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O perfil do professor que trabalha com projetos na disciplina de estatística para

2. EDUCAÇÃO ESTATÍSTICA

2.3 O trabalho com projetos na disciplina de estatística no ensino superior e a

2.3.2 O perfil do professor que trabalha com projetos na disciplina de estatística para

De acordo com os aportes teóricos apresentados, adotar a metodologia de trabalho com projetos viabiliza o trabalho com diferentes interesses dos alunos em sala de aula, de forma que ninguém fique desconectado e cada um encontre um lugar para sua implicação e participação na aprendizagem. Dessa forma, trabalhar com projetos significa também introduzir uma nova maneira de fazer do professor, na qual o processo de reflexão e interpretação sobre a prática seja a pauta que permita ir tornando significativa a relação entre o ensinar e o aprender; onde o docente ou a equipe de professores envolvidos no desenvolvimento do projeto não são os únicos responsáveis pela atividade que se realiza em sala de aula, mas também o grupo/classe tem um alto nível de atuação, na medida em que todos estão aprendendo e compartilhando o que se aprende.

Para nos referirmos às potencialidades afetivas do trabalho com projetos, recorremosa Alencar (2007), quando o autor cita as palavras de Paulo Freire:

Tanto educadores quanto educandos envoltos numa pesquisa, não serão mais os mesmos. Os resultados devem implicar em mais qualidade de vida, devem ser indicativos de mais cidadania, de mais participação nas decisões da vida cotidiana e da vida social. Devem,

enfim, alimentar o sonho possível e a utopia necessária para uma nova lógica de vida. (FREIRE, citado por Alencar, 2007, p.7)

Sob a inspiração de Paulo Freire e tomando por base a complexidade do fenômeno educativo que nos obriga a uma constante busca de entendimento dos elementos que o constituem, resolvemos assumir uma proposta pedagógica que considera as necessidades e as especificidades do aluno do curso de Nutrição, que aumentaria a autonomia do aluno em direção à tomada de decisões e à resolução de problemas acadêmicos, com o que verificamos a possibilidade de desenvolvimento de um projeto de pesquisa interdisciplinar que pudesse ser implementado como forma de proporcionar ao aluno deste curso a condição de ver a estatística aplicada em algum tema ou problemática de seu interesse e da realidade de sua futura profissão (SMITH, 1998; MOORE, 1997,1998; GAL e GARFIELD, 1997), encontrando assim valores e significados que justificassem o estudo e utilização deste saber (SNEE, 1993; JACOBINI, 1999; SKOVSMOSE, 2001).

Tendo em vista que o profissional que atua como nutricionista necessita de uma formação estatística que permita a oportunidade de vivenciar na prática a investigação e o tratamento de dados reais que sejam referentes ao seu campo de atuação profissional, o trabalho com projetos é uma forma de levar esses estudantes "[...] a compreenderem o real papel da estatística‘‘ (PONTE et al., 2003, p.105), fornecendo- lhe "[...] as condições necessárias parareaplicá-los na sua vida profissional". (NOVAES, 2004, p.10)

Luck (2003) aponta que levar o aluno a investigar e a tomar decisões pode trazer benefícios para que ele possa exercer de forma eficaz suas futuras atividades profissionais, pois esse tipo de trabalho na educação estatística "[...] fundamenta, direciona e organiza a ação de sua responsabilidade, como também possibilita o seu monitoramento e avaliação". (p.14)

Por outro lado, Biajone (2006) salienta que a postura do professor, ao iniciar um trabalho com projetos, é fundamental para encorajar seus alunos a enfrentarem barreiras e distâncias que porventura possam existir entre o professor e os seus alunos. Essas barreiras e distâncias, se existirem, deixam de fazer sentido àmedida que passa-

se a vivenciar um nível de cumplicidade, cooperação, e intimidade entre eles sem precedentes.

Dessa forma, se por um lado o trabalho de projetos proporciona uma relação professor/aluno diferenciada, por outro permite um dos modos alternativo de configurar voz, registrar, valorizar e avaliar a produção dos alunos (BIAJONE, 2006). Nessa perspectiva, Abrantes (2002, p.33) recomenda que o professor e os alunos não deveriam encarar um projeto como um trabalho que se faz para ter uma boa nota, mas sim como uma resposta a uma situação identificada e partilhada por todos.

Na perspectiva de Ponte (1990), o papel do professor durante o desenvolvimento de um projeto consiste em acompanhar de perto tudo o que se passa, especialmente em se tratando de alunos com pouca experiência neste tipo de atividades. Para o pesquisador, ao fazer uso desta abordagem, o professor tem de se assegurar que seus alunos ―[...] não estão prestes a encontrar barreiras instransponíveis, preparar-lhes o terreno, certificar-se que eles têm a sua disposição os materiais necessários e reunir-se com os grupos de forma a ajudar a desbloquear os impasses que, entretanto tenham surgido". (Ponte, 1990, p.19)

Entretanto, Megid (2002) ressalta que, devido aos imprevistos e às dificuldades que possam surgir na realização de um projeto, a ação, a atenção e a intenção deste professor que trabalha com projetos devem estar sempre voltadas para estimular os avanços alcançados pelos seus alunos, de forma a despertar neles a motivação necessária para construir sua própria aprendizagem na parceria com seus colegas e o professor. Para a autora, trabalhar com projetos significa assumir uma performance do professor que"[...] reflete, observa, procura caminhos, aprende com seus alunos, age e reage frente às situações de aula". (p.57)

Por outro lado, De La Torre (2000) aponta o perfil do professor que trabalha com projetos como o de um profissional centrado na interação sócio-afetiva, isto é, assume uma postura integradora, inovadora e relacional, a qual, segundo Barroso (1994), significaria ser capaz de "[...] gerar, gerir, definir e avaliar [...]" (p.36), permanecendo atento aos acontecimentos referentes à sala de aula, observando os papéis que cada um assume na atmosfera relacional, as relações interpessoais, os impasses, as limitações, as dificuldades e os obstáculos que ocorrerem entre os alunos e consigo

mesmo na realização de um projeto. Nesse sentido, priorizamos o espaço para que os alunos possam expressar a forma como estão pesando aquele momento e as relações que eles estão conseguindo estabelecer em diferentes situações. Além disso, a postura do professor que leva em conta aspectos afetivos vivenciados pelos alunos ao longo da escolaridade promove a elaboração de estratégias de ensino que permitem encorajar as iniciativas do estudante, possibilitando assim que este adquira maior confiança em si mesmo, elevando sua autoimagem e o aproximando do professor, construindo um vínculo afetivo que dará sustentação para que a aprendizagem se concretize.

3 BUSCANDO UM REFERENCIAL TEÓRICO QUE POSSA ARTICULAR