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CAPITULO IV PERFIL DO USUÁRIO DE PROCESSADORES DE TEXTOS E OS

4.2 Perfil do usuário de processadores de textos

O uso da máquina de escrever é difundida em todos os meios e portanto tem acesso a ela qualquer pessoa, com qualquer nível de formação. Esta máquina é utilizada basicamente para datilografar principalmente textos e esporadicamente números em tabelas.

Com o surgimento do microcomputador no início dos anos 80 gerou-se uma revolução na área de processamento de textos. A informática saiu dos CPD'S para o usuário final. Com is­ so os preços dos microcomputadores baixaram e, já, no final daquela década era realidade o fenômeno hoje conhecido como "downsizing".

Os processadores de texto, assim como foram as máquinas de escrever, também tem a pre­ tensão de serem usados por qualquer pessoa. Este é um software elaborado para o público em geral. Os usuários de processadores de texto são pessoas com a mais diversificada forma­ ção, muitos dos quais jamais estudaram os princípios da informática. Dados coletados no la­ boratório de informática da Universidade de Blumenau, (ODEBRECHT & SANTOS, 1993) confirmam a indicação de ROBERTS & MORAN (IN: BAECKER & BUXTON, 1987), quando estes afirmam que grande parte do tempo de uso dos computadores pessoais é com processamento de textos.

Se é verdade que o profundo conhecimento dos recursos de um processador de textos não tem qualquer serventia para a tarefa de digitação de um texto, em compensação, ele vale mui­ to para quem deseja explorar os recursos, que foram criados no intuito de facilitar o trabalho do usuário, fornecendo-lhe os recursos mais utilizados em um mesmo ambiente.

Há muitas categorias diferentes de usuários de processador de textos, sendo classificados ba­ sicamente em novatos, experientes e ocasionais (ROBERTS & MORAN; IN: BAECKER & BUXTON, 1987) Para este trabalho, leva-se em conta estas categorias básicas e classifica- se o usuário do processador de texto Fácil/Windows em três categorias complementares:

1) usuários que utilizavam um processador de textos para DOS (ex.: Fácil/DOS, Carta Certa, Word, Word Perfect, etc.) e migraram para o FacilW;

2) usuários que iniciaram sua atividade já utilizando o Fácil/Windows;

3) usuários que já utilizavam processador de texto no ambiente Windows e passaram a usar o Fácil/Windows.

Além disso, para a segunda categoria, os usuários poderão ser considerados como sendo: nor vatos em informática — nunca utilizaram o computador para o trabalho, desconhecendo qualquer aplicativo; e. experiente — iá trabalharam com algum tipo de aplicativo, mas não uti-

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lizaram processador de textos.

Os participantes dos testes de usabilidade, cuja metodologia empregada foi descrita anterior­ mente, estão dispostos segundo a tabela abaixo (Tabela 4-1).

Categorias Uso PT-DOS USO DO PT- FÁCIL/W USO PT-WINDOWS

Anrendizes Novato Experiente BOC X DLH X MLL X X NJG SLK X SPS X

TABELA 4-1 — Classificação dos participantes segundo as categorias especificadas no uso de PT (processador de textos)

Pode-se ainda ter usuários com uma variada combinação destas categorias, sendo que a ne­ cessidade desta classificação complementar deve-se ao perfil dos usuários participantes no le­ vantamento dos dados para este trabalho.

Para NIEVERGELT & WEYDERT (1980, IN: BAECKER & BUXTON, 1987) o usuário casual é o indicador mais sensível para se determinar se uma interface está boa ou ruim. Con­ siderando-se esta premissa, as entrevistas se sucederam em ordem aleatória, não obedecendo a um cronograma predefinido . Assim com alguns participantes as seções ocorreram em uma mesma semana, enquanto que, com outros ocorreram em semanas sucessivas.

Os participantes tinham variadas formações acadêmicas e trabalhos distintos, que estão des­ critos de forma sucinta abaixo:

1) B O C - Nenhum conhecimento ou treinamento em informática, não conhece digita­ ção, quer aprender processamento eletrônico pois necessita esporadicamente realizar relatórios, enviar correspondências. Não conhece processador de texto, nem conhece suas potencialidades, tem como expectativa "Saber o que fazer caso consiga comprar um micro, e saber como usar". É graduado em educação física e possui curso de pós- graduação (lato sensu) em educação física. Está com 33 anos e atua 12 anos como professor de educação física em escola de segundo grau.

