A Perspectiva Orientada ao Ator (POA) foi desenvolvida por Norman Long e Jan Douwe van der Ploeg, na Holanda, através do Grupo de Desenvolvimento Rural da Universidade de Wageningen, com influências da Antropologia. Essas pesquisas
contribuíram consideravelmente para pensar o desenvolvimento na América Latina. A teoria foi adotada especialmente pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal de Rio Grande do Sul (GONZÁLEZ et al., 2014). As bases teóricas, segundo Long (2007), estão na epistemologia da prática. Além disso, a POA é influenciada pela Teoria da Estruturação, de Giddens (2003) e:
[...] apresenta interface com outras teorias do pensamento social como o marxismo e weberiano. Em relação ao marxismo, esta perspectiva critica a ideia de que as estruturas são dadas aos indivíduos, pois se considera que estas não são fixas, elas são mutáveis e reconstruídas pela capacidade de agência dos atores. Sua relação com o pensamento weberiano está na a utilização dos conceitos-chave de agência e de poder (a partir da teoria de Giddens) que brindaria aos atores a capacidade de fazer a diferença.
(GONZÁLEZ et al., 2014, p. 106).
É identificada, portanto, com a microssociologia, pois busca no cotidiano, no fazer dos agricultores as respostas para compreender as macroestruturas. Como coloca Schmitt (2011, p. 89), encontra-se: “entre o esforço de reconhecimento da diversidade, multilinearidade e multidimensionalidade do desenvolvimento – acompanhada, frequentemente, de uma grande atenção para processos microssociais.” (SCHMITT, 2011, p. 89). Portanto,
Este enfoque considera a necessidade de priorizar o entendimento de como os processos externos influenciam e interagem com os processos endógenos de desenvolvimento, analisando a partir dos atores, de como eles se colocam e reagem diante destes processos. É como entender o micro para poder pensar a influência do macro e não ao contrário, pois a perspectiva não ignora as estruturas, mas admite a agência e o poder de intervenção aos atores.
(GONZÁLEZ et al., 2014, p. 105).
Assim, faz uma crítica tanto à teoria da modernização quanto às marxistas ou neomarxistas. Para Long e Ploeg (2011), essas teorias pecam ao não considerar a capacidade de os atores agirem e reagirem mesmo quando submetidos a situações econômicas, políticas e sociais que os cercam. Segundo Long (2001), essas teorias não observam as práticas auto-organizantes dos indivíduos que habitam, experimentam e transformam o território.
A teoria da modernização consistiria na crença de que há um “movimento progressivo em direção a formas tecnológica e institucionalmente mais complexas e integradas” (LONG; PLOEG, 2011, p. 22). Assim, para alcançar o desenvolvimento, é necessário que haja uma transferência de tecnologias e conhecimentos especialmente para as áreas em que isso encontra-se mais escasso. Ou seja, quando
são consideradas as possibilidades de resistência dos atores, essas são vistas como obstáculos sociais e culturais que devem ser transpostos para que se possa modernizar a agricultura (PLOEG et al., 2000).
Esse paradigma, identificado como liberal, acredita, por fim, na ideia do trickle-down effect (LONG; PLOEG, 2011), ou seja, na possibilidade de que o desenvolvimento se alastra pela sociedade, eventualmente atingindo os produtores mais pobres, “menos desenvolvidos”. Com orientação ideológica oposta, o paradigma marxista ou neomarxista peca porque também não considera os atores como agentes ativos de seu próprio desenvolvimento.
Para os neomarxistas, esse processo de transferência de conhecimentos e tecnologias é parte inerente do sistema capitalista que, em última instância, visa não o desenvolvimento das classes trabalhadoras. Visa, isso sim, a continuidade da reprodução das desigualdades, a abertura de novos mercados, a acumulação progressiva de capital (LONG; PLOEG, 2011). Esse processo está ligado à globalização e à expansão desse sistema, mantendo países e regiões em situação de subordinação. Assim, a modernização da agricultura seria mais uma forma de manter os padrões do capitalismo mundial.
