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TÓPICO 3 – INSALUBRIDADE

2.1 PERICULOSIDADE

A CLT menciona em seu art. 193 que as atividades ou operações perigosas são consideradas, aquelas que, por natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado.

São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado.

Saliba e Corrêa (2009) destacam que nesta definição, foram determinados três pressupostos para a configuração da periculosidade:

• contato com inflamáveis e explosivos;

• caráter permanente;

• em condições de risco acentuado.

A NR-16 da Portaria n° 3.214 estabelece as atividades e operações em condições de periculosidade com inflamáveis e explosivos, bem como as áreas de risco.

Outro fator gerador de periculosidade é o contato com energia elétrica, instituído pela Lei n° 7.369/85, que para tal instituiu o adicional de periculosidade.

Essa lei foi regulamentada pelo Decreto n° 93.412, de 14 de outubro de 1986, estabelecendo as atividades em condições de periculosidade e áreas de risco.

NOTA

NOTA

TÓPICO 3 | INSALUBRIDADE

Saliba e Corrêa (2009) explicam que, posteriormente, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) instituiu o adicional de periculosidade para as atividades ou operações que envolvem radiações ionizantes e substâncias radioativas, por meio da Portaria nº 3.393, de 17 de dezembro de 1987, instrumento este, no entanto, considerado ilegal por alguns profissionais da área jurídica – vez que o direito de recebimento do adicional foi criado por uma Portaria.

O art. 193 da CLT (§ 1º) estabelece que o valor do adicional seja de 30% sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações ou participações nos lucros da empresa, podendo o empregado optar pelo adicional que porventura lhe seja devido (art. 193, § 2º).

Portanto, os adicionais de insalubridade e periculosidade também não podem ser cumulativos, devendo o empregado fazer a opção.

FIGURA 7 – ATIVIDADES QUE GERAM PERICULOSIDADE

NOTA

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3 PERÍCIA TÉCNICA DE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE

O art. 189 da CLT define que operações insalubres são aquelas que expõem os empregados a agentes nocivos à saúde acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos. Já as operações periculosas são as atividades ou operações perigosas, sendo aquelas que, por natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado.

A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade são feitas por perícia a cargo do Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho, conforme art. 195 da CLT. A perícia poderá ser feita pelo médico ou pelo engenheiro, tanto para constatar a insalubridade como para a periculosidade quando não for necessário o conhecimento específico de um dos profissionais ou de outro.

Art. 195. (...).

§ 1º É facultado às empresas e aos sindicatos das categorias profissionais interessadas requererem ao Ministério do Trabalho a realização de perícia em estabelecimento ou setor deste, com o objetivo de caracterizar e classificar ou delimitar as atividades insalubres ou perigosas.

§ 2º Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por empregado, seja por sindicato, em favor de grupo de associados, o juiz designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não houver, requisitará perícia ao órgão competente do Ministério do Trabalho.

(...).

Portanto, a perícia visando à caracterização da insalubridade é obrigatória, podendo ser extrajudicial ou judicial.

O parágrafo 1º deste artigo da CLT concede às empresas e aos sindicatos a faculdade de requererem ao Ministério do Trabalho e Emprego a realização de perícia em estabelecimentos ou setor deste, com o objetivo de classificar ou delimitar as atividades insalubres.

Nesse sentido, Vieira (2002) destaca que o laudo pericial é o relato escrito e formal que o perito envia à autoridade que o nomeou. A razão da realização da perícia é a necessidade que tem a autoridade de ser elucidada sobre um determinado fato jurídico. Desta forma, o objetivo básico de todo o laudo é o de fornecer esclarecimentos a quem o solicita.

NOTA

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Portanto, de forma clara, deve ser elaborado, fornecendo informações objetivas, sobre fatos de natureza técnica, não dominados pelo juízo.

A estrutura do laudo deve obedecer a certa ordenação, que possui as seguintes partes: preâmbulo, histórico, descrição, discussão, conclusão e resposta aos quesitos, explicados a seguir, conforme Vieira (2002):

• Preâmbulo: no preâmbulo o perito fará sua apresentação declinando o seu nome. A seguir, explicita o motivo da perícia, citando o processo e as partes envolvidas.

