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Perspectivas para o Centro-Oeste: oportunidades e ameaças

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CAPÍTULO II – VIAS DE COMUNICAÇÃO NO EXTREMO OESTE

2.3 Perspectivas para o Centro-Oeste: oportunidades e ameaças

É possível prever o futuro cenário da macro-região? Para o Ministério da Integração Nacional, sim. Em 2006, o Ministério publicou um detalhado estudo sobre as perspectivas sociais, ambientais, econômicas e políticas da região Centro-Oeste:

Este documento apresenta o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Centro-Oeste (2007-2020), que deve orientar e organizar as iniciativas e ações dos governos e da sociedade, e preparar a região para os desafios do futuro. Neste sentido, o plano constitui referencial para negociação e implementação articulada de projetos de desenvolvimento, que envolve o governo federal, por meio de seus órgãos, ministérios, governos estaduais e diversos segmentos da sociedade centro-oestina. A elaboração do Plano foi uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento do Centro- Oeste - SCO, do Ministério de Integração Nacional, mas não deve ser concebido como um plano do governo federal. Deve constituir,de fato, referencial para a sociedade regional, seus atores sociais e agentes públicos. Por outro lado, como uma perspectiva de longo prazo, o Plano (2007- 2020) não pode ser confundido com o plano do governo atual, devendo compor a base estratégica para futuros governos brasileiros e seus parceiros nos Estados da Região. (Ministério da Integração Nacional, 2006: 3).

Segundo o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Centro-Oeste para o período de 2007-2020, “a análise dos processos em maturação internamente no Centro-Oeste permitiu identificar nove condicionantes relevantes que antecipam os futuros alternativos da Região, influenciados, evidentemente, pelos processos exógenos.” (2006: 91-98):

Política ambiental dos Estados

Investimento em infraestrutura e logística na Região Diversificação e adensamento das cadeias produtivas Expansão e esgotamento da fronteira agrícola

Conflitos fundiários

Inovação e desenvolvimento tecnológico Pressões antrópicas e degradação ambiental Formação e ampliação do mercado interno

Desaceleração do crescimento demográfico e do fluxo migratório

Estes fatores condicionantes ao futuro da região são encarados e estudados pelo Ministério da Integração Nacional como os “Problemas do Centro-Oeste”, divididos em “Potencialidades e Estrangulamentos” regionais. “As potencialidades expressam as características internas da Região, como um diferencial ou vantagem competitiva no contexto nacional e mundial que, devidamente, exploradas, constituem a base para o desenvolvimento regional” (2006: 124). Por sua vez, os pontos de estrangulamento são os entraves para o desenvolvimento.

A região Centro-Oeste apresenta grandes oportunidades em recursos naturais, crescimento econômico, escolaridade populacional e de integração nacional e internacional. Em síntese, o relatório apresenta oito potencialidades principais:

1. Recursos naturais abundantes e grande biodiversidade: Na região encontramos

quatro grandes biomas: a Amazônia, maior floresta tropical do planeta, presente no norte do estado do Mato Grosso; a Mata Atlântica, a maior diversidade botânica do mundo; o Cerrado, a segunda maior floresta brasileira e a maior da Região Centro-Oeste, presente em todos os seus estados e na capital do país; e o Pantanal, maior planície inundável da Terra, bioma exclusivo desta Região do país, está presente nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, também nos países vizinhos Paraguai e Bolívia. “Entre as atividades que podem aproveitar os recursos naturais e a biodiversidade de forma sustentável, destacam-se: o turismo, a fruticultura tropical, os diversos produtos da natureza, a indústria de fármacos, cosméticos, essências e óleos” (124);

2. Grande manancial de recursos hídricos: centro hidrográfico do continente sul-

americano, o Centro-Oeste é um “importante dispersor da rede hidrográfica brasileira, que reúne grandes extensões da bacia Amazônica, Tocantins e Platina, e destacam-se os rios Paraguai, Paraná e Paranaíba, e as bacias do Araguaia, Tocantins, e Xingu.” (125-126);

3. Capacidade empreendedora e inovadora do empresariado regional: “o

empresariado do Centro-Oeste foi formado por desbravadores, com pouco incentivo e suporte público, e com espírito empreendedor.” (126)