Como identificam Long e Ploeg (2011), esse paradigma tampouco explica os processos de desenvolvimento como eles se apresentam para os atores neles envolvidos. Longe de desconsiderar as influências desses paradigmas, o que os autores propõem é que eles sejam pensados a partir do cotidiano, da adesão ou resistência dos produtores, como agentes ativos nesses processos. Assim,
Ambas as teorias acreditam nos processos de comercialização e mercantilização como os processos orientadores ao desenvolvimento agrário [...] estas teorias estruturais possuem limitações teóricas e metodológicas, pois se apoiam em determinismos, linearidade e hegemonia institucional.
(GONZÁLEZ et al., 2014, p. 104).
Para isso, é importante ainda não ver os atores como indivíduos isolados, em uma abordagem subjetiva, mas como sujeitos que criam redes e conhecimentos.
Ressaltam ainda que esses não apenas reagem, mas ativamente agem para modificar suas realidades. Nesse sentido, é preciso pensar em uma nova forma de ver o desenvolvimento rural. Nenhum dos paradigmas precedentes, “ao que parece, dá atenção suficiente às maneiras pelas quais os grupos e processos locais podem contribuir, e na verdade modificar, os padrões de desenvolvimento regional e nacional”
(LONG, 1994, p. 216).
Segundo Long (1982), a formulação de abordagens teóricas para o estudo do desenvolvimento rural visa atender tipos específicos de problemas. Esses variam desde questões mais gerais, como a transformação da sociedade rural, até investigações mais específicas, a exemplo a influência de um determinado fator na promoção da mudança socioeconômica. Diversos estudos brasileiros têm adotado a POA para a análise de temáticas como a introdução de tecnologias no campo (MEDEIROS; CAZELLA, 2016), a extensão rural (DEPONTI; ALMEIDA, 2012), agroecologia (BULHÕES; SOGLIO, 2009), a diversificação produtiva (LUDTKE, 2016;
LUDTKE; RAMBO, 2014), entre outras.
Entre as questões Ploeg et al. (2000) citam: consequências dos processos de comercialização da agricultura, urbanização e a industrialização; identificação de instituições ou fatores que atuam como inibidores ou facilitadores do processo de desenvolvimento socioeconômico; variação nas reações às oportunidades econômicas dentro de um grupo ou entre grupos, levando a estudos sobre o espírito empresarial e sobre a adoção e difusão de inovações; influência de políticas de desenvolvimento em áreas rurais, examinando os resultados destes programas específicos de desenvolvimento rural; análise da articulação dos sistemas local e nacional, dos mecanismos pelos quais determinadas zonas rurais ligam-se a economia nacional e internacional, o papel e as características dos intermediários de vários tipos, relações entre diferentes modos de produção.
Assim, a teoria pode contribuir para pensar o desenvolvimento rural sob outra perspectiva, trazendo para a discussão os atores e as estratégias por esses acionadas. Para além da visão do paradigma da modernização, que cuja ênfase está na transferência de tecnologias e conhecimentos, a POA possibilita pensar o desenvolvimento como um processo multi-nível, multi-ator e multifacetado, cujas bases se encontram em sua tradição histórica (BESSEN, 2016). Assim,
Os projetos dos atores não são simplesmente atados a cenários estruturais determinados pelo circuito de mercadorias ou por programas de desenvolvimento organizado pelo estado. Mais do que isso, é através das formas pelas quais tais projetos se articulam que particulares “estruturas” são criadas, reproduzidas e transformadas. Somente assim, pode-se chegar a uma completa apreciação teórica e empírica da diferenciada natureza e das transformações da vida agrária (LONG, 2001, p. 231).
Para tanto, como colocam González et al. (2014), é necessário que haja uma sensibilidade do pesquisador, uma capacidade de compreender o ponto de vista dos atores, vistos como agentes de seu próprio desenvolvimento. Schmitt (2011), por sua
vez, afirma que essa teoria vem preencher um vazio deixado pelos paradigmas precedentes que criaram uma dissociação entre o saber acadêmico e o mundo real.
