3.1 Modelos Explicativos
A equipa de Lawton, do Centro Geriátrico de Philadelphia, propõe um modelo ecológico, em que expande a equação de Lewin
(1951), acrescentando-lhe a variável de interacção da pessoa com o ambiente, assim: B = f(P, E, PxE). Os aspectos que predizem a adaptação ambiental dos idosos são, a sua competência individual e a pressão exercida pelo meio (Lawton e Nahemow, 1973). Os traços da pessoa, têm a ver com a competência, definida como o limite teórico máximo da capacidade do individuo para funcionar, nas áreas de saúde biológica, sensação-percepção, comportamento motor, e cognição. 0 meio ambiente é conceptualizado, em termos das exigências que faz das capacidades sociais e físicas dor indivíduos, quer do ponto de vista real, quer subjectivo: a pressão alfa do mundo real e a pressão beta do mundo percebido. As exigências excessivas do meio, em relação às competências, provocam resultados negativos e stress, e as exigências inadequadas levam à perda de competências, por falta de uso. O ambiente ideal seria o que fizesse apelo ao uso pleno das capacidades residuais do indivíduo; ''a zona de desempenho potencial máximo". De acordo com a hipótese de "docilidade ambiental", quanto menor é o nível de competência dos indivíduos, mais os factores do ambiente influenciam o comportamento. O indivíduo mais competente suporta uma maior pressão do meio.
Na sequência de várias críticas que este modelo de competência-pressão sofreu, nomeadamente de Carp (1984)» Lawton fez uma revisão do modelo e> em 1985, introduziu o elemento de actividade do sujeito, na procura de adequação ao meio ao afirmar: "num processo ecológico primário, a pessoa responde à pressão do ambiente', numa perspectiva mais activa, a pessoa tem necessidades e preferências que a levam a procurar o ambiente que possa satisfazer essas necessidades"
(Lawton, 1985, p. 451), posteriormente, Lawton (1987) apresentou a reformulação do seu modelo, incluindo as noções de proactividade, que confere ao indivíduo a possibilidade de alterar a estrutura social, e não se limitar a sofrer as consequências do ambiente.
Dentro das teorias ambientais do envelhecimento estão ainda outros modelos de Congruência, como o modelo socio-ambiental de Gubrium (1972), que considera a congruência entre as capacidades do indivíduo e as exigências de actividade, que o meio lhe coloca, ou seja, o indivíduo fica mais satisfeito consigo próprio e com as suas condições de vida, quando há congruência entre o que os outros significativos esperam dele, e o que ele pode esperar de si próprio. Há ainda os modelos de Kahana et ai. (1975, 1980), de Kiyaks (1978), de Nehrke et ai.
(1981), todos visando a relação entre as características reais e/ou subjectivas do meio ambiente e da pessoa idosa, para uma adaptação óptima. As investigações de Moos e Lemka (1984) com o MEAP, embora sem proporem nenhuma teoria formal sobre o
ambiente e o envelhecimento, apoiam, através dos seus resultados, a ideia de que as variáveis das pessoas e do ambiente, e a interacção entre elas, são preditivas dos resultados.
No modelo de Victoria Plaza, referido nos diversos trabalhos de Carp ( Carp e Carp, 1984, Carp, 1987), refere-se que os
indivíduos que, antes de serem realojados, tinham personalidades e traços de comportamento congruentes com o meio físico, social e administrativo, se adaptam melhor ao novo meio e, pelo contrário, os indivíduos que anteriormente à mudança eram incongruentes com esse meio, são negativamente afectados por ele.
Carp e Carp (1984), partem dos mesmos pressupostos de Murray (1938), ao considerar que o bem-estar depende da satisfação das necessidades pelo meio. Essas necessidades, organizam-se hierarquicamente, de acordo com o modelo de Maslow (1954). A equação de Lewin é modificada pela introdução de mais um termo, que exprime a congruência entre a pessoa e o ambiente: B ■ f(P, E, PcE).