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2) D.L.H. — Pouco conhecimento em informática. Usou o computador para trabalhos contábeis em aplicativos próprios da empresa. Tem experiência com máquina de es­ crever. Atualmente está desempregada. Tem o terceiro grau completo, e atuou no ul­ timo emprego como secretária administrativa. Considera processadores de texto com­ plexos para serem usados devido a quantidade de sinais e maneiras de utilizá-lo. Acre­ dita que utilizando-o com mais freqüência, o aprendizado se tornará automático. Quer aprender processador de texto para se capacitar melhor para um futuro emprego. Suas expectativas são de “saber escrever um texto ou carta sozinha, sabendo utilizar os símbolos necessários para o texto ficar perfeito” . Trabalha há 9 anos, e está com 25.

3) M.L.L. — Pouco conhecimento em informática, praticamente não recebeu treinamen­ to, foi aprendendo como autodidata, e está utilizando o microcomputador há dois me­ ses. Possui experiência em digitação tanto com máquina de escrever como em meio magnético (dois meses). Irá necessitar usar um editor de textos todos os dias. Acredi­ ta ser uma ferramenta de muita utilidade para a sua profissão, pois “facilita o trabalho na correção, construção de quadros e tarefas repetitivas . Suas expectativas são cada vez mais aprender como utilizar o meio magnético . Trabalha como secretária há 12 anos. Possui curso de terceiro grau, e está com 30 anos.

4) N.J.G. - Pouco conhecimento em informática mas já trabalha com Fácil/DOS (que re­ cebeu treinamento) e WORD/WINDOWS, aprendeu sozinha. Tem experiência em di­ gitação tanto em meio magnético como em máquina de escrever elétrica. Trabalha co­ mo secretária há 4 anos. Está cursando o terceiro grau, e possui 27 anos.

5) S.L.K. - Médio conhecimento em micro-informática. Recebeu treinamento básico em DOS e aprendeu sozinho os editores FÁCIL/DOS e WORD/WINDOWS. Tem expe­ riência em digitação tanto em meio magnético como em máquina de escrever elétrica Possui computador em casa. Trabalha como secretária há 13 anos. Não concluiu a graduação e possui 31 anos.

6) S P.S. - Possui pouco conhecimento em informática. Está realizando paralelamente curso de DOS e Fácil/DOS. Possui equipamento próprio (noleboock), tem mestrado e trabalha como docente na área de educação (segundo grau, graduação e pós-gra­ duação). Possui experiência em digitação tanto em meio magnético como em máqui­ na de escrever (escreveu sua dissertação de mestrado utilizando a primeira versão do

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Fácil/DOS). Considera um processador de texto um recurso tecnológico extremamen­ te útil para trabalhar e divulgar informações. Tem textos para processar e pretende in­ gressar no doutorado. Considera a eficiência e facilidade no manuseio das orientações constantes no menu como sendo características importantes. Suas expectativas rela­ cionadas com o processador: que este lhe aponte e oriente saídas para as dificuldades de edição e impressão. Está com 38 anos e 22 anos de experiência na educação.

A experiência dos participantes como usuários de informática é relevante para se detectar ti­ pos de dificuldades comuns. O nível de experiência dos entrevistados é melhor visualizada na Tabela 4-2.

Experiência Participantes

nenhuma pouca média

BOC X DLH X MLL X NJG X SLK X SPS X

Tabela 4-2 — Nível de experiência dos participantes como usuários de software

O número de seções com cada participante foram aleatórias, sendo grande a dificuldade de encontrar pessoas realmente interessadas em usar o processador segundo a proposta para es­ te trabalho, onde só teriam disponíveis o manual e os disquetes, sendo que a forma de estudo sugerida foi o auto-aprendizado.

Os participantes começaram seguindo exatamente a proposta. Mas em alguns casos teve-se que intervir, para que estes não desistissem, no meio da seção, conforme pode ser verificado acompanhando os diálogos de cada seção no Anexo B.

O objetivo em cada seção foi 0 de mapear o avanço alcançado e o grau de dificuldade para chegar a efetuar a tarefa desejada. Com isto procurou-se buscar as razões para a dificuldade encontrada, baseando-se nos princípios propostos pela ergonomia da informática, apontando as disfunções no material (sistema e manual) usado pelos participantes.

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