4. Resultados
4.1. Hipóteses filogenéticas
4.1.2. Pesagem implícita
4.1.2.6. Pesagem implícita (k=100,000)
A árvore de parcimônia com pesagem (k) de 100.000 conforme método sugerido por Goloboff (2008a) obteve um índice de consistência (IC) de 0,222, um índice de retenção (IR) de 0,563. Nesta árvore pode-se observar a existência de dois clados principais (Figura 20). O primeiro clado é formado pelos gêneros Xylopoemon, Lawsonia, Dasyrhopala, Tribasileus, Hoplorhaphus e Ptychoderes e foi formado baseado nas homoplasias margem anterior do rostro sinuosa (11) e úmeros projetados em tubérculos presentes (341).
T r e e 0 :
O segundo clado é formado por todos os demais gêneros incluídos na análise, exceto os supracitados e não possui nenhuma característica que o suporte. Dentro deste clado é imporante ressaltar a posição de dois gêneros, Discotenes e Meconemus.
Figura 20. Árvore de máxima parcimônia com pesagem implícita (k = 100,000)
T r e e 0 :
O gênero Discotenes foi recuperado como grupo-irmão de Apinotropis, fazendo parte de um agrupamento junto com os demais gêneros da tribo Stenocerini (Stenocerus), Piesocorynini (Piesocorynus), Cappadocini (Systellorhynchus) e gêneros considerados incertae sedis, Eugonissus, Stanleethribus, Gynarchaeus, Garyus, Isanthribus e Kuschelothribus (Figura 20). Esse clado é suportado pelas seguintes homplasias: antenômero II metade do comprimento do antenômero III (210), faixa na margem ocular interna presente (491) e cor no tufo de cerdas do pronoto castanho escuro (531).
Com relação ao gênero-tipo de Ischnocerini, Meconenus, este foi recuperado como grupo-irmão de Lophus e Hylotribus, como observado nas análises anteriores (Figura 20). Apesar desse agrupamento já ter sido encontrado em diversas outras análises, desta vez ele foi suportado por características distintas das anteriormente descritas. Nesta análise o clado foi suportado pelas homoplasias carena longitudinal no submento presente (111), tubérculo na interestria 6 presente (421) e tufo de cerdas no pronoto presente (511). Neste clado foi recuperado o monofiletismo do gênero Hylotribus. Hylotribus foi recuperado, nesta análise, como grupo-irmão do gênero Lophus (Figura 20).
4.2. Descrição de novos gêneros de Anthribidae do Chile
4.2.1. Stanleethribus gen. nov.
Anthribinae Billberg, 1820
Incertae sedis
Stanleethribus gen. nov.
Espécie-tipo. Stanleethribus excelsior Queiroz and Mermudes sp. nov., por monotipia
Etimologia. Uma combinação dos nomes Stan Lee com Anthribus. Em homenagem ao grande escritor de quadrinhos e criador do Marvel© Universo, Stan Lee, que faleceu no final de 2018 aos 95 anos deixando um material de ficção incrível e surpreendente, que inspirou muitas gerações desde os anos 40. Sexo masculino.
Diagnose. Rostro mais longo que largo, mais estreito na porção mediana, escrobos laterais
fortemente escavados dorsalmente; ápice do rostro com arco côncavo, irregular. Olhos subtruncados anteriormente e estreitados posteriormente. Carena transversal basal, carena lateral oblíqua e moderadamente alongada, atingindo o meio do pronoto. Carena secundária presente. Proesterno fortemente transversal, processo proesternal curto e subtruncado no ápice, com discreta gibosidade em cada lado, terminando com uma projeção do proepímero, que é arredondada no meio. Pigídio com sulco curto e raso para encaixar o ápice dos élitros. Pernas com fêmur pedunculado-clavado, pedúnculo curto, menos de um terço da clave, tíbia cilíndrica comprimida lateralmente. Tíbias
expandidos no ápice. Tegmen com o corpo alongado e lados convergentes para o ápice. Tectum e pedon abruptamente agudos. Placa dentada com cinco dentes, dois ventrais fundidos por um processo interno em forma de língua.
