• Nenhum resultado encontrado

Capítulo I – Qualidade na Educação: a relação entre o currículo e os agentes

1.1. A Profissionalidade Docente

1.1.1. Perfil do educador e do professor do 1.º CEB

Antes de nos referirmos propriamente ao perfil do educador de infância e do professor do 1.º CEB, é necessário precisar o conceito de perfil do professor. Desta forma, um perfil deve contemplar um conjunto de caraterísticas e competências relacionadas com o que o professor deve saber, fazer e ser (Peterson, 2003). Além disso, este processo de criação também se encontra ligado com o estilo da sua educação, com o processo de ensino-aprendizagem e com o modo de gestão e preparação obtida, ao longo da sua

formação. Por este motivo, é certo que não podemos referir que um docente principiante, mesmo que apresente um repertório razoável, é eficaz ou apresenta determinado perfil. O mesmo acontece com a competência. Neste caso, esta não deve ser considerada um comportamento ou um desempenho, mas antes um conjunto de conhecimentos, saberes- fazer e atitudes que são indispensáveis ao professor em situação de ensino (Estrela, 1991).

No entanto, existem determinadas caraterísticas cruciais que um docente deve possuir, aquando da sua formação. Em Portugal, foi através do Decreto-Lei n.º 241/2001, de 30 de agosto que foram aprovados os perfis específicos de desempenho profissional do educador de infância e do professor do 1.º CEB, determinados pelo Decreto-Lei n.º 240/2001, também de 30 de agosto, o qual se refere ao perfil geral de desempenho dos educadores de infância e dos professores do Ensino Básico e Secundário. Note-se que esta ligação entre o perfil geral e específico devem servir de base à organização da formação inicial de professores, embora o papel do docente vá muito além das competências referidas nestes decretos. Além disso, não deve ser negligenciada a aprendizagem ao longo da vida, “para que o desempenho profissional seja consolidado e enriquecido, através de uma adaptação contínua aos desafios que emergem ao longo da carreira” (Mesquita, 2011, p. 47).

No Decreto-Lei 240/2001, de 30 de agosto, o perfil geral traçado está relacionado com as competências comuns, transversais e necessárias ao exercício da docência nos diferentes contextos de educação e ensino. Este institui quatro grandes dimensões que se situam na ordem: (i) do profissional, do social e da ética; (ii) do desenvolvimento do ensino e da aprendizagem; (iii) da participação na escola e da relação com a comunidade e (iv) do desenvolvimento profissional ao longo da vida (Decreto-Lei 240/2001).

Passando agora a analisar o perfil específico de desempenho profissional do educador de infância, definido no Decreto-Lei 241/2001, verifica-se que este deve exercer funções com crianças entre os três anos e a idade de ingresso na escolaridade, embora possa, igualmente, habilitar-se a desenvolver ações com crianças até aos três anos de idade. Este perfil encontra-se estruturado em duas grandes dimensões: concepção e

desenvolvimento do currículo e integração do currículo (Decreto-Lei 241/2001). Note-

se que o educador de infância deve desenvolver o currículo através da planificação, das atividades, dos projetos curriculares e da organização e avaliação do ambiente educativo.

É de salientar que todas estas conceções devem ser operacionalizadas de forma diversificada, adaptada, transversal, integrada e flexível, de forma a proporcionar às crianças experiências mais enriquecedoras e participativas, sem descurar os recursos

educativos ligados às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Além disso, o educador deve ser capaz de promover às crianças oportunidades intencionadas de aprendizagem com qualidade, reportando às orientações curriculares e valorizando as suas conceções e vivências. Toda esta ação pedagógica anunciada destaca “a aprendizagem pela descoberta, onde o educador de infância é considerado como um orientador” (Mesquita-Pires, 2007, p.142) que proporciona meios que levam as crianças a apropriarem-se dos conhecimentos.

Relativamente ao perfil específico de desempenho profissional do professor do 1.º CEB, este também agrupa as áreas de concepção e desenvolvimento do currículo e

integração do currículo e configura-se cada vez difícil de operacionalizar devido à sua

exigência (Marchão, 2012). De acordo com Lopes e Silva (2011), espera-se que o professor:

Seja responsável pelo processo de ensino-aprendizagem dos alunos; Colabore em programas de prevenção; Domine os métodos de ensino; Formule e coordene programas de ocupação de tempos livres ou de complemento de horário para os alunos; Se mantenha permanentemente actualizado; Elabore projectos de inovação e alterne entre os papéis de formador e de formando (pp. 105 e 106). Além disso, deve desenvolver o currículo de forma inclusiva, mobilizando e incorporando os conhecimentos científicos, promover as competências sociais necessárias para uma cidadania ativa e responsável e fortalecer com os alunos as competências necessárias para progredirem a sua aprendizagem. Ainda assim, deve ter em conta os conhecimentos prévios dos alunos, bem como os obstáculos e os erros como formas de aprendizagem e não como um entrave; articular a aprendizagem do 1.º ciclo com as da EPE e ciclos posteriores; desenvolver competências no âmbito da Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Sociais e da Natureza, Educação Física e Artística e promover uma interdisciplinaridade apropriada (Decreto-Lei 241/2001). De facto, intervir da melhor forma, não depende unicamente do nosso conhecimento, mas principalmente do conhecimento dos nossos alunos. Acrescento as competências relacionais de um professor, uma vez que deve existir um clima caloroso e de confiança mútua para que os alunos possam averiguar e avaliar as suas perceções e sentimentos, com o objetivo de compreender as suas próprias necessidades, valores, emoções e decisões com eficácia (Lopes & Silva, 2011). Tal como afirma Day (2004) “os professores precisam de revisitar as suas próprias identidades para conseguirem continuar a manter boas relações” (p. 94).

Para finalizar, não obstante, tudo isto, é de evidenciar que deve existir sempre uma intencionalidade por parte do professor, com o objetivo de produzir, promover e facilitar a aprendizagem dos alunos. Afinal, ser professor é ter uma profissão multifacetada, para a qual não existem receitas, nem melhores formas de o ser.