De acordo com Carp (1987) há dois modelos conceptuais que explicam a relação dos idosos com o ambiente: 1) o Modelo de Efeitos Directos e Indirectos do Ambiente e 2) o Modelo de Congruência/Complementariedade.
considera-se que o meio ambiente objectivo, onde residem os idosos> tem um efeito directo no seu funcionamento, e também um efeito indirecto, canalizado através da percepção da satisfação com o meio. As variáveis do meio, são aspectos do meio específico, relevantes para as características dos seus utilizadores, as variáveis das pessoas são traços relevantes para o meio específico, incluindo as competências, as necessidades, os traços de personalidade, o estilo da vida passada e a idade. Os resultados podem ser modificados por: 1) outras características interpessoais dos utilizadores (sentido de competência pessoal, estilo de lidar com as situações e atitudes relativas à própria saúde); 2) situações extrínsecas
(estado de recursos/privações e apoios sociais); 3) acontecimentos de vida recentes. Os resultados intermediários, são percepções da satisfação com o ambiente e as diferenças individuais no comportamento. Os resultados finais, são a sobrevivência, a independência e o bem-estar.
3.1.1 Modelo de Congruência/Complementaridade de Carp
No Modelo de Congruência/Complementaridade, proposto por Carp e Carp (1984), os autores pretendem englobar vários contributos anteriores, principalmente da área da Psicologia Ambiental, como eles próprios referem, nomeadamente a teoria de campo de Lewin (1951) e a teoria da Pressão/Necessidade de Murray (1938), que são as bases dos modelos que pretendem
explicar as transações pessoas idosas/meio ambiente, e ainda, o citado modelo de Lawton, o de Kahana et ai. (1980) e o de Nerke et ai. (1981 ).
O modelo consiste em duas partes, conforme o nível de necessidades e o tipo de congruência. Na parte I (fig.l)> refere-se a necessidades de baixa ordem de manutenção da vida
("life-maintenance needs: LM"). As características da pessoa (P) e do ambiente (E) são as que facilitam/permitem/inibem a satisfação de necessidades de baixa ordem, através do desempenho adequado de actividades da vida diária ("activities of daily living: ADLs"), necessárias para continuar uma vida
independente, ou seja, estamos a falar das competências do individuo, e dos recursos/barreiras do meio, relevantes para as ADLs. A congruência é o grau de complementaridade entre esses dois factores. Os componentes de P e E, assumem aqui valências positivas ou negativas, de forma a que maior competência, assim como um ambiente que exerce uma pressão positiva (muitos recursos e poucas barreiras relativas às ADLs), favorece a adaptação, enquanto baixa competência e/ou um meio negativo, dificultam a adaptação. 0 grau de adequação entre o individuo e o meio, explica a restante variância. A adaptação depende da competência de P e das exigências de E, e da sua complementaridade, como por exemplo, no caso de um idoso com dificuldades de visão e um ambiente bem iluminado e bem sinalizado, ou compensação, por exemplo, uma cozinha especial para o desenrolar de actividades em cadeiras de rodas. Este modelo considera as pessoas com baixas
competências e num ambiente pobre» as que estão em maior risco de não poderem manter a sua vida independente.
Fig. 1 Competência da Pessoa -> Complementaridade PcE — > Comportamento : Percepção e
Desempenho das ADLs
. Viver --> Independente . Bem-estar e Saúde Mental . ■. Bem-Estar e Saúde Mental Recursos/ / Barreiras — > do E para ADLs
Modelo de Carp (1984), parte I
Na parte II do modelo (fig. 2 ) , focam-se as necessidades de ordem superior ("higher-order needs: HO") e, de novo, as características de E que facilitam/permitem/inibem a sua satisfação. Aqui o conceito de congruência é a semelhança entre a força das necessidades e a capacidade de resposta por parte do ambiente (recursos do ambiente). As variáveis de P e E não têm aqui, do ponto de vista da adaptação, uma valência positiva ou negativa, ou seja, não é bom ou mau que o indivíduo tenha muita ou pouca necessidade de privacidade, ou que o meio forneça muitas ou poucas possibilidades de privacidade, mas que haja uma semelhança entre as necessidades de privacidade do indivíduo e as possibilidades do meio. As características do ambiente, são aspectos do meio físico e humano que rodeiam o individuo, avaliadas objectiva e
independentemente dos próprios sujeitos. Os preditores dos resultados, nesta segunda parte do modelo, através da semelhança com o E, são as necessidades de ordem superior, e os traços de personalidade, relevantes ao meio ambiente. Os resultados podem ser modificados ou mediados por 1) outras características intrapessoais (sentimento de competência pessoal, estilo de lidar com as situações e atitudes relativas à própria saúde)J 2) as situações extrínsecas, que são o resultado de transações anteriores e actuais entre P e E (estado dos recursos/privações e apoios sociais); 3) os acontecimentos de vida.
