SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO
3. PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA: ORIGENS E CARACTERÍSTICAS DESSES PROGRAMAS
3.1 PROTEÇÃO SOCIAL NO BRASIL
3.1.3 Perspectivas para o futuro do programa Bolsa Família
Desde o Plano Plurianual – PPA 2004-2007 os programas de transferência de renda tem um papel de destaque na estratégia de desenvolvimento econômico do país dinamizado pelo consumo de massa. As transferências de renda fomentariam o circulo virtuoso na medida em que aumentassem o rendimento das famílias, que por sua vez gerariam uma ampliação na base do consumo de massa promovendo investimentos. Na sequência, haveria um aumento de produtividade e da competitividade e, por consequência, aumento de rendimentos das famílias trabalhadoras. No entanto, a transmissão das melhoras na produtividade aos rendimentos dos trabalhadores só seria possível se acompanhadas de política de emprego, inclusão social e de redistribuição de renda (SILVA, 2006).
No Plano Plurianual – PPA 2012-2015 permanecem estas características, com o aprofundamento do modelo de consumo e produção de massa, bem como a participação dos programas de combate a pobreza na estratégia de desenvolvimento do país
o aprofundamento do processo de redução das desigualdades por meio de políticas de transferência de renda, valorização do salário mínimo, expansão dos postos de trabalho formais e inclusão produtiva. Neste contexto, ganha importância o desafio da erradicação da pobreza
extrema com o Plano Brasil Sem Miséria que possibilitará a incorporação de um contingente ainda maior de brasileiros ao mercado interno. Cabe apontar que a estratégia de dinamização do mercado interno deve ainda ser ancorada em uma forma de produção e consumo ambientalmente sustentáveis. (PPA 2012-2015, p.23)
O PPA 2012-2015 destina a área social um gasto de 2,58 trilhões de reais, dentre os quais 84,26 bilhões serão destinados neste período ao Programa Bolsa Família. Além da meta de inclusão de 800 mil famílias ao PBF e o reconhecimento da necessidade de ajustes periódicos dos benefícios, o PPA também tem como meta ações para redução de erros de exclusão.
Atualizações no sistema do CadÚnico também são necessárias, pois o banco de dados tem mais de 65 milhões de pessoas cadastradas e pode ser usado para identificar as carências e traçar melhorias nos programas. A disponibilização das informações de identificação e caracterização socioeconômica das famílias cadastradas faz parte das metas do PPA 2012-2015, para que tanto os pesquisadores quanto os técnicos e governantes possam explora-las para traçar o perfil e identificar as principais carências de cada comunidade, município, estado e do país como um todo, elaborando estudos e pesquisas; planejamento e implementação de políticas públicas e ações governamentais voltadas a esta população.
No lançamento do Programa Fome Zero, o presidente Lula declarou que o Programa Bolsa Família ainda não era um projeto de Renda Mínima, mas já era um começo. Ao mesmo tempo em que se tramitava as mudanças no início do Governo Lula em 2003, cujo programa criado foi o Bolsa Família, o projeto de Lei 266/01 do Senador Eduardo Suplicy sobre a Renda Básica de Cidadania, foi sancionado pela presidência, tornando-se Lei em 2004.
Diferente da proposta do início dos anos 1990, a Lei aprovada seria universal, incondicional e igual para todos os brasileiros, sendo suficiente para atender as necessidades mínimas de cada pessoa, ou seja, mais próxima da proposta de Van Parijis. No entanto, teria prioridade as camadas mais necessitadas da população e, a implementação deveria observar o grau de desenvolvimento do país, bem como a capacidade orçamentária, na prática, a lei não foi praticada.
Recentemente, o governo de Santa Catarina firmou um convênio com o Poder Federal para complementar o benefício, chamado de Santa Renda. Esta parece uma proposta mais próxima de uma garantia de renda mínima, apesar de possuir um formato mais parecido com o imposto de renda de negativo. O Santa Renda tem como objetivo as famílias extremamente pobres, ou seja, com renda per capita de até 70 reais. O governo de SC atuaria complementando da diferença entre o benefício pago as famílias pelo PBF e o valor de 70 reais por pessoa, atendendo cerca de 28 mil famílias, o que representa 0,6% da população brasileira e 1,6% da população do estado de Santa Catarina – estado com menor índice de Gini. Atualmente outros estados têm programas de transferência de renda integrados ao PBF: Acre, Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo.
Alguns projetos para mudanças no programa passam por tramitações no senado e congresso nacional. Questões relacionadas a educação, como a inclusão de condicionalidade de aprovação escolar para recebimento do benefício; a saúde da mulher, como a inclusão da condicionalidade de papanicolau para maiores de 21 anos; e, a inclusão de benefício variável para pessoas da família beneficiária que sejam acometidos por neoplasia maligna - teve algumas modificações incluindo HIV e outras doenças. A visão de que para se receber a transferência de renda o beneficiário deve pagar de alguma forma a sociedade permanecem nas propostas de mudanças no PBF, destacando- se o projeto de lei que prevê a inclusão de uma condicionalidade relacionada a obrigatoriedade de serviço voluntário por parte dos beneficiários.
Outro aspecto que deve ser considerado é a aproximação do programa Bolsa Família com a área de Assistência Social e Serviços Sociais. Neste sentido, o procedimento operacional do programa prevê, nas repercussões graduais sobre o não cumprimento das condicionalidades, a visita de um trabalhador social local. Além disso, a exigência de adesão dos municípios e dos estados à gestão do Suas, mostram integração entre o Bolsa Família e o Suas, mas não se pode ainda prever a dimensão desta integração.