• Histórico: nesta etapa, devem ser narrados todos os antecedentes importantes para elucidar o laudo, como, os cargos e funções exercidos pelo reclamante e outras circunstâncias relacionadas à perícia.

• Descrição: é a parte central da perícia; sobre ela estarão assentadas todas as demais partes do laudo:

a) Local de trabalho: será descrito em suas dimensões, tipo de construção, piso, cobertura, abertura, luminárias, distribuição de máquinas e equipamentos, assim como as condições gerais de higiene e limpeza;

b) Descrição do trabalho: deverá ser feita de forma completa e ordenada das tarefas e atribuições exercidas. A descrição deve, basicamente, responder às seguintes questões: O que se faz? Como e com que se faz? E para que se faz?

A sequência lógica das tarefas realizadas, destacando fatores como esforço físico, complexidade e tempo de execução, que são importantes para definir as condições de risco profissional a serem posteriormente descritas. As tarefas devem ser expressas iniciando a frase com o verbo no infinitivo. Assim, a descrição das tarefas de um açougueiro poderá ser:

• examinar as peças de carne recebidas, verificando sua qualidade e quantidade;

• transportar as peças de carne para a câmara frigorífica, para evitar sua deterioração;

• dividir a carne em partes menores, utilizando-se de serra de fita e facas, para facilitar a venda ao público.

Ao final da descrição das tarefas, deve-se citar se o autor usava equipamentos de proteção individual.

c) Descrição do processo operacional: descrição do local e do trabalho. Esses dados são obtidos com os operadores e supervisores, e não deixar de ter seus nomes citados no preâmbulo. Pode-se anexar fotos, plantas baixas ou desenhos para elucidar a descrição.

d) Descrição dos riscos do trabalho: a descrição dos riscos ocupacionais está assentada nos princípios da higiene do trabalho. Isto é, conhecendo o local de trabalho, as tarefas exercidas e o processo operacional, está o perito munido das informações necessárias para reconhecer, avaliar e verificar os controles, se existentes, dos riscos ocupacionais. Desta forma, poderá formar sua convicção, sobre o potencial que os riscos analisados detêm, de causar danos à saúde ou integridade física do autor. Reconhecendo o risco, este poderá ser avaliado de forma qualitativa ou quantitativa. A análise qualitativa verificará a presença do

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agente, os meios de contato, as vias de penetração e o seu potencial de causar dano ao trabalhador. Nesta avaliação, o tempo de exposição e os meios de proteção coletiva e individual existentes são detalhados. A análise quantitativa ocorre com os riscos para os quais possuímos meios para quantificá-los por meio de equipamentos e técnicas especializadas. Os equipamentos e técnicas empregados devem ser devidamente descritos conforme prevê a legislação, no item 15.6 da NR-15.

• Discussão: é a parte do laudo em que o perito apresentará a fundamentação científica existente dos riscos à saúde ou à integridade física do trabalhador, descritos no item anterior. O perito apresentará sua opinião e poderá transcrever ensinamentos de autoridades científicas no assunto, reforçando-a. Além disso, poderá fazer comparações e analogias entre o risco encontrado no ambiente de trabalho e não citado na legislação com outro assemelhado, que nela está contido.

• Conclusão: deve sempre oferecer um embasamento legal às evidências técnicas da existência do risco. Caso não exista na legislação tal embasamento, concluirá o perito pela existência dos riscos à saúde ou integridade física do trabalhador.

Cabe ao julgador a aplicação da lei; portanto, a conclusão pericial, mesmo calcada em embasamento técnico-científico, que poderá ou não ser acolhida.

• Respostas aos quesitos: os quesitos formulados pelas partes ao perito devem ser respondidos sempre com os advérbios “sim” e “não”, explicitando as respostas de forma sucinta, quando necessário. Para que possa responder de forma adequada, o perito deverá antes da diligência, ler cuidadosamente os quesitos formulados e anotá-los. Assim, durante a realização da vistoria ao local de trabalho e da entrevista com os circunstantes, poderá colher todos os dados que interessam, para elaborar as respostas. Este procedimento não deve deixar dúvidas quanto ao embasamento técnico das respostas, ao mesmo tempo em que as torna objetivas para o julgador e as partes.

