A análise dos dados mostrou o perfil dos pacientes acometidos por hantavirose em Santa Catarina; 79,6% são homens com média de 35,9 anos e 20,4% são mulheres
66 66 63
139
19,7 19,7 18,8
41,6
Verão Outono Inverno Primavera
SAZONALIDADE
Ocorrências %
54
com 36 anos em média, como vemos na figura 30. A figura 31 mostra que 64% dos pacientes residem em áreas rurais o que favorece o contato com os reservatórios, as outras opções representam residência urbana 25,7% e periurbana 1,7%, em 3,8% dos casos à informação sobre o local de residência foi ignorado. O provável local de infecção da doença também ocorreu em áreas rurais, 77,8% dos casos (figura 32), os outros locais de possível infecção são representados por áreas urbanas (11,3%) ou periurbana (2%), neste item o percentual de casos com a informação ignorada foi de 8,6%. As informações da figura 33 mostram que o ambiente de trabalho foi o maior responsável pelo contato com o agente causador da doença, 44,6% dos casos, outras formas de contágio descritas foram ambiente domiciliar, 37,7% dos casos e áreas de lazer, 6,8% dos casos e em 10,7% dos casos o provável local de infecção foi ignorado.
Figura 29. Sexo e idade média dos pacientes confirmados com hantavirose entre os anos de1999 e 2015 no Estado de Santa Catarina, Brasil.
Fonte: O Autor, 2017.
79,6
20,4
35,9 36
0 20 40 60 80 100
MASCULINO FEMININO
SEXO E IDADE MÉDIA
% TOTAL IDADE MÉDIA
55
Figura 30. Local de residência dos pacientes confirmados com hantavirose entre os anos de 1999 e 2015 no Estado de Santa Catarina, Brasil.
Fonte: O Autor, 2017.
Figura 31. Provável local de infecção dos pacientes confirmados com hantavirose entre os anos de 1999 e 2015 no Estado de Santa Catarina, Brasil.
Fonte: O Autor, 2017.
0 50 100 150 200 250
Rural Urbana Periurbana Sem informação
LOCAL DE RESIDÊNCIA
LOCAL DE RESIDÊNCIA
0 50 100 150 200 250 300
Rural Urbana Periurbana Sem
informação
PROVÁVEL LOCAL DE INFECÇÃO
PROVÁVEL LOCAL DE INFECÇÃO
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Figura 32. Provável ambiente de infecção dos pacientes confirmados com hantavirose entre os anos de 1999 e 2015 no Estado de Santa Catarina, Brasil.
Fonte: O Autor, 2017.
O campo 68 da ficha de notificação (anexo A) remete a informação sobre a relação da doença com o trabalho, sendo que, da amostra total de 334 casos, 287 possuíam este dado, destes, 51,7% foram relacionados ao trabalho, isto é, o paciente com média de 35,9 anos para os homens e 36 anos em média para as mulheres estava trabalhando quando adquiriu a doença, 34,1% dos casos não foram atribuídos a atividades de trabalho e 14% não possuíam informação. Watson et al. (2014) consideram as hantaviroses doenças de caráter profissional, desta forma, profissionais como agricultores, médicos veterinários, engenheiros agrônomos, biólogos entre outros, ligados direta ou indiretamente à atividades relacionadas ao ambiente dos roedores estão mais expostos ao vírus afirmam ainda que em mais de 50% dos casos no Brasil os pacientes estão ligados a atividades agropecuárias. O campo 32 da ficha de investigação remete, ainda, a informação sobre as atividades de trabalho desenvolvidas pelo paciente, este campo é preenchido de acordo com o código brasileiro de ocupações, desta forma, encontramos 94 casos (28,1%) sem código de ocupação ou códigos invalidados, dos 240 pacientes restantes que possuíam a informação, 133 (55,4%) tiveram relatados como código de ocupação atividades ligadas a agricultura e pecuária sejam elas produtivas ou extrativistas.
