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2 Roteiro/Syllabus

4.5 Perfil dos sujeitos colaboradores

Nesta primeira parte, cada uma das escolas é considerada como um sujeito, pois é o perfil da unidade escolar que importa. Dessa forma, cada uma das escolas recebe um número para que sua identidade seja preservada. Assim, tem-se cinco perfis.

Escola para surdos 01 (doravante, ES-01)

Essa é uma escola que atende unicamente estudantes surdos, em todos os níveis da educação básica51, há quarenta e oito anos. Afirma-se como instituição que ainda não é bilíngue, pois possui professores que trabalham na escola há mais de vinte anos e até o momento mantêm ações pertinentes à comunicação total, mas nela se alega que se está

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Como os apêndices e os anexos desta pesquisa compuseram um grande montante, decidiu-se por colocá-los em uma mídia (CD) acoplada a este trabalho.

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A educação básica compreende desde os anos iniciais (do 1° ano ao 5° ano) do Ensino Fundamental até o final do Ensino Médio.

102 trabalhando para que tanto os professores como a própria escola façam a mudança, acreditando-se estar em um período de transição para o bilinguismo.

É uma escola particular que, no momento da pesquisa, tinha cento e quinze alunos matriculados, sendo somente três pagantes. A escola recebe subsídios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e também tem como mantenedora uma associação religiosa.

Nessa escola, há aulas de Libras e de PL2, ministradas por professores distintos, e as turmas são compostas por poucos alunos. Todos os professores trabalham na unidade há muitos anos, tendo o mais novo 14 anos de serviços prestados no local. Entretanto, a escola possui poucos funcionários de apoio: uma diretora e uma coordenadora, que acumulam várias funções, por exemplo, de professora substituta e orientadora escolar.

De todas as escolas colaboradoras, essa foi a única em que, nas séries finais do Ensino Fundamental e em todo o Ensino Médio, havia aulas de leitura e produção textual (LPT), além das aulas de PL2.

A estrutura física da escola é antiga, mas bem cuidada e fica próxima à igreja da associação religiosa que a mantém. Apesar de não ser muito grande, tem quadra de esportes, auditório, refeitório e pátio. Todas as salas possuem muitos cartazes com imagens, fotos e figuras, sendo a maioria fotos dos sinais em Libras.

Escola para surdos 02 (doravante, ES-02)

A escola também recebe somente alunos surdos; tinha 60 anos de existência na data da entrevista. Afirma ser uma escola bilíngue há pelo menos 18 anos; contava, na data da entrevista, com 100 (cem) alunos matriculados com os mais diversos tipos de perdas auditivas. É uma escola particular, mantida por uma congregação religiosa e também recebe subsídios públicos.

As aulas de PL2 e Libras são ministradas por professores diferentes, sendo os professores de Libras surdos. Essa escola atende somente os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental.

A estrutura física da escola é grande, relativamente nova e bem cuidada. Dentro desse espaço escolar há uma clínica de fonoaudiologia e também um centro social. As salas são amplas e bem montadas com cadeiras, carteiras, quadros e estantes em excelente estado. A escola é bem equipada, tendo todo tipo de aparelhos tecnológicos

103 que auxiliam os funcionários, como: computadores, datashows, aparelhos de TV e vídeo de última geração. Tem uma boa equipe de apoio composta por: diretor, vice- diretor, coordenador pedagógico, apoio disciplinar e outros.

Escola para surdos 03 (doravante, ES-03)

Essa unidade escolar é pública e tem somente alunos surdos matriculados, com todos os tipos de perda auditiva. Foi fundada em 1998, tendo dezesseis anos de atividade na época da entrevista. Ela era vinculada à Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiências e Pesquisa com Altas Habilidades do estado, porém o governo estadual de 2010-2014 acabou com essa instituição, dentre várias outras, e, assim, a escola passou a ser gerida pela Secretaria de Estado de Educação.

Ainda não é oficialmente uma escola bilíngue, mas afirma-se como uma, apoiando-se no fato de todos usarem Libras e os alunos terem aulas de PL2. As aulas de PL2 e Libras são ministradas por professores diferentes, sendo os professores de Libras surdos. Atendia inicialmente somente o Ensino Fundamental; em 2006, passou a atender também o Ensino Médio, contando com um total de oitenta e quatro alunos na data da entrevista.