O perito deverá encaminhar o laudo datado e assinado ao Juiz, com uma petição em que solicitará seus honorários. O laudo deve ser encaminhado em quatro vias. Uma ficará com o perito, como recibo, depois de protocolada na secretaria do Juízo. As outras são encaminhadas, uma aos autos e as outras duas a cada uma das partes. Após, as manifestações das partes, novos quesitos poderão ser formulados, para que alguns pontos que estejam ainda não claros sejam elucidados pelo perito.

ARRUMAÇÃO DE LIXO EM CONDOMÍNIO DÁ DIREITO A ADICIONAL DE INSALUBRIDADE

A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou recurso do Condomínio Residencial América do Sul contra decisão regional que havia concedido adicional de insalubridade a zelador que fazia o recolhimento e arrumação de lixo dos moradores.

LEITURA COMPLEMENTAR

TÓPICO 3 | INSALUBRIDADE

O empregado dedicava-se à organização do lixo produzido num condomínio de 288 apartamentos e 900 moradores. Segundo o laudo pericial, de hora em hora o zelador colocava em tambores o lixo deixado e espalhado pelos residentes e, após o recolhimento dos resíduos pelo serviço de coleta, ele, três vezes na semana, lavava os tambores e o piso destinado ao armazenamento dos dejetos.

A sentença de primeiro grau concedeu e o Tribunal Regional da 9ª Região (PR) confirmou o direito do zelador em receber o adicional de insalubridade, pela tarefa realizada ser semelhante à exposição ao lixo urbano, este definido como insalubre pelo Anexo XIV, da NR-15 do Ministério do Trabalho.

O condomínio recorreu ao TST contra a decisão regional, alegando que o acórdão do TRT afrontava a Orientação Jurisprudencial nº 4 da SBDI-1, segundo a qual desconsidera como atividades insalubres a limpeza em residências e escritórios e a respectiva coleta de lixo, sendo necessário o enquadramento da tarefa na classificação de atividades insalubres elaborada pelo MT.

O ministro relator do recurso enviado à Turma, Márcio Eurico Vitral Amaro, confirmou o entendimento declarado pelo TRT e ressaltou em seu voto que as condições verificadas no laudo expressavam sim uma equiparação à atividade dos trabalhadores municipais na coleta de lixo urbano, não havendo que se falar em contrariedade à OJ n° 4, como alegado pelo condomínio. "Noutras palavras, seja pela constância com que o reclamante lidava com o lixo, expondo-se, evidentemente, a riscos biológicos, como constatados, segundo o acórdão recorrido, pela prova pericial, seja pelo volume de lixo (produzido por cerca de 900 moradores de 288 apartamentos), e não de mera limpeza em residências e a respectiva coleta de lixo.

Assim, não há que falar em contrariedade à OJ nº 4, estando a decisão recorrida, ao contrário, em consonância com o aludido verbete", disse o ministro.

FONTE: REVISTA PROTEÇÃO. Arrumação de lixo em condomínio dá direito ao adicional de insalubridade. 2009. Disponível em: <http://www.protecao.com.br/site/content/noticias/noticia_

detalhe.php?id=AAy J>. Acesso em: 25 ago. 2010.

FONTE: Disponível em: <http://www.act.gov.pt/(pt-PT)/

CentroInformacao/SinalizacaoSeguranca/Aviso/Paginas/default.

aspx>. Acesso em: 3 nov. 2010.

FIGURA 8 - RISCOS BIOLÓGICOS (SIMBOLOGIA)

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você viu que:

• Insalubridade pode ser definida como uma atividade que expõe o trabalhador a agentes nocivos à sua saúde, acima dos limites de sua tolerância.

• Para a configuração da insalubridade, são necessários alguns requisitos como exposição permanente a agentes insalubres, inspeção do local de trabalho acima dos limites de tolerância de exposição aos agentes nocivos.

