CAPÍTULO 4 PRÁTICAS DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA
4.1 PERFIL DOS DIRIGENTES ESCOLARES DO MUNICÍPIO DE GOIANÉSIA GO
É relevante destacar que dos 20 dirigentes das escolas do município, somente um é do sexo masculino, fato que confirma a feminização do magistério, concebida como uma construção histórica. Segundo Alves (2012, p. 77)
A feminização é uma tendência histórica no contexto mundial, que se mostra, desde a década de 1920, na educação das crianças – antigo ensino primário, avançando na
década de 1990 para as séries finais do ensino fundamental – no Brasil para o ensino médio e entre cargos de especialistas. [...].
As mulheres, atualmente, têm-se destacado no mundo do trabalho nos vários cargos e nas diferentes funções. Essa realidade indica a mudança de concepção a respeito das funções femininas na sociedade brasileira. No âmbito educacional é notória a presença de um grupo profissional majoritariamente feminino.
Em relação à formação acadêmica no Ensino Médio, os dados sistematizados no Gráfico 1 demonstram que 70% dos dirigentes escolares cursaram a modalidade Normal (ou Técnico de Magistério). Os outros 30% fizeram o Ensino Médio propedêutico ou Técnico em Contabilidade, como se percebe no gráfico a seguir:
Gráfico 1 - Formação acadêmica dos dirigentes escolares: Ensino Médio
Fonte: Mendonça (2012).
Pode-se inferir que essa realidade diz respeito aos dirigentes que, no momento do seu ingresso no magistério, ainda não era exigida a formação superior. Porém, conforme relato dos dirigentes pesquisados, ao longo de sua prática profissional, cursos de graduação foram realizados em função de exigência legal. Nesse sentido, vale destacar a licenciatura plena parcelada que surgiu com o objetivo de diminuir o índice de docentes sem a formação específica para o exercício do magistério. Este curso era destinado aos profissionais do magistério. Muitos outros profissionais da educação fizeram o curso indevidamente.
É relevante ressaltar que todos os dirigentes escolares, sujeitos da pesquisa, possuem curso superior e que a grande maioria cursou Licenciatura Plena em Pedagogia, conforme dados explicitados no Gráfico 2.
Gráfico 2 - Formação acadêmica dos dirigentes escolares: Graduação
Fonte: Mendonça (2012).
Quanto ao curso de nível superior, 69% dos dirigentes são licenciados em Pedagogia, 22% em outras licenciaturas (História e Letras) e 9% cursaram bacharelado (Geografia).
Merece destaque o número elevado de pedagogos ocupando cargo de dirigente das escolas do sistema municipal (69%), realidade que, segundo Paro (2003, p. 25), “[...] parece estar fortalecendo a crença de que a gestão da escola deva ser mais profissionalizada [...]”. Entretanto, os dados restantes a respeito da formação dos dirigentes em nível superior instigam a formulação da seguinte indagação: os professores de História, Letras e Geografia, que assumiram a função de dirigente escolar fizeram uma segunda licenciatura em Pedagogia ou alguma pós-graduação em Gestão Educacional, como forma de cumprir a legislação educacional vigente, no que se refere à formação para ocupação da função diretiva? Os professores ao serem indagados a respeito, afirmaram possuir uma segunda licenciatura em Pedagogia com o objetivo de cumprir com determinações legais, bem como para melhor fundamentar as ações no campo da gestão escolar.
De acordo com Alves (2012, p. 84), “Essa situação demanda a efetivação de políticas públicas que promovam a escolarização adequada, articulada à formação específica [...]” ao exercício da função de dirigente escolar, de modo a assegurar o cumprimento da legislação educacional vigente, que define a necessidade que os profissionais da educação para administração escolar devam ter formação nos cursos de graduação em Pedagogia ou em nível de pós-graduação, como se lê na LDB/1996:
Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração, planejamento,
inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em Pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da
instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional (BRASIL, 1996).
É importante destacar que a Universidade Estadual de Goiás (UEG), por meio da Unidade Universitária de Goianésia (Uni-Goianésia), tem assumido grande parte da tarefa de formação acadêmica de professores em nível de graduação e pós-graduação Lato Sensu. Além desta instituição, hoje, o município conta com outras instituições de ensino superior, que ministram cursos de licenciatura e pós-graduação, tanto na modalidade presencial, como à a distância, conforme explicitado no capítulo anterior.
