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CAPÍTULO IV FORMAÇÃO CONTINUADA DOS GESTORES: DIMENSÃO PRÁTICA

4.2 Perfil dos Parceiros institucionais da UNDIME e SEE

Na segunda seção deste capítulo, discutiremos a posição dos representantes da UNDIME e da SEDUC, como parceiros institucionais nesse processo, na perspectiva do regime de colaboração que, no documento da Conferência Nacional de Educação (CONAE), seu entendimento é alargado para além do envolvimento das esferas de governo, pois implica em “mecanismos democráticos como as deliberações da comunidade escolar e local, bem como a participação dos profissionais da educação nos projetos político-pedagógicos das instituições de ensino”(CONAE/2010, 2008). Nessa perspectiva, participaram da pesquisa os dois sujeitos representantes das instituições acima referidas, que responderam ao questionário O instrumento para os representantes institucionais no curso, foi

constituído de dez questões, cuja primeira parte versou sobre as características sociais desses sujeitos da pesquisa e, a segunda, sobre as especificidades da função dos mesmos no curso, como parceiros institucionais.

Sobre as características desses sujeitos, ambos são do sexo masculino, especialistas em gestão escolar e são institucionalmente vinculados aos sistemas de ensino municipal e estadual. No que diz respeito ao papel desempenhado pelo representante da UNDIME frente ao regime de colaboração, a avaliação resultou de forma satisfatória/boa, ao afirmar que “a UNDIME/PE vem desempenhando o seu papel como parceira nesse programa, de maneira salutar, intermediando nas ações Universidade e gestores alunos, facilitando a execução de tarefas, educando e educador”. Quanto a sua relação com os coordenadores do curso e a função do assistente de turma no curso, foi avaliada como “ótima”, “pelo relacionamento que tem com a mesma. E isso contribui para o sucesso do programa” (Representante da UNDIME).

Para ele, a metodologia do curso (EAD) é ótima e o seu uso tem sido um dos pontos positivos, em que os alunos que não dispõem de muito tempo ou não gostavam de manusear os livros voltaram a desenvolver o hábito de estudar, tendo

nas aulas on-line um facilitador da aprendizagem (Representante da UNDIME).

Sobre a atuação dos alunos no contexto do curso, afirma ser razoável e justifica que:

Apesar de ser considerado muito proveitoso e potencializador para uma boa gestão, a atuação não tem sido tão satisfatória. Vários argumentos são abordados como justificativa, sendo o mais premente, a falta de tempo e a distância para os polos.” Para a melhoria do curso sugere: “uma melhor divisão dos polos e o cumprimento das datas de início dos cursos. Condições (transporte, diária) para que os representantes da UNDIME possam visitar e acompanhar o trabalho nos polos.8

Sobre as contribuições do curso para a educação no Estado de Pernambuco, ele afirma que:

A rede estadual de ensino já vem proporcionando a preparação de seus gestores, mas, nas redes municipais esse programa tem promovido uma melhoria considerável nos quadros de gestores

municipais, onde com raras exceções municípios preparavam seus gestores. É um ganho excelente para o Estado de Pernambuco.9

O representante da SEE, por sua vez, avalia seu desempenho como “ótimo”, justificando que:

consideramos exitoso nosso desempenho porque usamos a estratégia de ter, em cada gerencia regional de educação, um técnico responsável pela motivação e participação de gestores e adjuntos no curso, sendo assim mais eficaz o monitoramento das ações.10

Avalia sua relação com os coordenadores do curso como “ótima” e, assim, se posiciona: “não tivemos qualquer problema que não fosse resolvido ou expor a algum risco os objetivos do curso”. Avalia a função do assistente de turma no curso como sendo “ótima”, bem como a metodologia do curso (EAD), que afirma ser bastante motivadora e atual.

Sobre a atuação dos alunos no contexto do curso, afirma ser boa e justifica que “a atuação dos cursistas teria sido melhor se os mesmos estivessem afastados das atividades da gestão escolar que exigiam a participação constante”. Para a melhoria do curso, sugere “que o cursista tenha carga de trabalho dispensada para dedicação ao curso e haja um cronograma melhor elaborado para o exito do mesmo”. No que tange às contribuições do curso para a educação no Estado de Pernambuco, o representante da SEE afirma que “o curso contribuiu para uma melhor prática de gestão colegiada contribuindo para uma educação pública de qualidade para todos.

Analisando a parceria institucional e as atribuições de cada um dos entes federados envolvidos nesse processo de formação continuada do gestor escolar e os dados resultantes dessa pesquisa, é possível configurar que a avaliação dos diversos elementos que compõem o curso apontam questões que merecem uma atenção mais cuidadosa nessa relação, ao mesmo tempo em que enfatizam a importância do curso para os gestores das redes estadual e municipal de ensino, bem como a contribuição da formação para a melhoria da educação que se faz no Estado.

9 Representante da UNDIME. 10 Representante da SEE.

Nesse sentido, podemos destacar a importância da articulação da UFPE, UNDIME, SEE e o sistema de educação básica, quando buscam a melhoria do ensino, expressando o compromisso social que a universidade tem e deve cumprir com o nível de ensino. Assim, a expectativa é que esse processo de formação resulte no aprimoramento do desempenho do gestor escolar e da escola com rebatimento na melhoria do ensino.

Destacando, mais uma vez, a relevância da articulação entre as instituições acima referidas, é oportuno citar Werle (2010, p. 3), quando nos informa que entre outros artigos da LDB:

o oitavo que traz de forma muito indicativa como os entes federados devem proceder quanto a organização de seus sistemas e a coordenação e articulação da educação nacional. Todos os entes federados estão comprometidos com a organização, em regime de colaboração, dos respectivos sistemas de ensino. Ou seja, os sistemas de ensino não são unidades autônomas em si, mas em mutua interação e articulação. Os sistemas municipais de ensino não são enclaves no sistema estadual de ensino e estes não o são no sistema federal de educação. O regime de colaboração, pode-se compreender, implica em ações de convergência e colaboração de diferentes direções, originárias dos diversos entes federados.

É importante destacar esse aspecto do regime de colaboração, considerando as ações convergentes que caracterizam o curso de gestão escolar para gestores escolares. Nessa direção, o último item deste capítulo vai investigar a posição do cursista egresso e o curso nos seus diversos elementos constitutivos, conforme veremos adiante.

4.3 A importância do curso para o desempenho profissional na escola, sob a