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3 O FENÔMENO CONTEMPORÂNEO DO ENVELHECIMENTO

3.3 A VELHICE COMO EXPERIÊNCIA HETEROGÊNEA

3.4.1 Perfil da população idosa conforme dados do IBGE

Face à relevância do tema, utilizamo-nos dos resultados obtidos pelo IBGE, por meio do estudo intitulado Projeção da população do Brasil por sexo e idade, 1980-2050, Revisão 2008.

Esses dados estimativos têm fundamental importância para a compreensão do tema do crescimento demográfico e da expansão da longevidade. Além do mais, são dados oficiais que alimentam as bases de informações de Ministérios e Secretarias de Estado e Municípios para a formulação, implementação e avaliação dos programas de desenvolvimento e as ações contidas nas suas políticas sociais.

Não foi possível, de forma completa e oficial, utilizar dados do último Censo 2010 pelo fato de que as suas conclusões estão sendo apresentadas e publicadas dentro de um calendário previsto para ser executado durante todo o ano de 2011, 2º semestre, daí a utilização da Revisão 2008, que, além do mais, engloba as estatísticas dos Censos, a partir do ano de 1980 até o PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios,221 de 2007.

Ressalte-se, por oportuno, que todas as informações contidas neste item foram obtidas por meio dos censos demográficos a cargo do IBGE, Revisão 2008, para o fim de não haver divergências de dados estatísticos em face da complexidade das informações relacionadas ao crescimento demográfico e à longevidade.

221 A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD investiga anualmente, de forma permanente,

características gerais da população, de educação, trabalho, rendimento e habitação e outras, com periodicidade variável, de acordo com as necessidades de informação para o País, como as características sobre migração, fecundidade, nupcialidade, saúde, segurança alimentar, entre outros temas. O levantamento dessas estatísticas constitui, ao longo dos 42 anos de realização da pesquisa, um importante instrumento para formulação, validação e avaliação de políticas orientadas para o desenvolvimento socioeconômico e a melhoria

das condições de vida no Brasil (Disponível em:

<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2009/> Acesso em: 6 nov. 11).

O próprio IBGE esclarece que não é possível estabelecer critérios iguais entre os diversos países, pelo fato de que as análises são contextualizadas e estão contidas dentro das limitações dos dados disponíveis em cada país. De acordo com o IBGE, desde os anos de 1960, a taxa de crescimento da população brasileira vem experimentando declínios, intensificando-se juntamente com as quedas mais pronunciadas da fecundidade. A taxa de crescimento da população diminuiu de 3,04% ao ano, no período de 1950-1960, para 1,05% ao ano, em 2008, e poderá alcançar -0,291%, em 2050, com uma população projetada em 215,3 milhões de habitantes222.

Em 1940, a vida média do brasileiro atingia em torno de 50 anos de idade (45-50 anos). Os avanços da medicina e as melhorias nas condições gerais de vida da população repercutiram na elevação da expectativa de vida ao nascer, tanto que, 68 anos mais tarde, este indicador elevou-se 27,28 anos (72,78 anos, em 2008).

Segundo a projeção, o Brasil continuará galgando anos na vida média da sua população, alcançando, em 2050, o patamar de 81,29 anos, que se equipara ao nível atual de Hong Kong (82,20) e do Japão (82,60). Em escala mundial, a esperança de vida ao nascer foi estimada para 2008 (período 2005-2010), em 67,20 anos e, para 2045-2050, as Nações Unidas projetam uma vida média de 75,40 anos. A fecundidade no Brasil foi diminuindo ao longo dos anos, basicamente como consequência das transformações ocorridas na sociedade brasileira, de modo geral, e na própria família. Em 1991, 2,89 filhos por mulher e, em 2000, em 2,39 filhos por mulher.

As PNAD 2006 e 2007 já apresentavam estimativas que colocam a fecundidade feminina no Brasil abaixo do nível de reposição das gerações (1,99 e 1,95 filho por mulher). A taxa estimada e correspondente ao ano de 2008 é a de 1,86 filho por mulher. Com os devidos ajustes inerentes ao processo de modelagem, a fecundidade limite brasileira seria de 1,50 filho por mulher, valor alcançado entre 2027 e 2028. Quanto a maior presença da mulher e, por consequência, a maior longevidade feminina: em 1980, para cada grupo de 100 mulheres, havia 98,7 homens; em 2000, já se observavam 97 homens para cada 100 mulheres e, em 2050, espera-se que a razão de sexo da população fique por volta de 94%.

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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Projeção da População do Brasil por Sexo e Idade para o período 1980-2050. Revisão 2008.

O efeito combinado da redução dos níveis de fecundidade e da mortalidade no Brasil tem produzido transformações no padrão etário da população do Brasil, sobretudo a partir de meados dos anos de 1980. O formato tipicamente triangular da pirâmide populacional, com base alargada, está cedendo lugar a uma pirâmide populacional característica de uma sociedade em acelerado processo de envelhecimento.

O envelhecimento populacional caracteriza-se pela redução da participação relativa de crianças e jovens, acompanhada do aumento do peso proporcional dos adultos e, particularmente, dos idosos. Em 2008, enquanto as crianças de 0 a 14 anos de idade correspondiam a 26,47% da população total, o contingente de 65 anos ou mais de idade representava 6,53%. Em 2050, o primeiro grupo representará 13,15%, ao passo que a população idosa ultrapassará os 22,71% da população total, conforme figura 3, a seguir.

