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Perda progressiva de mobilidade/Atrofia muscular

Para todos os cinco participantes, a perda de mobilidade é considerada a principal consequência da doença. Como referido no enquadramento teórico, a doença de ELA leva ao enfraquecimento progressivo dos músculos, causada pela atrofia muscular, que por sua vez causa perda de força a nível muscular e dificulta a movimentação. Estes sintomas afetam os participantes no seu quotidiano. Para além do principal sintoma referido, a perda de mobilidade, é importante salientar que também são referidos por alguns participantes, outras consequências negativas da doença, como dores musculares intensas e/ou cãibras dolorosas em locais “inóspitos” do corpo, a perda de equilíbrio e dificuldades na fala, consequências também da atrofia muscular.

Para o Participante 1 (P1) é notório que a perda de mobilidade, em especial nos membros inferiores, é algo que lhe causa um grande transtorno, tendo um grande impacto na sua vida diária, pois causa-lhe grande dificuldade em andar e deslocar-se. Para além desta questão, também refere a existência de outros dois sintomas relevantes que se interligam com a perda de mobilidade, que são o cansaço, sente-se constantemente cansado, e a perda de equilíbrio, que lhe provoca medo de cair. Em suma, a perda de mobilidade nos membros inferiores, a falta de equilíbrio e um grande cansaço levam a uma maior dificuldade de movimentos, impossibilitando a realização das mesmas atividades. Também refere a perda de força muscular, em especial nas mãos, sendo esta uma consequência da atrofia dos músculos, que também o afeta nas suas tarefas diárias e que tem momentos, em que acorda durante a noite com muitas dores musculares no corpo todo:

“Sinto-me muito cansado, é o cansaço... é a falta de equilíbrio, e... não é só o cansaço e a falta de equilíbrio... depois o andar, o não conseguir andar... São essas três coisas que... (...) Agora, a falta de equilíbrio, depois é aquilo... o medo... provoca-me medo

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de cair” (u.s. 1); “(...) as pernas estão todas presas... o andar não é... mas eu gosto de andar, gosto de passear, gosto de praia, pronto... Agora não vou para a praia...” (u.s. 28); Além disto as minhas mãos, isto agora está a atacar não é, a parte muscular... eu a agarrar na... colher... às vezes tenho de fazer assim... tenho de fazer mais força... depois cai-me... se não deixo cair as colheres... (...) Mas eu tenho é dores... de noite... às vezes acordo (...) parece que não devo sentir nada, não acordo... mas outras começam-me a doer as pernas, começam-me a doer os braços... dói-me o corpo...” (u.s. 12).

A Participante 2 (P2) foi perdendo progressivamente e de forma drástica a sua mobilidade em todo o corpo, perdendo também todo o equilíbrio, tendo atualmente grande dificuldade em puder falar e movimentar-se sozinha, sem ser na sua cadeira de rodas. O mesmo impede-a severamente no seu dia a dia, levando a que não consiga realizar qualquer atividade sem a ajuda de terceiros. Refere também sentir um grande mau estar geral no corpo todo e que sofre de cãibras muito dolorosas:

“Comecei por deixar de puder correr para apanhar o autocarro... Suponhamos eu queria, mas o corpo não se manifestava” (u.s. 6); “Depois, daí uns três meses, comecei a não conseguir enfiar o chinelo esquerdo, tinha que pôr o chinelo... contra a porta ou contra a cama ou contra a banheira, “mas porquê que o pé não vai para frente”... esse foi o primeiro sintoma, além do correr (...) tinha que levar o saco das compras ao colo porque os braços não tinham a mesma força, depois começou-se a prender a perna esquerda, comecei a notar quando eu também me levantava na banheira assim uma prisão nas pernas e por aí fora... Depois já não conseguia andar... como eu andava sempre muito depressa, andei muito tempo a pensar: “Mas eu agora mudei o andar, tinha o andar tão ligeiro e agora... (...) e muito desequilíbrio, caí muitas vezes...” (u.s. 8); “(...) E pronto e veio-se sempre agravando, agravando...” (u.s. 17); “(...) e a mobilidade já não tenho nenhuma... nenhuma... quero mexer os pés para ir à casa de banho e não mexo...” (u.s. 23); “(...) isto é um mau estar geral, a cabeça, corpo... é assim... e as cãibras, de dar gritos” (u.s. 27); eu não posso falar, prendem-se-me os músculos... (u.s. 5).