• O art. 192 da CLT estabelece que o exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância fixados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, assegurada a percepção do adicional respectivamente de 40%, 20% e 10% do salário mínimo da região, segundo se classifiquem nos graus máximo, médio e mínimo.

• O adicional de periculosidade é instituído para as atividades ou operações que envolvem radiações ionizantes e substâncias radioativas. O valor do adicional é de 30% sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações ou participações nos lucros da empresa.

• A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade são feitas por perícia a cargo do Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho.

AUTOATIVIDADE

1 O significado de prejudicial à saúde, nocivo, inadequado à vida refere-se à:

( ) insalubridade.

( ) periculosidade.

( ) proibido.

( ) negativo.

2 Quais as condições que caracterizam a insalubridade?

( ) Energia elétrica.

( ) Agentes físicos.

( ) Explosivos.

( ) Agentes químicos.

( ) material inflamável ( ) Ruído.

3 Qual o percentual do adicional de periculosidade adotado pela CLT?

( ) 20%.

( ) 10%.

( ) 30%.

( ) 40%.

4 Os principais pressupostos da periculosidade são o contato com inflamáveis e explosivos, de caráter não permanente e em condições de risco acentuado.

( ) Verdadeiro.

( ) Falso.

5 Quem é o responsável pela caracterização e classificação da periculosidade e insalubridade?

( ) Ministério do Trabalho.

( ) Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho.

( ) Técnico de Segurança do Trabalho.

( ) Perito do Ministério do Trabalho.

6 O laudo pericial deve ser feito de maneira imparcial, não podendo o perito opinar ou apresentar seu parecer, devendo apenas relatar o ambiente físico da empresa.

( ) Verdadeiro.

( ) Falso.

7 Qual a finalidade da perícia?

( ) Auxiliar os sindicatos.

( ) Elucidar sobre um determinado fato jurídico.

( ) Realizar um exame completo, conforme solicitado pela NR-7.

( )Ajudar a empresa a identificar atividades que geram insalubridade e periculosidade.

UNIDADE 2 SAÚDE OCUPACIONAL

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

PLANO DE ESTUDOS

A partir desta unidade você será capaz de:

• compreender a finalidade do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO;

• verificar os exames exigidos pela NR-7;

• promover ações voltadas à educação em saúde ocupacional.

Esta unidade está dividida em três tópicos, sendo que em cada um deles você encontrará atividades que o(a) ajudarão a fixar os conhecimentos adquiridos.

TÓPICO 1 – POLÍTICA DE SAÚDE OCUPACIONAL TÓPICO 2 – EXAMES EXIGIDOS PELA NR-7

TÓPICO 3 – EDUCAÇÃO EM SAÚDE OCUPACIONAL

TÓPICO 1

POLÍTICA DE SAÚDE OCUPACIONAL

UNIDADE 2

1 INTRODUÇÃO

A Norma Regulamentadora NR-7, hoje denominada Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, é parte constante da Portaria nº 3.214, de 08 de junho de 1978 do Ministério do Trabalho.

A Política Nacional da Saúde do Trabalhador é uma política formada com os movimentos de vários trabalhadores e sindicalistas que lutam por melhorias.

Muitos trabalhadores, muitas reformas, discussões e conferências a cerca de uma democratização e de uma defesa pública. O Ministério da Saúde tem como objetivo de programar a Política de Notificação de Acidentes e Doenças no Trabalho.

Este capítulo apresentará o surgimento da política de saúde ocupacional, o conceito e finalidade do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e a política de saúde ocupacional.

2 CONTEXTO DO SURGIMENTO

Em 27 de julho de 1972, com o Decreto Lei nº 3237 e com a obrigatoriedade do SESMT nas empresas, foi dado o primeiro passo para a criação de um programa de prevenção de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Este decreto foi reforçado com a elaboração das normas regulamentadoras no ano de 1978, de acordo com seus anexos, em especial a NR 7.

A versão original das NRs desobrigava pequenas empresas ao cumprimento do que determinava a legislação pertinente, permitindo que as empresas se agrupassem e constituíssem um SESMT para atendimento das mesmas.

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