Figura 3 – Representação gráfica do excedente feminino (em milhares) na população total de 1980 a 2050, no Brasil223.

A julgar pelos dados do IBGE, o envelhecimento da população brasileira estará consolidado ainda na década de 2030, quando a população iniciaria trajetória de declínio de seu efetivo absoluto.

As tabelas 1 e 2 são ilustrativas das transformações pelas quais passará a estrutura por sexo e idade da população do Brasil, ao longo do período de 1980 a 2050, de acordo com os resultados da projeção da população:

Tabela 1 – BRASIL: Participação relativa percentual da população por grupos de idade na população total - 1980/2050224.

Grupos de Idades 1980 1990 2000 2008 2010 2020 2030 2050 Total 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 0 a 14 38,24 35,33 28,78 26,47 25,58 20,07 16,99 13,15 15 a 24 21,11 19,53 19,74 18,11 17,41 16,34 13,27 10,45 0 a 24 59,35 54,86 49,52 44,57 42,99 36,41 30,25 23,60 15 a 64 57,75 60,31 64,78 67,00 67,59 70,70 69,68 64,14 55 ou mais 8,71 9,58 11,29 13,36 14,10 19,24 24,60 36,73 60 ou mais 6,07 6,75 8,12 9,49 9,98 13,67 18,70 29,75 65 ou mais 4,01 4,36 5,44 6,53 6,83 9,23 13,33 22,71 70 ou mais 2,31 2,65 3,45 4,22 4,46 5,90 8,63 15,95 75 ou mais 1,20 1,45 1,90 2,46 2,60 3,53 5,11 10,53 80 ou mais 0,50 0,63 0,93 1,27 1,37 1,93 2,73 6,39

Tabela 2 – População residente, por situação do domicílio e sexo, segundo os grupos de idade, Brasil, 2009225.

Grupos de idade

(anos)

População residente (1.000 pessoas)

Total Homem Mulher Total Homem Urbana Mulher Total Homem Rural Mulher

Total 191.796 93.356 98.439 161.041 77.334 83.707 30.775 16.023 14.732 0 a 4 13.385 6.835 6.550 10.964 5.593 5.371 2.421 1.241 1.179 Menos de 1 2.570 1.301 1.268 2.139 1.083 1.056 430 218 212 1 a 4 10.815 5.533 5.282 8.825 4.510 4.314 1.990 1.023 967 5 a 9 15.604 8.032 7.572 12.610 6.510 6.101 2.994 1.523 1.471 10 a 14 17.421 8.933 8.439 14.109 7.231 6.878 3.313 1.752 1.561 15 a 19 16.936 8.559 8.377 13.983 6.974 7.009 2.953 1.584 1.368 15 a 17 10.399 5.277 5.122 8.484 4.249 4.235 1.915 1.028 888 18 ou 19 6.537 3.282 3.255 5.499 2.723 2.774 1.037 557 481 20 a 24 16.498 8.248 8.250 14.139 7.024 7.116 2.359 1.224 1.134 25 a 29 16.473 8.082 8.411 14.239 6.926 7.313 2.235 1.136 1.099 30 a 34 15.060 7.239 7.821 12.932 6.141 6.791 2.127 1.097 1.030 35 a 39 13.836 6.621 7.215 11.760 5.552 6.209 2.076 1.069 1.006 40 a 44 13.339 6.372 6.967 11.369 5.317 6.052 1.970 1.055 915 45 a 49 12.101 5.772 6.329 10.312 4.813 5.499 1.789 959 830 50 a 54 10.686 4.953 5.733 9.150 4.165 4.985 1.536 788 748 55 a 59 8.720 4.067 4.653 7.330 3.327 4.003 1.390 741 650 60 a 64 6.648 3.079 3.569 5.556 2.499 3.057 1.092 580 512 65 a 69 5.342 2.441 2.901 4.436 1.942 2.494 906 498 408 70 ou mais 9.746 4.095 5.651 8.150 3.319 4.831 1.595 775 820 224

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE), Op. cit., Revisão 2008.

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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa nacional por amostra de domicílios, 2009.

As transformações no perfil demográfico do Brasil em direção a uma população bastante envelhecida devem ser acompanhadas por medidas que promovam o bem-estar da coletividade.

Face a este novo cenário, os sistemas públicos e privados de Previdência Social deverão acolher esse contingente de pessoas, sobretudo considerando que a longevidade é uma conquista humana e, como tal, a ela deve ser um significado especial, digno daqueles que alcançaram a longevidade.

A transição demográfica e o consequente envelhecimento da população brasileira tem implicações importantes para a Previdência Social, cujos maiores impactos são sentidos no Regime Geral da Previdência Social – RGPS, pois esse é um regime previdenciário aberto a qualquer pessoa que exerça atividade produtiva, alicerce para os demais regimes atualmente existentes.

Tanto é assim que a Constituição Federal determina, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20 de 1988, que os regimes próprios de Previdência dos servidores públicos deverão observar, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o Regime Geral: ―Art. 40, §12. Além do disposto neste artigo, o regime de Previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de Previdência Social‖ (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15.12.1998).