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PERSPECTIVAS DE ATIVIDADES PARA OS PROFISSIONAIS

5. GENÉTICA HUMANA E EDUCAÇÃO

5.3 PERSPECTIVAS DE ATIVIDADES PARA OS PROFISSIONAIS

como: nutrição e metabolismo, estilo de vida e comportamento, doenças e medicamentos, e exposição a agentes químicos, biológicos e físicos. As opções para ação e pesquisa aplicada são enormes e estão aí esperando para ser realizadas. A prevenção, principalmente primária, deve ser incentivada. Para isto é necessário, dentre outras ações, promover a alfabetização biológica e o letramento genético da população; acrescentar competências em genética para todos os profissionais de saúde; aumentar o número de conselheiros genéticos além de desenvolver uma consciência ética e social na população, permitindo-lhe enxergar não somente os benefícios como também os riscos e implicações da informação genética.

5.3 PERSPECTIVAS DE ATIVIDADES PARA OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Genética e genômica abrem múltiplos campos de ação para praticamente todas as profissões da área de saúde, além de fornecer outra visão para as ações que já fazem parte da atividade profissional. A partir de revisão da literatura e da própria experiência a autora sistematizou as áreas de atuação abertas para os profissionais de saúde em relação à genética.

Os profissionais de enfermagem podem fazer pesquisa relacionada a patologias genéticas e à aplicação do conhecimento em genética; educar o paciente portador de patologias genéticas e seus familiares; fazer aconselhamento genético; prestar cuidados aos pacientes portadores de necessidades especiais devido a patologia genética. Teoricamente pode haver tantas sub-especialidades em enfermagem genética quantas há na medicina. Podem também ter uma participação específica em programas de triagem. Os profissionais desta área foram, em países desenvolvidos, os pioneiros na aplicação do conhecimento genético e estão organizados em torno da Sociedade Internacional de Enfermagem em Genética. No Brasil, no ano de 2005, durante o congresso da Sociedade Brasileira de Genética Clínica, foi fundada a Sociedade Brasileira de Enfermagem em Genética –SOBREGEN, que, segundo informa seu portal na internet,

[...] nasceu do esforço de profissionais idealizadores de uma enfermagem comprometida com a assistência, o ensino e a pesquisa em genética, que acompanham os avanços tecnológicos e as novas descobertas na busca de um cuidar digno, para as pessoas com afecções genéticas no Brasil [...] (SOBREGEN, 2008).

Os farmacêuticos têm na farmacogenômica e na farmacogenética novas e enormes áreas de atuação no que se refere desenvolvimento de novos medicamentos para alvos específicos detectados pela genômica e à modificação dos já existentes, de maneira a contemplar diferenças individuais que são causadoras de inúmeros efeitos colaterais e consistem na sexta maior causa de morte.

Nutricionistas são peças chave no desenvolvimento de terapias e no tratamento das necessidades nutricionais nos erros inatos do metabolismo; podem desenvolver pesquisas com alimentos geneticamente modificados e seus efeitos no organismo; realizar estudos de relação entre a genética e o meio ambiente visando descobrir o efeito dos nutrientes na expressão gênica; orientar e educar pacientes e familiares sobre características genéticas do metabolismo e sua relação com a alimentação. Dentro das chamadas ciências ômicas, a metabolômica é a área de pesquisa por excelência do nutricionista.

Fonoaudiólogos se beneficiarão com o conhecimento dos aspectos genéticos dos problemas de audição e de fala; poderão pesquisar a genética do desenvolvimento; ganharão entendimento da origem dos problemas tratados e conseqüentemente haverá uma melhora na abordagem dos mesmos; eles podem também trabalhar na orientação de pacientes e familiares com relação à origem e prevenção das patologias da fala e audição.

Fisioterapeutas podem trabalhar no incentivo, acompanhamento e direcionamento da atividade física em pacientes com patologias genéticas envolvendo cardiopatias e patologias respiratórias; em pacientes com distrofias ou atrofias musculares; em pacientes com neuropatias congênitas; fazer avaliação do potencial de atividade física individual com base na informação genética e trabalhar na orientação do paciente e familiares quanto ao componente genético das patologias em que atua, além de ganhar um maior entendimento da origem das doenças e dos limites dos seus pacientes.

Dentistas podem fazer um trabalho interdisciplinar com patologias dentárias e displasias ectodérmicas; estudar estas patologias em relação com o meio ambiente, principalmente no que se refere à doença periodontal; pesquisar câncer bucal; participar da criação de novas terapias; e também orientar pacientes e familiares sobre a origem genética das patologias odontológicas.

Psicólogos podem pesquisar as bases genéticas do comportamento; as alterações de comportamento e a gama dentro da qual a variação de comportamento pode ser considerada normal; fazer aconselhamento genético; estudar a relação entre genética e dependência química; aprofundarem-se no entendimento do processo cognitivo e sua relação com a genética; pesquisar a relação entre a genética e as doenças mentais; trabalhar no acompanhamento de pacientes afetados por doenças causadas por alterações das células somáticas; orientar e educar pacientes portadores de patologias genéticas; pesquisar o entendimento do conceito de risco nestes pacientes.

Na área de ciências biológicas, motor de todo este desenvolvimento, os profissionais biólogos têm pela frente inúmeras opções de pesquisa como genética do desenvolvimento, diferenciação celular, genética imunológica, genética histórica, etnogenética, ecogenética, genética do câncer, genética do envelhecimento, genética na prática forense criminal e civil, citogenética clássica e molecular, desenvolvimento de novas técnicas para diagnóstico de doenças genéticas, estudo de patologias genéticas e correlações genótipo/fenótipo, epidemiologia genética e aconselhamento genético, dentre outras. No exercício profissional na área de saúde podem fazer parte de equipes hospitalares e de atendimento à saúde na identificação, auxilio ao diagnóstico e registro de doenças genéticas; fazer parte do programa Saúde da Família, trabalhando nas equipes que fazem acompanhamento domiciliar das famílias, especificamente no caso da existência de uma patologia genética, visando a construção do histórico familiar da doença, elaborando programas educacionais sobre a hereditariedade das patologias, possibilidades de tratamento, trazendo para as comunidades a informação dos centros especializados e de referencia no diagnóstico e tratamento de patologias genéticas específicas; contribuindo para a área de saúde pública no registro e epidemiologia destas patologias, fazendo uma ponte entre as comunidades e as universidades na troca de conhecimentos e contribuição para o estudo de patologias raras, exercitando sua preparação para fazer aconselhamento genético. Aliás, esta última não será uma nova área pois os biólogos atuam nela desde seus primórdios.

Finalmente, devemos considerar que os profissionais de medicina e de biologia e outros, como por exemplo enfermagem, nutrição e odontologia., no exercício de sua profissão, tornam-se educadores. Eles informam e orientam as pessoas que os procuram nas suas respectivas áreas. Esta característica do profissional de nível superior é freqüentemente esquecida. Quando se trata da área de saúde então, esta habilidade de ensinar é posta à prova.

É função do profissional de saúde ensinar à população as atitudes de higiene, alimentação, o conhecimento do funcionamento do corpo e seus modos de expressão, e outras que permitem ter boa saúde e bom desenvolvimento e orientar sobre as medidas a tomar para recuperar a saúde perdida. O desejo de informação, particularmente nesta relativamente nova ciência que é a Genética, é grande. As pessoas perguntam como medida de prevenção, para explicar suas mazelas e até por curiosidade. Neste sentido, especial cuidado há de se ter, para que esses profissionais adquiram suficiente conhecimento e assim poder bem informar e orientar, melhor servindo à comunidade.