Fig. 2
Necessidades de Ordem Superior -->
(HO) de P
Semelhanças PcE --> Acções e Percepções --> das Necessidades de HO kecursos/ Barreiras do --> E a HO Viver Independente Bem-estar e Saúde Mental
Modelo de Carp (1984), parte II
Os resultados intermediários, são percepções e comportamentos, em ambientes relevantes, para cada combinação P E . Os resultados finais, são continuar uma vida independente e o bem-estar das pessoas, que são afectadas pelas duas partes do
modelo ou seja pela competência de P, as exigências do E e a complementaridade-compensação PcE relativas à manutenção da vida e ainda a semelhança PcE relativa às necessidades de ordem superior (HO) e traços de personalidade.
Segundo Carp (1987) as teorias subjacentes a estes dois modelos são as teorias gerais do envelhecimento e as teorias ambientais do envelhecimento. Nas primeiras integra-se a de Erikson (1959), que considera que a tarefa principal da velhice é a aceitação do ciclo de vida e do significado da pessoa nesse ciclo, ou a de Clark e Anderson (1967) que estabelece 5 tarefas para esta etapa da vida: 1) reconhecimento do envelhecimento e definição das limitações consequentes", 2) redefinição do espaço de vida físico e social; 3) substituição das fontes alternativas de satisfação das necessidades; 4) reavaliação de critérios para a auto- avaliação; 5) reintegração de valores e objectivos de vida.
Há ainda toda uma série de teorias sobre o envelhecimento, que se situam em um de dois poios opostos, que são os de considerar o envelhecimento um processo de desapego e afastamento pessoa/meio ambiente (Cummings e Henry, 1961), o que implica que o melhor meio para o idoso seja o que facilita essa separação e um outro extremo que considera esse desapego questionável (Maddox, 1965), ou mesmo causador de uma baixa moral (Lowenthal e Boler, 1965), o que implica que o ambiente seja, pelo contrário, considerado tanto mais favorável quanto mais facilitar a manutenção da actividade e do interesse, por
parte dos idosos. Estas teorias serão discutidas com mais promenor no capítulo VI, quando integrarmos a adaptação ambiental numa questão mais ampla, que se refere à adaptação, no sentido do bem-estar do idoso e do envelhecimento bem sucedido.
3.2 Os Idosos e o seu Ambiente Residencial
Toda a problemática do envelhecimento, na actualidade, passa pela grande opção de segregar os idosos para ambientes protegidos, mais ou menos institucionais, ou criar a possibilidades para que eles possam envelhecer e morrer nas suas próprias casas e ambientes residenciais. Há que ponderar vários aspectos, na abordagem desta questão, desde os factores ligados às capacidades funcionais do idoso, à qualidade objectiva e adequação do seu ambiente residencial e, sem dúvida nenhuma, ao seu sentir, ao seu bem-estar subjectivo. 0 bem-estar e satisfação de vida dos idosos, passa por outros aspectos, além do seu ambiente residencial, dos quais nos ocuparemos mais tarde. De momento, depois de termos acabado de referir alguns modelos conceptuais gerais de adaptação do
idoso ao ambiente, vamos dar relevo ao ambiente residencial do idoso, nas vertentes de residência integrada na comunidade, e adaptação a um meio institucional.
3.2.1 A Ligação do Idoso à sua Casa e Ambiente Residencial.
A questão do ambiente em que residem os idosos> torna-se pertinente, devido a razões de vária ordem, que se prendem com a diminuição das capacidades de adaptação do idoso, tornando-o mais sensível ao meio ambiente. A sua saúde e restrições implícitas impostas ao seu funcionamento, fazem com que o meio se torne um importante elemento facilitador, ou uma barreira para a sua vida.