4. Existência de uma base produtiva agropecuária moderna e competitiva: tornando

“a região altamente competitiva no mercado internacional de grãos e carne"; responde por mais de 30% da produção de grãos e do rebanho bovino do país (127);

5. Mercado interno em expansão: a população pequena e dispersa, “diminui a escala

da renda regional, tende a gerar demandas de bens e serviços, especialmente nos centros urbanos regionais” (129);

6. Nível de escolaridade da população: “Embora não se possa comemorar o nível de

escolaridade da população centro-oestina, estimado em 6,1 anos para o ano 2000 sua posição é melhor que média nacional (5,9 anos no mesmo ano), e bem superior à de outras regiões, como Norte (5,1 anos) e Nordeste (4,5anos),” já o Distrito Federal apresenta significativos 9,2 anos de média (130);

7. Inovação tecnológica: “A agropecuária do Centro-Oeste, carro-chefe da economia

regional, tem incorporado novas tecnologias, o que lhe assegura uma liderança na produtividade mundial no setor, (...) a região conta com importantes centros de excelência em pesquisa e desenvolvimento tecnológico,” como a EMBRAPA e a Universidade de Brasília, além disso, sua “capacidade científica e tecnológica” é maior que a média nacional: detém 529 pesquisadores por milhão de habitantes, contra 495,8 do país (130-131);

8. Posição estratégica da Região no contexto sul-americano: a posição geográfica

confere ao Centro-Oeste “um papel central na integração sul-americana,” possibilitando as articulações das regiões brasileiras e do “território nacional com parte da América do Sul através da Bolívia e do Paraguai,” além de representar uma “integração físico-territorial” do país com o oceano Pacífico (131).

Segundo o Ministério da Integração Nacional (2006), os campos que ameaçam o desenvolvimento regional vêm da fragilidade econômica, das dificuldades logísticas e sociais, dos problemas ambientais, da mão de obra pouco qualificada e da falta de identidade regional:

1. Vulnerabilidade da economia: como a base econômica regional está centrada em

produtos primários, possui baixo valor agregado, acrescido de suas exportações pautadas em “commodities e, principalmente, em produtos agropecuários”, o que provoca uma grande dependência do mercado externo, a exemplo “dos preços internacionais de grãos e do algodão” (131-132);

2. Limitado resultado social do dinamismo da economia: “o Centro-Oeste apresenta

alto nível de pobreza, grande concentração de renda e deficiência na oferta de serviços sociais. Os baixos indicadores sociais são mais inaceitáveis diante do grande dinamismo da economia regional, demonstrando deficiência do modelo de crescimento” (132);

3. Deficiências na qualificação da mão de obra: “a velocidade da expansão

econômica do Centro-Oeste gera uma deficiência em mão de obra qualificada, principalmente quando são introduzidas inovações tecnológicas que pedem recursos humanos com formação

elevada”, a exemplo do turismo e dos setores industrial e de prestação de serviços, esta deficiência pode ser o grande impeditivo ao crescimento e “à manutenção ou aumento da competitividade” (132);

4. Degradação dos ecossistemas regionais: o rápido desenvolvimento tem provocado

um grande problema ambiental, “o desmatamento já atingiu cerca de 48,8% da área total do Centro-Oeste, e é de 57% a redução da cobertura vegetal nos cerrados, 38,8% da floresta tropical, e de 17% da cobertura florestal do Pantanal” (133);

5. Desarticulação do sistema logístico e gargalos na infraestrutura econômica: “o

Centro-Oeste é altamente competitivo „dentro da porteira‟, mas padece de grandes restrições logísticas para alcançar os mercados consumidores” (133-134). A dependência do transporte rodoviário, mais caro e em condições precárias e insuficientes, acrescida aos fracos sistemas de transporte hidroviário e ferroviário, diminui a competitividade regional frente a outros mercados;

6. Limitado sentimento de identidade regional: a unidade natural e geográfica da

região, oriunda de seus biomas não é representada politicamente entre as unidades federativas (134);

7. Baixa diversificação produtiva e adensamento das cadeias produtivas: dependente

principalmente do setor primário, a economia do Centro-Oeste “ainda é bastante limitada a diversificação produtiva e o adensamento das cadeias produtivas, (...) apenas três segmentos concentram quase 70% do setor industrial no Centro-Oeste, vale dizer, indústria de alimentos e bebidas (com 55% do total), minerais não metálicos (com 12%), e produtos de madeira (com apenas 2,5%)” (134);

