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Condições da gestação

5.2. Perfil Obstétrico

Em relação ao perfil obstétrico, foram analisadas as variáveis de 86 pacientes. A gravidez única foi a mais prevalente, com 83 casos (96,5%). Apenas 3 gestações gemelares (3,5%) foram registradas no período estudado. Em relação ao tipo de parto, 16 (18,6%) foram parto tipo vaginal, 65 (75,6%) cesariana e 5 casos (5,8%) foram omitidos em registros de prontuário (5,8%). Quanto aos nascimentos, apenas 11 RN (12,8%) apresentaram malformações incompatíveis com a vida extra-uterina e morreram algumas horas após o nascimento (Tabela 01).

Com relação ao tempo de gestação, 40 (46,5%) apresentaram um tempo gestacional considerado ideal (37-42 semanas de IG), caracterizando assim nascimento a termo (feto maduro e possivelmente compatível com a vida extra-uterina). Houve relação estatisticamente significante entre a ocorrência de malformação do SNC e o nascimento prematuro, entre 28 e 31 semanas (p=0,001) e entre 32 e 36 semanas (p=0,003). Em 31 gestações (36%) ocorreu o nascimento prematuro (28 a 36 semanas de IG), enquanto que apenas 1 gestação (1,2%) foi classificada como prematuridade extrema (com 22 a 27 semanas de IG). Em 14 gestações (16,3%) os registros sobre IG estavam omitidos. (Tabela 01)

Em relação ao volume de líquido amniótico, 10 gestações (11,6%) apresentaram quadro de oligdrâmnio (volume de líquido amniótico reduzido), em 2 gestações

(2,3%) houve polidramia (volume de líquido amniótico aumentado), enquanto que em outros 10 casos (11,6%), o líquido amniótico foi considerado normal (normodramnio). Foram encontrados 64 casos sem informação registrada no prontuário (74,5%) referente a esse aspecto. Em relação às alterações presentes no líquido amniótico, em 4 casos (4,6%) foi registrada a presença de sangue no líquido amniótico, em 5 casos (5,8%) observou-se a presença de mecônio, em um caso (1,2%) o odor foi considerado fétido e em outro caso (1,2%) foi relatado líquido amniótico com coloração amarelada (Tabela 01).

Em relação às consultas de pré-natal, 45 (52,3%) pacientes realizaram 4 ou mais consultas, 5 (5,8%) fizeram no máximo 3 consultas durante a gestação enquanto que 2 pacientes (2,3%) não fizeram nenhum tipo de acompanhamento. Em todas essas gestações que apresentavam riscos ao binômio mãe-filho, observou-se que são principalmente os casos em que não houve acompanhamento médico, a não realização de exames bem como a não realização de um pré-natal ineficaz.

Ao todo, foram 34 casos (39,5%) sem registro no prontuário. Não houve diferença estatisticamente significante entre a ocorrência de malformações no SNC e o número de consultas de pré-natal realizadas.

Em 35 (40,7%) gestações houve o registro de trabalho de parte prematuro (TPP). Dessas gestações, houve uma (1,2%) com intercorrência hemorrágica registrada, oito (9,3%) apresentaram infecções associadas, quatro (4,6%) sorologias positivas para HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e Sífilis, quatro (4,6%) casos de doença hipertensiva específica da gestação (DHEG) e um (1,2%) caso de diabetes gestacional. Houve diferença estatisticamente significante entre a ocorrência de DHEG e a presença de malformações do SNC (p = 0,034) (Tabela 01).

Quanto ao uso de drogas ilícitas, em 3 prontuários (3,5%) as gestantes relataram o uso, mesmo após terem conhecimento da gestação, 4 (4,6%) relataram o uso de bebidas alcoólicas e 7 gestantes (8,1%) se classificaram como tabagistas. E em 4 prontuários (4,6%) a gestante fazia uso de medicação controlada (como controle de epilepsia, por exemplo). Não foi verificada uma relação estatisticamente significante entre o uso de drogas ilícitas, lícitas e medicação controlada para epilepsia com a ocorrência de malformação do SNC (Tabela 01).

Tabela 01– Distribuição das características maternas e obstétricas em mulheres com recém-nascidos com malformação de SNC internados em um Hospital Público de Goiânia – GO, 2016.