Descrição. Rostro mais longo que largo, mais estreito na porção mediana, escrobos dorsais
fortemente escavados; ápice do rostro com arco côncavo apical, irregular; olhos arredondados, lateralmente posicionados; margem anterior subtruncada, margem posterior ligeiramente estreitada.
Antenas alongadas, mais longas nos machos, quase do mesmo tamanho do corpo; antenas nas fêmeas um pouco mais curtas, atingindo o meio do élitro. Pronoto mais longo que largo, margens laterais convergentes anteriormente, margem anterior metade da largura da margem posterira meio anterior. Carena basal côncava na porção mediana, ligeiramente sinuosa para os lados; carena lateral oblíqua e moderadamente alongada, atingindo o meio do pronoto antes da sutura pleural;
carena lateral secundária muito curta. Proesterno fortemente transverso, processo proesternal curto, tão largo quanto um terço das procoxas, subtruncado no ápice; terminando em uma projeção do proepímero, arredondada no meio. Élitro subcilíndrico, paralelo nos lados; úmero projetado e arredondado; gibosidade basal quase nula; declividade apical suavemente curvada; interestria com finas pontuações obliteradas pelo revestimento. Mesoesterno suavemente convexo, processo mesoesternal tão largo quanto a mesocoxa, truncado no ápice. Metaesterno liso e fortemente convexo. Ventrito V ligeiramente maior que IV; II-IV subigauis no comprimento. Pigídio mais longo que largo, sulco para encaixe do vértice do élitro curto e raso; machos com linha transversal alongada lateralmente (obliterados por revestimento), atingindo o primeiro terço de comprimento, amplamente arredondados no ápice. Pernas alongadas; fêmur pedunculado-clavado, pedúnculo curto, menos de um terço da clave, tíbia cilíndrica e lateralmente comprimida; tíbias anteriores ligeiramente mais longas que os fêmures, distintamente espessadas e expandidas no ápice;
mesotíbia e metatíbia subiguais ao comprimento do fêmur. Tarsômero I levemente mais longo que II; III fortemente comprimido e bilobado.
Observações. Stanleethribus gen. nov. distingue-se dos outros gêneros de Platystomini pelo rostro
mais desenvolvido, pelos olhos menos protusos e lateralmente localizados e pelo pronoto de formato rombóide. Com relação aos demais gêneros, assemelha-se a Litotropis Fairmaire, 1880, com espécies na região Afrotropical, e a Toxonotus Lacordaire, 1866, com espécies na região Neotropical, entretanto possuem um corpo mais robusto e antenas mais curtas.
4.2.1.1. Stanleethribus excelsior Queiroz & Mermudes sp. nov.
Etimologia. Excelsior do latim, e significa "grandioso, majestoso, incrível, superior”.
Diagnose. Rostro curto, profundamente escavado nos escrobos. Antenas alongadas, excedendo o
meio do pelitro, pedicelo curvado. Margens laterais do protórax lisas e uniformemente convergentes em relação à margem anterior, margem posterior mais larga que a margem anterior. Pronoto convexo. Carena basal côncava na porção mediana e ligeiramente sinuosa lateralmente. Élitro subparalelo nas laterais, úmero ligeiramente desenvolvido, arredondado. Ventrito V ligeiramente deprimido, truncado no ápice. Pênis com corpo pelo menos 1,5 vezes mais longo que os apódemas com uma ponte distinta entre os apódemas, saco interno com uma área espiculada proximal e ventral distinta.