O Participante 3 (P3) revela uma perda progressiva de mobilidade, em especial nos

membros inferiores, o que lhe causa dificuldade em realizar determinados movimentos e em andar certas distâncias, e impossibilita a realização das mesmas atividades, anteriores à doença. Sente que foi perdendo força a nível muscular nos membros inferiores, levando a que tenha de despender um esforço muito maior para realizar simples tarefas, ficando facilmente cansado. Refere também que sentiu cãibras, como um dos primeiros sintomas da doença:

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“(...) é óbvio que sei que tenho as minhas limitações não é... Apercebo-me delas consoante vou ficando pior, consoante vou tendo menos mobilidade no meu caso...” (u.s. 4); “(...) a falta de mobilidade principalmente... (...) como sempre fui uma pessoa muito mexida...” (u.s. 32); no meu caso como é... medular... e apanhou-me os membros inferiores, portanto custa-me estar em pé, custa-me andar longas distâncias, pronto... Custa-me muito levantar e sentar, portanto, é complicado...” (u.s. 28); “Portanto foi o do pé, comecei a perder força no pé, portanto eu deixei de conseguir levantar o pé, depois gradualmente a perna não é, direita“ (u.s. 13); “(...) sinto-me posteriormente cansado... ou seja faço a força toda com os braços, embora tenha força... mas depois chego ao fim do dia...” (...) “como faço muita força para me levantar, como não tenho força nas pernas, tenho que me valer dos braços” (u.s. 26 e 27 respetivamente); “(...) Os primeiros 15 dias se calhar tinha uma cãibra” (u.s. 8).

O Participante 4 (P4) refere que viver com a doença de ELA é viver preso no seu próprio corpo, explicando que esta é a principal consequência da doença e a melhor forma de definir a mesma. Refere ter perdido de forma severa e progressiva a maior parte da mobilidade do corpo, causando-lhe grande dificuldade em se movimentar e em falar. Sofreu uma transformação drástica na sua vida, devido às grandes limitações físicas consequentes da doença, que o afetam diariamente. Refere também que perdeu muito o equilíbrio, tendo sido um dos seus sintomas iniciais e que sente uma grande falta de força, devido à atrofia muscular e cãibras muito dolorosas:

“Viver com a ELA... é vivermos presos no nosso corpo... é o modo que mais se consegue definir esta doença... presos no nosso próprio corpo porque nós vamos perdendo as nossas capacidades motoras e... no meu caso agora também a capacidade de me medicar e então a única coisa que nós temos é o... livre, praticamente, é o nosso pensamento porque... é... o único, vamos dizer músculo do nosso corpo, que não é afetado pela doença, é o nosso cérebro (...) porque com o passar do tempo vamos ficando limitados de movimentos e de comunicação” (u.s. 1); “(...) desde que nós falamos aqui há uns tempos atrás até agora, a minha fala está modificada. Nós aos poucos e poucos vamos tendo mais dificuldade em falar” (u.s. 2); “(...) eu tinha cãibras no corpo todo, até nos sítios mais inóspitos, não lembra a ninguém ter uma cãibra debaixo do braço... ou no... por exemplo, eu espirrava e tinha uma cãibra no estômago e eu caía para o chão enrolado com dores (u.s. 3); as primeiras coisas que se vai perdendo é o equilíbrio, deixa-mos de conseguir andar, não é... e depois tudo o resto vai acontecendo também... (....) por exemplo, se eu quiser trinchar o bife... não consigo, não tenho força, sinto assim dormente... (u.s. 14).

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A Participante 5 (P5) refere ter perdido, de forma muito severa e progressiva, grande parte da mobilidade do seu corpo, o que leva a que não se consiga movimentar, a não ser na sua cadeira de rodas, impossibilitando a realização das mesmas atividades, anteriores à doença. Também a atrofia muscular, que tem sido progressiva nas mãos e no resto do corpo, impossibilita a realização de tarefas simples do dia a dia, sentindo que fica mais cansada ao realizar as mesmas. Revela também dificuldades em falar devido à atrofia muscular. Menciona que os seus primeiros sintomas foram cãibras muito dolorosa:

“(...) eu comecei primeiro por ter cãibras horríveis em sítios que eu nem sabia que se tinha cãibras, na barriga sabe, não fazia ideia...” (u.s. 5); “ (...) comecei a ter dificuldade de andar, e depois subir... os sintomas foram-se avolumando” (u.s. 6); “(...) deixar de andar, deixar de... tudo o que deixei de conseguir fazer, tudo isso é desagradável não é (u.s. 19); “(...) eu lá em Lisboa tinha, tudo estava adaptado na casa, tudo, eu tomar duche era coisa para demorar uma hora e tal, entre ir para a cadeira, sentar na cadeira, despir-me e tal, uma hora e meia, e aqui, vá nos dias mais longos, meia hora raríssimo (...) É porque eles são profissionais... e sem estar cansada” (u.s. 16); “(...) embora seja cada vez mais difícil escrever num computador” (u.s. 21).