Dados Maternos e Obstétricos n %

Tipo de Gravidez

Única 83 96,5

Gemelar 3 3,5

Idade Materna (anos)

< 19 anos 9 10,5 19– 35 anos 52 60,5 >35 anos 6 7 Casos omissos 19 22 IG (Semanas) 22 – 27 semanas 1 1,2 28 – 31 semanas* 7 8 32 – 36 semanas** 24 28 37 – 41 semanas*** 40 46,5 Casos omissos 14 16,3 Consultas de Pré-Natal 1 – 3 consultas 7 8,1 4 – 6 consultas 23 26,6 Mais de 7 consultas 22 25,8 Casos omissos 34 39,5

Volume do Líquido Amniótico

Normodrâmnio 10 11,6 Oligodrâmnio 10 11,6 Polidrâmnio 2 2,3 Casos omissos 64 74,5 DHEG Não 76 88,4 Sim 4 4,7 Casos omissos 6 6,9

Número de Gestações

Menos do que 3 gestações 66 76,8

Entre 4 – 6 gestações 3 3,5 Acima de 7 gestações 2 2,3 Casos omissos 15 17,4 Tipo de Parto Cesário 65 75,6 Vaginal* 16 18,6 Casos omissos 5 5,8 Fatores de Risco Tabagismo 7 8,1 Etilismo 4 4,6 Drogadição 3 3,5

n: número de casos. %: porcentagem

5.3. Exames Realizados

Nesse estudo, verificou-se que a RM ainda é utilizada como exame para análise de saúde vital do feto e identificação de malformações durante o pré-natal. Observou-se que 54 mulheres (62,8%) realizaram RM juntamente com USG. Cerca de 26 mulheres (30,2%) relataram não terem feito nenhum dos dois exames. Independente da malformação, observou-se que em 34 casos (39,5%) houve diagnóstico intra-uterino após realização de USG e/ou RM. Em relação à Ultrassonografia Transfontanela, em apenas em 10 pacientes (10,5%) foi relatada sua realização (Tabela 02).

Tabela 02– Exames de imagem realizados por gestantes com RN’s com malformação de SNC internados em um Hospital Público da Rede Estadual de Goiânia – GO, 2016.

Exames n %

USG / RM

Não 26 30,2

Sim 54 62,8

USG Transfontanela

Não 65 75,6

Sim 10 11,6

Casos omissos 11 12,8

n: número de casos. %: porcentagem

5.4. Perfil Neonatal

Quanto ao sexo dos recém-nascidos, 46 (55%) apresentaram genitália específica tipicamente masculina, enquanto que 40 (45%) apresentavam genitália tipicamente feminina (Tabela 03). A média do Índice de Apgar registrada no primeiro minuto de vida dos recém-nascidos malformados foi de 4,9 ± 0,0001. A média registrada no Índice de Apgar no 5° minuto de vida foi de 6,6 ± 0,02 demonstrando que os sinais vitais analisados logo após o nascimento encontram-se comprometidos e permanecem mesmo após alguns minutos de vida (Tabela 03).

Tabela 03 – Distribuição das médias do índice de Apgar e de sexo dos recém-nascidos com malformação de SNC internados em um Hospital Público de Goiânia – GO, 2016.

Perfil neonatal n %

Índice de Apgar (pontos) no 1° Minuto

< 7* pontos 34 39,6

≥ 7** pontos 42 48,8

Casos omissos 10 11,6

Índice de Apgar (pontos) no 5° Minuto

< 7* pontos 14 16,4 ≥ 7** pontos 62 72 Casos omissos 10 11,6 Sexo Feminino 40 45 Masculino 46 55

n: número de casos. %: porcentagem

Quanto às malformações de SNC encontradas, a hidrocefalia foi a mais frequente, encontrada em 62 casos (72,1%), 12 casos de meningomielocele

(13,9%), 5 casos com anencefalia (5,9%) e 7 casos de espinha bífida (8,1%) (Tabela 04).

Tabela 04– Tipos de malformações do SNC de recém-nascidos internados em um Hospital Público de Goiânia – GO, 2016.

Malformações n %

Hidrocefalia 62 72,1

Meningomielocele 12 13,9

Anencefalia 5 5,9

Espinha Bífida 7 8,1

n: número de casos. %: porcentagem

Dos 86 prontuários analisados, 47 (54,6%) apresentavam anomalias associadas e/ou outras malformações, prevalecendo as malformações de face (fenda e lábio palatino), presentes em aproximadamente 33 (70%) destes casos, e destes que apresentavam malformações múltiplas, 5 (5,8%) pacientes necessitaram de cirurgia imediata após nascimento.