Descrição. Macho. Revestimento. Revestimento dorsal com escamas finas, densas, decumbentes,
amareladas, esverdeadas e marrom-escuras. Rostro e fronte com escamas
branco-amareladas, mais densas no dorso do rostro e fronte, e uma estreita faixa mediana que atinge a margem anterior do pronoto, subdividindo o dorso da cabeça revestido por escamas esverdeadas;
lado interno dos escrobos com escamas brancas esparsas. Antenas com escamas branco-amareladas moderadamente finas e esparsas, III-VIII com cerdas apicais moderadamente curtas, porção ventral do tórax com escova compacta de cerdas, marrom-amareladas. Pronoto decada lado com grande faixa branca longitudinal vestida por escamas brancas e densas, quarto anterior com uma faixa branca mediana e curta, disco do pronoto grosseiramente coberto com escamas esverdeadas esbranquiçadas, variavelmente com algumas pequenas manchas escuras e irregulares. Escudo escutelar com escamas brancas, densas e alongadas. Élitro com escamas castanhas e densas, com áreas alongadas mais claras de escamas brancas na área do escudo escutelar e interestrias 3 e 5 (parcialmente interrompidas no terço mediano e apical); manchas escuras medialmente antes do terço médio e posterior com área marrom-escura nas interestrias, formando uma linha transversal irregular, imediatamente antes da declividade apical. Pigídio com cerdas brancas, mais densas na linha média e ao longo da margem lateral e apical. Superfície ventral e pernas com escamas branco-amareladas densas, mais densas no metaepisterno.
Rostro. Rostro curto, tão largo quanto longo, profundamente escavado nos ecrobos, sinuoso na margem apical (Figura 21); carena dorsal mediana rasa, sem pelos, alcançando o meio da fronte, margem dorsal do escrobo cariniforme. Ventralmente com pontuações esparsas rasas no lado inferior e interior; mento corrugado, com ranhura transversal na base. Antenas alongadas, superando o meio do élitro, pedicelo curvo, antenômeros compacto, II–VIII atado no ápice; escapo um terço mais curto que o antenômero III; III-VII igualmente em tamanho, VIII ligeiramente mais curto, IX e X deprimidos, três vezes mais largos no ápice; XI cônico, subigual a X em comprimento. (II = 0,32; III = 0,54; IV = 0,56; V = 0,58; VI = 0,56; VII = 0,51; VIII = 0,39; IX = 0,31; X = 0,2; XI = 0,21).
Protórax. Margens laterais do protórax lisas e uniformemente convergentes em relação à margem
anterior, margem posterior 1,7 vezes mais larga que a margem anterior (0,58 mm a 1,01 mm).
Pronoto convexo. Carena basal côncava na porção mediana e ligeiramente sinuosa para os lados (Figura 21); carena lateral oblíqua e moderadamente alongada, alcançando o meio do pronoto antes da sutura pleural (Figura 21); carena basal formando ângulo obtuso com carena lateral; carena lateral secundária muito curta. Proesterno com pontuações esparsas e corrugadas, com gibosidade em cada lado. Escutelo irregular. Élitro subparalelo nas laterais, úmero ligeiramente desenvolvido, arredondado; dorso do élitro ligeiramente achatado longitudinalmente, com uma declividade apical lisa, interestrias 5 e 7 ligeiramente proeminentes na declividade apical.
Abdômen. Ventrito II e III em tamanho subigual, IV um terço menor que III. Ventrito V
ligeiramente deprimido, truncado no ápice. Terminália: tergito VIII (Figura 22) anteriormente subparalelo, largo, estreitado na metade anterior, margem anterior larga, ligeiramente sinuosa no ápice, fortemente esclerotizada no terço lateral do ventrículo VIII (Figura 22) transversal, membranosa, ligeiramente esclerotizada em cada lado, tegmen com corpo com o mesmo comprimento do apódema (Figura 22), corpo levemente convergente em direção ao ápice, com anel esclerotizado, parâmeros fusionados, margem pré-apical discretamente emarginada, arredondado no ápice com um conjunto de cerdas curtas e discretas (Figura 22). Pênis com corpo pelo menos 1,5 vezes maior que apódemas (Figura 22), levemente curvado, com uma ponte distinta entre os apódemas; tectum e pedon fortemente agudo em direção ao ápice (Figura 22), tectum com uma curvatura suave no terço apical; pedon retilíneo; saco interno com área espiculada proximal e ventral distinta.
