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CAPÍTULO 4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.2 PERFIL DOS GRUPOS DE APOIO À ADOÇÃO PARTICIPANTES DA

A distribuição de grupos de apoio à adoção (GAAs) localizados no Brasil e daqueles que foram participantes desta pesquisa, por estados e regiões, pode ser vista na Tabela 1.

Foram identificados 169 grupos de apoio à adoção ativos no país, até o mês de fevereiro de 2017. Os únicos estados onde não se localizou registro de grupo de apoio à adoção atuando foram os de Roraima e Tocantins, na Região Norte - estados cujas capitais são as menos populosas do país, segundo dados do IBGE (2017). Verificando o CNA (acesso em outubro de 2017), observa-se que em Roraima havia apenas quatro crianças ou adolescentes cadastrados como disponíveis para adoção, o que equivale a 0,08% do número total de crianças/adolescentes disponíveis para adoção no país; e no Tocantins este número é de 50 crianças disponíveis (1,03% do total), o que pode explicar a ausência de grupos de apoio à adoção.

Na Região Norte foram localizados cinco GAAs, dos quais 3 (60,0%) participaram da pesquisa respondendo ao questionário online.

Na Região Nordeste foram identificados 17 GAAS e 14 (82,3%) foram participantes desta pesquisa.

Na Região Centro-Oeste foram encontrados 10 GAAs, sendo que 5 (50,0%) responderam à pesquisa.

Na Região Sudeste se localizou 90 GAAs, dos quais 42 (46,6) tiveram participação na pesquisa.

Na Região Sul foram localizados 47 GAAs, dos quais 27 (57,4%) participaram desta pesquisa.

Obteve-se, portanto, a participação de 91 grupos de apoio à adoção, que somam 53,8% da população total de GAAs do Brasil.

É bastante expressivo o número de GAAs existentes na Região Sudeste, especialmente no estado de São Paulo, que é o mais populoso do país, segundo dados do IBGE. São Paulo possui 47 GAAs em funcionamento e conta com uma associação estadual, a AGAAESP - Associação dos Grupos de Apoio a Adoção do Estado de São Paulo.

T abela 1: Distribuição de grupos de apoio à adoção (GAAs) localizados e participantes da pesquisa

Em termos da porcentagem de GAAs localizados por região do país, em relação ao número total de grupos, em ordem crescente, tem-se: a Região Norte, com 3,4% do total de grupos; a Região Centro-Oeste, com 4,5% do total; a Região Nordeste, com 14,8% do total de grupos; a Região Sul, com 30,7% do total e a Região Sudeste, com 46,6% do total de GAAs.

Como já mencionado no método desta pesquisa, é difícil precisar com exatidão o número de grupos de apoio à adoção em atividade no Brasil. Contudo, pode-se afirmar que está havendo um aumento gradual no número destes grupos.

Em 1996, durante o I Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção, havia a presença dos 14 grupos então existentes no país, conforme informação disponível no site do TJ-BA (s.d) 1 Q Em 2001 é mencionada existência de 77 grupos de apoio à adoção no Brasil, segundo dados do CeCIF - Centro de Capacitação e Incentivo à Formação de Profissionais, Voluntários e Organizações que desenvolvem trabalho de apoio à convivência familiar (em site que não está mais ativo, citado por Vieira, 2004). No site da ANGAAD, em informação obtida em dezembro de 2017, é dito que há "mais de 130 Grupos de Apoio à Adoção (GAAs), com representatividade em todas as cinco regiões brasileiras”20. Ferreira apontou, em 2015, para a existência de 151 grupos. E, até fevereiro de 2017, a presente pesquisa localizou 169 grupos de apoio à adoção no país.

Uma das entrevistadas desta pesquisa fez um relato sobre o aumento no número de GAAs, que relacionou com mudanças na forma como a adoção passou a ser vista e vivida no país:

Iniciamos nossa participação no Movimento de adoção 21 anos atrás e vejo um movimento que se expandiu a olhos vistos, desde o primeiro encontro em Rio Claro (em 25 de maio de 1996), com poucos grupos, 15 no máximo, e agora perdendo de vista, por volta de 150 grupos, a adoção deixando de ser tabu e fazendo parte da história de todos [...]. (E6)

Dos grupos participantes, quantos integram a ANGAAD - Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção?

19

1 9 Informação disponível em:

http://www5.tjba.jus.br/infanciaejuventude/index.php?option=com _content&view=article&id=1583.

