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14.1 Pesca artesanal

No documento Problemas e Perspectivas do Setor Pesqueiro (páginas 60-62)

A pesca artesanal é definida como aquela em que o pescador sozinho ou em parcerias participa diretamente da captura de pescado, utilizando ins- trumentos relativamente simples. Os pescadores artesanais retiram da pesca sua principal fonte de renda, ainda que em certos períodos possam exercer outras atividades (Diegues, 1988). Enquanto processo de trabalho, ela en- contra-se em contraste com a pesca industrial por ser exercida com métodos simples e suas características são bastante diversificadas, tanto em relação aos locais onde atuam quanto aos estoques que exploram (Begossi, 1992; Maldonado, 1986).

A pesca artesanal disputa, hoje, recursos com grandes empresas de pesca industrial, que possuem infraestrutura muito desenvolvida referente aos barcos e recursos de pesca (Marques, 2001). Mesmo assim, a pesca artesa- nal continua sendo responsável por um elevado número de empregos nas comunidades pesqueiras.

Vida de pescador artesanal definitivamente não é fácil: a rotina é exaustiva e arriscada. Antes mesmo de o sol nascer, muitos já pegaram suas canoas para se aventurarem em alto mar, mas a hora da volta é uma dúvida a cada dia. Os pescadores artesanais seguem a sua intuição e a experiência de uma vida para achar o cardume, para então jogar a rede. As malhas sempre seguem as medidas de 70, 80 milímetros ou mais de diâmetro, de forma a só pegar pei- xes adultos, ao contrário da rede de malha fina, usada pela pesca de arrasto. Ao chegar ao local escolhido, começa a cansativa tarefa de jogar uma rede de mais de mil metros de comprimento, mantendo-a afastada da canoa,

Infraestrutura: é o conjunto de atividades e estruturas da eco- nomia de um país que servem de base para o desenvolvimento de outras atividades. Fazem parte da Infraestrutura de um país: rodovias, usinas hidrelétricas, portos, aeroportos, rodoviárias, sistemas de telecomunicações, ferrovias, rede de distribuição de água e tratamento de esgoto, sistemas de transmissão de energia, etc.

com o auxílio de um bastão. Depois de estendida a rede, o barco dá uma volta e o pescador começa a jogar a poita, um chumbo de mais ou menos dois quilos, atado a uma longa corda, para ancorar a rede. Essa rotina é feita quase que constantemente, durante todo o dia, e há vezes em que uma redada não produz nada. Ao final, o produto diário nem sempre é suficiente para pagar sequer o óleo gasto.

A diferença de preço entre o custo do material, o valor pago pela peixaria ao produtor e o preço pelo qual este é vendido no mercado é mais uma realida- de a amargar a vida dos pescadores. Uma rede de malha, com 150 metros de comprimento e malha de 100 milímetros, custa em torno de 1.000 reais, quantia que a maioria dos pescadores leva aproximadamente de 3 a 4 meses para conseguir, e uma canoa motorizada não sai por menos de 5.000 reais. Pesca artesanal é aquela atividade desenvolvida por pessoas que tornam o ato de pescar sua atividade primeira e principal, uma forma de emprego. Dentro da pesca profissional, mais linhas separam os pescadores e pescado- ras e a principal delas tem a ver com escala da pescaria, com o fato de ser em benefício próprio ou não e com os instrumentos que utiliza. De uma maneira geral, aquele tipo de pesca realizado pelo próprio pescador (ou seja, aquela atividade em que ele é patrão, empregado e sócio), possivelmente com a ajuda da família, é chamada de pesca artesanal.

Outras características desse tipo de pesca é sua escala pequena – afinal, é um pescador colhendo peixe sozinho, quiçá com a ajuda de uma ou duas pessoas – e os instrumentos utilizados, com o emprego de tarrafas, anzóis, redes pequenas, barcos de pequeno porte, que têm uma limitação de dis- tância da costa, entre outros. O outro tipo de pesca é a industrial, por ser desenvolvida por empresas, contar com embarcações grandes ou frotas de pequenos barcos, utilizar instrumentos para pegar peixes em maior escala e, em alguns casos, uso de redes de arrasto quilométricas, com malha mais fina do que a permitida, causando uma verdadeira destruição ambiental.

O maior dos problemas enfrentados, pelo pescador artesanal é a pouca quantidade de peixe. Por que isto acontece? Pesca predatória e sobrepes- ca são as principais respostas. A primeira tem a ver com qualidade do que é pescado. A segunda, com quantidade. Os grandes barcos da pesca industrial são os principais responsáveis pela pesca predatória, com redes de arrasto de quilômetros (algumas fora dos padrões, tendo uma malha mais fina do que o permitido, ou seja, com abertura menor do que a autorizada) que saem arrastando tudo o que encontram pelo caminho. Esse tipo de pesca não

Pesca predatória: é o tipo de pesca que retira do ambiente aquático mais do que ele consegue repor, levando a consequências desastrosas: pode limitar a produtividade pesqueira – com impacto social – e comprometer o equilíbrio ecológico.

e-Tec Brasil

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Aula 14 - Pesca artesanal

seleciona o que pega, podendo capturar espécies que não se deseja, amea- çadas ou não, e matando muitos dos animais neste processo.

Em síntese

Pesca artesanal:

poder de captura menor

uso de técnicas tradicionais

estoques pesqueiros mais controlados

o pescador sozinho, ou em parceria, participa da captura do pescado

Saiba mais

Você sabia que os pescadores artesanais são responsáveis hoje por cerca de 65% da pesca nacional, o que representa mais de 550 mil toneladas por ano? Essa produção é resultado da atividade de mais de 700 mil trabalhado- res em todo o país.

Atividade de aprendizagem

No documento Problemas e Perspectivas do Setor Pesqueiro (páginas 60-62)

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