2. REVISÃO DA LITERATURA
4.1 PERFIL SOCIOECONÔMICO E AMBIENTAL DA COMUNIDADE
O delineamento do perfil socioeconômico e ambiental da comunidade possibilitou a análise e reflexão da realidade comunitária da CRQ Vila Esperança, sob a ótica das condições sociais, econômicas e ambientais. Tal análise foi substancial para planejamento prévio das ações a serem implementadas. população residente na CRQ Vila Esperança e a mesma distribuição na população brasileira.
FIGURA 42: Distribuição dos habitantes da comunidade e população brasileira por faixa etária FONTE: Adaptado de IBGE (2014); PML (2015).
0 a 14
Verifica-se que a população de crianças (de 0 a 14 anos) e de adolescentes e adultos jovens (de 15 a 29 anos), residentes na comunidade é maior que o percentual da população brasileira, indicando elevado potencial de crescimento da comunidade.
Em relação ao nível de escolaridade os dados demonstram a deficiência dos níveis de instrução dos moradores. Segundo Pinto (2008) tal carência influencia diretamente no comportamento dos indivíduos, limitando a percepção dos aspectos ambientais locais.
Apesar da deficiência, em relação ao grau de escolaridade, aproximadamente 93% da população tem condições de se comunicar por meio da linguagem escrita, facilitando a implantação do projeto de EA.
Quando analisado o índice de matrícula escolar pode-se observar que o maior número de escolares na faixa etária de 0 a 14 anos são os residentes na área 1, fato que se justifica pela proximidade com a Rodovia do Xisto onde passa o transporte escolar. Outro fato importante é o déficit de vagas em instituições públicas municipais, cerca de 75% para creches e 58% para a pré-escola.
A carência quanto aos níveis de escolaridade e a falta de qualificação profissional resultam no cenário socioeconômico observado, tendo em vista que apenas 19% dos moradores possuem vínculo formal de trabalho, enquanto a média da população brasileira é de 49,7%.
Os níveis de instrução e de trabalho, assim como a renda per capita de uma população apresentam impactos consideráveis nas características sociais, econômicas e demográficas da população. Portanto, a identificação do perfil educacional da população economicamente ativa e da renda média domiciliar é essencial para se conhecer a realidade e orientar políticas públicas que aprimorem as condições de vida da população.
Outro fator preponderante na análise das condições de vida de uma população está relacionado ao atendimento dos serviços básicos de infraestrutura domiciliar e de serviços básicos de saneamento. A exemplo do indicador de habitação que, segundo Martinelli e Braga (2014), pode ser apontada, entre outros fatores, pelo fato de constituir-se no primeiro ponto de contato cotidiano entre os seres humanos e o ambiente.
A média de moradores por domicilio na CRQ Vila Esperança é de aproximadamente 4 pessoas, enquanto a média nacional é de aproximadamente 3,03 moradores por domicílio.
Entretanto, segundo o levantamento feito pela PML, há casas de 4 cômodos na comunidade que abriga famílias de até 9 pessoas.
4.1.2 Aspectos Sanitários
Quanto ao atendimento da população da CRQ Vila Esperança, em relação ao abastecimento de água tratada, por rede geral, apesar do atendimento pela companhia de saneamento, verifica-se que nem todas as residências são atendidas, devido à falta de infraestrutura de instalações sanitárias, panorama que aponta para a necessidade de adequação das moradias.
Panorama que se agrava ao se analisar as condições de atendimento de esgotamento sanitário, com falta de infraestrutura de instalações sanitárias e de sistemas de coleta, tratamento e disposição de efluentes.
A destinação inadequada do esgoto doméstico é um problema que afeta boa parte da população brasileira, segundo o IBGE, em 2014 cerca de 27,4% das residências brasileiras não tinham seus efluentes coletados por rede de esgotos. No município da Lapa aproximadamente 74% dos efluentes gerados são tratados.
