3 SOLOS ESTUDADOS
3.2 LOTEAMENTO ALGARVE – ALG
3.2.2 Perfil estudado
A partir do levantamento de campo de 1996, uma boçoroca foi definida como área teste. A Foto 11 apresenta uma vista aérea do local e assinala a erosão escolhida.
A boçoroca estudada desenvolve–se desde o terço superior de encosta com declividade média de 10o, por cerca de 100 metros ao longo de um terraplenado leito de rua. A profundidade máxima atingida (em dezembro/1998) era 6 metros. Esta feição encontra–se associada a outras boçorocas adjacentes que, com o avanço da erosão da encosta, tendem a ramificar e interligarem–
se. Estima–se que num futuro próximo ter–se–á na encosta uma única grande feição de erosão, com largura superior a 30 metros. A Foto 12 ilustra a boçoroca da área teste.
A concepção do perfil de solo original da área foi realizada a partir de uma porção de terreno intacta adjacente a erosão. A Figura 5 ilustra um perfil típico da encosta.
O perfil é classificado pedologicamente como Podzólico Vermelho–Amarelo, caracterizado por um nítido gradiente textural A/B, com concentração de argila e de sesquióxidos de ferro e alumínio no horizonte B.
Foto 1 – Sulcos e ravinas onde o horizonte B foi exposto nos lotes (ALG)
Foto 2 – Ravinamento profundo ao ser atingido o horizonte C (ALG)
Foto 3 – Boçoroca no Loteamento Algarve
Foto 4 –Processo ativo de desmoronamento das paredes laterais de boçoroca (ALG)
Foto 5 – Presença de sinais de fluxo de sedimentos ao fundo do canal da boçoroca (ALG)
Foto 6 – Buracos evidenciando processos de erosão interna (ALG)
Foto 7 – Buraco responsável por solapamento da cabeceira da boçoroca (ALG)
Foto 8 – Trinca evidenciando iminente solapamento (ALG)
Foto 9 – Escorregamento da parede da boçoroca ao longo de estrutura reliquiar (ALG)
Foto 10 – Obras de recuperação dos terrenos em área do Loteamento Algarve
Foto 11 – Vista aérea parcial do Loteamento Algarve. Localização da área teste (ALG)
Foto 12 – Boçoroca da área teste (ALG)
Figura 5 – Perfil típico do Loteamento Algarve (ALG)
É importante destacar que, em muitos locais, a configuração natural superficial do perfil aparece alterada por ação da terraplenagem quando das obras de implantação do loteamento.
Entretanto, em alguns destes locais foi observado certa reestruturação do perfil, com a neoformação de um horizonte A de acumulação de matéria orgânica sobre o terreno terraplenado.
Quanto ao substrato, segundo o novo mapa geológico de Porto Alegre, apresentado em Menegat et al.(1998), na área do loteamento são encontradas três unidades geológicas distintas pertencentes ao Complexo Granito–Gnaíssico: Granito Saint–Hilaire, Granito Feijó e Granito Independência. Comparando amostras de rochas próximas ao perfil com as descrições destas litologias e a partir da inspeção de geólogos envolvidos no referido mapeamento (em comunicação pessoal de Ednei Koester, em 1997), concluiu–se ser o Granito Independência, o substrato geológico do perfil estudado. Esta unidade geológica reúne monzogranitos a sienogranitos cinzentos com textura eqüigranular média.
Em virtude da representatividade no perfil e do comportamento diferenciado em relação às ações erosivas, foram escolhidos para o estudo da erodibilidade o horizonte B e o horizonte C, identificados como ALGB e ALGC, respectivamente. Em termos relativos, o horizonte B foi considerado resistente à erosão e o horizonte C fortemente erodível.
O horizonte B foi amostrado em ravina profunda à montante da cabeceira da boçoroca. Este solo apresenta–se bastante rígido, principalmente quando exposto à superfície, em vista da remoção do horizonte A. As possíveis causas estão relacionadas à ação direta das intempéries sobre o horizonte B, facilitando a lixiviação de elementos e o concrecionamento por sesquióxidos, e à possibilidade deste horizonte ter sofrido algum efeito de compactação mecânica quando das obras de terraplanagem dos lotes. A cor deste horizonte determinada pelo sistema Munsell de cores (Munsell Color Co.,1946), segundo técnica descrita em Lemos e Santos (1982), é 2,5YR4/6 (vermelho) úmido e 5YR5/6 (vermelho–amarelado) seco. A Foto 13 ilustra o horizonte B amostrado.
O heterogêneo solo saprolítico apresenta–se com variações texturais e mineralógicas a pequenas distâncias. O solo areno–siltoso amarelado micáceo tomado como típico e objeto do estudo experimental foi aquele mais freqüentemente envolvido nos processos erosivos de todo o loteamento.
Uma análise mineralógica macroscópica deste material mostrou quartzo, feldspatos muito alterados e a presença marcante de mica muscovita. A cor deste horizonte determinada pelo sistema Munsell de cores é 2,5Y7/6 (amarelo) úmido e 2,5Y7/3 (amarelo–claro–acinzentado) seco. A Foto 14 ilustra o horizonte saprolítico amostrado.
Concomitante ao acompanhamento, descrição e medições dos processos erosivos foram obtidos para o local alguns dados de ensaios de campo realizados para outras pesquisas do PPGEC/UFRGS (Bosch et al., 1995; Fogaça et al., 1995 e Cunha, 1997).
Em Bosch et al.(1995) e Fogaça et al.(1995) são apresentados resultados de ensaios de penetração de campo realizados no Loteamento Algarve. A localização dos ensaios não coincide com a da área teste, embora os processos erosivos no local tenham as mesmas magnitude e características, assim como os solos envolvidos certa similaridade. Foram realizados ensaios de CPT (Cone Penetration Test), de Cone Elétrico Manual1 e de DCP (Dinamic Cone Penetrometer, também chamado de Cone Africano). Os resultados publicados são pouco conclusivos, apenas evidenciam maiores valores de resistência à penetração próximo à superfície, em face do ressecamento do solo.
Cunha (1997) apresenta ensaios de condutividade hidráulica in situ realizados na área teste com o permeâmetro de Guelph, junto a cabeceira da boçoroca e diretamente no horizonte C no interior da erosão. A Foto 15 registra a execução dos ensaios na cabeceira da boçoroca. Os valores de condutividade hidráulica saturada (kfs) medidos situaram–se entre 10–7 e 5 x 10–7m/s para o horizonte B e entre 10–7 e 5 x 10–6m/s para o horizonte C (Figura 6). A variabilidade dos resultados ao longo do perfil é justificada por concreções no horizonte B e por heterogeneidades texturais, estruturais e mineralógicas no horizonte C. O menor valor médio de condutividade hidráulica para o horizonte B é explicado pelo maior teor em argila, pelas concreções e pela possível compactação mecânica deste solo. A maior condutividade hidráulica foi verificada para o solo saprolítico no interior das erosões.
3. 3 ÁREA DE EMPRÉSTIMO DA RS239 – RS239