Os antecedentes epidemiológicos, representados no campo 33 da ficha de investigação (anexo A) indicam atividades que o paciente possa ter desenvolvido nos
0
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60 dias anteriores à busca pelo atendimento, estas informações tem o objetivo de contribuir na conclusão do diagnóstico da doença. Neste sentido, 61,9% dos pacientes relataram exposição ou limpeza de casa, despensa, galpão, depósitos, sótãos, porões ou semelhantes, corroborando com o observado por Junior et al. (2012). Segundo Manual da Vigilância Prevenção e Controle das Hantaviroses, Brasil (2013),geralmente a infecção humana ocorre por meio de vias aerógenas, um exemplo disso é a inalação de poeiras e aerossóis contaminados como a urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Elkhoury (2008), relata que, embora outros antecedentes epidemiológicos são descritos em países da América Latina, no Brasil, assim como encontramos em Santa Catarina, predomina a limpeza de ambientes potencialmente contaminados com excretas de roedores como principal mecanismo exposição à doença, o ato da limpeza suspende partículas de poeira o que facilita a inalação.
Cinquenta e cinco por cento dos pacientes relataram contato direto ou visual com rato silvestre vivo ou morto e suas excretas ou vestígios como fezes, urina, sangue, saliva, roeduras, pegadas, trilhas, manchas e outros sinais de ratos. A opção de desmatamento, aragem de terra, plantio e colheita agrícola, corte de lenha e outros semelhantes foi relatada por 54,1% dos pacientes. O vírus da hantavirose pode ser mais facilmente transmitido em ambientes que armazenam grãos, uma vez que os mesmos servem de alimentos para os roedores. Além disso, o contágio pode ocorrer durante os procedimentos como a limpeza dos locais onde há a presença desses roedores, no transporte de sacas de grãos (SCHMIDT, 2007).
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Figura 33. Antecedentes epidemiológicos nos 60 dias antecedentes ao atendimento, dos pacientes confirmados com hantavirose entre os anos 1999 e 2015 no Estado de Santa Catarina, Brasil.
Fonte: O Autor, 2017.
Sessenta e dois pacientes (18,5%) relataram apenas uma atividade dentre as opções da ficha que possa ter gerado o contato com o agente, 81,4% dos pacientes relatou mais de uma opção. As associações entre as possíveis atividades desenvolvidas no momento da aquisição da doença convergem para o dado apresentado anteriormente de que em mais da metade dos casos (87,4%), os pacientes adquiriram a doença trabalhando, visto que as demais opções também caracterizam atividades de trabalho como atividades agrícolas de aragem de terras, plantio ou colheitas e moagem e/ou transporte de grãos. As opções dormir, descansar em barracas, galpões, ou outros locais semelhantes bem como as atividades de lazer como pesca, caça, turismo rural ou similares representaram isoladamente um índice baixo, apenas 3,2% dos pacientes relataram estas atividades isoladamente. Em 5,9% dos casos não havia informações sobre contato com o agente.
O campo 56 da ficha de notificação informa sobre o local provável da fonte de infecção, desta forma 36,5% dos casos foram considerados autóctones do município de residência dos pacientes; 9,5% não autóctones; 4,1% indeterminados e em 49% dos casos não há informação, o que representa uma falha no preenchimento ou lançamento dos dados da ficha de investigação, visto que a informação sobre o local aonde o
ATIVIDADES QUE O PACIENTE SE EXPÔS NOS
ÚLTIMOS 60 DIAS
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paciente adquiriu a doença tem valor muito importante no aspecto de controle e prevenção da enfermidade.
Figura 34. Local da provável fonte de infecção dos pacientes confirmados com hantavirose entre os anos de 1999 e 2015 no Estado de Santa Catarina, Brasil.
Fonte: O Autor, 2017.
Embora, através da análise dos dados da ficha de investigação, não tenhamos como determinar o período de incubação da doença, que de acordo com Limongi;
(2007) e Ferreira (2003), pode variar entre 2 a 42 dias, com média de aproximadamente 14 dias, podemos determinar o intervalo médio entre o aparecimento dos sintomas e a busca pelo atendimento na unidade de saúde, este intervalo foi de 3,5 dias, corroborando ao citado por Figueiredo et. al. (2001), que descrevem a busca pela assistência medica no 4º dia da doença, quando se inicia dispneia, que se manifesta inicialmente com esforços moderados, progredindo em 24 a 48 horas para dispneia aos mínimos esforços do paciente, bem como, tosse frequente com eliminação de