Ao analisar e comparar o índice de atendimento da população da CRQ Vila Esperança aos dados nacionais e municipais pode-se perceber que a destinação dos efluentes domésticos representa uma grande preocupação, tendo em vista que 100% das residências não os dispõem de forma adequada, representando potencial risco de saúde pública e ambiental.
Com relação aos resíduos sólidos, a destinação inadequada, propiciada pela falta de condições verificou-se que cerca de 38% das famílias destinam todo o resíduo sólido produzido por meio da queima, enquanto o restante das famílias destina parte do lixo para coleta e a outra parte também é queimada. Os moradores não têm o habito de separar o lixo para reciclagem.
A coleta pública é feita uma vez por semana, segundo relatos dos moradores, porém, o caminhão acessa apenas a área 1, devido a topografia e condições de infraestrutura inapropriadas nas demais áreas. Também não foram observadas a presença de lixeiras individuais e coletivas na região. Tais situações corroboram para a destinação dos resíduos de forma inadequada.
Por meio da aplicação dos indicadores em saneamento, propostos por Miranda e Teixeira (2002), é possível confirmar a situação preocupante em relação ao acesso da comunidade aos serviços. A avaliação é apresentada no QUADRO 25.
QUADRO 25: Avaliação dos indicadores em saneamento esgotamento sanitário e parte da população não é atendida por abastecimento de água;
Prioridade de investimentos em atividades de melhoria, gerando postos de trabalho
muito desfavorável
inexistência de investimentos e redução de postos de trabalho;
Existência de formas de avaliação dos sistemas urbanos de água e esgoto pela população
Segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento (IPARDES), em 2015, ocorreram 320 óbitos no município da Lapa, sendo as doenças do aparelho circulatório a maior causa, correspondendo a 74 casos. A segunda maior causa de óbitos é por neoplasias, com 72 casos, seguida por doenças do aparelho respiratório, com 58 casos (IPARDES, 2017).
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde do município, de janeiro a setembro/2016, foram notificados 39 casos supeitos de dengue e um caso de zika no município. Também foram notificados 16 casos de leptospirose, sendo que destes uma morte é suspeita. No mesmo período foram notificados 5 casos de óbito infantil (LAPA, 2016).
4.1.4 Aspectos Ambientais
4.1.4.1 Características climáticas
O clima da região é caracterizado como subtropical/mesotérmico brando, variando com verões quentes e invernos com geadas fortes. Levantamentos elaborados pelo Sistema Meteorológico do Paraná (SIMEPAR), por meio de dados da estação meteorológica do município, registraram que a temperatura média máxima corresponde a 19,34ºC enquanto a mínima é de 17,64ºC, resultando em uma temperatura média anual de 14,64ºC, conforme apresentado na FIGURA 43.
A média anual de umidade relativa do ar é de 86,7% e a precipitação registram 1410 mm, sendo que deste total 61,5% estão concentrados nos meses de primavera e verão e os outros 38,5% nos meses de outono e inverno (PML, 2015).
FIGURA 43: Evolução das temperaturas máximas e mínimas no município da Lapa – PR segundo SIMEPAR, adaptado
FONTE: PML (2015).
4.1.4.2 Características de uso e ocupação do solo
A CRQ Vila Esperança situa-se entre áreas consideradas urbanas e áreas rurais, conforme apresentado na FIGURA 44.
A Área 1 da CRQ Vila Esperança encontra-se no perímetro urbano, considerado como Zona Residencial de Baixa Densidade (ZBD). Para estas áreas, devido às características topográficas e de vegetação, bem como à presença de nascentes e à proximidade com a área de manancial, está previsto a urbanização controlada, de baixa densidade e uso predominantemente residencial. A área mínima dos lotes é de 1.200 m²e a taxa máxima de aproveitamento não deve ultrapassar 20%. As áreas 2 e 3, para efeitos de planejamento, são consideradas áreas rurais (PML, 2014).