Para a autora, esses não explicavam mais a forma como o neoliberalismo alterou as relações de poder que se colocaram no processo de desenvolvimento rural. Logo,
Long e Ploeg (2011) estabelecem uma conexão da Perspectiva Orientada ao Ator ao paradigma do desenvolvimento rural ao enfatizar que este se externaliza em processos multi-nível, multi-ator e multifacetado, ao estabelecer relações micro e macro, vincular diversos atores (agricultores, agentes de desenvolvimento, empresários, organismos estatais) pela competência dos recursos e ao confrontar diversas questões associadas no meio rural como são: paisagem, conservação dos recursos naturais, agro turismo, produção orgânica, produção de alta qualidade e produtores regionais, o que implica também a reconfiguração do uso dos recursos rurais.
Por tanto a heterogeneidade é uma característica estrutural deste processo [...] (GONZÁLEZ et al., 2014, p. 113).
Ploeg et al. (2000) afirmam que o desenvolvimento rural pode ser caracterizado, portanto, como “multinível”; “multiator” e “multifacetado”. Para a primeira característica, haveriam cinco níveis de análise: 1) As inter-relações globais entre a agricultura e a sociedade: as áreas rurais não oferecem somente alimentos e matérias-primas, mas devem ser reorganizados para encontrar novas necessidades e expectativas; 2) A necessidade de considerar um novo modelo para o setor agrícola a fim de aumentar a diversificação nas propriedades, capaz de aumentar as sinergias entre ecossistemas locais e regionais; 3) Os indivíduos, suas famílias e suas identidades, com destaque para a coordenação e alocação do trabalho dentro da família e o foco em atividades múltiplas. 4) A redefinição da comunidade rural e seus participantes, não mais somente agricultores, mas novos atores e possibilidades que constituem o meio rural. 5) O papel decisivo das políticas e instituições no desenvolvimento rural, devendo caminhar para uma política rural descentralizada, não dirigida apenas à agricultura.
Como segunda característica, multiator, tem-se as instituições envolvidas no processo de desenvolvimento rural, dependentes de seus diversos atores, e suas relações entre o local e global. E a multifacetada, terceira característica, aborda as novas atividades como agroturismo, produção orgânica e produção com diferencial qualitativo (PLOEG et al., 2000). As novas abordagens para o desenvolvimento rural se constroem, portanto, de forma territorial, com raízes na história, na cultura e nos ecossistemas, cujos atores são tratados como verdadeiros agentes do processo de mudança. Assim, valorizam-se os estilos de vida e as formas de vivência que a vida
rural pode assumir (PLOEG et al., 2000). Para esse tipo de análise, a POA tem como vantagem o fato de que:
[...] ela parte de um interesse em explicar respostas diferenciadas a circunstâncias estruturais similares, mesmo que as condições pareçam relativamente homogêneas. Portanto, se presume que os padrões diferenciais que emergem são, em parte, criados pelos próprios atores. Os atores sociais não são vistos simplesmente como categorias sociais vazias (baseadas na classe ou em outros critérios de classificação) ou recipientes passivos de intervenção, mas sim como participantes ativos que processam informação e utilizam estratégias nas suas relações com vários atores locais, assim como com instituições e pessoas externas. (LONG; PLOEG, 2011, p.
24).
Assim, é possível entender, através dessa teoria, de que forma as mudanças nas formas de fazer social surgem no mundo rural. Sobretudo, a ênfase está em compreender como os atores transformam e retransformam as questões estruturais no seu cotidiano. Assim, analisa a forma como “diferentes agricultores (ou categorias de agricultores) definem e operacionalizam seus objetivos e práticas de gerenciamento agrícola com base em diferentes critérios, interesses, experiências e perspectivas.” (BESSEN, 2016, p. 14).
Não se pode explicar as mudanças apenas como o resultado de forças externas, como o Estado ou o mercado, posto que todas “as formas de intervenção externa invadem necessariamente os mundos da vida dos indivíduos e grupos sociais afetados, por isso elas são mediadas e transformadas por esses mesmos atores e estruturas locais” (LONG; PLOEG, 2011, p. 23). Assim, de acordo com Long (2001), para a implementação de políticas de desenvolvimento rural ou para o estudo de sua influência no cotidiano dos produtores é necessária a compreensão de interface social. Isso porque os “diferentes padrões que emergem resultam das interações, negociações e lutas sociais que ocorrem entre os diversos tipos de atores” (LONG;
PLOEG, 2011, p. 24) ou seja, é importante compreender questões relativas à heterogeneidade social e à diversidade cultural.