Em relação ao perímetro cefálico, em 39 prontuários (55,3%) houve registro desse dado, com uma média de 33 ± 0,2 cm. Houve falha de registro no prontuário em 47 casos (54,7%). Nos dados coletados, observamos que houve um valor médio, em centímetros, similar ao encontrado e preconizado pelo Ministério da Saúde (2007) para crianças não diagnosticadas com nenhum tipo de malformação de sistema nervoso central, demonstrando que apesar de existir uma malformação desse sistema, não houve alteração significativa do crescimento cefálico intra-uterino. (Tabela 05).

Quanto ao peso ao nascer, 27 RN (31,6%) pesaram até 2500 gramas, 39 RN (45,3%) possuíram um peso entre 2501e 4000 gramas, enquanto que 6 RN (6,9%) apresentaram peso acima de 4001 gramas. Em 14 casos (16,2%) não havia o registro referente ao peso no prontuário (Tabela 05).

Tabela 05 – Perímetro cefálico e peso ao nascer dos recém-nascidos com malformação de sistema nervoso central internados em um Hospital Público da Rede Estadual de Goiânia – GO, 2016.

Características Neonatais n %

Perímetro Cefálico (em centímetros)

Acima de 33 centímetros 2 2,3 Entre 30 e 33 centímetros 30 34,9 Abaixo de 30 centímetros Casos omissos 7 47 8,1 54,7

Peso (em gramas)

≤ 1499 gramas 9 10,7 1500 – 2499 gramas 18 20,9 2500 – 3000 gramas 8 9,3 3001 – 4000 gramas 31 36 > 4001 gramas Casos omissos 6 14 6,9 16,2

n: número de casos. %: porcentagem

5.5. Intercorrências

A taxa geral de mortalidade (tardia e precoce) foi de 23,3%, ocorreu em 20 casos com malformação de SNC. Os tipos de óbito no período neonatal e pós-neonatal estão descritos na Tabela 06.

Tabela 06 – Distribuição dos recém-nascidos com malformação de sistema nervoso central, segundo período de óbito internados em um Hospital Público de Goiânia – GO, 2016.

Período de óbito n %

Neonatal Precoce 11 12,8

Neonatal Tardio 9 10,5

Pós-Neonatal 0 0

Neonatal Precoce (0 – 6 dias); Neonatal Tardio (7 – 27 dias); Pós-Neonatal (28 – 364 dias) n: número de casos. %: porcentagem Teste de qui-quadrado ou exato de Fisher

Foram encontrados 12 casos de abortamento (14%), que aconteceram nas gestações anteriores, sendo esse resultado estatisticamente significante (p=0,025).

Não havia nos prontuários a classificação em relação ao tipo de abortamento (espontâneo ou induzido). O fórceps foi utilizado em 33 casos (38,4%), especialmente quando o parto foi prematuro.

6. Discussão

Houve em nosso estudo um fator dificultador para a análise de dados, e consequentemente a avaliação dos óbitos ocorridos, dificuldade essa observada na coleta de dados realizada em prontuários, sendo a precariedade com que os prontuários são armazenados e a falta de registros. Dos 497 casos de malformações gerais relatados no decorrer de 10 anos (2004 – 2014), 137 eram específicos do sistema nervoso central, e destes casos, 51 prontuários não foram encontrados nenhum registro sobre desses pacientes. Deste modo, 37,2% casos ficaram sem análise.

Um estudo realizado em Fortaleza, no Ceará, analisou malformações congênitas e preditores maternos e neonatais através de informações coletadas em prontuários. Houve uma grande perda de dados coletados (59,3%) por subinformação não encontrada, assim como ocorreu em nosso estudo (FONTOURA et al., 2014).

Partindo do pressuposto que óbitos por malformações do sistema nervoso central são algumas vezes evitáveis, a análise dos óbitos neonatais, nos permite ampliar o entendimento dos conhecimentos patológicos que envolvem o binômio mãe e filho durante a gestação e parto, que conduzem à morte (GAIVA et al., 2015).