Fêmea. Antenas moderadamente alongadas, excedendo a margem posterior do protórax pelo ápice
do antenômero VII (II = 0,265; III = 0,353; IV = 0,369; V = 0,309; VI = 0,282; VII = 0,254; VIII = 0,207; IX = 0,295; X = 0,195 XI = 0,234). Ventrito V um terço maior que IV, deprimido na porção
mediana, com margem apical subtruncada. Pigídio 1,5 vezes mais longo que largo. Terminália (Figura 23): tergito VIII (Figura 23) paralelo nos dois terços proximais, com forte e aguda convergência em direção ao ápice, levemente pigmentado; esternito VIII (Figura 23) 1,5 mais longo que largo, truncado no ápice, ligeiramente esclerotizado em direção ao apódema (lados fortemente convergentes). Placas retais alongadas e estreitas, hastes laterais bem desenvolvidas, 10,0 vezes mais longas que largas. Ovipositor alongado (Figura 23), hastes laterais 4,0 vezes maior que o corpo, hastes intermediárias 3,0 vezes mais longas que o corpo, estreitas e fortemente curvadas;
placa dentada (Figura 23) com três dentes agudos dorsais bem desenvolvidos, dois ventrais fracamente desenvolvidos, fundidos por um processo interno tipo língua; placa dentada ventralmente com lóbulo redondo, mediano, desenvolvido, dorsalmente com pente de cerdas; stylus inserido em uma cavidade pelo menos 3,0 vezes mais larga que ele no meio da placa. Espermateca (Figura 23) estreitada e curvada no terço posterior, mais larga anteriormente, glândula da espermateca 2,0 vezes mais longa que a espermateca.
Figura 21. Stanleethribus excelsior sp. nov. A – hábito dorsal; B – hábito lateral; C – rostro dorsal;
D – rostro lateral. BC = Carena basal; LC = carena lateral.
Figura 22. Stanleethribus excelsior sp. nov. Macho. A – pígídio; B – esternito VIII; C – tegmen; D
Figura 23. Stanleethribus excelsior sp. nov. Fêmea. A – esternito VIII; B – placa dentiada do
Medidas machos / fêmeas, respectivamente, em mm. TL = 5,3-9,8 / 3,2; RL = 0,38-1,1 / 0,3 -;
RAW = 0,62-1,2 / 0,5; RBSW = 0,231 - 0,337 / 0,21; HW = 0,845 - 1,485 / 0,52; MLO = 0,37-0,606 / 0,4; PL = 1,27-2,49 / 0,8; PW = 1,51-3,14 / 1,1–; EL = 2,8-5,3 / 1,9; PE = 1,54-2,1 / 1,1.
Variabilidade. Machos com dimorfismo de tamanho (5,23–9,87mm). Disco do pronoto com algumas pequenas manchas escuras e irregulares, formando por vezes quatro pequenas manchas escuras e redondas. Élitro com variação de manchas escuras ou faixas, medialmente na metade anterior com faixa curvada ou levemente truncada, e antes da declividade posterior com área marrom-escura nas interestrias, alongada, formando uma linha transvesal irregular.
Material tipo. HOLÓTIPO macho de Los Rios, Oncol Park (malaise trap T2), 4–18.XI.2005,
Arias & Ruiz UC Berkeley leg. (MNNC). PARÁTIPOS também depositados em MNNC: CHILE.
Los Rios, (Prov. Valdivia: Valdivia), 1F, 21.IX.1980, (dissected); (Prov. Valdivia, Sto. Domingo), 1M, 18.X.1981; 1M, 1F, 29.XI.1981; 13.X.1985, E. Krahmer leg.; O‟Higgins,(Prov. Cardenal Caro, Tanumé, (W Pichilemu)),1M, 1.XI.1991, M. Elgueta leg.; (Prov. Colchagua, 45km N. Pichilemu), 1F, 1.XI.1991.; Bío–Bío, (Prov. Concepcion: Collico Norte, 40km a Concepcion), 1M, 13.XII.1991, J. Solervicens leg.; (Prov. Lagunilla: Concepcion), 1M, 06.XI.1993, T. Cekalovic leg.; Maule, (Prov. Talca, R. N. Los Ruiles), 1M, 02.X.2003, J. Mondaca leg.; Los Rios, (X Region, Chaihuin Reserve (fogging Coigue+Avellano, 39º59.963‟S 73º38.994‟W, 173m)), 1F, 15.I.2008; (Chaihuin, Res. Costera Valdiviana, Las Garzas (fogging Nothofagus nitida, 39º59.640‟S 73º35.197‟W, 9ºC)), 1F, 1M, 27.II.2008, E. Arias UC Berkeley et al. Leg.