Numa perspectiva transacional, Werner et ai. (1988), referem os aspectos temporais da casa de cada um, no sentido do seu lar (home), focando três processos gerais pelos quais as pessoas podem estar ligadas às suas casas: 1) os papéis e relações sociais; 2) o livre arbítrio; 3) as práticas de apropriação, que se compreendem em transações dinâmicas envolvendo pessoas, o local e o tempo. Da mesma forma que a colocação da casa no espaço envolvente, seja uma rua, uma praça, ou outra, influencia as relações interpessoais, também a organização e o uso do espaço dentro da casa, apoia diferentes tipos de comunicações e significados para os residentes. As regras sociais indicam os comportamentos apropriados e esperados num dado ambiente, e em tempos determinados, conferindo significado aos ambientes, pessoas e comportamentos. As pessoas também estão ligadas às suas caseis por laços afectivos, podendo ainda atribuir-lhes um valor simbólico, por associação a memórias do passado. As casas
reflectem valores culturais relativos às identidades pessoais e sociais. O conceito de livre arbítrio» indica que os objectos e o meio são percebidos de acordo com a sua função utilitária e significado psicológico e não com as suas características físicas específicas. No caso da casa de cada um, ela adquire um significado psicológico único, para aquela pessoa particular. 0 processo de apropriação, ligação e identidade das pessoas com as suas casas, refere-se ao facto de que a pessoa se apropria do seu meio, porque o controla, o torna familiar, cuida dele, etc, formando uma unidade transacional pessoa/ambiente. Estes processos que ligam as pessoas aos locais, desenrolam-se no tempo, podendo variar de um período da história do individuo para outro. "Os lares contêm qualidades temporais intrínsecas, reflectem relações dinâmicas, fluentes e em mutação, entre as pessoa e os ambientes. Estas relações têm histórias e futuros, bem como um presente, envolvem mudança e estabilidade, recorrência e ritmo." (Werner et ai., 1988, pág.415).
As pessoas vivem num mundo de significados e atribuem significados ao ambiente, afirma Rubinstein (1989) que descreve o processo psicossocial de ligação do idoso à sua casa, e como os idosos enchem a casa de significado. No contexto da relação do indivíduo com a cultura, sublinha-se o significado pessoal, como um nível significativo de análise. As características do ambiente do lar é qualquer elemento com um significado subjectivo, incluindo objecte^, possessões■ mobília, colecções, corredores, quartos, paredes ou rotinas
comportamentais. A casa ganha significado através de três classes de processos psicossociais 1) a ordem sociocultural; 2) o curso de vida; 3) o corpo. 0 processo centrado no social> refere-se ao arranjo do lar, baseado na versão pessoal das regras socio-culturais, relativas a como deve ser e funcionar uma casa. 0 processo centrado na pessoa refere-se a como o curso da vida se manifesta no comprometimento da pessoa com o ambiente. Este processo tem quatro aspectos que são a) a relação, ou a lista completa, ou o conhecimento operante, das diversas características do seu lar; b) a personalização que se refere ao conhecimento básico das características ambientais com significado que corresponde a acontecimentos, propriedades ou projecções da vida de cada um, implicando um nível de envolvimento do indivíduo com o ambiente relativamente distante, com uma diferenciação clara da fronteira subjectiva entre o sujeito e o objecto; c) a extensão, que corresponde por sua vez ao diluir da linha de fronteira entre o sujeito e alguns objectos, o que implica um grande envolvimento do próprio com uma dada característica, que é como que uma parte de si mesmo e, finalmente, d) a ligação ao ambiente, seja ao local, seja aos objectos, incluindo a própria transferência ambiental, com o recriar no ambiente presente as experiências passadas. 0 processo centrado no corpo refere-se à ligação do corpo, como objecto, às características do ambiente, no que o autor aplida de uma texturalização do corpo relativamente a características extra- corporais, como o espaço, a luz, o calor, o ambiente, ou seja a rotina do idoso, nas várias texturas do seu ambiente.
Os idosos referem estes aspectos como constituindo o seu conforto. Todos estes processos permitem ao individuo exprimir e manter o seu eu, para além das mudanças por que possa passar. 0 significado do ambiente para o idoso, no qual está implícito o curso da sua vida, verifica-se através da forma como cada um destes elementos da identidade pessoal se exprime ambientalmente. A construção subjectiva do curso de vida, tem um papel importante no significado que o idoso atribui ao ambiente (Rubinstein, 1990).
