• Nenhum resultado encontrado

Volume II Parte II Trabalho de Campo

Capítulo 5 – Metodologia Adotada

5.1 Pergunta de partida e objetivos

A opinião sobre o envolvimento das Crianças e dos Jovens na Mediação Familiar nos casos de separação ou divórcio dos pais, através da sua Audição, não é unânime. Na verdade, como vimos na contextualização teórica deste trabalho a questão continua a suscitar acérrima controvérsia quer do ponto de vista técnico, quer académico, onde os assuntos do foro jurídico, social e cultural se colocam com grandíssima acuidade. Pelas características que o tema em análise encerra, pela recente introdução da Mediação Familiar em Portugal Continental bem como na Região Autónoma da Madeira, como método alternativo de resolução de litígios na Família e, ainda, pela escassa ou inexistente abordagens académicas nacionais acerca da problemática, facilmente se depreende que estamos na presença um campo estudo com relevante pertinência científica, tanto no domínio das Ciências Sociais, em geral, como da Sociologia, em particular. Esta pertinência, que nos parece inequívoca, decorre igualmente da importância que comportam os trabalhos no âmbito da Intervenção na Família em processo de rutura de casal e do entendimento e conceção de estratégicas essenciais ao questionamento, melhoramento, sugestionamento e implementação de novas orientações políticas nacionais e regionais promotoras do bem-estar famíliar global em geral e do subsistema filial em particular.

A pesquisa intitulada “Audição de Crianças e Jovens na Mediação Familiar nos

Casos de Separação e Divórcio – um estudo do ponto de vista dos Mediadores

Familiares da Região Autónoma da Madeira”, foi realizada no contexto geográfico e

profissional desta Região Autónoma (Madeira e Porto Santo). Mesmo antes de falarmos da Investigação propriamente dita, convirá aqui referir quão importantes e determinantes foram, numa fase anterior à sua condição de Projeto, as discussões suscitadas e calorosamente experienciadas entre colegas do I Curso de Mediação Familiar ministrado pelo Instituto Português de Mediação Familiar na RAM, iniciado em 2004 e concluído em 2005/6? a propósito do tema; os contactos exploratórios posteriormente efetuados com individualidades com inequívocos conhecimentos teórico-práticos no domínio da Mediação Familiar e do Direito de Família e Menores (para uma melhor identificação com tema e a reflexão sobre a sua respectiva pertinência

172 científica) designadamente: a Presidente do Instituto Português de Mediação Familiar, Dr. Maria Saldanha Pinto Ribeiro; o Dr. Norberto Martins, Procurador da República; e o Dr. Mário Rodrigues da Silva, Juiz Presidente do Tribunal Família e Menores do Funchal. Foram igualmente determinantes neste processo todo um conjunto de leituras exploratórias a respeito do assunto e, ainda, as incursões levadas a cabo na Região a fim de avaliar a viabilidade da consecução da investigação e, naturalmente, as possibilidades práticas da recolha e qualidade dos dados.

Assim, e já numa fase posterior à elaboração e aprovação do Projeto de Investigação, direccionámos a nossa total disponibilidade e intenção em inquirir os Mediadores Familiares da Região Autónoma da Madeira acerca do Tema. Foi desde logo nossa preocupação conhecer o número exacto de Mediadores existentes na RAM suscetíveis de serem questionados (n=32), todos formados pelo Instituto Português de Mediação Familiar em dois momentos ou contextos formativos distintos, mais concretamente nos períodos compreendidos entre 2004/2006? e 2006/ 2007/8?

Neste sentido, foi, numa primeira instância, nosso desígnio procurar saber: Qual a

perspetiva dos Mediadores Familiares da Região Autónoma da Madeira acerca da Audição de Crianças/Jovens nos processos de Mediação nos Casos de Separação/Divórcio dos Pais? E na sequência desta pergunta, previamente avaliada no

que concerne às suas qualidades de clareza, exequibilidade, pertinência, conforme preconizam Quivy & Campenhoudt (1992), mas suficientemente geral e pouco estruturada, para permitir a exploração de todos os caminhos (Amaro, 2008), foram definidos como objetivos do estudo os seguintes:

Geral

Conhecer qual a importância atribuída pelos Mediadores Familiares da Região Autónoma da Madeira à Audição de Crianças/Jovens nos processos de Mediação Familiar nos Casos de Separação/Divórcio dos Pais.

Específicos

a) Proceder à caracterização do perfil sociodemográfico, académico e profissional dos Mediadores Familiares da Região Autónoma da Madeira (RAM).

173 b) Conhecer a perspetiva dos Mediadores Familiares da RAM sobre o que deve ser

o bem-estar das crianças/jovens no seio da Família;

c) Saber de que modo os Mediadores Familiares da RAM analisam os conflitos conjugais nos dias de hoje e que razões apontam para a ocorrência de situações de separação/divórcio.

d) Conhecer, na perspetiva dos Mediadores Familiares da RAM, que consequências sociais e familiares estão associadas aos casos de separação/divórcio e de que forma é que nestas situações de rutura familiar o Superior Interesse das crianças e dos jovens pode ser garantido.

e) Saber, na ótica dos Mediadores Familiares da RAM, a partir de que etapa do seu desenvolvimento estão as crianças e os jovens capacitados para emitir opiniões no seio da Família e sobre que assuntos;

f) Avaliar a ideia que os Mediadores Familiares da RAM possuem dos divórcios/conflitos familiares resolvidos em Tribunal e a opinião que os mesmos profissionais têm acerca dos contributos que a Mediação Familiar pode dar na resolução de litígios nos casos de separação/divórcio de casais com filhos. g) Conhecer como é que os Mediadores Familiares da RAM perspectivam

idealmente a Mediação Familiar em termos da sua organização e funcionamento e que condições gostariam os mesmos de desfrutar na Região para exercer a sua atividade profissional.

h) Averiguar como é que os Mediadores Familiares da RAM percepcionam o Superior Interesse das crianças e dos jovens na Mediação Familiar nos casos de separação/divórcio dos pais e perspectivam a participação dos filhos no Processo.

i) Averiguar a opinião que os Mediadores Familiares da RAM possuem sobre a Audição de crianças e dos Jovens em Tribunal nos casos de separação/divórcio dos pais e conhecer, na perspetiva dos mesmos profissionais, de que forma é que o “Direito dos Filhos à Opinião” pode ser assegurado/concretizado na Mediação Familiar.

j) Conhecer a opinião dos Mediadores Familiares da RAM acerca da Audição de Crianças/Jovens na Mediação Familiar em contexto de separação/divórcio dos pais.

174

Documentos relacionados