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Perspetiva do Idoso em Processo de Fim de Vida acerca dos Cuidados que

1. ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DOS IDOSOS EM PROCESSO

1.7. Perspetiva do Idoso em Processo de Fim de Vida acerca dos Cuidados que

Para um idoso em processo de fim de vida a morte é iminente, e a cura já não é possível, por isso os cuidados a prestar a este idoso são essencialmente conforto e acompanhamento ao longo de todo o processo de morte. Por tudo isto quisemos conhecer na expetativa do idoso em processo de fim de vida os cuidados que idealizam ser os ideais.

Nesta área temática encontramos quatro categorias: Promotores da dignidade; Promotores do alívio; Promotores do acompanhamento e Facilitadores da prática religiosa. Na categoria promotores do acompanhamento surgiram duas subcategorias: Equipa de saúde e Família. A categoria facilitadores da prática religiosa é apresentada com duas subcategorias: Receber a extrema-unção e Poder rezar. (diagrama nº 7)

E NT RE V IS T AD OS Estar acompanhado Ter privacidade Ter oportunidade de escolha relativo ao local

Saber a verdade Tomar decisões I 1 X I 2 X I 3 X X X I 4 X X I 5 X X I 6 X X X I 7 X X X X

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Diagrama 7 - Perspetiva do idoso em processo de fim de vida acerca dos cuidados que gostaria de ter no processo de morrer

A categoria promotores da dignidade parece ser aquela que todos os idosos em processo de fim de vida mais consideram relevante no momento da morte, dado que seis destes idosos fizeram referência à necessidade de terem uma morte digna e a prestação de cuidados apresentava-se como crucial para o processo, dando exemplos como:

“ (…) quando estiver a morrer ter uma boa assistência, quem está a sofrer tem de ser bem atendido (…)” (I1).

“ (…) ser bem assistida” (I2).

“ (…) tem de ser responsáveis para tratar das pessoas e fazer os cuidados prescritos pelo médico (…)prestar esses cuidados a tempo e horas (…)” (I3). “Gostava de receber os cuidados necessários (…) teriam que ser prestados todos os cuidados” (I4).

“Ter os cuidados de assistência (…) ver o que a pessoa precisa e não precisa.“(I5) “ Receber assistência isto é vestir-me, lavar-me, dar me de comer, pentear-me, dar medicação para as dores, para não morrer tão depressa. Gostava de morrer de uma forma lenta e bem (…) receber assistência” (I7).

Na categoria promotores de alívio do sofrimento, esta também se apresentou como relevante para os idosos em processo de fim de vida da amostra, dado que três destes

PERSPECTIVA DO IDOSO SOBRE OS CUIDADOS NO PROCESSO DE MORRER Promotores da dignidade Promotores do alívio do sofrimento Promotores do acompanhament o Facilitadores da prática religiosa

Equipa de saúde Família Receber a extrema-unção

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idosos fizeram questão de salientar que o sofrimento na hora da morte se apresenta como um fator negativo, daí a necessidade de aliviar este processo, referindo:

“ (…) proporcionar com que me sentisse à vontade, fazendo com que morresse satisfeito e que não fosse aborrecido (…) aliviar o sofrimento” (I1).

“(…) os profissionais devem procurar que as pessoas não estejam em sofrimento, que esteja lavadinha, muita arranjadinha, com muito conforto e tudo que puder ser para minorar o seu sofrimento (…) ” (I3).

“Aliviar a dor, para não ter desespero” (I5).

Na categoria promotores de acompanhamento destacam-se duas subcategorias: a equipa de saúde, em que três idosos em processo de fim de vida referem a necessidade de estar acompanhados pela equipa de saúde, como se verifica nas seguintes afirmações:

“Gostava de ser acompanhada por alguém aqui da casa (…) gostava de morrer aqui (…) se fosse aqui pelo menos tinha mais pessoas (…) ” (I4).

“Companhia (…) permitir ao doente em fim de vida que fosse acompanhado por um ente querido (…) é muito importante acompanhar-nos no momento da morte” (I6).

“ (…) ter o direito de estar acompanhada, tenho muito medo de morrer sozinha (…)” (I7).

Apesar de se notar uma forte relação com a equipa de saúde, os idosos em processo de fim de vida não deixam de referir a presença da família, no entanto esta é referida apenas por dois idosos:

“Sozinha não, gostava de estar com a minha família” (I2).

“Não gosto de muita gente (…) gostava de estar recatada só com os meus (…)” (I3).

Também se encontraram duas subcategorias na categoria facilitadores da prática religiosa, a subcategoria de receber a extrema-unção isto é, o sacramento cristão, conferindo uma graça especial para as dificuldades próprias da morte, este sacramento é o recurso do cristão ao alívio, para poder suportar com fortaleza em estado de graça um momento de trânsito, especialmente no momento da morte, mencionado por dois idosos em processo de fim de vida:

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“ (…) como católico gostava de receber um padre que me desse a bênção (…) receber o sacramento da extrema-unção antes de morrer (…) ajudaria a sentir-me bem” (I1).

“ (…) gostava de me confessar no momento da morte e receber a extrema unção” (I6).

Rezar no momento da morte surge como uma necessidade no sentido de chamar Deus para o local, por isso nasce também a subcategoria poder rezar, mencionada também por dois idosos:

“ (…) gostava que rezassem por mim para sentir que Deus está ali (…)” (I4). “ Uma pessoa que está a morrer (…) quer é que rezem com o doente (…) é muito importante rezar no momento da morte” (I6).

Quadro 12 - Perspetiva do idoso em processo de fim de vida acerca dos cuidados que gostaria de ter no processo de morrer

De entre vários cuidados referidos como importantes no processo em fim de vida, o cuidado mais relevante para o idoso em processo de fim de vida de uma estrutura residencial são os promotores da dignidade. A dignidade da pessoa traduz o dito que cada homem tem de ser reconhecido como ser único e insubstituível. Kant (1995) foi primeiro a exaltar a dignidade da pessoa, para ele tudo tem um valor: um preço ou uma dignidade. E NT RE V IS T AD OS E Promotores de dignidade Promotores do alívio do sofrimento Promotores do acompanhamento

Facilitadores de prática religiosa

Equipa de saúde

Família Receber extrema-unção Poder rezar I 1 X X X I 2 X X I 3 X X X I 4 X X X I 5 X X I 6 X X X I 7 X X

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1.8. Fatores Potenciadores de uma Boa Morte na perspetiva do Idoso em processo