Com a consolidação dos balcões eletrônicos de comercialização de energia, como a BBCE, e a criação de derivativos financeiros que tenham como ativo-objeto a energia elétrica, a possibilidade de um futuro de pesquisa promissor é concreta. Em breve, as séries temporais terão a consistência mínima suficiente para exames econométricos mais profundos, que iriam na direção do estado da arte internacional. Permitir-se-á que as empresas tenham mais confiança nos seus relatórios que observam os riscos futuros envolvidos nas transações.
Outro ponto relevante é que os produtos de prazo maior passam a ser negociados de uma maneira mais comum. Desta forma, a liquidez se espalha por todos os vencimentos dos produtos envolvidos em negociação e a gestão de risco feita através da decomposição de fatores de risco criará a possibilidade do cálculo de VaR mais verossímil. Por exemplo: lotes negociados de energia para período trimestral, semestral, anual, ou bienal têm volatilidades distintas entre si. De posse da informação da oscilação de cada vencimento, o risco envolvido com cada curva de preços destes produtos impactará de modo diferente o VaR global das carteiras. Esta divisão traria robustez para as decisões de redução de riscos dos agentes.
Sob outro ângulo, desta feita com viés do regulador, uma pesquisa relevante será a que buscar uma adaptação dos métodos, procedimentos e métricas que conseguiriam observar o risco de mercado de modo sistêmico. Ou seja, utilizar dos conceitos citados neste trabalho pelas boas práticas do Acordo da Basileia III, bem como outros que regulam os mercados internacionais, a fim de reduzir potenciais falências generalizadas.
Enfim, há uma vasta gama de pesquisas que poderão aprofundar o estudo sobre o risco de mercado e de liquidez no mercado brasileiro de energia, e isto virá com a maturidade deste mercado. Assim, como tem ocorrido na experiência internacional.
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