FIGURA 44: Mapa de zoneamento do distrito de Mariental FONTE: Adaptado de PML, Plano Diretor Municipal (2014).
4.1.4.3 Áreas de interesse ambiental
A região de Mariental, distrito onde está localizada a Vila Esperança, encontra-se em Áreas Estratégicas de Conservação, conforme determina a Resolução Conjunta N° 005/2009 da Secretaria de Estado e Meio Ambiente (SEMA) e Instituto Ambiental do Paraná (IAP), conforme demonstrado na FIGURA 45. Por meio da referida Resolução ficam estabelecidas as áreas Estratégicas para a Conservação e Recuperação da Biodiversidade no Estado do Paraná (PARANÁ, 2009).
FIGURA 45: Mapa de áreas prioritárias de conservação do Município da Lapa FONTE: Adaptado de PML, Plano Diretor Municipal (2014).
A região em estudo está sobre área estratégica para recuperação (ITCG, 2010), as quais são consideradas essenciais para a manutenção dos fluxos biológicos, para a formação de corredores ecológicos e manutenção da estabilidade física do ambiente. Para os proprietários de imóveis localizados nestas áreas a SEMA e o IAP devem estabelecer atendimento prioritario em processos de avaliação e licenciamento ambiental (PARANÁ, 2009).
Na área em que está localizada a CRQ Vila Esperança identifica-se a presença de mata nativa com prevalência de Araucarias.
4.1.4.4 Hidrografia
O município da Lapa está inserido na bacia hidrográfica do Alto Iguaçu, compreendendo 3,8% desta bacia. A área de implantação do projeto está inserida na bacia do Arroio Caxambeva, conforme demonstrado na FIGURA 46, que desagua no rio da Barra e alimenta a bacia do rio Iguaçu.
FIGURA 46: Mapa hidrográfico da região em estudo FONTE: Adaptado de PML (2015).
Na FIGURA 47 é demonstrada a proximidade das nascentes e cursos d’água do Arroio Caxambeva com a área de ocupação da CRQ Vila Esperança, bem como a delimitação das áreas de Preservação Permanente (APP) das faixas marginais, conforme disposto na LEI N ° 12.651 de 25 de maio de 2012.
FIGURA 47: Localização do Arroio Caxambeva e delimitação da APP na área em estudo FONTE: Adaptado de SANEPAR.
4.1.4.5 Geologia
O município da Lapa ocupa porções do Primeiro e do segundo Planalto Paranaense.
Cerca de 10% do território municipal, porção do extremo leste, região onde encontra-se a CRQ Vila Esperança, situa-se na área de abrangência do Primeiro Planalto, também denominado Planalto de Curitiba. As principais unidades litoestratigráficas que compõem o território municipal correspondem aos sedimentos paleozoicos da Bacia do Paraná, Grupo Itararé (PML, 2015).
Em relação ao relevo, a região em estudo apresenta um gradiente de 81,13 m com altitudes variando de 990,41 a 909,28 m. Segundo o MINEROPAR a região pode apresentar gradientes de até 680 metros com altitudes variando entre 560 e 1240 m. As formas predominantes são topos alongados e aplainados, vertentes convexas e vales em “V”
(MINEROPAR, 2006).
Quanto ao tipo de solo, a região encontra-se entre áreas com predominância de Latossolo e Cambissolo, conforme demonstrado na FIGURA 48. Os cambissolos são solos medianamente profundos, cujo potencial agrícola depende das condições ambientais, como a natureza do substrato rochoso e o regime hídrico (PML, 2015).
FIGURA 48: Mapa de solos da região em estudo FONTE: Adaptado de PML, Plano Diretor Municipal (2015).
Os Latossolos Vermelhos apresentam essa coloração devido aos altos teores de óxidos de ferro presentes no material originário. As características de cor, textura e estrutura nestes solos são uniformes em profundidade, além do que são muito porosos. Tais características propiciam condições adequadas para um bom desenvolvimento radicular em profundidade (EMBRAPA, 2017).