2.3 Conflitos territoriais e seus reflexos
3.1.2 Perfil socioeconômico do Município de Pirambu
O município encontra-se geograficamente constituído pelos povoados Aguilhadas, Lagoa Redonda, Anhingas, Marimbondo, Alagamar, Baixa Grande e Santa Isabel (Figura 11).
Em termos populacionais, verifica-se que o município de Pirambu no decorrer dos últimos quarenta anos, sobretudo a partir da década de 1980, vem apresentando um crescimento demográfico considerável evidenciando um certo dinamismo. Os dados censitários divulgados
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Figura 11: Povoado Alagamar no município de Pirambu
Crédito: Hélio Mário de Araújo, 2013.
Figura 12: Cenários do povoado Santa Isabel no município de Pirambu
Crédito: Hélio Mário de Araújo, 2013.
Oficialmente, através de dados do IBGE, a variação relativa do crescimento demográfico foi de 46,11%, apresentando um incremento populacional de aproximadamente 1.522 habitantes. No período de 1991/2000 essa variação ampliou para 49,95%, quase dobrando o incremento populacional para 2.417 habitantes. Entretanto, no decênio 2000/2010 esse crescimento foi mais reduzido permanecendo um pouco acima dos 40,00%, registrando um incremento populacional de apenas 1.114 habitantes. Esse resultado, sem dúvida revela um arrefecimento do processo migratório e da taxa de natalidade da população. Ao longo das décadas, os valores totais absolutos e respectivos da população do município foram: em 1980 (3.311), 1991 (4.838), 2000 (7.255), 2010 (8.369) e mais recentemente em 2016 (9.153) habitantes estimados, atribuindo ao município uma densidade demográfica aproximada de 40,65 habitantes por Km².
48 É interessante observar que, o processo de valorização imobiliária registrado nas últimas décadas nos espaços litorâneos, principalmente naqueles mais próximos a capital Aracaju, como é o caso de Pirambu, tem estimulando, sem dúvida, o crescimento da população urbana no referido município. Tanto isso é verdade que, a variação acumulada para os anos de 1980 a 2010 atingiu a cifra de mais de 196,00%. Em 1980, predominava no município a população rural com 1.758 habitantes em detrimento dos 1.556 habitantes da área urbana. Esse quadro
mudou a partir da década de 1990, quando de lá para cá, a população urbana manteve-se sempre crescente. Assim, a variação relativa nos períodos
1980/1991, 1991/2000 e 2000/2007 foi respectivamente: 68,76%, 57,95% e 11,37%, registrando-se percentuais mais baixos para a população rural nesses períodos respectivos, como segue: 25,82%, 40,46% e 15,35%
Sob o ponto de vista econômico, o município de Pirambu destaca-se pela sua tradição pesqueira no cenário estadual. Porém, em se tratando do uso da terra no espaço rural, nota-se que os estabelecimentos agropecuários apresentam predomínio das lavouras, com a cultura permanente do coco-da-baía e as culturas temporárias representadas pelo feijão, milho e mandioca, que se desenvolvem em pequenas propriedades voltadas para agricultura familiar.
No intervalo 1995/2006, os censos agropecuários do IBGE através dos números, revelam um aumento das lavouras em torno de 148,53% na área ocupada, justificada pela presença de altitudes elevadas e solos profundos (Argissolos) com boa capacidade de drenagem. As pastagens, com maior aproveitamento das naturais, também vem apresentando uma diminuição em área em torno de 10,12%. Em 1995 ocupavam 3.152 ha da área total dos estabelecimentos agropecuários, mas em 2006 reduziu para 2.833 ha. Já as matas e florestas ocupam áreas de baixa expressividade, muito embora no período em análise tenha apresentado um crescimento aproximado de 44,48%, pois em 1995 representava 2.122 ha da área total que foi ampliada em 2006 para 3.066 ha.
Santana (2008), estudando as condições geoambientais do referido município afirma que nesse intervalo de um pouco mais de dez anos Pirambu ampliou a sua área ocupada com estabelecimentos agrícolas em torno de 73,15% devido a incorporação de novas áreas ao capital.
No que se refere aos quesitos emprego e renda, nota-se que a situação é bastante preocupante, requerendo do setor público municipal medidas que visem uma gradual melhoria na qualidade de vida da população. O levantamento realizado pelo IBE a respeito, mostra que o salário médio mensal em 2014 era de 2,3 salários mínimos, cerca de R$ 1.665,00 (hum mil seiscentos e sessenta e cinco reais) para um percentual mínimo da população. 53,01% da
49 população de Pirambu sobrevive com até meio salário mínimo e mais alarmante é o fato de aproximadamente 90% da população total não possuir emprego, permanecendo na ociosidade sem desenvolver nenhum tipo de ocupação.
Mesmo em condições precárias de sobrevivência, de grande parte da população, em 2014 o município apresentou um PIB per capita de R$ 10.502,01 (Dez mil quinhentos e dois reais e um centavo). Em 2015, tinha 94.3% do seu orçamento proveniente de fontes externas, como Royalties, pois dos municípios da Região Petrolífera Sergipana no período 1999/2007, Pirambu foi o que apresentou maior dependência desses recursos, incluindo também as participações especiais. Teoricamente, a impressão que se tem com a elevação do PIB a cada ano, é que a população passaria a ter uma condição melhor de vida se houvesse o investimento em benefício da sociedade local. Na prática, verifica-se que o PIB está sempre aumentando enquanto a população permanece cada vez mais pobre, pois a leitura dos dados oficializados pelo governo mostra que o PIB não tem considerado o nível de desigualdade de renda social. Em 2015, os alunos dos anos inicias da rede pública do município tiveram nota média de 4 no IDEB. Para os alunos dos anos finais, essa nota foi de 3.1. Esses resultados muito abaixo da média esperada denunciam o descaso público com a educação e o baixo rendimento escolar dos alunos refletido nas taxas de aprovação, reprovação e evasão. A taxa de escolarização (para pessoas de 6 a 14 anos) foi de 96.8 em 2010.
A taxa de mortalidade infantil média no município é de 12.35 para 1.000 nascidos vivos. As internações devido a diarreias são de 0.2 para cada 1.000 habitantes.
Outra questão preocupante, no caso específico, são os indicadores de qualidade ambiental, principalmente o esgotamento sanitário, pois segundo as informações oficiais do IBGE o município apresenta apenas 15.9% do total dos domicílios com esse indicador adequado, com isso 84,1% padece de condições sanitárias básicas. Além disso, 67,4% de domicílios urbanos em vias públicas contam com urbanização adequada registrando-se a presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio (Figura 13).
Esse cenário parece não se modificar na linha do tempo na mesma proporção da necessidade crescente da população que exige cada vez mais investimentos do setor público municipal, pois um olhar sobre o censo demográfico de 2000 para o destino do esgotamento sanitário, evidencia que 9,27% dos domicílios em Pirambu não possuia banheiro ou sanitário com os seus dejetos lançados em rede geral de esgoto. Entretanto, dos 90,73% de domicílios que possuiam banheiro ou sanitário, 87,64% estão entre aqueles que utilizavam fossa rudimentar, 1,96% fossa séptica, 0,12% lançavam em valas a céu aberto e 0,06% lançavam diretamente em rio, lago ou mar.
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Figura 13: Área urbana do município de Pirambu.
Crédito: http://www.infonet.com.br/noticias/cultura//ler.asp?id=123992; 2017.