As perspectivas, em relação ao serviço de saúde, dividem-se nas locais que dizem respeito a atenção básica mantida pelo município e nas regionais que são de média e alta complexidade que a população busca fora do município. A expectativa é em relação à diminuição das filas nos serviço de atendimento. A demora no atendimento médico e principalmente no encaminhamento dos exames. “Olha aquela vez que estivemos com o filho fomos bem atendido. Todos os exames foram feitos e tal, mas hoje está mais complicado” (A3). Além da demora, a burocracia na
hora de autorizar os exames. “Podia ser melhor, esse negócio dos exame já funcionou melhor [...] tu ia lá e nunca tinha problema. Agora tenho que consultar aqui eu tenho que fazer cada mês por causa do iodo, para ver como ta. Agora carimbaram as últimas vez” (B6).
Precisa-se uma consulta somente para transcrever ou avaliar a autorização de um exame que é enviado pelo profissional de alguma área de média ou alta complexidade. Isto acaba por sobrecarregar os profissionais locais.
É uma questão complicada o que a gente espera. Vou só colocar no nosso caso precisamos três vezes do serviço público de Cel. Barros meio urgente, rápido assim não tivemos nenhuma vez resposta. Então sempre teve que correr com as próprias pernas. Mas é uma coisa assim que eu me preocupo, brinco converso, teria que ter uma maneira de inibir, muitas vezes excesso de consultas ou uma média [...] Outras é reconsulta, reconsulta enquanto outras pessoas que precisam não tem (D11).
Essa é uma das explicações pelo número excessivo de consultas médicas. Falta uma integração entre as equipes de saúde apontada por Ceccim (2005, p. 5):
Assim, ou constituímos equipes multiprofissionais, coletivos de trabalho, lógicas apoiadoras e de fortalecimento e consistência de práticas uns dos outros nessa equipe, orientadas pela sempre maior resolutividade dos problemas de saúde das populações locais ou referidas ou colocamos em risco a qualidade de nosso trabalho, porque sempre seremos poucos, sempre estaremos desatualizados, nunca dominaremos tudo o que se requer em situações complexas de necessidades em direitos à saúde.
Por outro lado, se espera um maior empenho dos próprios profissionais da saúde ou aqueles que trabalham neste local. “Melhorar bastante. A espera nos posto de saúde, mais é a demora, os funcionários não estão nem aí [...] Tem consulta, mas está dificultando esse acesso” (A5). Como também é demonstrado na fala do B3:
Tu chega lá dentro daí tem umas menininha dentro parece que estão zombando da tua cara isso eu sinto então a gente não vai. Desde oferecer produto pra população, vem recurso, se elimina, não tem isso, não tem aquilo, o contrário que deveria fazer para a população. O que a gente vê no público, tiram da população para dar emprego pro pessoal é o que a gente nota. O que eu sinto não sei se isso está certo (B3).
Reafirmado pela F4 “Colocar pessoas competentes para cuidar da saúde das pessoas, fazer as coisas. Para poder atender. Francamente eu precisava ir consultar eu não ia porque não dão atenção é que acham que são mais que os pobres, pobres eles rejeitam”. Para esta situação a sugestão da D8 é “Ter gente bem formada
dentro do serviço de saúde, não só buscam o emprego lá, mas buscam realmente a saúde da população, tem muita gente que busca o emprego e não a saúde. Talvez você já constatou isso também”.
A idéia de que os pobres são indisciplinados preguiçosos e outros adjetivos são enfatizados nos meios de comunicação.
A ênfase dos meios de comunicação é a abordagem dos pobres como preguiçosos, incapazes de aprender, indisciplinados e violentos. Essa guerra internacional de palavras está conseguindo matar o espírito e rebaixar o moral dos perdedores da guerra econômica. É difícil aprofundar um diálogo se um dos atores não respeita e aceita a própria identidade. (VASCONCELOS, 2001, p. 55).
Isto esta relatado na fala da D6: “Um dia (citou o nome) me disse o que vocês querem moram lá naqueles fundão já ganham demais pelo que fazem e ainda querem exigir”.
Além desta fila de espera e a expectativa de melhora no acolhimento também a preocupação que as pessoas realmente busquem o serviço de saúde quando tem necessidade. Criaram dependência do serviço de saúde. “Tem pessoal esperando para ser atendido. Uma também é falta de informação tem uma coisa que o pessoal vai nos postos de saúde, vai no SUS e vai lá só pra ir, falta de informação [...] vão lá porque o médico escuta um pouquinho, e daí quando as pessoas precisam mesmo não tem” (B8). A pergunta é se estas pessoas não criaram dependência da equipe já que são eles que têm os meios para avaliar o estado de saúde das pessoas. Esse excesso de preocupação com a saúde levou as pessoas a procurarem os serviços de saúde de forma doentia? Freqüentemente a pessoa quer que a equipe a avalie para certificar-se que não apresenta nenhuma patologia.
Claro que é possível estabelecer valores padrões para a saúde. Mas quando, por exemplo, se quisesse impor esses valores padrões a uma pessoa saudável, o que conseguiríamos seria, antes, deixá-la doente. Habita, pois, na essência da saúde manter-se dentro de suas próprias medidas. (GADAMER, 2006, p. 113).
Muitos esperam que venha recursos e que sejam gerenciados com bastante competência. Por outro lado, a população precisa colaborar para que todos que realmente necessitam tenham acesso. “As pessoas levar isso a sério, colaborar um pouco não por qualquer coisa estar enfiado no posto de saúde, no SUS ou em qualquer outro lugar, porque quem as vezes realmente precisa não é atendido” (C3).
Além disso, as pessoas esperam que os profissionais sejam mais experimentados, pois reclamam que os profissionais quando adquirem uma certa experiência vão trabalhar em outros locais, centros maiores. Isto impõe uma rotatividade muito grande de profissionais, fazendo com que não haja uma continuidade no tratamento das pessoas. Em várias entrevistas apareceu a frase: “cada vez que a gente vai lá tem outro médico”. Passamos para o próximo tema que é como os usuários percebem o funcionamento do sistema de saúde.