Capitulo VI – Apresentação e Análise do Estudo do Caso
6.3. Operacionalização da PES em contexto de sala de aula na ESJO
6.3.4. PES 4 (14/05/12-11h45m) e PES 5 (15/05/12-11h45m)
6.3.4.1.
Justificação dos métodos, técnicas e recursos utilizados
Ao contrário das aulas anteriores, em que cada uma delas foi planeada e preparada de forma individual, mesmo sabendo que as temáticas se relacionam, desta vez decidimos planear duas aulas de uma forma conjunta, como se só de uma aula se tratasse. Tal deveu-se ao facto de que pensamos e elaboramos determinadas actividades (descritas a seguir) que teriam continuação na aula seguinte.
Feita a nota introdutória desta aula, convêm salientar que o objectivo maior foi a resolução de uma ficha
formativa de trabalho e a criação de artigos para um jornal da escola denominado “A sebenta da
União Europeia”27
feito através de um Wiki e apresentada posteriormente por cada grupo de alunos aos restantes colegas na PES 6.
27
A utilização deste Wiki, para lá de promover a construção do conhecimento e a participação dos alunos, implica também uma vertente que pretendemos explorar nesta aula, isto é, o trabalho/aprendizagem
cooperativa, o que entendemos que seria mais fácil de aplicar visto que se trata de uma turma de
dimensão reduzida, logo de menor complexidade em termos de aplicação da técnica a explorar.
A aprendizagem cooperativa, segundo Lopes e Silva (2011:141), proporciona um rendimento maior comparativamente com métodos de aprendizagem mais individuais, destacando estes autores outros autores como Johnson, Johnson e Holubec (1993), que referem que o trabalho cooperativo consiste em trabalhar na sala de aula em pequenos grupos de forma a maximizar a própria aprendizagem e a dos colegas. Citam ainda Fathman e Kessler (1993), ao referirem que este tipo de estratégia permite que todos os alunos troquem informações, interajam entre eles, mas que no entanto podem ser avaliados de forma individual pelo seu trabalho.
Além disso, segundo Lopes e Silva (2009:5-6), este tipo de técnica permite ao professor atingir determinados domínios nos alunos, dos quais destacamos a motivação dos alunos, a perspectiva de coesão social que passa pela responsabilidade individual e de grupo, a interacção estimuladora entre os diferentes elementos, benefícios na avaliação e, por fim, toda a perspectiva cognitiva que o professor espera atingir no final da aula onde a técnica foi utilizada.
Embora existam vários métodos para a aplicação da aprendizagem cooperativa, optamos pela construção de um jornal complementado pela utilização de um Wiki introduzido na parte inicial pelo professor, mas desenvolvido e concluído pelos alunos ao longo das duas aulas.
O Wiki tem a vantagem de não necessitar de conhecimentos de programação pelo que se torna de fácil utilização, podendo cada utilizador acrescentar, editar e apagar conteúdos ainda que criados por outros autores, apresentando-se num ambiente Web simples e objectivo, criado a partir de um simples browser (Aguiar e David, 2005; Schmitt, 2006, cit. In Duarte, 2011:9)
A utilização do Wiki, de acordo com Duarte, é vista numa perspectiva de colaboração do conhecimento e como fonte de recurso a esse conhecimento, citando autores como Hofman (2008) ou Leite e Leão (2009), que defendem isso mesmo, além de que descrevem algumas potencialidades que este tipo de método permite:
“Algumas potencialidades dos Wikis podem ser descritas como a interacção e a colaboração dinâmica com os alunos; a troca de ideias, criar aplicações, propor linhas de trabalho para determinados objectivos; recriar ou fazer glossários, dicionários; ver todo o histórico de modificações, permitindo ao professor avaliar a evolução registada; gerar estruturas de conhecimento partilhado, colaborativo que potencia a criação de comunidades de aprendizagem; integração dentro dos edublogs porque ainda que distintos em termos de concepção podem ser integrados de forma complementar.”
Resumindo, e ainda segundo Duarte, esta técnica, método ou recurso (na verdade temos alguma dificuldade em conseguir classificá-lo correctamente a qual das diferentes categorias pertence),
proporciona desde logo três características que são fundamentais na educação: simplicidade, serem espaços abertos a todos os utilizadores e apresentarem uma estrutura flexível possível de adequar ao objectivo do ensino pretendido.
