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3 CAMINHOS TRAÇADOS

3.1 CAMINHOS PROPOSTOS

3.1.2 Perfil dos Colaboradores

A professora e colaboradora Jacarandá possui formação em nível superior em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, com especialização em Gestão e Organização Escolar pela Universidade Potiguar (UnP). Sua escolarização quanto à educação

básica ocorreu em escolas públicas. Quanto à questão profissional, vivencia suas experiências em escolas públicas e privadas. Atualmente ela desenvolve suas atividades pedagógicas no 1º ano do Ensino Fundamental, e se diz identificada com a profissão debruçando-se para fazer valer aquilo que afirma:

A atividade de professora talvez seja a mais digna das profissões. O que seria de todos nós se não tivéssemos aquela mão alfabetizadora que lapidou cada cidadão para o mundo? Considero que ser professora significa tomar decisões pessoais e individuais constantes, muito embora se exija uma capacidade criativa elevada e dissipação de muita energia, de modo que boa parte dessa energia acaba sendo direcionada na busca de solução de problemas de adequação às normas pré- estabelecidas. Ser professora é ser, antes de tudo, um sujeito integrado com o mundo e sabedor de seu papel social. Ser um sujeito capaz de utilizar o seu conhecimento e a sua experiência para desenvolver-se em contextos pedagógicos práticos. Já atuo como docente há quatorze anos. Tive experiências no ensinar com crianças com idades entre três e doze anos. A última turma com a qual trabalhei foi de primeiro ano. Minha formação básica foi em uma escola pública do Estado do Rio Grande do Norte, onde aprendi bastante, tive experiências maravilhosas e, principalmente, toda minha formação no magistério. Já a minha graduação e pós-graduação, ocorreram em uma universidade particular. Durante esta minha trajetória, tive a oportunidade de participar de um projeto de pesquisa, o qual me interessou bastante por se tratar do ensino de Geografia que, até então, durante todo o meu percurso de escola, eu tinha outra visão. Espero que os estudos e momentos reflexivos que tivemos possam aprimorar o meu trabalhar, o fazer em sala de aula com meus alunos e também a minha própria vida em sociedade. (JACARANDÁ, informação verbal, 2009).

Já o professor e colaborador Angico desenvolve suas atividades pedagógicas em escolas públicas no 4º ano do Ensino Fundamental. Ele está concluindo formação em nível superior pelo Instituto de Formação de Profissionais em Educação Presidente Kennedy - IFESP - em Pedagogia. Toda sua formação básica ocorreu em escolas públicas. Ele descreve que:

Professor, ou melhor, o ofício do magistério, para mim, hoje, é uma profissão árdua, mas gratificante e de suma relevância para a sociedade, mesmo sendo um ofício não levado tão a sério pelos governantes e até um pouco desacreditado pela sociedade. Acredito muito na educação, mola mestra para uma sociedade acontecer satisfatoriamente, mas acredito que cabe a cada cidadão está engajado e comprometido, querendo realmente fazer parte do processo de aprendizagem. Por isso, desde criança me encantei com a educação e já sonhava em ‘ser professor’. Por isso, brincava de ‘escola’. Daí fui fazer o profissionalizante de magistério. Ao matricular-me já consegui estágio remunerado como professor e, atualmente, sou efetivo do quadro docente da rede municipal de ensino. Ou seja, estou com aproximadamente vinte e quatro (24) anos de docência. Todo o meu processo escolar se deu em escola pública, da atual Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental na rede municipal de ensino, mas precisamente na Escola Municipal Professor Ulisses de Góes, onde hoje faço parte do quadro docente. O ensino médio se deu no curso profissionalizante de magistério, na rede estadual de ensino, mais precisamente na Escola Estadual Professor Luís Antônio. Posteriormente, buscando uma graduação, também em instituição pública, primeiramente na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN e, em seguida, no IFESP. Em ambas as instituições, os cursos foram de licenciatura, respectivamente Ciências da Religião e Normal Superior. Além

do convite em ser colaborador da pesquisa da colaboradora Carvalho (2007), foi a confiança na educação, em procurar, buscar novos conhecimentos, novos ideais que passam a ser acrescidos à minha formação e até mesmo incentivo para que eu venha a procurar adquirir novos conhecimentos e até ser instigado a prosseguir nos estudos. Esta pesquisa foi de enorme relevância, pois aprendi muito e espero que a ela possa me ser útil, no sentido de proporcionar-me interesse e condições de engajar num projeto de pós-graduação, assim como espero que esta pesquisa sirva de subsídio para outras pessoas que sintam necessidade e interesse em trabalhar em prol da educação da nossa cidade e, consequentemente do nosso País. (ANGICO, informação verbal, 2007).

