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PERSPECTIVAS E DESAFIOS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA

As diferenciações e peculiaridades verificadas em cada região sobre o problema relacionado às drogas trazem a necessidade de implantação de políticas públicas ainda mais direcionadas ao atendimento de determinada localidade e, para este fim, faz-se necessária a participação social e comunitária na busca por melhorias em cada cidade. A descentralização do poder aos estados e municípios como forma de reinvenção do modo de governar, foi propício para que cada estado ou cidade pudesse adaptar ou criar suas próprias políticas públicas a sua realidade, utilizando-se de métodos específicos, antes vislumbrados apenas na esfera privada (SOUZA; MOURÃO; LIMA, 2007).

Em municípios de pequeno porte, a criação e aplicabilidade de políticas públicas próprias encontra desafios que estão diretamente ligados à real situação da gestão municipal. A princípio, é possível elencar que a falta de projetos inovadores pode ocorrer devido ao nível de escolaridade dos gestores públicos, que não está a altura do cargo que ocupam, inseridos na esfera pública apenas por uma questão de inserção político-social, por muitos anos naquela determinada cidade ou região, remetendo ao entendimento de que a troca de gestores no decorrer dos anos não traria grande melhora (SOUZA; MOURÃO; LIMA, 2007).

A situação que os municípios de pequeno porte enfrentam diante das drogas piora quando se percebe: o crescente número de desempregados e a falta de políticas para geração de emprego; a pouca participação da comunidade nos projetos; a sempre presente dificuldade em obtenção de recursos; a falta de habitação; o alcoolismo; o baixo investimento em áreas de lazer ao uso comum; a dificuldade em promover instrução as famílias; e a falta de profissionais especializados para trabalhar o tema. Em análise específica às dificuldades encontradas por Conselhos Municipais, se identifica que a precária infra-estrutura, a falta do apoio financeiro, a falta de interesse por parte da comunidade (e principalmente dos pais) e a não continuidade na capacitação dos conselheiros,

trazem obstáculos à realização de um trabalho que traga bons resultados (SOUZA; MOURÃO; LIMA, 2007).

É importante ponderar que a integração entre os serviços pertencentes ao sistema de saúde ocorra de forma contínua, sendo capaz de fornecer os cuidados aos usuários durante todo o processo, desde o primeiro contato com a equipe responsável pelo auxílio, até o momento em que conseguirem se desvencilhar do uso das drogas. Nesse sentido, torna-se possível a integração entre o sistema de saúde e seus projetos, juntamente com os recursos que a comunidade tem à sua disposição como igrejas, associação de moradores, determinada categoria profissional, entre outros (SCHNEIDER et al, 2013).

Fica evidente que o processo que descentralizou o poder aos municípios não chegou ao seu ponto fim, pois com as iniciativas que regionalizaram o sistema de saúde ainda há continuidade através de uma maneira que a integração das ações comunitárias e das redes assistenciais aconteça frequentemente para oportunizar o acesso a serviços nas mais diversas localidades. (SCHNEIDER et al, 2013)

Os impedimentos já elencados anteriormente, juntamente com a presença de algumas condições na própria cidade, como a violência, o tráfico de drogas e consequentemente o fácil acesso à compra de drogas, deixam os adolescentes expostos ao início da drogadição, ainda mais se estiverem carentes de políticas e projetos que façam com que utilizem o seu tempo ocioso para o desenvolvimento de alguma potencialidade. A verificação da vulnerabilidade de algumas regiões municipais seja pela falta da presença de serviços públicos básicos ou até mesmo pela dificultosa ação policial frente à prática de crimes, torna o acesso às drogas facilitado e muitas vezes até mesmo próximo às escolas, locais que acabam sendo atenuantes ao primeiro contato do adolescente com as drogas (ZEFERINO; FERMO, 2012).

O fácil acesso às drogas torna-se um facilitador ao uso quando o indivíduo já tem consigo os demais fatores que o tornam suscetível à situação de drogadição, podendo citar o descontentamento com a qualidade de vida que possui, sendo que na adolescência esses fatores podem ser diferentes como, por exemplo, a necessidade que o jovem possui em estar sempre pertencente a um grupo, o que pode desencadear que o mesmo realize ações sem antes pensar na devida responsabilidade sobre os resultados que causariam, acabando pelo prejuízo

momentâneo e possivelmente futuro, caso esta prática esteja vinculada a crimes, violência ou drogas continuadamente (ZEFERINO; FERMO, 2012).

Nesse sentido, é fácil atestar que a urgência está em promover políticas públicas adequadas e eficazes aos adolescentes, ao entendimento da importância da prevenção e ao enfrentamento da situação de drogadição, pois vislumbra-se que os problemas sociais presentes na vida desta faixa etária e a falta de discernimento e atenção aos prejuízos, faz com que a busca por drogas aconteça, estando acessível pelo fato do fácil encontro à venda da droga (BOKANY, 2015).