20 Informaçao disponível em: http://angaad.org.br/quem -som os/, acesso em 2 de dezembro de 2017.

A Figura 1 mostra que 68,9% dos grupos representados na pesquisa são filiados à ANGAAD.

A Tabela 2 revela os motivos informados pelas coordenadoras de GAAs para a escolha por se filiar ou não à ANGAAD.

Tabela 2: Motivos para filiação ou não do GAA à ANG AAD, segundo coordenadoras de grupos de apoio à adoção

MOTIVOS PARA FILIAÇ ÃO À A N G AAD FREQUÊNCIA %

Para o fortalecimento dos GAAs e estabelecimento de uma

rede nacional 52 5 l,S

Pela tradição / motivos históricos 3 3,3

Outro 1 1,1

Não respondeu 6 6 , l

SUBTOTAL 62 6S,9

MOTIVOS PARA N ÃO -FILIAÇ ÃO À A N G AAD FREQUÊNCIA %

GAA muito recente e/ou providenciando documentos para efetivar a filiação

16 1l,S

Falta de recursos financeiros para registrar o grupo 3 3,3

Por atuar de forma virtual 2 2,2

Outros 4 4,4

Não respondeu 3 3,3

SUBTOTAL 28 31,1

TOTAL 90 100,0

É importante explicar que o número total de respostas totalizou em 90 grupos, e não em 91 grupos, devido a uma das coordenadoras de GAA atuar em dois grupos diferentes, que realizam atividades em cidades vizinhas - como está descrito à frente, no item 4.3 desta pesquisa, referente ao perfil das coordenadoras de GAAs participantes desta pesquisa.

A maioria absoluta das coordenadoras de GAAs (57,8%) relatou que o que motivou o seu grupo a filiar-se à ANGAAD foi o desejo de fortalecimento dos GAAs e estabelecimento de uma rede nacional em prol da adoção. Este dado sugere que os grupos se sentem fortalecidos ao participar de um trabalho em rede, num circuito que permite interações, compartilhamento de objetivos, acúmulo de conhecimentos e disseminação de metodologias e experiências que considerem exitosas no alcance de seus objetivos. Tais objetivos têm relação com os citados por Vasconcelos (2013b), sobre as conquistas que podem ser obtidas a partir da participação em coletivos, mais especificamente em grupos organizados de suporte mútuo.

Mesmo dentre os grupos que não estão filiados à ANGAAD, nenhum expressou opiniões de valoração negativa em relação à Associação Nacional.

Houve, no entanto, nove coordenadoras que não responderam sobre os motivos para o grupo que integram ter se filiado (F=6) ou não (F=3) à ANGAAD.

O motivo mais frequente para a não-filiação, com 17,8% das respostas, foi o fato do GAA ser muito recente e/ou ainda estar providenciando os documentos necessários para a filiação. Dentro da categoria Outros, que teve quatro respostas sobre motivos para não-filiação, destacam-se a resposta de um coordenador que relatou desconhecer a existência da ANGAAD; e a resposta de outro grupo, que informou que o grupo prefere ter autonomia, mas participa das decisões e sugestões da ANGAAD.

Nota-se que a existência da ANGAAD recebe a aprovação dos grupos de apoio à adoção de todas as regiões do país, que parecem sentir-se representados por seu discurso e direção.

A ANGAAD defende a ideia da importância da formalização jurídica dos grupos, para que estes sejam fortalecidos e reconhecidos. No site da Associação são apresentadas instruções normativas para a formação de grupos de apoio à

adoção21. Dentre os argumentos da ANGAAD que justificam a proposta de legalização dos GAAs estão as ideias de que "um grupo que não tem identidade não existe, e fica mais difícil defender os interesses da criança” ; e que a formalização

"viabiliza convênios em defesa dos direitos da criança e do adolescente” . Compreende-se que a estruturação formal, além de possibilitar a realização de convênios, amplia as condições políticas de influência dos grupos e da ANGAAD quando da participação em Conselhos de Direitos, por exemplo, fortalecendo o movimento nacional de apoio à adoção.

Uma das exigências da ANGAAD para associação de um GAA à sua rede é a formalização jurídica do grupo, com estatuto, registro em cartório e CNPJ. Sendo que nesta amostra há 68,9% de filiados à ANGAAD, segundo a autodeclaração de coordenadores destes grupos, pode-se considerar que a maioria dos grupos de apoio à adoção que participaram desta pesquisa são Organizações Sociais ou Organizações da Sociedade Civil (OSs ou OSCs, anteriormente denominadas ONGs), integrantes do Terceiro Setor, entidades sem fins lucrativos, que utilizam recursos privados e públicos para fins públicos.