Há uma diversidade muito grande entre os agricultores no que se refere às estratégias para solucionar problemas enfrentados no dia a dia. Eles criam soluções baseadas no seu conhecimento e nos recursos disponíveis em sua localidade. Porém, muitas vezes, esse conhecimento local é marginalizado pelo conhecimento científico, criando uma esfera de ignorância, na qual os agricultores são tratados como invisíveis em contraste com experts, visíveis e autoritários (LONG, 2001). Através da
Perspectiva Orientada ao Ator é possível a identificação da oposição entre a visão de desenvolvimento dos agricultores e dos agentes externos.
Para Alves (2008), alguns conceitos são necessários à compreensão da Perspectiva Orientada ao Ator. Entre eles, o autor menciona a heterogeneidade do meio rural. Ou seja, mesmo sob condições semelhantes, criam-se diferenciações e essas precisam ser estudadas, assim como os processos sociais que as envolvem.
Isso porque as diferenças podem se reproduzir e se transformar, criando novos padrões no espaço. Sobre essa, Long e Ploeg (2011, p. 34) afirmam:
A heterogeneidade na agricultura implica não só a adoção ou aplicação de modelos agrícolas propostos pelo estado e por outras agências intervenientes, mas também uma ampla gama de modificações, transformações, reações e alternativas ativamente geradas. Essas modificações e reações, assim como a busca de novas estratégias, emergem a partir de estilos de agricultura, práticas agrícolas e relações sociais existentes, as quais simultaneamente reproduzem ou transformam.
Portanto, é preciso não ver a realidade desses atores de forma generalizante, considerando as estruturas comuns, mas também as formas como os atores transformam, modificam, reagem e criam alternativas a essas. Para Villa Verde (2004, p. 32): “Reconhecer, na prática, a expressividade do espaço rural é trazer essa dimensão para o plano operacional, incorporando-a nas análises, nos programas e nos projetos governamentais e não governamentais”.
O segundo conceito considerado por Alves (2008) consiste no conceito de agência, que será melhor trabalhado no segundo subtítulo desse capítulo. Por hora, menciona-se apenas que essa consiste na capacidade reflexiva que o ator tem sobre a sua realidade e o contexto que o circunda. Assim, desenvolve estratégias e conhecimentos com base em seu conhecimento empírico e, também, com a experiência dos outros, sendo capaz de atuar sobre o universo que o cerca (GIDDENS, 2003).
O conceito de agência está intimamente ligado ao de ação social. Essa trata do fato de que a ação nunca é puramente individual, mas se dá em redes de relações entre humanos e não humanos (ALVES, 2008; BESSEN, 2016). Ela se dá na forma como são rotineiramente realizadas as atividades e também nas alterações dessas rotinas. Essas são limitadas por diversos fatores sociais, valores morais e relações de poder que não podem ser simplificados em categorias pré-concebidas (como classe ou etnia), mas devem ser vistas em suas especificidades (LONG, 2002).
Uma tarefa principal dessa análise, portanto, é identificar e caracterizar estratégias e lógicas divergentes de atores, as condições sob as quais elas surgem, sua viabilidade ou efetividade na resolução de problemas específicos e suas consequências sociais. (LONG; PLOEG, 2011, p. 28).
Para Alves (2008), cabe ainda considerar que os valores e significados não se dão em estruturas culturais pré-estabelecidas, mas são adaptados às condições específicas dos atores em seus contextos. Assim, podem-se criar novos padrões culturais. A cultura não é, por tanto, um dado imutável de determinado grupo, mas um processo em transformação constante. Essa questão também será trabalhada no segundo subtítulo desse capítulo, quando a noção de conhecimento é trazida para pensar a capacidade de agência.
O último quesito trazido por Alves (2008) é a questão da interface social. Aqui, são colocadas em relação as diferenças culturais e sociais, as experiências e as hierarquias de poder, sendo mediadas, mantidas ou transformadas. Podem resultar dessas futuras articulações ou confrontos de interesses. Se estabelecem assim os campos de batalha do conhecimento, ou seja, os espaços em que diferentes desejos e conhecimentos se confrontam. Esses conflitos não se dão somente entre um grupo de atores (como os orizicultores), mas com os demais que ali interferem como, por exemplo, as políticas públicas governamentais, as universidades e institutos de fomento. Portanto, envolvem tanto o nível local quanto questões maiores que podem influenciar o cotidiano desses atores.