8. Crescimento da economia informal e da “economia da contravenção”: a região

“apresenta um percentual significativo de atividades informais que reflete relações de trabalho precárias, (...) por outro lado, a posição geográfica do Centro-Oeste, com grande faixa de fronteira com os países andinos, parece ter levado a um crescimento das atividades ilegais na região” (134);

9. Desigualdade socioeconômica intrarregional: “o crescimento e a modernização da

economia regional, assim como a melhoria dos indicadores sociais do Centro-Oeste convive (em alguns aspectos, agrava) com desigualdades intrarregionais, resultado do dinamismo diferenciado no território regional” (136), as áreas mais pobres da região destacadas pelo Ministério são: oeste de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, Pantanal, sudeste do Mato Grosso do Sul, nordeste do Mato Grosso e norte e nordeste de Goiás;

10. Desarticulação da rede de cidades: “a rede urbana do Centro-Oeste é

extremamente frágil e segmentada com hierarquia de cidades pouco estruturadas, que apresentam forte polarização em Brasília e Goiânia. As cidades se expandem com muita velocidade e não criam laços fortes de articulação e complementaridade que formem uma rede hierarquizada de alta eficiência” (137)

Os conflitos fundiários levantados pelo relatório também são apontados por ANDRADE (2007): “é uma região de grande disputa de terra entre latifundiários e posseiros, ao mesmo tempo em que existem lutas constantes de indígenas que vêm sendo desapropriados de suas terras comunitárias” (2007: 286). Este fator pode ser observado atualmente em Mato Grosso do Sul, com as tentativas de demarcações das terras indígenas, marcadas por conflitos entre estes e os produtores rurais.

No entanto, ao contrário do que prevê o plano do Ministério da Integração quanto à desaceleração do crescimento demográfico e do fluxo migratório, decorrente de uma possível consolidação da estrutura produtiva e do menor número de filhos das famílias, ANDRADE aponta uma expectativa de contínuo crescimento da população:

Assim, como o crescimento de produção expressivo e próxima ao Sul, ao Sudeste e ao Norte, a região tende a ter um contínuo aumento populacional e econômico, ocupando os espaços que ainda se encontram vazios. Há, porém, um perigo de ordem ecológica e étnica, o do desmatamento desenfreado da floresta e do cerrado, e a destruição da vida e da cultura indígena. (2007: 287)

Já MAGNOLI (1996), vai apresentar a região pelo prisma de três perspectivas: Mato Grosso – no caminho da Amazônia; Mato Grosso do Sul – no caminho para São Paulo; e Goiás – no centro do Brasil (19-23). O autor destaca que a presença da Amazônia no estado do Mato Grosso, juntamente com a posição estratégica que ocupa sua capital, Cuiabá, principal ligação do sul com o Norte do país, nos levam a concluir que o estado possui uma ligação econômica e cultural maior com a região Norte que com o próprio Centro-Oeste.

Por outro lado, Mato Grosso do Sul, por sua formação histórica, conserva uma ligação maior com as regiões Sudeste e Sul do país. No passado, foi exatamente a proximidade geográfica com São Paulo, Minas Gerais e Paraná que possibilitou a Mato Grosso do Sul desenvolver-se antes que Mato Grosso. Possivelmente a nomenclatura “São Paulo do Leste” estaria mais apropriada para esta unidade federativa.

Por outro lado, o estado de Goiás, exatamente no centro geográfico do país, sem fazer fronteiras e sofrer qualquer influência dos países sul-americanos, pode ser o exemplo mais próspero do Centro-Oeste, ou do que venha a ser o Centro-Oeste no futuro.

As oportunidades e ameaças levantadas pelo Ministério da Integração Nacional e pelos autores MAGNOLI (1996) e ANDRADE (2007) para o Centro-Oeste sintetizam os principais pontos estudados até o momento nesta pesquisa. Eles refletem os processos e conflitos da formação do território e da população centro-oestina. Dentre os quais destacamos o sentimento e a existência da própria região.

Parte II

GEOGRAFIA DA COMUNICAÇÃO

NO CENTRO DO BRASIL

(perspectiva sincrônica)

No puede haber liberdad en una comunidad que carece de la infromación necesaria para detectar la mentira

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