5 CONCLUSÃO

A presença da cidadania na vida dos cidadãos garante a sua relação direta com o Estado, pautada pela democracia propriamente dita, garantindo a concretização dos direitos sociais e civis em prol de uma vida social participativa e não apenas aceitadora das imposições estatais. A aproximação que toda a sociedade deve ter dos serviços básicos como saúde, educação e educação, por exemplo, acontecem porque a cidadania está presente e deve possibilitar que o acesso a estes serviços seja possível, promovendo o bem estar na busca por melhorias de vida, assegurando a dignidade.

As políticas públicas buscam equacionar cada vez mais a liberdade, a igualdade e o alcance aos direitos dos cidadãos, mas estas ferramentas foram construídas no decorrer de um período dificultoso para a sociedade, onde as carências sociais não tinham a devida atenção. O alinhamento entre a sociedade e o Estado acontece para que a busca por melhorias aconteça de maneira mais objetiva, haja vista que a identificação dos reais problemas ocorre quando a sociedade passa a ser analisada com dedicação. A possibilidade de participação junto ao ente estatal possibilita a reivindicação pela implantação de novos serviços e políticas públicas, a fiscalização da correta destinação do dinheiro público e a oportunidade de levar novas ideias ao Estado.

As políticas públicas fazem parte de uma nova forma de governar e remetem a um dispositivo capaz de proporcionar uma melhoria significativa na qualidade de vida dos cidadãos, através da criação de novos projetos que estejam destinados a eliminar determinado problema social. Este método de prestação de serviço traz a capacidade de redução de gastos públicos, alinhando a ideia de que o Estado busca constantemente métodos de gerir os serviços que presta com seus próprios recursos.

A participação social junto às políticas públicas se faz necessária para que ocorra uma análise da real situação social e identificação dos problemas que mereçam maior atenção, muitas vezes com prioridades específicas. Estas identificações podem apresentar os locais mais vulneráveis, e estes deixam consequentemente os cidadãos desta localidade também vulneráveis acabando por se afastar dos serviços públicos e de seus direitos, fato que impede a possibilidade de buscarem uma melhoria de vida. A cessação destes direitos sociais e da

perspectiva de melhoria, juntamente com o desamparo, aproxima o cidadão de disfunções ainda maiores como violência, crime e drogas.

As drogas fazem parte da história do surgimento e desenvolvimento das sociedades brasileiras sendo que o crescente número de usuários, o fácil acesso à compra de drogas e o surgimento de novas drogas, demonstram que as políticas públicas antidrogas não foram capazes de acompanhar esta propagação, fato que agravou o problema. Infelizmente, no Brasil, sempre ocorreu a tratativa da realidade das drogas através de uma visão criminal, deixando em segundo plano um atendimento voltado à saúde pública, decisões que certamente não trouxeram resultados esperados (basta analisar os dados que demonstram o crescimento no número de usuários).

As políticas antidrogas se demonstram principalmente atentas à prevenção como a ferramenta mais eficaz para encarar o contato com as drogas, acreditando que a promoção das informações e dos alertas sobre os malefícios, criam uma atenção a este perigo.

As drogas tornam-se ainda mais preocupantes quando se pensa no contato que o adolescente tem com a realidade da drogadição, pois neste momento da vida tem-se o contato inicial com o mundo, capaz de influenciar no desenvolvimento do caráter pessoal, refletindo em boas ou más condutas futuramente. Diante da carência de serviços básicos e de políticas públicas adequadas em determinadas localidades vistas como mais vulneráveis, verifica-se que o contato do adolescente com a droga ocorre principalmente nas regiões urbanas mais pobres, locais onde o Estado não participa de maneira adequada, deixando os cidadãos aquém da cidadania. Os estudos realizados demonstram que as escolas possuem um espaço favorável para a promoção das políticas antidrogas e assim possuem papel fundamental no desenvolvimento do adolescente em todos os sentidos. Porém, não será eficaz se não alinhar qualidade educacional ao combate à evasão escolar.

A realidade dos adolescentes no Brasil demonstra que grande porcentagem desta faixa etária não consegue vislumbrar perspectivas de melhora de vida frequentando a escola, seja pela falta de oportunidade mesmo quando possuem a formação escolar, grande parte das vezes com uma relação direta à localidade em que residem, haja visto que em muitas regiões do Brasil a falta de desenvolvimento

social afasta o interesse de implantação de empresas privadas e consequentemente a geração de empregos.

Outra problemática expõe que os adolescentes ingressam cada vez mais cedo na vida laboral para auxiliar financeiramente suas famílias e, por isso, se ausentam das escolas, das políticas públicas praticadas no âmbito escolar tornando- se passíveis de se aproximar das drogas.

O desenvolvimento deste trabalho ocorreu por meio de método indutivo de pesquisa bibliográfica que, alinhado à explanação de dados públicos, traz a ciência da importância da aplicabilidade das políticas públicas antidrogas em toda sociedade, mas principalmente destinadas aos adolescentes.

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