As instalações da escola são muito grandes, antigas e mal cuidadas; não se vê qualquer tipo de adequação visual, como cartazes e figuras, em todo o ambiente. Conta com uma professora surda que foi transferida da sala de aula para ocupar a função de secretária da escola. Nessa escola, afirma-se que a troca de professores é grande devido aos atestados médicos de professores efetivos e também em razão da falta de profissionais que são substituídos por pessoas com contratos temporários.

Escola para surdos 04 (doravante, ES-04)

Dentre as escolas entrevistadas, essa é a mais nova; foi fundada em 2008, já oficialmente como escola bilíngue para surdos. É uma escola pública e tinha, no momento da entrevista, 65 alunos matriculados, divididos nas séries iniciais e finais do Ensino Fundamental e também na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A escola oferece aulas de PL2 e Libras, ministradas por professores diferentes, sendo os professores de Libras surdos. Muitos dos professores dessa unidade trabalharam na escola ES-02, por vários anos, no regime de contrato temporário, tendo vindo para essa escola após aprovação no concurso para professores efetivos do estado,

104 o que denota que a escola tem profissionais experientes, apesar de ter sido inaugurada recentemente.

É uma escola pequena, com estrutura antiga, mas bem-cuidada. Foi possível ver vários cartazes, com figuras, fotos e legendas em Libras nas paredes da escola, tudo bastante infantil; não possui muitos equipamentos tecnológicos nem pátio, auditório ou quadra de esportes.

Escola para surdos 05 (doravante, ES-05)

Essa é uma escola pública e oficialmente bilíngue para surdos; situa-se em uma região carente próxima da capital. Trabalha exclusivamente com alunos surdos há 11 anos. Na época da entrevista, a escola atendia 52 alunos, matriculados nas séries iniciais e finais do Ensino Fundamental. Os responsáveis pela escola reclamaram do baixíssimo orçamento mensal destinado pelo governo estadual, pois, como esse orçamento é baseado na quantidade de alunos matriculados, a verba, segundo eles, seria escassa, uma vez que a escola tem poucos alunos.

Os alunos têm aula de Libras em todos os anos, de PL2 a partir do 2° ano do Ensino Fundamental. Nela afirma-se que, no 1° ano, os alunos começam a ser ‘alfabetizados’ em Libras52

. Os alunos dessa unidade, ao terminarem o 9° ano, precisam ir cursar o Ensino médio na capital, que fica a mais ou menos 20 km de distância, o que lhes dificulta a continuidade dos estudos.

A estrutura física da escola é grande e bem-cuidada, contando com refeitório, lanchonete, pátio interno e quadra de esportes, além das salas de aulas, que são bem estruturadas, com vários recursos visuais para contribuição para o ensino na Libras. Soube-se que, por ser uma escola em uma região afastada, a troca de professores é comum, o que dificultaria a continuidade dos projetos pedagógicos. O quadro de pessoal do apoio educacional é completo.

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Quando as escolas bilíngues se referem à alfabetização, elas não estão falando em ensino da escrita da Libras e, sim, nos primeiros contatos dos alunos com essa língua, tendo-se em vista que a maioria dos pais é ouvinte e não se comunica com os filhos por intermédio da Libras.

105 5 - Análise de dados – entrevistas e documentos

O presente capítulo é destinado à análise das entrevistas, dos livros para professores de LP para surdos e dos livros didáticos de PL2. Esta seção foi organizada de acordo com o surgimento dos dados; assim, analisaram-se primeiramente as entrevistas, depois os livros de orientação para professores e, em seguida, os livros didáticos. Logo mais, apresenta-se um resumo das atividades realizadas, considerando- se os seguintes objetivos específicos predeterminados:

a) analisar a concepção das escolas bilíngues sobre o ensino de LP2;

b) verificar como os livros voltados para o trabalho dos professores de LP2 a surdos idealizam esse trabalho e

c) examinar se os livros didáticos de PL2 podem ser utilizados para o ensino de PPE a surdos.

Tais análises objetivaram justificar a necessidade de uma proposta de roteiro gramatical para o ensino de PPE a surdos.