0 lar de cada pessoa, como uma unidade holística, sugere a importância de investigar e teorizar sobre o processo que liga os idosos ao seu lar, os problemas da manutenção do idoso na comunidade, o processo de separação que se verifica quando o idoso é institucionalizado, bem como a adaptação a um novo ambiente, a que ironicamente chamamos Lar, mas que no mínimo implica um processo de apropriação, ligação e identidade, relativamente longo, e quantas vezes penoso, até que possa, de facto, ser o "lar" do idoso.
3.2.2 Permanecer em Casa versus Institucionalização Na abordagem das relações da pessoa com o ambiente, há outro aspecto importante a considerar, que tem a ver com os tipos de territórios à disposição dos indivíduos. Altman (1975) propõe uma divisão(em três tipos: a) primário; b) secundário; c) público. Os territórios primários são os que têm um acesso
exclusivo ao próprio indivíduo> o território secundário é o partilhado diferencialmente pelos membros> e o território público é aquele que pode ser partilhado igualmente por qualquer dos indivíduos da comunidade. Os territórios promovem um sentido de familiariedade> permitindo a identidade preditabilidade e continuidade, no fundo a sensação de controlo do meio. 0 comportamento territorial é caracterizado pela posse> controlo e defesa, funciona como um estabelecer de fronteiras entre o indivíduo e o outro, regulando a interacção social. Nós próprios tivemos a oportunidade de observar, com frequência, os comportamentos de territorialidade nas instituições e bairros estudados, e vários autores referem padrões de comportamento espacial que ocorrem associados a um dado território (Altman, 1975; Láwton 1983). Enquanto os territórios primários permitem as actividades de auto- manutenção e intimas, os secundários permitem um leque mais restrito de comportamentos, de natureza menos privada constituindo como que uma ponte entre o público e o privado. Esta distinção é fundamental para o planeamento de estruturas para idosos e vai ser importante para explicar alguns comportamentos, quer dos idosos institucionalizados quer a residir na comunidade.
Kinney et ai. (1987) examinam o modelo ecológico de Lawton (1983) operacionalizando 2 tipos de competências dos indivíduos, a independência comportamental, o alerta mental e as exigências dos três tipos de território explicitados por Altman (1975). Nos lares o território privado pode limitar-se
à cama ou à cadeira de cada um, ou corresponder aos quartos dos residentes, o território secundário é o conjunto das salas de estar de cada andar e finalmente o espaço público é o átrio central do edifício. Os comportamentos estudados foram a posse, o controlo e a defesa. As conclusões deste estudo vão no sentido de verificar que os indivíduos mais independentes manifestavam maior territorialidade, nomeadamente no território privado, não havendo diferenças entre o grupo de idosos dependentes e independentes, relativamente ao espaço semi-público e público. Relativamente ao grau de alerta mental, verificou-se que os indivíduos mais perturbados mostravam mais territorialidade, nomeadamente no espaço público, não havendo diferenças relativas ao espaço privado e semi-público. A conclusão geral, diz-nos que a competência individual medeia a relação entre os territórios definidos arquitecturalmente, e a resposta dos residentes a estes espaços.
0 Modelo Ecológico de Lawton (1985), também explica grande parte do problema com que se deparam os idosos, com perturbações funcionais. Por um lado, as suas incapacidades impõem limites ao seu funcionamento autónomo que, por seu turno, o ambiente em que residem não facilita, obrigando, inúmeras vezes, à adopção de soluções não desejáveis, como seja a institucionalização.
A questão dos cuidados aos idosos tem duas vertentes, uma que prevê que seja a família do idoso, nomeadamente os filhos, que
devem prestar esses cuidados, mantendo o idoso era sua própria casa, ou levando-o a cohabitar com a família e> por outro lado, a expectativa que seja o Estado a assumir essa responsabilidade, criando estruturas que se ocupem dos idosos.
Entre estas duas vertentes há que alargar o leque de alternativas disponíveis e adequadas a cada idoso. Há ainda que ter em consideração os idosos sós e como é que eles lidam com a perda de independência funcional, na ausência de familiares (Woroby e Angel, 1990). Os idosos com poucos filhos ou, os que os têm, mas a viver longe, podem não ter fontes instrumentais imediatas de ajuda e restar-lhes-áo poucas