É importante reconhecer, portanto, que que há uma grande divergência nas formas de saber e de fazer desenvolvidas pelos produtores. Essas podem ser consequências de conhecimentos acumulados através da experiência, da educação intergeracional, das relações com outros atores, do convívio com a natureza. “Essas diferenças refletem variações nas formas como os atores tentam lidar, cognitivamente e organizacionalmente, com as situações que encontram” (LONG; PLOEG, 2011, p.
28). Segundo Alves, (2008, p. 41) a POA é útil no sentido de que:
Ela nos força a investigar como tipos específicos e distantes de conhecimentos (incluindo o nosso próprio) são formatados pelos domínios de poder e relações sociais, nas quais eles estão/são articulados, encaixados e gerados. Isto nos possibilita entender o grau no qual os “mundos de vida de atores específicos”, com suas práticas de organização e percepções culturais são relativamente autônomas “de” ou se foram, nas palavras de Long,
“colonizadas” “por” aspectos mais amplos de ideologias, instituições ou por relações de poder a nível macrossocial.
Portanto, os atores tornam-se mais do que receptáculos passivos de conhecimento, sendo “participantes ativos que processam informações e utilizam estratégias nas suas relações com vários atores locais, assim como com instituições e pessoas externas" (LONG; PLOEG, 2011, p. 24). É nas interfaces que os mundos de vida dos diferentes atores se colocam em contato e se transformam, colocando ali suas convicções ideológicas, assim como as soluções e conhecimentos já encontrados. Como colocam Deponti e Almeida (2012, p. 196):
Este público reage e aciona formas estratégicas de negociação e de manobra, buscando legitimar seus interesses. A noção de interface social é relevante para explorar e entender problemas de heterogeneidade social, de diversidade cultural e de conflitos inerentes aos processos que envolvem intervenções externas, porque permite compreender as respostas diferenciais dos grupos locais, sendo que seus objetivos e interesses, na maioria das vezes, não conferem com os propostos pelas intervenções planejadas. As interfaces cruzam diferentes e, muitas vezes, conflituosos mundos de vida. (DEPONTI; ALMEIDA, 2012, p. 196).
Nesse espaço se encontram, portanto, as diferenças de valores, interesses e poder (LONG, 2007; DEPONTI; ALMEIDA, 2012) que vão interferir na efetivação de projetos de desenvolvimento. Esses, para Deponti e Almeida (2012, p. 200) se constituem em uma arena “onde tomam lugar confrontações e afrontamentos, onde o conflito é inerente, expressando não somente interesses objetivos opostos, mas também o efeito de estratégias pessoais e de fenômenos idiossincráticos”.
Para González et al. (2014, p. 109), são as noções de domínio e arena que permitem a “análise dos processos de ordenamento, regulação e disputa de valores sociais, relações, utilização de recursos, autoridade e poder”. O domínio, segundo os autores, trata das áreas da vida social em que se organizam os saberes e ideologias dos atores com base em um núcleo central. As arenas, por sua vez, são onde esses domínios de encontram com a intenção de resolver divergências entre eles. São nelas que se desenvolvem as interfaces, ou seja, os encontros entre os diferentes recursos, culturas, poderes (GONZÁLEZ et al., 2014).
É através do complexo encontro e da mediação entre diversos atores com seus respectivos projetos que emerge a organização das estratégias de desenvolvimento, que são rotas específicas em direção ao futuro. Essa organização é o resultado da interface de diferentes estratégias, ou o que podemos designar de interação de projetos sociais. (LONG; PLOEG, 1994, p. 68-69).
Assim, a capacidade de ação dos atores está relacionada à essa experiência social de interação entre diferentes mundos, conhecimentos e subjetividades. No
próximo subtítulo apresenta-se especificamente o conceito de agência, segundo a teoria da estruturação de Giddens (2003). Assim, é possível compreender com mais clareza como se dão essas interações entre as experiências pessoais, os saberes subjetivos e as relações com outros atores e com as estruturas sociais estabelecidas.