As líderes do movimento de adoção entrevistadas para esta pesquisa, ligadas à ANGAAD, destacaram em suas argumentações a importância que atribuem à existência de uma associação nacional que congregue e difunda o ideário dos grupos de apoio à adoção no Brasil. Nas palavras de uma das entrevistadas:

"Precisamos de uma representação nacional que demonstre a capilaridade do nosso trabalho e ideologia, e ao mesmo tempo garanta a mesma linha de atuação, mantendo-nos a união de propósito” (E2). Certamente a organização dos grupos de apoio à adoção, e sua coesão, sob a liderança da ANGAAD, são responsáveis pela difusão, no país, do conceito de "nova cultura da adoção” , atualmente presente nos discursos de grande parte dos operadores do Judiciário e também de pesquisadores.

A Figura 2 mostra que 93,3% (F=84) dos GAAs participantes desta pesquisa realizam atividades de modo presencial e 6,7% (F=6) atuam unicamente pela internet.

Informação disponível em:

http://angaad.org.br/wp-content/uploads/2017/10/Instruc% CC% A7o% CC% 83es-Normativas-para-os-GAAs.pdf.

Registra-se que a categorização dos estados do país onde se localizam os grupos participantes da pesquisa incluiu os seis grupos com atuação exclusivamente virtual que participaram deste estudo. Nestes casos, os grupos foram considerados pertencentes ao estado onde suas coordenadoras residiam.

Os GAAs virtuais realizam suas atividades de esclarecimento, ajuda mútua e militância por meio de redes sociais, como o aplicativo WhatsApp e o site Facebook.

Neste último, debates são promovidos a partir de alguma notícia divulgada, ou de um depoimento ou pergunta, tanto em grupos abertos como em grupos fechados, para conversas privadas. Alguns grupos virtuais são restritos a habilitados à adoção.

Ao procurar a expressão "grupo de apoio à adoção” no Facebook inúmeros perfis aparecem. Em muitos deles a movimentação de "postagens” e debates é diária, o que indica o impacto que esta rede virtual pode ter na construção das representações sobre a adoção no Brasil, hoje.

No espaço existente nas páginas do Facebook para definição do grupo (chamado "Sobre”), a maioria deles destaca que são grupos de apoio à adoção formados por voluntários, que defendem a adoção legal, e advertem que as mensagens contendo pedidos de doação de bebês e aquelas relativas a oferecimento de bebês serão excluídas. Esta observação costuma ser feita porque é muito comum surgir "oferta e procura” de bebês no Facebook.

O ato de doar uma criança diretamente, colocando-a na porta de uma casa para ser criada por alguém considerado adequado pela genitora para este fim, ou pela intermediação de uma mediadora, atualmente assumiu novas configurações, não tendo deixado de existir. Dentre outras formas de "entrega direta” , há páginas no Facebook onde se realizam negociações de bebês recém-nascidos, nas quais

não fica claro se são feitos pagamentos às genitoras ou se estas apenas querem escolher os adotantes do seu bebê, algo que não é possível pela atual legislação

r) r)

brasileira22. Nestes espaços virtuais, quem quer doar e quem busca um bebê saudável escrevem mensagens, divulgam seus números de telefone celular e recebem respostas reservadas (inbox) ou mesmo públicas. Algumas páginas apresentam apenas os pedidos de ajuda para realizar o sonho de adotar um bebê, e outras promovem a defesa da chamada "adoção direta” e de que a mãe biológica possa escolher a quem dará o filho, com postagem de notícias e debates jurídicos sobre este tema. Nos comentários a cada postagem feita há muitos pedidos de doação de bebês.

Tais páginas virtuais costumam receber comentários de alguns coordenadores de grupos de apoio à adoção alertando sobre a ilegalidade da prática e propondo reflexões aos visitantes da página sobre as "crianças reais” disponíveis para adoção e sobre os riscos da adoção ilegal, para crianças e para adotantes.

Atualmente a adoção é permeada, no Brasil, pela existência de diversos significados, que deflagram ideias e sentimentos ambivalentes sobre esta prática (VALÉRIO; LYRA, 2016). Tendo por base que as culturas pessoais (dos indivíduos) se constituem a partir da cultura coletiva (da sociedade), as autoras ilustram o processo de construção de significados sobre as possibilidades de se concretizar uma adoção no Brasil, por via legal ou ilegal, com um estudo de caso. Este foi realizado junto a um casal heterossexual estéril, inscrito no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), que demonstra esta ambiguidade na medida em que o significado de

"estar inscrito no CNA” , para este casal, autorizava subjetivamente tanto esperar pela criança desejada por meio das vias legais, como poder obtê-la por quaisquer outras formas não legalizadas.

