proporção de devedores que irão entrar em default em um certo período de tempo, multiplicada pela exposição no momento de default e multiplicada pela taxa de perda dado o default. Vale lembrar que todas essas variáveis são aleatórias, mas as IFs podem estimá-las.
Assim, temos a seguinte equação para o cálculo da perda esperada: EL = PD x EAD x LGD
onde:
PD : Probability of Default (Probabilidade de inadimplência)
EAD : Exposure at Default (Valor da exposição no momento do evento de inadimplência) LGD : Loss Given Default (Perdas efetivas em função de um evento de inadimplência). Segundo Niyama e Gomes (2005, p. 54):
A constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa representa, em qualquer empresa, uma estimativa de perda provável dos créditos, em atendimento aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, em especial ao da Realização da Receita e Confrontação com a Despesa e ao da Prudência ou Conservadorismo.
Ou seja, mais uma confirmação de que a EL deverá ser suportada pela provisão para créditos de liquidação duvidosa.
Do mesmo modo, a Resolução n. 2.682/99 estabelece que (grifos nossos):
Art. 6º A provisão para fazer face aos créditos de liquidação duvidosa deve ser constituída mensalmente, não podendo ser inferior ao somatório decorrente da aplicação dos percentuais a seguir mencionados, sem prejuízo da responsabilidade dos administradores das instituições pela constituição de provisão em montantes suficientes para fazer face a perdas prováveis na realização dos créditos:
I - 0,5% (meio por cento) sobre o valor das operações classificadas como de risco nível A; II - 1% (um por cento) sobre o valor das operações classificadas como de risco nível B; III - 3% (três por cento) sobre o valor das operações classificadas como de risco nível C; IV - 10% (dez por cento) sobre o valor das operações classificadas como de risco nível D; V - 30% (trinta por cento) sobre o valor das operações classificadas como de risco nível E; VI - 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor das operações classificadas como de risco nível F;
VII - 70% (setenta por cento) sobre o valor das operações classificadas como de risco nível G; VIII- 100% (cem por cento) sobre o valor das operações classificadas como de risco nível H.
Assim, temos que a classificação de risco de uma operação de crédito está relacionada com a EL da operação, segundo o estabelecido na resolução. Este trabalho visa criar um modelo para estimar a PD de uma grande empresa, que é parâmetro fundamental para a determinação da EL49 e, conseqüentemente, da classificação de risco da empresa e/ou operação de crédito. Além disso, deve-se destacar a importância que a PD assume no contexto do Basiléia II, que impõe uma nova estrutura de adequação de capital, com aumento da sensibilidade ao risco do requerimento mínimo de capital. Dada a relevância desse assunto, seguem-se alguns aspectos desse acordo.