Quanto à professora colaboradora e pesquisadora Carvalho, ela possui formação em nível superior em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN -, com especialização em Psicopedagogia pela Universidade Potiguar - UnP. Sua formação básica ocorreu em escolas públicas. Quanto à questão profissional, vivencia suas experiências em escolas públicas como professora e coordenadora. Ela tece sobre seu perfil profissional e colaborativo da seguinte forma:

A minha história profissional, atualmente, perfazendo um tempo de 20 anos no setor educativo, foi, principalmente, em entidades públicas. Ser professora é, acima de tudo, um complexo desafio, pois esse fazer de cunho educativo está além da sua própria essência: é suscitado de nós professores corrigir o que a sociedade na sua totalidade produziu, desfavorecendo os sujeitos sociais de camadas economicamente de baixa renda. Ao mesmo tempo, essa sociedade não valoriza o profissional educador em termos remunerativos como também não lhe atribui condições dignas no espaço educativo. Por essa, entre outras razões, esse desafio é complexo. No entanto, acredito que ação educativa transforma a sociedade. O meu percurso de formação até a formação superior se deu em entidades públicas. A pós-graduação em Psicopedagogia ocorreu em entidade particular. Insisto em defender a educação como sendo dever do Estado, porque através de impostos garantimos à sua manutenção. Fazer parte desse processo investigativo representa, para mim, uma confirmação de que, quando se deseja, é possível que esse desejo se torne realidade. Acredito que a educação em mãos e pensamentos de sujeitos íntegros poderá se tornar um fenômeno qualitativo. (CARVALHO, informação verbal, 2007).

Os procedimentos metodológicos adotados nesta investigação buscam responder às questões expressas na pesquisa, intencionando alcances qualitativos e emancipação profissional dos sujeitos envolvidos, que se referem à apreensão das abordagens geográficas.

Assim, utilizaremos procedimentos metodológicos pertinentes à sua construção que viabilizem a aproximação e conscientização do objeto de estudo o qual pretendemos assimilar. Nessa perspectiva, selecionamos, considerando a proposição dos colaboradores, instrumentos metodológicos como: Narrativas de Formação (escritas e/ou orais), Seminários de Estudos Reflexivos e, por fim, os Ciclos de Estudos Reflexivos, os quais nos permitirão efetivar esse processo científico. Como destacam Laville e Dionne (1999, p.97):

Todos esses elementos quando trazidos para nosso meio oferecem, por sua vez, a matéria sobre a qual se exercerão esses elementos: conhecimento, valor [...]. Pois é nesse meio que um olhar atento observará os fatos nos quais poderemos eventualmente entrever o problema a ser estudado.

A reunião com professores(as) colaboradores consiste em esclarecimentos a respeito de todo o processo investigativo. Pretendemos, com essa atitude, que os docentes possam ter conhecimento acerca da essência e proposição da pesquisa que se apresenta. Esse momento também foi relevante para que os colaboradores pudessem apresentar sugestões a respeito do conteúdo exposto. Após a exposição, o Termo de Adesão foi assinado, normatizando, assim, o andamento da pesquisa.

Após esses momentos de negociação, demos continuidade aos nossos procedimentos metodológicos evocando os saberes das abordagens geográficas contidos na nossa trajetória de formação. Esses saberes foram solicitados por meio das narrativas escritas e/ou orais, mediante a necessidade de entendimento sobre o processo sócio-histórico daquele contexto formativo. Gauthier e Tardif (1996, p.12) trazem assertivas corroborando com esse enunciado pontuando que:

Entendemos que é necessário integrar o docente e seus saberes no duplo quadro limitador de sua profissão e da instituição escolar, considerando, de um lado, as transformações que sempre em relação aos saberes, vem há trinta anos afetando a profissão docente e a escola, e por outro lado, as relações entre o grupo docente e os outros detentores de saberes que interferem na definição da profissão.

Assim, prosseguimos com as nossas produções de conhecimentos acerca dos saberes das abordagens geográficas.