Reflete-se que tal ambiguidade acerca do que é considerado aceitável ou não, possível ou não, no contexto da adoção na cultura brasileira pode ser reflexo também da coexistência de diferentes práticas de "acolhimento fam iliar” por diferentes camadas socioeconômicas, nem todas elas contempladas pela legislação vigente. Como indicam Costa e Rossetti-Ferreira (2009), "acolhimento familiar como

22 A proposito, em 22 de novembro de 2017, por meio da Lei n° 13.509, as normas jurídicas endureceram para este tipo de prática. Foi acrescentada nova possibilidade de destituição do poder familiar, pela inclusão do inciso V no Art. 1.638 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), que diz que perderá por ato judicial o poder fam iliar o pai ou a mãe que: “ V - entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção".

prática social não é algo novo no Brasil, tendo acontecido ao longo da história de modo informal através das práticas de circulação de crianças, por famílias que acolheram os chamados ‘filhos de criação ou afilhados’”, porém apenas recentemente um programa de acolhimento familiar foi instituído no Brasil como política assistencial oficial. Ainda que a adoção e as formas (informais ou oficiais) de acolhimento familiar sejam práticas diferentes, na medida em que a primeira substitui uma família, e a segunda soma famílias, compreende-se que haja uma ambiguidade na forma de se atribuir significados à adoção, como disseram Valério e Lyra (2016), em um contexto no qual tais realidades estão postas em paralelo. As próprias concepções de família, de filhos, de legalidade são bastante diferentes conforme a realidade social em que a pessoa está inserida. Além disso, como afirma Ferreira (2015), tais práticas informais de circulação ainda ocorrem e são formalizadas com o passar do tempo por meio de adoções diretas (consentidas) - quer dizer, uma prática realizada à margem dos processos jurídicos pode vir a ser legalizada, em alguns casos, após a família comprovar a existência de vínculos afetivos entre a criança e os pais que a acolheram informalmente.

Motta (2001) sugere que, a exemplo de mudanças ocorridas nas práticas de adoção em países chamados de Primeiro Mundo, o Brasil deveria estar aberto ao estudo e à pesquisa das possibilidades da adoção aberta. Neste modelo de adoção a família de origem e a família adotiva se conhecem e podem trocar informações, sendo o nível de abertura ou fechamento da adoção variável conforme o país.

Segundo a autora, a política da adoção aberta pode garantir direitos à criança, tanto pelo acesso direto que esta pode ter às suas origens, quanto pela possibilidade de conhecer seu histórico genético e médico. Além disso, a abertura costuma facilitar a elaboração da perda e a tomada de decisão de doar o filho em adoção por parte da mãe biológica, ao participar ativamente da seleção de pais adotivos de acordo com seus valores religiosos e sociais, ou pela possibilidade de ter informações sobre como a criança estará sendo cuidada. No Brasil, a certidão de nascimento da criança é alterada com a adoção, sendo cancelado (e arquivado) o registro oficial, que é substituído por um novo registro, com os dados dos pais adotivos. Ainda que, de acordo com o Art. 48 do ECA, o adotado tenha o direito de conhecer a sua origem biológica e possa obter acesso ao seu processo legal de adoção, se assim desejar, este direito depende dele ter a informação de que é filho adotivo. Com o

intuito de proteger a criança e os adotantes de discriminações, a legislação brasileira

Voltando a tratar das páginas disponíveis em redes sociais dos grupos virtuais de apoio à adoção que integram a rede de GAAs, costuma constar nestas uma aquela feita através da VIJ (Vara de Infância da Juventude).

Apoiamos, igualmente, a busca ativa que é liberada pelas VIJ.

Qualquer situação de entrega DIRETA de um bebê ou criança NÃO

E todas as emoções envolvidas.

Enfim nos ajudarmos mutuamente a entender o que acontece com nossos filhos e como podemos procurar ajuda especializada quando necessário.

Algumas mensagens publicadas pelos participantes dos grupos de apoio à adoção virtuais são perguntas, como por exemplo: "Alguém que tenha adotado 3 irmãos e possa compartilhar a experiência conosco?” . Esta mensagem recebeu quase 80 "curtidas” e incontáveis comentários, que incluíam os relatos dos que tiveram esta experiência, vários deles trazendo fotos e até mesmo vídeos mostrando a família.