Distribuição. Chile (O‟Higgins, Maule, Bío–Bío, Los Rios, Los Lagos) (Figura 26).
4.2.2. Kuschelothribus gen. nov.
Anthribinae Billberg, 1820
Incertae Sedis
Kuschelothribus gen. nov.
Espécie-tipo. Kuschelothribus hollowayae Queiroz and Mermudes sp. nov., por monotipia.
Etimologia. O nome é uma combinação de Kuschel mais “O” e Anthribus. Uma homenagem a
Guillermo "Willy" Kuschel, grande coleopterólogo do Chile, que dedicou sua vida ao estudo desta incrivelmente diversa fauna de coleópteros. Sexo masculino.
Diagnose. Rostro curto, mais largo que longo, profundamente escavado lateralmente por escrobos,
inserção antenal localizada dorsalmente; convexa na região dos escrobos, levemente tuberculado;
apicalmente deprimido. Escrobos foveiformes, escavados dorsalmente e abertos, mais profundo e vertical posteriormente; anteriormente entalhado sobre o encaixe antenal. Pigídio mais largo que longo, sulco central curto, atingindo o terço proximal, margem posterior vestigial para os lados.
Descrição. Rostro curto, mais largo que longo, profundamente escavado lateralmente por escrobos,
inserção antenal localizada dorsalmente; convexo na região dos escrobos. Escrobos foveiformes, escavados dorsalmente e abertos, mais profundos e verticais posteriormente; anteriormente entalhado sobre o encaixe antenal. Fronte com área ligeiramente irregular na base rostral. Olhos arredondados; margem anterior ligeiramente truncada e protraída, com omatídeos moderadamente grosseiros. Antenas atingindo o primeiro terço dos élitros, segmentos antenais fracamente
conectados. Protórax mais longo que largo, ligeiramente sinuoso nas laterais, convergente anteriormente. Pronoto com carena basal; carena lateral curta, terminando antes da sutura pleural;
declive posterior vertical, com carena transversal secundária vestigial. Escutelo mais longo que largo. Élitro cilíndrico, distintamente subparalelo nas laterais; declividade apical leve; estrias com pontuações evidentes; gibosidades basais quase nulas; garras apendiculadas. Pigídio mais largo que longo, sulco central curto, atingindo o terço proximal, margem posterior vestigial nas laterais.
Observações. Kuschelothribus gen. nov. pode ser distinguido de outros gêneros de Anthribinae pela presença dos escrobos dorsalmente abertos, que se assemelham àqueles encontrados em Choraginae. Entretanto, se diferenciam dessa subfamília devido ao corpo do ovipositor, articulado entre a placa dentada e hastes laterais, e a razão entre as hastes lateral e mediana que são características de Anthribinae (Holloway 1982). Não se encaixa em nenhuma tribo conhecida até o momento.
4.2.2.1. Kuschelothribus hollowayae Queiroz e Mermudes sp. Nov.
Etimologia. Este nome é uma homenagem a Beverley Anne Holloway, uma coleopteróloga notável da Nova Zelândia que contribuiu significativamente para o estudo de Anthribidae, especialmente com relação à fauna da Nova Zelândia.
Diagnose. Rostro duas vezes mais largo que longo no ápice profundamente estreitado pelos
escrobos, levemente tuberculado ao nível dos escrobos. Antenas atingindo o terço anterior dos élitros, pedicelo curvo. Protórax tão largo quanto longo, mais estreito na margem anterior, alargado em direção ao ápice, poligonal. Pronoto convexo, levemente curvado no disco mediano; carena basal distintamente inclinada para o meio, obtusa, retilínea nas laterais, produzindo um ângulo ligeiramente agudo com os lados. Élitro mais longo que largo, paralelo nas laterais, epipleura em
forma de S, sinuoso. Fêmea. Pigídio mais largo que longo. Ovipositor robusto, hastes laterais 2,5 vezes mais longas que o corpo.
