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Perspetiva sobre a Qualidade de Vida no Envelhecimento

Parte II - Estudo Empírico

Capítulo 4. Apresentação dos Resultados- Entrevista Semiestruturada aos

4.1. Perspetiva sobre a Qualidade de Vida no Envelhecimento

De seguida apresenta-se os dados relativos à dimensão Qualidade de

Vida no Envelhecimento, onde se pretendeu identificar a perceção da pessoa

idosa sobre a qualidade de vida no envelhecimento, bem como os fatores que

a potenciam. Para tal considerou-se necessário dividir a apresentação dos

dados por subpontos que representam as sub-dimensões, sendo estas a

perceção, os fatores potenciadores e a promoção da qualidade de vida.

Quadro 3: Qualidade de vida no envelhecimento

Dimensão Sub-dimensão Questões Análise global

Qualidade de vida no envelhecimento Perceção acerca da qualidade de vida O que é envelhecer com qualidade de vida?

- Não sabe responder (E1; E2) - Relaciona-se com bem-estar (E3; E4; E5)

Considera que tem qualidade de vida?

- Considera que não tem qualidade de vida (E1;E2; E5)

- Considera que tem qualidade de vida (E3; E4)

Fatores potenciadores de qualidade de

vida

O que acha preciso para se ter um envelhecimento com

qualidade de vida?

- Não sabe responder, visto referir que não tem qualidade de vida (E2) - Saúde (E1; E4; E5)

- Apoio dos amigos e da família (E3; E4; E5)

- Estabilidade financeira (E4;E5) - Presença de um cuidador formal (E5)

Promoção da qualidade de

vida

O que pode melhorar para que tenha mais qualidade de vida?

- Melhoras a nível da saúde (E1; E4) - Melhoras a nível financeiro (E2; E5) - Melhoras a nível da saúde dos familiares (E2)

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O que sente falta?

- Saúde (E1; E5) - Dinheiro (E1; E4; E5)

- Familiares que faleceram (E2; E3) - A família possuir bem-estar (E2;E5) - Amizade e companheirismo (E3)

Fonte: Dados recolhidos pela investigadora durante fevereiro de 2017 através da aplicação das entrevistas semiestruturadas

4.1.1. Perceção sobre a Qualidade de Vida

Para se analisar o entendimento dos entrevistados em relação à

qualidade de vida, considerou-se necessário questionar o que estes

compreendiam por qualidade de vida de uma forma geral e depois numa

perspetiva individual, se estes consideravam ter qualidade de vida.

Em relação à primeira questão, as entrevistadas Aldora (E1) e Rita (E2)

referiram não ter conhecimento acerca do tema, “Não sei o que é”. Os

restantes entrevistados referem que o termo se relaciona com bem-estar, que

aqui pode ser visto de uma forma positiva ou negativa, dependendo se há

bem-estar ou ausência do mesmo. Sendo que associam o bem-bem-estar ao manter

capacidades e realizar tarefas, ter saúde, apoio da família, possuir dinheiro

para fazer face às suas despesas e ter alimentação.

“Envelhecer é a gente…as idades vão subindo e nós vamos… tendo a nossa qualidade, tão boa como má. Qualidade de vida é se a gente…

estamos bem, se estamos mal. Acho que seja isso.”(Dinis,E3)

“Olhe para mim era estar sempre bem, até ser velhinha. Mas é isso que a gente não tem. É envelhecer com saúde, com a família, pagar as nossas coisas.”(Filomena,E4)

“Envelhecer é comer alguma coisa e… morrer de repente. Qualidade de vida… é ainda poder fazer qualquer coisita, o indispensável… a gente

estar bem… mas é aquilo que eu não, eu não posso fazer… Envelhecer

com qualidade de vida é darem-me qualquer coisinha de comer e é comer e estar bem-disposta e não fazer nada porque não posso.(Marta,E5)

Quando questionados em relação ao ter qualidade de vida, os

entrevistados, Aldora (E1), Rita (E2) e Marta (E5), afirmam que não possuem

qualidade de vida,

Eu já não tenho nada que me faça bem. Não tenho, já não devo ter. Já

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“Não tenho.” (Rita, E2)

“Eu não, não tenho neste momento, não tenho. Porque não me posso

governar, não posso-me mexer, quase a bem dizer, tenho que andar com

2 muletas… e o meu marido está no hospital daqui a pouco há 2 meses …”

(Marta, E5)

Já os entrevistados Dinis (E3) e Filomena (E4), afirmam que têm

qualidade de vida,

“Sim. Sou ativo. Faço ginástica, faço manutenção, ando de bicicleta… venho aqui às Cáritas.” (Dinis,E3).

“Por enquanto tenho. Agora daqui para a frente não sei. Sim tenho qualidade de vida.” (Filomena, E4).

