Países x Rochas 2515 2516 6801 6802 6803 Total
4.2.2. PERFIL BRASILEIRO
No Brasil, a década de 1990 ficou marcada pelo crescimento expressivo de todos os segmentos da cadeia produtiva, resultando na modificação do seu perfil de exportação, com incremento da venda de rochas processadas semiacabadas, principalmente chapas polidas de granito, superando o faturamento da exportação dos blocos, como visualizado na Figura 4. Atualmente as rochas processadas são responsáveis por 85% do total do faturamento anual. As rochas ornamentais brasileiras representam o quinto maior produto de base mineral exportado pelo Brasil, atrás do minério de ferro, minério de cobre, ouro e ferronióbio (CHIODI FILHO, 2018a).
Figura 4 – Evolução percentual de faturamento das exportações brasileiras de rochas brutas e processadas de 1998 a 2015. RP - Rochas processadas; RB – rochas brutas. Fonte: Abirochas,
113 Essa mudança de perfil de mercado de exportação impulsionou a evolução tecnológica dos equipamentos e insumos utilizados pela cadeia produtiva na década de 2000, com destaque para as técnicas de extração e de beneficiamento. Esse fator foi essencial para que novos materiais fossem continuamente colocados em produção, com destaque para as denominadas rochas exóticas, de alto valor agregado, que necessitam de técnicas mais eficientes e menos agressivas de extração, viabilizadas pelo uso do fio diamantado na extração e beneficiamento, além da adoção de reforços auxiliares de acabamento, como a técnica de envelopamento dos blocos e reforços estruturais da chapa por meio de utilização de resina e telagem.
Os materiais exóticos constituem hoje o principal grupo de produtos brasileiros de exportação. Por conta da sua excepcional “geodiversidade”, estima-se que o Brasil tenha comercializado no mercado internacional, ao longo dos últimos 30 anos, uma variedade de materiais maior que toda a Europa nos últimos 500 anos. No ano de 2006, o Brasil chegou a se posicionar como o quarto maior produtor e exportador mundial de rochas ornamentais e de revestimento, superando vários players europeus tradicionais (ABIROCHAS, 2018a).
A produção anual de rochas brasileiras é de 9,24 milhões de toneladas. Deste total, são absorvidos pelo mercado interno 6,88 milhões de toneladas de produtos e cerca de 67 milhões de m2 de chapas, que tem como principal destino o Estado de São Paulo, responsável 45% do consumo interno brasileiro (CHIODI FILHO, 2018a).
A maior parte das atividades de lavra e beneficiamento primário concentra-se em arranjos produtivos locais, como os de mármores e granitos do Espírito Santo, de ardósias e quartzitos foliados de Minas Gerais, de gnaisses foliados do Rio de Janeiro, de basaltos plaqueados do Rio Grande do Sul, de travertinos da Bahia, de calcários plaqueados do Ceará, etc.
O maior polo de beneficiamento de rochas é encontrado no Estado do Espírito Santo, responsável por beneficiar cerca de 80% dos materiais voltados à exportação. O aglomerado de empresas capixabas, caracterizado como o maior arranjo produtivo local de rochas do Brasil, é onde se concentra 86% das unidades de serragem de blocos, contando com 675 unidades de teares multilâminas e 290 unidades de teares multifios diamantados. (ABIROCHAS, 2018b),
Sobre o perfil das atividades setoriais no brasil, estima-se que atualmente cerca de 10.000 empresas compõem a cadeia produtiva de rochas ornamentais, divididas em marmorarias (61%), beneficiamento (20%) e lavra (10%). Outros segmentos do setor
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correspondem às empresas exportadoras, serviços em geral, depósitos de chapas e indústrias de máquinas, equipamentos e insumos. Estima-se que a cadeia produtiva de rochas no Brasil é responsável pela geração de cerca de 120.000 empregos diretos e indiretos (ABIROCHAS, 2018b).