Em um estudo sobre a frequência de malformações ao nascimento, realizado no Brasil, observamos que sua incidência foi baixa (2%) e pouco abordada (RAMOS et al., 2009). Até o presente momento, os fatores preditores e facilitadores de ocorrência para as malformações de SNC não estão muito bem estabelecidos pela literatura científica.

O risco de óbito neonatal é de 44 a 50 vezes maior entre os RN que apresentaram baixo peso logo após o nascimento (< 2.500 g), e prematuros (< 37 semanas de IG), do mesmo modo que é 54 a 125 vezes maior quando o Apgar é menor que 7 no primeiro minuto de vida (MARAN et al., 2014). Um estudo realizado no Chile demonstrou que mães diabéticas possuem 10 vezes mais chances de desenvolverem um feto com malformações, e cinco vezes maior de acarretar um aborto espontâneo (NAZER& RAMIREZ, 2000).

A média de idade materna encontrada em nosso estudo foi de aproximadamente 24 anos + 6 meses, dado compatível com o período de maior fertilidade feminina,

resultado semelhante a outros estudos pesquisados na literatura de mesma vertente (AMORIM et al., 2006; FORRESTER et al., 2007; FONTOURA et al., 2014).

A idade materna superior a 35 anos possui influência significativa com a ocorrência de um maior aumento nos números de casos de malformações e defeitos cromossômicos, como principalmente, a Síndrome de Down, contudo não houve associação com a idade avançada e a ocorrência desses casos, tendo o mesmo sido observado em outros estudos (CHIA et al., 2003; NETO et al., 2009; PERINI et al., 2015).

Houve prevalência de IG entre 37 e 42 semanas em 40 casos analisados, diferentemente de pesquisas que apresentaram como resultado um predomínio de idade gestacional de 32 a 36 semanas em crianças com malformações (MERZ & WELTER, 2005; FORRESTER & MERZ, 2007; NETO et al., 2009; MARAN et al., 2014).

Quanto à de via de parto, a mais indicada nos casos de malformações é a cesariana, prática relatada em inúmeras outras pesquisas (OLIVEIRA, 2002; ALMEIDA, 2008; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012), predominando. Tal fato ocorre devido à dificuldade de proporcionar um nascimento seguro á esse binômio pela via de parto normal, levando em consideração todas as particularidades dessa gestação e assim, deste modo, garantindo segurança e humanidade para esse nascimento (PIMENTEL & OLIVEIRA-FILHO, 2015).

Atualmente, já se sabe da importância do líquido amniótico na manutenção e longevidade de uma gestação saudável. Deste modo, ocorre uma estreita relação quanto à quantidade do líquido amniótico com a ocorrência de malformação. O quadro de oligodrâmnio está presente principalmente nas malformações do trato geniturinário e trato gastrointestinal, enquanto que a polidrâmnia relaciona-se com malformações do sistema nervoso central (PATRIOTA et al., 2014).

O diagnóstico de oligodrâmnio (volume de líquido amniótico menor que 500 ml), inicialmente, pode ser suspeitado através da avaliação de altura uterina na gestante durante consultas de pré-natal, mesmo sendo uma medida de baixo valor preditivo. A avaliação pela USG é mais fidedigna e de maior importância clínica (PATRIOTA et al., 2014).

Acredita-se que, nos casos de polidrâmnio, possa ocorrer uma maior chance do feto apresentar malformações, principalmente de sistema nervoso central, mas também pode acometer o sistema cardiovascular, digestivo e osteomotor. Tal fato se dá pela dificuldade encontrada pelo feto com comprometimento cerebral em deglutir o líquido amniótico durante a gestação, propiciando assim seu acúmulo (STRICKER, 2003).

Em nosso estudo não houve relação estatisticamente significante em relação à alteração do volume de líquido amniótico com a ocorrência de malformação no SNC. Mesmo assim, se faz necessária a avaliação morfológica fetal após o diagnóstico de malformações e/ou detecção de alterações de volume amniótico.

O conhecimento quanto o volume de líquido amniótico, vitalidade do feto, crescimento (ou restrição) intra-uterina, entre outros fatos relacionados à gestação acontecem devido a um rastreamento de pré-natal satisfatório, realização de exames e acompanhamento adequado, para uma detecção de malformações se fazer de modo mais rápido, permitindo o encaminhamento das gestantes para centros obstétricos capacitados para o atendimento de gestações de alto risco, para acompanhamento de uma equipe multidisciplinar capacitada e planejamento do parto.