Descrição. Macho. Revestimento. Tegumento marrom escuro, brilhante; mais escuro
ventralmente; antenas e tíbias amareladas; ápice do rostro e do fêmur marrom-avermelhado. Revestimento dorsal com cerdas castanho-escuras e brancas decubentes, levemente alongadas. Rostro e fronte com escamas alongadas esparsas, escamas brancas transversalmente entre os escrobos, antes da fronte. Antenas e pernas com cerdas translúcidas branco-amareladas esparsas. Cabeça com escamas curtas e pretas no vértice e fronte, margem ocular com escamas brancas mais densas, faixa discreta longitudinal no meio da cabeça. Pronoto com escamas pretas e brancas, anteriormente com duas faixas transversais irregulares, uma antes do meio, com escamas pretas, moderadamente esparsas, e outra com escamas brancas e mais densas; posteriormente, com duas manchas brancas, discreta faixa transversal próximo a carena transversal. Élitro com manchas intercaladas de escamas pretas e brancas, mais densas no disco elitral, segunda e terceira porções do élitro com mancha transversal distinta de escamas brancas, na margem posterior, com uma mancha de escamas brancas raras. Ventralmente com escamas escassas e pálidas; pernas com escamas curtas translúcidas, mais densas na margem externa das tíbias.
Rostro. Duas vezes mais largo que longo no ápice (Figura 24), no nível do escrobo, tão largo quanto longo, profundamente estreitado pelos escrobos, levemente tuberculado no nível do escrobo, fortemente deprimido no ápice. Fronte ligeiramente convexa e irregular na base do rostro. Olhos arredondados (Figura 24) e desenvolvidos, margem anterior ligeiramente truncada; com omatídeos grosseiros. Antenas que atingem o terço anterior dos élitros, pedicelo curvo, antenômeros robustos, III-VIII claviformes, segmentos da clava fracamente conectados. Pedicelo ligeiramente mais curto que o escapo, IV a VIII de comprimento subigual; IX mais largo que longo, piramidal, X ligeiramente mais largo que longo, laterais arredondadas, em forma de taça; XI cônico, fracamente
mais longo que largo. (II - 0,154; III - 0,120; IV - 0,109; V - 0,109; VI - 0,111; VII - 0,102; VIII - 0,111; IX - 0,170; X - 0,119; XI – 0,169).
Protórax. Protórax tão largo quanto longo (1,125–1,133mm), ligeiramente cilíndrico, mais estreito
na margem anterior, alargado em direção ao ápice, poligonal. Pronoto (Figura 24) convexo, levemente curvado no disco mediano; carena basal distintamente inclinada para o meio, obtusa, retilínea nas laterais, produzindo um ângulo ligeiramente agudo com os lados; carena lateral curta, reta e oblíqua; junções entre carena dorsal e lateral suavemente arredondadas; declive posterior vertical, com carena transversal secundária vestigial. Escutelo mais longo que largo. Élitro (Figura 24), quase 2,0 vezes mais longo que largo (2,042–1,134mm), paralela nas laterais, margem anterior suavemente côncava, ligeiramente sinuosa em direção ao escutelo, suavemente convexa, ligeiramente achatada no disco, sem gibosidades ou elevações, epipleura (Figura 24) em forma de S, sinuosa.
Abdômen. Ventritos II ligeiramente mais longos que I, II-IV de tamanho subigual, V mais curtos,
um pouco deprimidos no meio, com margem posterior suavemente curvada.
Terminália. A terminália masculina não foi dissecada porque apenas um macho, o holótipo, estava
disponível.
Fêmea. Terminália. Pigídio (Figura 24) mais largo que longo, sulco elitral curto e largo, no terço
anterior, lados convexos, suavemente curvados apicalmente. Ovipositor (Figura 25) robusto, hastes laterais 2,5 vezes mais longas que o corpo, hastes medianas 2,0 vezes mais longas que o corpo, placa denteada dorsalmente ligeiramente curva com três dentes bem desenvolvidos, um dente ventral diminuto e discreto. Stylus inserido medialmente, na porção ventral da placa.