Para a concretização do Wiki usamos o programa WikiZoho28 que foi do agrado dos alunos tal a simplicidade de instruções que o mesmo revelava para a criação do pretendido, devendo-se também referir que foi criado um correio electrónico para turma através de uma conta do gmail29,para onde enviamos todos os passos necessários para que as alunas conseguissem entrar no Wiki30 e trabalhar os artigos do jornal a criar. Além disso esta conta electrónica pode ser, caso o professor cooperante e as alunas assim o pretendam, utilizada nas restantes aulas para lá das que leccionamos no âmbito deste projecto, funcionando como depósito e troca de materiais importantes para as temáticas a leccionar.
A simulação da criação de um jornal para a escola denominado “A Sebenta da União Europeia”31, através do Wiki criado, foi feito com base num programa do Microsoft Office, o Microsoft Publisher, ideal para a elaboração de layouts com texto, gráficos ou fotografias e para publicações para impressão ou páginas da Web. A importância da criação deste jornal foi enorme tal a participação dos alunos no desenvolvimento do mesmo e a possibilidade de pesquisarem e construírem artigos que no fundo se revelaram sintetizadores das temáticas leccionadas até então.
6.3.4.2.
Análise reflexiva da PES 4 e 5
Para lá das competências no domínio cognitivo definidas para estas duas aulas, interessou-nos também criar actividades que nos permitissem desenvolver as competências definidas para o domínio das atitudes, como tal, ter- se criado um jornal através de um WIKI, revelou-se uma das melhores opções que poderíamos ter tomado, uma vez que mais do que ter sido do agrado dos alunos, foi extremamente positivo vê-los interessados, a pesquisar informação, a agir autonomamente enquanto grupo, mas ao mesmo tempo, a trabalharem de forma colaborativa e interdependente.
Julgamos, também, que o facto de se tratar de uma turma reduzida em número de elementos e onde existe uma boa relação entre todas as alunas, seria um factor a explorar daí que a escolha aleatória dos grupos de trabalho não tenha levantado qualquer tipo de problema ou constrangimento, situação que a acontecer poderia atrasar os ritmos de tempo planeados.
Aproveitamos a actividade do jornal para concretizar não só as temáticas destas aulas (as instituições europeias), mas todos os conteúdos leccionados até ao momento, contudo, ficamos com a sensação de que só deveríamos ter feito a ficha formativa de trabalho na PES 5 e não na PES 4. Tendo como objectivo a concretização de todas as matérias acabamos por não abordar a temática das instituições europeias nas questões elaboradas. Para lá desse pormenor houve alguma razão por parte das alunas (devemos reconhecê-lo) ao queixarem-se de que se calhar a ficha formativa seria muito longa para o tempo atribuído à resolução da mesma.
28
Disponível em https://wiki.zoho.com/mywiki.do
29
Conta gmail – utilizador: [email protected]; palavra-chave: esjosefadeobidos
30
Link do Wiki: http://jornalasebentadauniaoeuropeia.wiki.zoho.com
31
São pormenores que nos escaparam e que deveríamos ter tido um maior cuidado, mas que tentamos resolver na altura dando-lhes mais tempo para a resolução. São situações que realmente acontecem mas que, por outro lado, nos fazem ganhar uma maior sensibilidade para a gestão dos tempos no futuro. Tirando este pequena situação, podemos dizer que as aulas correram bastante bem, sem perdas de tempo, tendo as alunas assumido o papel de colunistas do jornal de uma forma que nos surpreendeu positivamente e onde se notou que, embora trabalhando em grupos separados, todos tiveram o cuidado de ver o que os colegas estavam a fazer para que desta maneira não abordassem conteúdos para lá do que estava definido e que não lhes pertencessem. Houve de facto uma enorme interacção entre o professor e as alunas e isso é o que nos apraz mais registar. Na verdade acabamos por trabalhar todos em conjunto e era isso mesmo que se pretendia.
Cognitivamente falando, julgamos que foi das aulas que os alunos melhor concretizaram tudo o que tinham aprendido até então, o que acabou por ser mostrado na aula seguinte (PES 6).
Em termos de avaliação, a mesma foi feita tendo em conta a ficha formativa que resolveram e a qual corrigimos em casa e que demonstrou que na sua maioria os conceitos leccionados tinham sido compreendidos. Além disso, continuamos a optar pelo registo da grelha de avaliação com base na observação directa e, tal como nas anteriores, as alunas mostraram que tiveram um grande interesse pelas actividades solicitadas.