Após a aprovação da LDB/1996 (cf. LDB nº 9.394/1996), houve uma ampliação da oferta em nível superior, fato que impactou a formação dos profissionais da educação em todo o país (OLIVEIRA; OLIVEIRA; VIEIRA, 2012).
A referida Lei estabeleceu a necessidade da formação superior para a atuação na docência admitindo, entretanto, o curso médio na modalidade normal como formação mínima para o magistério na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental (BRASIL, 1996). Silva (2009, p. 152) defende que:
A atuação de educadores com formação superior na Educação Infantil, no ensino fundamental e no ensino Médio, seja na docência ou na gestão, poderia abrir novos espaços para discussões e reflexões sobre o papel político da educação, sobre as teorias e os métodos de ensino e de aprendizagem, como também sobre a relação escola, sociedade e trabalho. E poderia contribuir, sobretudo, para as discussões acerca do cotidiano da sala de aula e da construção de uma escola de qualidade.
Para o autor, a atuação dos dirigentes escolares, com formação de nível superior, contribui para um efetivo envolvimento desse segmento nas discussões, no planejamento e na tomada de decisões rumo à concretização do projeto de escola que promova a emancipação humana.
No que se refere à Pós-Graduação (Gráfico 3), a maioria dos dirigentes escolares entrevistados concluiu algum curso de Especialização: 32% deles cursaram Gestão ou Administração Escolar, 63% optaram por outros cursos como Psicopedagogia, História do Brasil, Educação Infantil e Orientação Educacional e 5% estão cursando Especialização em Psicopedagogia.
Gráfico 3 - Formação acadêmica dos dirigentes escolares: Especialização
Fonte: Mendonça (2012).
O percentual de dirigentes de escolas do município com Especialização (Lato Sensu) no campo da Gestão ou Administração Escolar, cursos que abordam o conteúdo específico para o exercício da função de gestor educacional, ainda, é pequeno.
Os dados da pesquisa indicam, entretanto, que existe no SME de Goianésia-GO uma tentativa de aproximação às determinações legais no que se refere ao Art. 64 da LDB/1996. Segundo os dirigentes escolares, essa realidade foi possibilitada em função das parcerias que o Governo Municipal vem firmando com as instituições de ensino superior (pública e privada), com o objetivo de atender às determinações da legislação educacional vigente, no que tange ao compromisso do sistema em possibilitar uma política consistente de valorização do profissional da educação. Reforçaram, também, as iniciativas do sistema no sentido de garantir o atendimento do Art. 67 da LDB/1996, conforme se lê abaixo:
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da
educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público:
I - ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos;
II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim;
III - piso salarial profissional;
IV - progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação do desempenho;
V - período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho;
VI - condições adequadas de trabalho.
§ 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer
outras funções de magistério, nos termos das normas de cada sistema de ensino. (Renumerado pela Lei nº 11.301, de 2006)
§ 2o Para os efeitos do disposto no § 5º do art. 40 e no § 8o do art. 201 da
professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico (Incluído pela Lei nº
11.301, de 2006).
No tocante ao projeto de formação acadêmica, quatro dirigentes sinalizaram a intenção de cursar Mestrado e Doutorado, porém consideram que o sistema necessita de uma política consistente de formação continuada que assegure, conforme dito em momentos anteriores deste trabalho, o afastamento remunerado do profissional da educação que desejar frequentar cursos específicos da área educacional.
Com base nas informações coletadas na pesquisa de campo, no entanto, pode-se inferir que há necessidade de proposição e efetivação de políticas públicas voltadas para a educação que garantam ações continuadas direcionadas ao cumprimento da totalidade do art. 67 da LDB/1996, principalmente no que se refere às condições adequadas ao exercício profissional (dentre outras, citam-se a estrutura física das instituições, material didático-pedagógico, apoio efetivo às necessidades especiais educacionais e autonomia das escolas) e ao afastamento remunerado do profissional da educação que desejar investir na sua formação continuada em nível de pós-graduação Stricto Sensu (Mestrado e Doutorado).