No que concerne ao ter qualidade de vida ou não, as respostas

relacionam-se com o se manterem ativos, com capacidades de realizar tarefas

e com questões de saúde.

4.1.2. Identificação dos Fatores Potenciadores de Qualidade de Vida

Em relação ao que é necessário para que ocorra um envelhecimento com

qualidade de vida, a entrevistada Rita (E2), sendo que não sabia de que se

tratava o termo e após explicação referiu que

“Já não tenho bem-estar nenhum”,

demonstrando que não saberia o que era necessário para potenciar a

qualidade de vida. Os demais participantes consideram como fatores

potenciadores, a saúde, o apoio dos amigos e familiares, a estabilidade

financeira e a presença de um cuidador formal.

“Olhe era me dar saúde.” (Aldora, E1)

“Haver apoio dos amigos e da família principalmente.” (Dinis, E3)

“É envelhecer com saúde, com a família, pagar as nossas coisas… É a

gente ter saúde… é a gente passar um dia e outro assim bem. Acho que é isso, essas coisas.” (Filomena, E4)

“O que é necessário… é o governo dar mais alguma coisa a gente, aquilo que não dá… dinheirinho para a gente poder pagar a uma pessoa, que

ajude que pelo menos ajude no dia-a-dia… é tratar a gente bem, é haver uma pessoa que trate a gente bem… e ter saúde, mas eu não a tenho, é

ter uma pessoa… ter saúde já faz as coisinhas… e a família… e estar bem para fazer as coisas e não precisar pagar, gastar dinheiro… inutilmente…”

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4.1.3. Perceção sobre a Promoção da Qualidade de Vida

Considerou-se necessário para os objetivos do estudo, indagar de forma

individual que qualidade de vida tinham os participantes. Neste sentido foi

solicitado que indicassem o que poderia mudar nas suas vidas para que

tivessem mais qualidade de vida e o que consideravam que lhes fazia falta.

As respostas foram variadas, mas possíveis de se enquadrar nas

seguintes categorias: saúde, económico, família e amizade. Desta forma

considera-se fundamental analisar individualmente as respostas, para assim

apresentar um resultado fiel e não generalizado.

A entrevistada Aldora (E1), referiu a importância das melhoras ao nível da

saúde e ao nível financeiro, demonstrando que a ausência destes, não permite

a realização de algo que conduz a um condicionamento e perda de autonomia.

“Era melhorar, era me dar saúde e melhorar, para me poder governar. Olhe para além da saúde, era dinheiro. Que é o que toda a gente tem falta.” (Aldora, E1).

Ao analisar a resposta da Rita (E2), verifica-se que se refere as melhoras

do nível financeiro e da saúde dos familiares, fazendo referência à falta de

familiares que faleceram e ao bem-estar da família. Quando questionada em

relação a fatores que lhe propiciam qualidade de vida, esta revela grande

preocupação com o bem-estar da família e não com fatores pessoais e

individuais.

“…Falta-me o meu filho que faleceu, falta-me o meu marido… e vejo os meus que também não estão bem… tão pagando casa para habitar, eu isso tenho, a

minha casa é minha, que fizemos a gente… com muito sacrifício mas fizemos… e os meus filhos estão pagando ao banco, quase que o dinheiro não lhe chega… os meus filhos e os meus netos também…a minha nora também não está bem… ela também teve de se reformar cedo, tem uma reforma pequena também… pois já se sabe. Isso

nada me faz feliz. Sinto falta de os ver bem a eles (família), não é já por mim é por os

ver… não os ver bem a eles.” (Rita, E2)

Já o entrevistado Dinis (E3) partilha a necessidade de ter mais contacto

com a família, referindo que tem sentido a falta do cônjuge que faleceu,

nomeadamente da amizade e companheirismo que tinha com a esposa.

Era os meus filhos telefonarem mais vezes, todos os dias, pelo menos uma vez por dia, os

dois. Amizade, que falta desde que a minha senhora faleceu. Falta companheirismo.”

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A participante Filomena (E4), faz referência a melhorias da sua saúde e

ao nível financeiro.

O que podia melhorar era… eu andar bem dos diabetes e… a

minha saúde ainda estar melhor do que esta. O que eu queria que tivesse melhor a minha vida, era dinheiro. Era ser a reforma melhor para eu estar melhor e ter mais bem-estar. Era isso.” (Filomena, E4)

Quanto à entrevistada Marta (E5), refere que para ter mais qualidade de

vida, necessita de melhoras ao nível económico e da saúde.

“Era o governo dar

mais algum dinheiro, não dar o que dá, que é uma miséria. É isso, é a saúde do meu

marido é a minha saúde e é algum dinheirinho para me poder governar.” (Marta, E5)

4.2. Determinação da Rede de Apoio Social, como Suporte para