O uso do corticóide também está indicado na maior parte dos casos de malformações com diagnóstico intra-útero, devido a sua relevante associação com a prematuridade (AMORIM et al., 2006).

Em nossa pesquisa houve um predomínio de 0 – 3 consultas de pré-natal entre as gestantes analisadas, este fato pode demonstrar que não há uma busca ativa destas pacientes ao serviço de saúde especializado para sua condição, falta de aconselhamento quanto à importância e necessidade de acompanhamento para uma gestação saudável para o binômio, bem como uma possível negação da gestante com a gravidez.

Quando não se faz um acompanhamento adequado da gestação, principalmente uma sequência adequada de consultas de pré-natal, pode-se desencadear consequências graves para o binômio, como a ocorrência de parto prematuro ou

óbito fetal, necessitando de procedimentos cirúrgicos para a retirada desse feto não-viável.

O parto prematuro desencadeia a interrupção de um nascimento em tempo adequado, uma vez que altera o período gravídico e proporciona a hospitalização do RN e necessidade de cuidados intensivos (RAMOS et al., 2009). Por ser um evento inesperado na vida dos pais, o nascimento de um filho com malformação ocasiona um impacto inesperado na família, por meio de mudanças na dinâmica e rotina, gera demandas e papéis sociais que precisam ser restabelecidos (SANTOS et al., 2012).

Ainda há inúmeras evidências de que as malformações comprometem o desenvolvimento do feto intra-útero, favorecendo assim também um parto prematuro. Além disso, quando o feto é portador de defeito congênito e esse defeito é pré-detectado por exames de imagens realizados durante toda a gestação, é frequente a determinação de um parto eletivo, em alguns casos, na tentativa de proporcionar ao RN um tratamento mais eficaz (RAMOS et al., 2009).

A hospitalização necessária para uma criança malformada em uma UTIN é um evento que causa um alto nível de estresse e insegurança, principalmente para a mãe, devido à condição de vulnerabilidade da saúde da criança. O enfrentamento dessa situação é ainda mais difícil quando essa internação ocorre logo após o nascimento, afastando a idealização da chegada de um bebê saudável (SCHIMIDT et al., 2012; SANTOS et al., 2012).

Para se evitar a hospitalização, prematuridade e malformação, sabe-se da importância do controle do diabetes materno bem como da DHEG associado a uma suplementação vitamínica, melhora na ingesta alimentar, prática de exercícios físicos regulares, uso controlado das medicações relacionadas à acometimentos e uma avaliação mensal quanto à associação dessas alterações específicas na gestação. Ocorre uma contribuição significativa para a diminuição de ocorrência das malformações decorrentes do diabetes descompensado e de um súbito aumento de pressão nessas gestantes (VILELA et al., 2001).

Em nosso estudo, ao analisar as intercorrências maternas registradas, observamos que houve 7 casos de tabagismo, 4 casos de etilismo e 3 casos de drogadição. Em todas essas gestações, houve predomínio de um baixo número de

consultas de pré-natal, prevalência de um baixo peso ao nascer e um baixo escore de Apgar registrado no primeiro e quinto minuto após o nascimento. Apenas uma paciente referiu fazer uso de medicação controlada, no caso, para o tratamento de epilepsia. Não houve associação significativa entre o uso de drogas e a ocorrência de malformações. Diferentemente de outros estudos que encontraram uma associação significativa entre malformações e tabagismo (FLAGEOLE, 2014), utilização de drogas ilícitas (LEOPÉRCIO & GIGLIOTTI, 2004) e ocorrência de malformações em gestações anteriores (OMS, 2000).

Amorim e colaboradores relataram que o tabagismo predispõe malformações principalmente do sistema nervoso central, assim como o uso de drogas ilícitas aumenta a frequência de complicações obstétricas e predispõem o neonato a malformações, convulsões e hemorragias intracranianas. A principal malformação associada ao uso de maconha e cocaína é a do SNC, seguindo de malformações cardiovasculares, fendas labiais e de membros (AMORIM et al., 2006).

Uma medida preventiva considerada simples, efetiva e de baixo custo para evitar a ocorrência de malformação, principalmente as do sistema nervoso central, consiste na suplementação de ácido fólico no período periconcepcional, reduzindo significativamente a incidência dos defeitos de tubo neural (KORENBROT et al., 2002; RAMOS et al., 2009).