Medidas. macho/fêmea, respectivamente em mm. TL = 4.25/3.2; RL = 0.268/0.3; RAW = 0.55/0.5;
RBSW = 0.265/0.21; HW = 0.691/0.52; MLO = 0.272/0.24; PL = 1.21/1.12; PW = 1.14/1.09; EL =
Figura 24. Kuschelothribus hollowayae sp. nov. A – hábito dorsal; B – hábito lateral; C – rostro dorsal; D – rostro lateral; E – pronoto dorsal; F – pigídio.
Figura 25. Kuschelothribus hollowayae sp. nov. Fêmea. A – ovipositor dorsal; B – ovipositor lateral; C – ovipositor ventral.
Material tipo. HOLÓTIPO macho do Chile, Bío–Bío, (Prov. Valdivia, Valdivia), 25.I.1981, E.
Krahmer leg., deposited at MNNC PARÁTIPOS também depositados em MNNC: Maule, (Prov.
Talca, R. N. Los Ruiles), 1F, 2.X.2003 J. Mondaca leg.; Bío–Bío, (Concepcion, Prov. Estero Nonguen),1F, 22.X.2003, T. Cekalovic leg.; (Ñuble, Alto Cobquecura), 3.XII.1989, J. Solervicens leg.; Los Rios, (Oncol Park (malaise trap)), 23.XII.2005–06.I.2006, Arias & Ruiz UC Berkeley leg.
(dissected; Los Lagos, (Chiloé, Cucao),1F, 5.II.1986, J. Solervicens leg.; (Chinquén (fogging Nothofagus nitida–Drymis winteri, 42º35.165‟S 74º05.557‟W, 7ºC, 13:50PM)),1F, 02.III.2008;
(fogging Nothofagus nitida, A. luma, 42º37.069‟S 74º05.951‟W), 1F, 04.III.2008, E. Arias UC Berkeley et al. leg.
Distribuição. Chile (Maule, Bío–Bío, Los Rios, Los Lagos) (Figura 26).
Figura 26. Mapa de distribuição. Distribuição de Stanleethribus excelsior sp. nov. apresentada por círculos pretos e distribuição de Kuschelothribus hollowayae sp. nov. apresentada por triângulos vermelhos.
4.3. Chave para as tribos e gêneros de Anthribinae do Chile
1. Olhos emarginados anteriormente, perto dos escrobos. Carena do pronoto sub-basal, não entrando em contato com a margem anterial do élitro em qualquer ponto ao longo do seu comprimento.
Zygaenodini. ………...……….…... Ormiscus Waterhouse, 1845 - Olhos não emarginados anteriormente, distintamente arredondados ou com margem ligeiramente truncada. Carena do pronoto distintamente basal ou antebasal ….………... 2
2. Pronoto com carena antebasal ……….……... 3 - Pronoto com carena basal………..……….………….. 4
3. Carena do pronoto antebasal fragmentada, proeminente nas laterais do protórax. Pronoto e élitros com tubérculos com tufos de cerdas curtas e escuras. Discotenini………...….Hylotribus Jekel, 1860 - Carena do pronoto antebasal inteira (não fragmentada), não proeminente nas laterais do protórax.
Pronoto e élitros sem tubérculos. Cappadocini………. Systellorhynchus Blanchard, 1849
4. Rostro profundamente escavado na porção mediana e estreitado pelos escrobos antenais, estes fortemente abertos dorsalmente. Protórax mais longo que largo……….5 - Rostro com laterais subparelalas, não esvados nem estreitados. Escrobos antenais distintamente fechados dorsalmente. Protórax tranverso. Corrhecerini ………..…..Corrhecerus Schönherr, 1826
5. Rostro mais longo que largo, mais estreino na porção mediana; não tuberculado dorsalmente.
Olhos subtruncados anteriormente e estreitados posteriormente. Proesterno fortemente transversal, com gibosidade discreta de cada lado. Protíbias de machos ligeiramente mais longos que os