Há também textos que são publicados nestas páginas, os chamados

"depoimentos” , que são seguidos de debates redigidos pelos participantes. Um exemplo de depoimento publicado no Facebook:

Depois de 4 anos resolvemos adotar novamente e ampliamos mais o perfil e nem ficamos em fila, adotamos um menino de 8 anos.

O "perfil padrão" realmente eu até estranho, acredito que a pessoa

Depois de ser mãe tenho a sensação de ter parte do coração fora do corpo... como sofremos por tudo que acontece a eles ! E como aprendemos com eles !!

Após textos de depoimento, como este, os participantes do grupo escrevem diversas mensagens, comentando a experiência relatada, narrando sua própria vivência adotiva, elogiando e também tecendo críticas, ou expondo dúvidas que tenham e queiram compartilhar com o grupo.

Além de depoimentos e notícias, há também oferecimento de suporte material, normalmente para adotantes que precisem viajar para realizar o estágio de convivência exigido no processo de adoção. Um exemplo deste tipo de mensagem:

Oi, pessoal! Feliz 2018! Como já fiz outras vezes no início do ano, quero deixar registrado que a minha casa, no centro de SP capital, está disponível para todos/as que necessitem para estágio de convivência por aqui! E aproveito também para desejar uma ótima semana! ©

Observa-se que os grupos de apoio à adoção, mesmo que virtuais, promovem as finalidades dos grupos de ajuda e suporte mútuos, conforme apresentados na literatura científica. Caplan (1974, citado por Ornelas, 1994), propõe três conjuntos de atividades como possíveis integrantes do "Sistema de Suporte” social, que são:

"o apoio prestado ao indivíduo na mobilização dos seus recursos psicológicos de modo a permitir-lhe a gestão dos seus problemas emocionais, a partilha de atividades e a prestação de ajuda material” (p. 333). A partir da observação das atividades online dos GAAs, de seu caráter interativo, do compartilhar de experiências oportunizado, da promoção de atos reflexivos coletivos, do oferecimento de ajuda material, pode-se depreender que tais grupos estão exercendo uma função de suporte social para pretendentes à adoção e famílias adotivas.

Os GAAs que realizam atividades presenciais, em sua maioria, possuem também site e/ou página no Facebook para divulgação de informações sobre o tema e sobre suas próprias atividades, e alguns para a promoção de debates. A forte presença dos GAAs no universo virtual permite o acesso ao seu discurso e práticas, sendo interessante fonte de informações para pesquisas.

As atividades desenvolvidas presencialmente pelos grupos serão posteriormente descritas, na apresentação dos resultados obtidos junto às participantes deste estudo.

A próxima Tabela, de número 3, apresenta o tempo de existência dos GAAs participantes desta pesquisa.

T abela 3: Tempo de existência dos GAAs participantes

TEMPO DE EXISTÊNCIA DOS GAAs FREQUÊNCIA %

1 ano ou menos 16 17,8

2 a 5 anos 34 37,8

6 a 10 anos 16 17,8

Mais de 10 anos 24 26,7

TOTAL 100 100,0

A maioria dos grupos participantes (37,8%) está em funcionamento na faixa entre 2 a 5 anos; 26,7% existem há mais de 10 anos; e vários grupos iniciaram suas atividades há um ano ou menos (17,8%). Constata-se que existem grupos com tempo diverso de funcionamento atuando no país e que houve o surgimento de diversos GAAs nos últimos anos, tendo a maioria absoluta destes (55,6% desta amostra) até 5 anos de existência.

Quanto ao financiamento das atividades dos grupos de apoio à adoção, pode- se verificar, pela Tabela 4, que a maioria absoluta (85,6%) dos grupos realiza suas ações por meio do voluntariado exercido por seus integrantes. Salienta-se que esta questão foi categorizada por respostas, e não por participante, para facilitar a visualização de quantos grupos possuíam quais tipo de financiamento. Alguns grupos obtêm mais de um tipo de financiamento.

Quanto ao financiamento das atividades dos grupos de apoio à adoção, pode- se verificar, pela Tabela 4, que a maioria absoluta (85,6%) dos grupos realiza suas ações por meio do voluntariado exercido por seus integrantes. Salienta-se que esta questão foi categorizada por respostas, e não por participante, para facilitar a visualização de quantos grupos possuíam quais tipo de financiamento. Alguns grupos obtêm mais de um tipo de financiamento.