O parque brasileiro de beneficiamento tem capacidade instalada de serragem e polimento de chapas para cerca de 87 milhões de metros quadrados por ano. Considerando a produção das rochas de processamento simples, ou seja, rochas que são extraídas por meio dos planos naturais de desplacamento (ardósias, quartzitos e gnaisses foliados, calcários e basaltos plaqueados etc.) e que não passam pelas etapas de serragem e polimento, a capacidade produtiva brasileira é acrescida de mais 50 milhões de metros quadrados. (ABIROCHAS, op.cit.)
4.2.3. TERMINOLOGIA
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) define as rochas ornamentais como um “material pétreo natural, utilizados em revestimentos internos e externos, estruturas, elementos de composição arquitetônica, decoração, mobiliário e arte funerária”. Já a classificação de rochas de revestimento compreende as “rochas ornamentais que são submetidas a diferentes graus ou tipos de beneficiamento, utilizadas em revestimentos de superfícies, especialmente pisos, paredes e fachadas” (ABNT, 2013).
De acordo com Frazão e Paraguassu (1998), a definição de rocha pode ser compreendida como sendo “um corpo sólido natural, resultante de um processo geológico determinado, formado por agregados de um ou mais minerais, arranjados segundo as condições de temperatura e pressão existentes durante sua formação. Também podem ser corpos de material mineral não-cristalino, como o vidro vulcânico (obsidiana) e materiais sólidos orgânicos como o carvão”.
Segundo Frascá (2014) a uniformidade no consenso da definição da terminologia é uma questão ainda não equalizada nas normativas mundiais, que definem as rochas ornamentais e as rochas de revestimento. Portanto, cabe citar algumas definições feitas por normativas existentes com definição de rochas ornamentais, rochas de revestimento e rochas dimensionadas.
115 Os termos rochas ornamentais e para revestimento são definidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, pela American Society for Testing Materials ASTM e pelo European Committee for Standartization – CEN, sumarizados por Frascá (2014) são apresentados pela tabela 03 (ABNT, 2013; BSI, 2002; ASTM, 2012).
Tabela 3 – Comparação das principais definições ligadas às rochas ornamentais. (FRASCÁ, 2014)
ABNT ASTM CEN
Rochas ornamentais material pétreo natural utilizado
em revestimentos internos e externos, estruturas, elementos de composição arquitetônica, decoração, mobiliário e arte funerária
termo correspondente a monumental stone: rocha de qualidade adequada para ser lavrada e cortada como rocha dimensionada, tal qual existe na natureza e ser usada pela indústria de monumentos e memorial
não define
Rochas para revestimento rocha ornamental submetida a
diferentes graus ou tipos de beneficiamento e utilizada no revestimento de superfícies, especialmente pisos, paredes e fachadas
Termo correspondente à build stone: rocha natural, com qualidades necessárias para se lavrada e cortada como rocha dimensionada, tal qual existe na natureza e ser usada na
construção civil.
Termo também correspondente a build stone: rocha natural usada em construções e em monumentos.
Rocha dimensionada não define termo correspondente a
dimension stone: rocha natural que foi selecionada e
beneficiada em tamanhos e formas específicos
termo usado como sinônimo de bloco bruto (rough block)
Para além da classificação técnica da terminologia em função da sua utilização, as variedades litológicas são agrupadas comercialmente nos grupos de mármores e granitos, apesar de possuírem definições geológicas mais estritas. Os “granitos” compreendem assim rochas silicáticas que não são apenas granitos sensu stricto, mas também charnockitos, sienitos, basaltos, metaconglomerados, gnaisses, entre outras, enquanto os “mármores” abrangem diversos tipos de rochas carbonáticas, metamórficas ou não, capazes de receber polimento e
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lustro, como dolomitos e calcários. Outros tipos de rochas comercializadas são ardósias, quartzitos, pedra sabão e outras pedras naturais (não submetidas ao polimento).