O benefício dessa suplementação só apresenta efeitos positivos em gestações previamente planejadas, correspondendo ao menor número de gestações, e alguns países como os Estados Unidos, Canadá, Chile e África do Sul, já programaram de forma obrigatória a fortificação de cereais e grãos com o ácido fólico, o que só se tornou obrigatório no Brasil no ano de 2004, após verificar que houve uma diminuição de defeitos de tubo neural nos países citados anteriormente em mais de 80% (WILLIAMS et al., 2002; HERTRAMPF& CORTES; 2004; BOTTO et al., 2006; DE WALS et al., 2007).

Quanto à realização do exame de imagem conhecido como USG, quando realizado de forma prévia, permite um melhor e mais rápido diagnóstico quanto à possibilidade de identificar as malformações fetais que se relacionam com alterações cromossômicas. A USG demonstrou em nosso estudo que é um bom método para rastreamento de malformações, tendo sido realizada em praticamente

todas as gestações (80 casos, 93%), e a partir do momento em que houve identificação, pode iniciar um precoce tratamento (quando possível). Resultados semelhantes foram descritos em diversos outros estudos (NICOLAIDES et al., 1992; PLAZA et al., 1995; LEVI et al., 1996).

Uma vez identificada uma malformação isolada, se torna de extrema importância avaliar a existência de outras malformações, já que é alta a possibilidade de uma segunda alteração nesse recém-nascido, principalmente nos casos aonde previamente já se detectou, no início da gestação, a malformação. Em um estudo realizado por Barini, no ano de 2002, reforça o conceito de que uma avaliação por USG realizada até a metade da gravidez, se possível, repetida em pelo menos duas vezes durante a gestação, é fundamental para identificação de malformações ou de riscos para malformações. Neste mesmo estudo citado, observou-se que a USG apresentou bom desempenho para triagem de malformações, com desempenho positivo em 97,5% dos casos, apresentando resultados semelhantes observados em nossa pesquisa, a qual tivemos resultados positivos em 93% dos casos (BARINI et al., 2002).

Não houve em nenhum dos casos relatados, a detecção de malformação em gestações anteriores, diferentemente dos dados encontrados no estudo de Ramos e colaboradores (2009).

Malformações associadas se apresentam em menor frequência que as isoladas, assim como foi observado em nossa pesquisa, em vários outros estudos remetem essa mesma observação, assim como as anomalias maiores são mais frequentes e são também, de mais fácil detecção (STOLL et al., 2002; MADI et al., 2005; NETO et al., 2009).

O exame USG representa a escolha primária de rastreamento durante o pré-natal pelo seu baixo custo e rapidez de realização. Entretanto, verificamos que a ressonância magnética (RM) fetal fornece informações adicionais ao resultado observado na USG (XIMENES et al., 2008).

Quanto a RM, sabe-se que pode avaliar mudanças no desenvolvimento do sistema nervoso central, avaliando as paredes dos ventrículos e espaços subaracnóides com maior precisão devido à excelente resolução de contraste no

exame (LAN et al., 2000). Como fator limitador à realização desse exame, nos estudos de malformações de sistema nervoso central, tem a avaliação da anatomia intracraniana com qualidade inferior nos casos acima de 20 semanas de gestação, demonstrando sua necessidade de realização desse exame antes desse período (LEVINE et al., 1999).

A realização da RM fetal no terceiro trimestre deve ser realizada uma ou duas semanas antes do parto (ROBERTSON et al., 2002). É consenso que a realização desse exame para verificação de malformações do sistema nervoso central, se tornou um método confiável e seguro (LEVINE et al., 2003), enquanto que somente a realização da USG apresenta limitações relacionadas com artefatos pela calota craniana e ossos (produção de sombra acústica posterior), idade gestacional, posição fetal, movimentação fetal e obesidade materna (XIMENES et al., 2008).

A malformação do sistema nervoso central, incluindo defeitos de fechamento de tubo neural, são as malformações mais encontradas no grupo de estudo analisado, dados semelhantes encontrados em outras pesquisas de mesma abordagem (COSTA et al., 2006, RAMOS et al., 2009). Dentre os defeitos de fechamento de tubo neural, em ordem decrescente são: a mielomeningocele, anencefalia e encefalocele, resultados condizentes com outro estudo (COSTA et al., 2006).

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