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Grafíco 07 Denominação da Unidade de Controle Interno

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.2 DIAGNÓSTICO DAS CONTROLADORIAS GERAIS MUNICIPAIS

4.2.3 Perfil dos Recursos Humanos das Controladorias

A literatura consultada é unânime quando se trata da estrutura de recursos humanos de uma Controladoria, pois diz respeito a uma atividade típica de Estado, não podendo ser terceirizada, mas apenas executada por servidores públicos efetivos, admitidos por meio de concursos públicos, com nível superior (graduação). Deve possuir equipe multidisciplinar, devendo seus servidores ter conhecimento em várias áreas e experiência com auditoria, fiscalização, controle interno, compliance e gestão de riscos, e em número suficiente que atenda às demandas do controle (CAVALHEIRO, 2007; BOTELHO, 2014; BLUMEN, 2015; CASTRO, 2014; GLOCK, 2015, CONACI, 2016).

Quanto ao quantitativo de servidores que deveria existir numa Controladoria, não há estudos que demonstrem qual o número ideial de servidores, entretanto alguns autores indicam o uso do bom senso, levando em conta a realidade da prefeiura, o tamanho, a complexidade das operações e o montante de recursos a ser controlado (CASTRO, 2014; GLOCK, 2015; BLUMEN, 2015). Na tabela a seguir, é apresentado o resultado da pesquisa acerca do quantitativo de servidores em 61municípios do Estado de Alagoas:

Tabela 05 - Número de Servidores por UCI

Número de Servidores

Incidência Número de

Municípios Percentual

UCI com 1 servidor 37 61%

UCI com 2 servidores 20 33%

UCI com 3 servidores 2 3%

UCI com 5 servidores 1 2%

UCI com 23 servidores 1 2%

Total 61 100%

Fonte: Dados da pesquisa.

O resultado demonstra que em 61% dos municípios foi encontrado somente um servidor exercendo as funções de controle interno, confirmando a tendência dos gestores municipais do Estado de Alagoas em designar somente uma pessoa para exercer as funções de controle interno, consequência da falta de uma regulamentação específica da IN nº 03/2011/TCE-AL, citada no item 4.7.1, com relação ao quatitativo de servidores, bem como se deixou a cargo do gestor avaliar se o seu município era de pequeno porte para fins de instituição do SCI e UCI. Já em 33% dos municípios identificou-se a designação de dois servidores, exercendo um desses funcionários o cargo de chefia da CGM. Ressalta-se que a CGM com 23 servidores é a prefeitura de Maceio (2%), com cinco servidores Arapiraca e os 3% representam os municípios de Marechal Deodoro e Palmeira dos Índios.

Fazendo um comparantivo entre o número de servidores lotados nos órgãos de controle interno e o montante de recursos recebidos da União por meio de transferências voluntárias e legais (incluindo FPM), percebe-se que somente Maceió, município que concentra 30% da população do Estado de Alagoas, possui mais de dez servidores, enquanto nos demais há uma variação entre um e dois servidores, de forma que, em média, cada servidor seria responsável por fiscalizar a aplicação de 29,5 milhões de reais em 2016. No gráfico a seguir observa-se essa comparação:

Gráfico 08 - Total de servidores versus valores recebidos da União

Número de servidores da Controladoria Geral do Município

Valores recebidos da União via transferências voluntárias e legais em 2016

Diante do exposto, pode-se concluir que essa quantidade reduzida de servidores nas CGM está diretamente associada a dois fatores: a pequena estrutura administrativa dos municipíos e a não compreensão por parte dos gestores da finalidade e da importância da existência de controles internos adequadamente estruturados e com atribuições, responsabilidades e prerrogativas claramente definidas, além de servidores devidamente capacitados.

Ainda na pesquisa também foram verificados os tipos de vínculos, bem como se havia um plano de carreira, cargos e salários para esses servidores lotados nas UCIs. Nos gráficos a seguir, é apresentado o cenário dos 61 municípios do Estado de Alagoas pesquisados:

Gráfico 09 - Categorias de servidores Gráfico 10 - Plano de cargos e salários

Fonte: Dados da pesquisa. Fonte: Dados da pesquisa.

O Gráfico 09 acima demonstra que 73% das prefeituras possuem servidores lotados nas CGM com vínculo precário, ou seja, 80 servidores exercem cargo comissionado e não possuem vínculo efetivo com o município. Outros 27%, ou seja, 31 servidores possuem vínculo efetivo com o serviço público, são servidores concursados. Entretanto, apesar de existir servidores efetivos, o resultado do Gráfico 10 demonstra que 90% das prefeituras não possuem plano de cargos e salários, ou seja, não existe uma carreira para a área de controle interno. Os outros 10% representam seis municípios, aos quais foram solicitados os planos de cargos e salários relativos à área do controle interno, mas esse normativo não foi disponibilizado até o término desta pesquisa.

Por outro lado, buscou-se investigar o nível de escolaridade e área de formação acadêmica dos reponsáveis pelas UCIs, ou seja, do Controlador Geral. No Gráfico 11 e na Tabela 06, a seguir, são apresentados os resultados consolidados da pesquisa:

Gráfico 11 - Nível de Escolaridade dos

Controladores Gerais Tabela 06 - Formação acadêmica

Cursos informados Incidência Número de Municípios Percentual Administração 10 16% Ciências Contábeis 22 36% Direito 12 20% Outras situações 17 28% Total Geral 61 100%

Fonte: Dados da pesquisa. Fonte: Dados da pesquisa.

O resultado da pesquisa demonstra que 88%, ou seja, 54 responsáveis pelas CGM possuem escolaridade de nível superior. Os 5% e 7% representam respectivamente servidores que possuem somente o nível médio (em três municípios) e o ensino superior incompleto (em quatro municípios) que estão incluídos em outras situações, conforme Tabela 06, para os cursos informados.

A situação desse pequeno número de municípios vai de encontro ao que a literatura defende, pois aqueles que vão exercer as funções de controle interno devem possuir nível de escolaridade superior e ter conhecimento em áreas como micro e macroeconomia, legislação contábil do setor privado e público, teorias de administração, legislações sobre licitações, contratos, parcerias e consórcios públicos, noções de informática, planejamento e orçamento público, etc., para que possam exercer com eficiência, eficácia e efetividade as funções de uma Controladoria, conforme defendem Botelho (2014) e Blumen (2015).

Verificou-se também que as principais áreas de formação acadêmica dos Controladores Gerais dos Municípios são Ciências Contábeis com 36%, Direito com 20% e Administração com 16%. Essas áreas de conhecimento fazem parte do dia a dia da gestão municipal e facilitam, de certa maneira, a compreensão do tema controle interno.

Por outro lado, foram investigadas as principais denominações utilizadas pelos municípios para os cargos de responsáveis pelas CGM. Na tabela a seguir, é apresentado o resultado da pesquisa:

Tabela 07 - Denominações dos cargos dos responsáveis pela CGM Descrição do Cargo Ocupado

Incidência Número de

Municípios Percentual

Controlador Interno Municipal 29 48%

Controlador Geral do Município 23 38%

Outros 6 10%

Secretário Municipal de Controle Interno 3 5%

Total Geral 61 100%

Analisando a Tabela 07, verifica-se que em 29 municípios, ou seja, em 48% das CGM, os seus chefes são denominados Controlador Interno Municipal, enquanto 38% são intitulados Controlador Geral do Município. Somente 5% dos municípios utilizam a denominação Secretário Municipal de Controle Interno.

Também foi pesquisada a terminologia utilizada pelos municípios para os demais cargos existentes no âmbito das CGM. Na tabela a seguir, apresentam-se as denominações informadas.

Tabela 08 - Denominações dos cargos nas Controladoria Municipais Incidência

Denominações Número de

Municípios Percentual

Analista 7 11%

Analista de Controle 3 5%

Analista de Finanças e Controle 4 7%

Assessor técnico 2 3%

Assistente de Controle Interno 1 2%

Auditor interno 4 7%

Controlador Geral do Município 2 3%

Controlador Interno 25 41%

Coordenador de Controle Interno 3 5%

Escriturário 1 2%

Outro 8 13%

Secretário Municipal de Controle Interno 1 2%

Total 61 100%

Fonte: Dados da pesquisa.

Ao analisar os resultados, identificou-se a repetição de algumas das terminologias atribuídas aos Chefes das Controladorias como Controlador Geral do Município e Secretário Municipal de Controle Interno. Isso pode estar acontecendo porque, nesses municípios, só existe um cargo no controle interno, dai assumir também o cargo de Controlador Interno, com 41% de incidência nos municípios. Já em 22% foi citada a terminologia Analista e somente em 4% foi identificada a figura do Auditor Interno, o que sinaliza que esses servidores possuem vínculo efetivo. Essa variedade de denominações demonstra que não há um padrão, e isso dificulta até uma de comparação entre os cargos quanto à remuneração e às atribuições exercidas.